Tenho em minha cabeça de cronista a imagem viva da "Bobinha de Balneário Camboriú", a Terezinha. Sinto a necessidade de descrever o lado ingênuo e humano dessa mulher que construiu uma fantasia sobre mim; uma fantasia que eu, percebendo, ainda alimentei por uma semana antes de romper a relação que, convenhamos, estava destinada ao fracasso desde o primeiro instante.
A conheci num site de relacionamentos. Em duas ou três conversas, intimei-a para um encontro. Queria ver se teríamos algo em comum, além dos caracteres de uma tela. De imediato, sem questionar, ela me deu seu número. Ali começou um diálogo onde a fantasia foi o ponto culminante. Desde as primeiras impressões, ela me tratava como algo especial, um enviado de Deus que ouvira suas preces. Para ela, eu não tinha defeitos — era um conjunto de virtudes e mais virtudes: inteligente, bonito por dentro e por fora, de coração bondoso e um escritor talentoso.
Aquilo começou a me incomodar. Não é normal alguém olhar para você e enxergar apenas a perfeição. Nenhuma crítica, nenhum comentário sobre um detalhe menos nobre... nada, nadinha. Essa ausência de senso crítico despertou em mim a sensação de que ela estava, na verdade, desesperada.
O atrativo físico era zero. Ela carregava os resquícios de uma obesidade mórbida; provavelmente fizera bariátrica, mas restara a papada, os braços mais volumosos que os meus e uma barriga saliente. E mancava. Ela jurava que rompera os tendões e que não mancava mais, mas o passo coxo era impossível de esconder. Aquilo me perturbava. O que eu estava fazendo ali?
Fui porque acreditei na sua "conversa mole": disse que também escrevia, que adorava ler, que tinha centenas de CDs e LPs. Posicionou-se como minha versão feminina. Dei-lhe o crédito e colaborei com sua fantasia, mas, ao confrontar os discos e os livros, o castelo veio abaixo. Era tudo material de igreja: escritos para cultos, livros de pastores e religião. Percebi, então, o tiro errado que eu dera.
Para piorar, ela não reservou um minuto sequer para a nossa intimidade — o que hoje, sinceramente, agradeço. Como "empresária", colocou-me em sua caminhonete e fomos cobrar contas. Só imaginei que, em breve, estaria carregando caixas para ela. Levou-me para conhecer a mãe, de quem cuidava. Não aguentei e perguntei se era um "combo": para levar a filha, teria que levar a mãe junto? Ela apenas concordou.
Na sua imaginação de cinco anos de viuvez, ela sentia falta de exibir um parceiro. Queria sair de mãos dadas, desfilar na orla de Balneário, tirar fotos para mostrar ao mundo. Ver aquilo me deixou triste e frustrado. Comecei a sentir pena. Mas o golpe fatal veio da forma mais mesquinha: ao voltarmos do mercado, ela me sinalizou desesperadamente para que eu não entrasse na casa. Mandou-me esperar lá fora, escondido, porque a filha chegara para visitar a avó e ela não queria me apresentar.
Aquilo foi o fim. Uma autoridade em Joinville, cidadão de vida ilibada e de primeira categoria, tendo que se esconder de uma desconhecida. Ali ocorreu a ruptura. Voltei mais tarde, cancelamos o passeio noturno e, após o jantar, mandei a mensagem e disse-lhe ao vivo: estou indo embora. A reação dela foi mais fria que um picolé. Disse apenas: "Tudo bem, é o que você quer".
Nos abraçamos, demos um tchau e nunca mais a vi. Trocamos poucas mensagens de adeus e deixei que ela tomasse a iniciativa de me bloquear. Essa história não habita meu coração como raiva ou frustração. Fica como um lamento de respeito à memória dela; um lamento e uma ponta de pena da "Bobinha", incapaz de enxergar um palmo diante do nariz. Sei que continuará solitária, pois na vida que leva, entre os compromissos com a igreja e a mãe, será difícil dividir-se com alguém que fatalmente precisará de afeto e carinho — artigos inexistentes na rotina dela.
Coisas da vida que me fazem cronista.