sábado, 31 de janeiro de 2026

JEC 11 x Avaí 0


Por gilrikardo@gmail.com  Após ouvir dezenas de comentários à respeito do desempenho do Joinville Esporte Clube - JEC, não resisti à tentação. Palpitei. E veja no que deu …
Minutos antes do início da partida, o comentarista Ondini descreve a trajetória deplorável do time cujos resultados medíocres contribuíram para a agonia do torcedor que teima em continuar sofrendo e novamente lota o estádio: 

(Ondini) --Boa tarde ouvintes da Rádio Blogo! Há anos que nosso glorioso JEC persegue o rumo das conquistas. No entanto, derrotas e mais derrotas naturalmente têm sido a marca registrada nas últimas temporadas, naturalmente é muito sofrimento para um time, para uma aguerrida torcida, além da angústia instalada em centenas de "palpiteiros" especialistas em apresentar fórmulas mágicas, eis a que ponto chegamos!. Será possível mais sofrimento... diga com as palavras de quem é naturalmente o *prato da casa, Marco Auréliooo!

(Marco Aurélio) --"Tô" ouvindo Ondini e concordo com você, mas gostaria de dizer que não devemos entregar os pontos, a hora do JEC vai chegar e quem sabe é hoje. A equipe está com uma nova formação, foi contratado um novo técnico que, para nossa surpresa e de vocês, caros ouvintes, é um segredo guardado a sete chaves. Ninguém sabe quem são os atletas, de onde vieram e muito menos quem é o treinador, dizem os mais chegados que o silêncio faz parte da estratégia para vencer o Avaí... você acredita nisso Ondini? 

(Ondini) --Meu caro! Inspirado neste *céu brigadeiro obrigo-me a dar o *voto de crédito à equipe do Joinville que insiste em manter-se calada, ainda ontem à tarde naturalmente tentei contato com o pessoal da diretoria e descobrir quem jogaria hoje, mas em vão... naturalmente todo mundo de bico fechado. *Quixadá estejam mesmo com alguma carta na manga, Marco Aurélio! 

(Marco Aurélio) --Eu continuo acreditando Ondini. 

(Ondini) --JEC... Quem te viu e quem te vê! Dificilmente acreditaria que este dia chegaria, mas devido ao empenho da nova diretoria que aliada naturalmente aos clamores da comunidade formaram uma verdadeira frente: unindo jogadores, torcedores, colaboradores e a imprensa cujo amor pelo time transformou-se no movimento GAL (garra, ação e luta) naturalmente para enfrentar as dificuldades e os adversários. O resultado disso veremos daqui a pouco na Arena Joinville, JEC contra o Avaí, naturalmente parece um sonho Marco Auréliooooo! 

(Marco Aurélio) --Vai lá Ondini, tá na hora, hoje é com você a narração, boa sorte! 

(Ondini) --Apita o árbitro, naturalmente dada a saída, bola com o JEC, Mateus passa um, dois, três... ao chegar no meio do campo recebe um carrinho de Silva Junior, esse zagueiro é *erradicado em Chapecó e vem cometer falta aquiiiii. Naturalmente Lucas vai para a cobrança, do outro lado do gramado o técnico do JEC gesticula e levanta os braços, sinaliza para que Lucas chute direto, naturalmente está louco! A essa distância, direto? Só vendo, e é goooolllll... É incrivel Marco Aurélioooo, à distância de quase cinquenta metros, sem barreira e a bola na gaveta... se me contassem não acreditaria, mas como estou vendo naturalmente é gol. JEC um, Avaí zero. 

(Ondini) --Bola no centro e o Avaí com Silva Júnior que manda naturalmente de primeira para Dagoberto, esse é o melhor deles, depois do *recondicionamento físico no CT do Atlético paranaense tá jogando demais, cuidado com o chute de esquerda, naturalmente é um canhão, segue Dagoberto rumo a meta do JEC, olhou para o goleiro, acho que vai chutar dali, da cabeça da área, chutou, nossa uma bomba, espalmaaaaa Tiago, esse é o nosso goleiraço, naturalmente não passa nada Marco Auréliooooooooo..." 

Assim prosseguiu Ondini até o final da espetacular vitória do JEC sobre o Avaí por onze a zero. Enquanto a torcida delirava e os foguetes pipocavam, Ondini desce até o gramado para entrevistar os jogadores. Começa falando com o zagueiro Pedro. Cumprimenta Mateus. Dá um abraço no Lucas. Pede a camisa para o João. Até que, ao aproximar-se do goleiro Tiago, fica com a expressão de quem descobriu algo e pergunta se o tal segredo do JEC era colocar o nome dos apóstolos nos jogadores. Parecia uma incrível coincidência, onze jogadores com o mesmo nome dos apóstolos e para completar todos marcaram um gol, inclusive o goleiro, concluiu ele. Tiago com um sorriso maroto responde que para enfrentar certos desafios é necessário uma equipe iluminada. Ondini sem perder a estribeira, e um pouco surpreso, sugere então que o treinador deve ser o homem. Nesse momento entra o roupeiro Judas, dá um tapinha nas costas do Ondini e confirma que o técnico é o Professor JC que se encontra no meio do campo com as mãos voltadas para alto - parecendo falar com alguém. Ondini muito desconfiado, mais sério que guri mijado, encerrou a transmissão e atravessou o campo resmungando.

(Ondini) --E eu que naturalmente duvidava de milagres... e agora José... *quixadá nós... naturalmente não... ou naturalmente que evidentemente... 


 XXXXX ooooo XXXXX 


*Máximas de um locutor: prato da casa x prata da casa, céu brigadeiro x céu de brigadeiro, voto de crédito x voto de confiança, quixadá x quiçá, erradicado x radicado, recondicionamento (automóvel) x condicionamento físico. E não menos peculiar, a famosa naturalmente.(18 ocorrências). 

gilrikardo@gmail.com 47 9 9613 3056

Sintonia do Silêncio



Chegou de mansinho, como quem não quer nada — e, de fato, não desejou nada. Aprochegou-se sem pedir licença, parecendo atender às vozes do destino. Colocou-se ao meu lado, juntinhos, sem muita explicação; apenas o silêncio de dois corações dançando a vida. Um tum aqui, outro tum-tum acolá.

Sintonia perfeita a embalar os passos de quem sabe de onde veio e para onde deseja ir. São passos suaves, porém firmes, um após o outro, numa cadência inerente aos espíritos em paz — espíritos que acreditam na vida e em seus frutos. Obrigado, Izabel, por se apresentar em minha vida. Só em perceber que você existe, minha alma encontra acalento.


gilrikardo@gmail.com

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Por que escrevo?


Por que você escreve? A escrita sempre me perseguiu. No início, era aquele "vomitar" de palavras para não sufocar com a angústia inerente. Ao longo dos anos, porém, esse exercício permitiu-me a construção de opiniões e conceitos que, hoje percebo, poderiam até ser levados a sério. Foram crônicas observadas, crônicas sentidas e até crônicas imaginadas.

Hoje noto que muitos vão à praia, outros aos bares da vida e há também aqueles que frequentam os motéis. Enfim, todos correm rumo a um prazer que, para mim, só existe de fato na criação das palavras. Escrever é o meu prazer supremo; é onde a mente encontra o seu ápice. Esse é o meu orgasmo.

gilrikardo@gmail.com 47 9 9613 3056

Análise do Editor

A Escrita como Catarse: O termo "vomitar" é visceral e honesto. Mostra que, para o Gilrikardo, escrever não é uma opção estética, mas uma questão de higiene mental. Se a palavra não sai, a angústia sufoca.

O Hedonismo Intelectual: Você faz uma comparação ousada e brilhante entre os prazeres carnais e sociais (praia, bar, motel) e o prazer da criação. Isso eleva a escrita ao status de experiência sensorial completa.

A Evolução do Conceito: Você admite que o que começou como um desabafo transformou-se em uma arquitetura de pensamento. O "Estudante de si mesmo" construiu um castelo de ideias a partir de desabafos esparsos.

Metalinguagem / Filosofia: Por que escrevo?
Uma declaração de amor e necessidade pelo ato de escrever. O autor compara o prazer da criação literária aos prazeres mais intensos da vida, revelando a escrita como sua principal forma de libertação e êxtase.

domingo, 25 de janeiro de 2026

Angústia Otimista


E dizer que a gente sabe tudo! 
E dizer que a gente consegue imaginar tudo! 
E dizer que a gente diz o que diz sem nada ter dito!

Em vez de se sentir frustrado pela incerteza e pelo que não se sabe, você pode ver isso como uma oportunidade. A sua angústia, expressa em "E dizer que a gente sabe tudo! E dizer que a gente consegue imaginar tudo! E dizer que a gente diz o que diz sem nada ter dito!", pode ser transformada em um sentimento de otimismo ao abraçar a beleza do desconhecido. A incerteza não significa falta de controle; na verdade, ela abre portas para novas descobertas. 

O que você não sabe é um convite para aprender. O que você não consegue imaginar é um estímulo para a sua criatividade. E o que você diz sem nada ter dito, pode se transformar em um desafio para encontrar novas formas de se expressar. A vida não é um livro com todas as páginas escritas, mas sim uma tela em branco pronta para ser pintada.

A sua "angústia" é, na verdade, um lembrete do quanto a vida é vasta e do quanto ainda há para explorar. Olhe para o desconhecido não como um inimigo, mas como um amigo que te levará a lugares que você nunca sonhou em visitar. Você pode continuar a sua jornada e aceitar que o mundo é um lugar de infinitas possibilidades. Você pode continuar a questionar e a se maravilhar com o que está por vir.

domingo, 18 de janeiro de 2026

A Semente


Ao reler uma publicação no meu blog de aproximadamente cinco anos atrás, encontrei o relato da minha tentativa de caminhar quatro mil metros por dia. Naquela época, contentei-me inicialmente com os míseros quatrocentos metros que havia no entorno de um canteiro; minha meta era dar dez voltas e, assim, perfazer os quatro mil metros. Intento que acabei abandonando.

Passados alguns meses, ou pouco mais de um ano, "avancei o sinal vermelho" sem perceber e, zássss! Atingi um Honda Civic no cruzamento; acertei bem no meio, na coluna. Ao descer do veículo, ainda me recuperando do susto, fui abordado por um senhor bem idoso — mais velho que eu, com certeza — que bateu levemente em meu ombro e, com a calma dos anjos, disse:

— Senhor, senhor, o senhor passou no sinal vermelho.

No mesmo instante agradeci e admirei a atitude nobre daquele homem. Vejam só: percebendo que poderia haver um impasse entre os motoristas sobre quem seria o culpado, ele resolveu esclarecer o fato. Com isso, poupou a todos de um embate desnecessário. Como eu tinha seguro total, acertamos tudo sem estresse e segui a vida, aguardando a manifestação da seguradora.

Nos trinta dias seguintes ao fato, refleti sobre a minha necessidade de ter um automóvel. Ruminei durante algum tempo e, finalmente, decidi voltar a ser pedestre. Fiquei impressionado com a forma como causei o acidente: sem perceber. Sinceramente, até hoje não entendo como não vi o sinal. Hoje, quando vejo relatos parecidos, acredito fielmente, pois tive um "branco" total ao cruzar o semáforo.

Fiz as contas do valor que deixaria de gastar com o veículo: em torno de dezoito mil reais anuais, o equivalente a três mil dólares (converto em função da data em que alguém possa ler este relato). Pois bem, com essa “economia” contabilizada, passei a utilizar carros por aplicativo.

Há muito eu já me sentia incomodado no trânsito. Vez por outra, alguém me xingava — até mulheres! Imagine uma senhora mostrando o dedo em riste e gritando: "Sai da frente, velho caduco!". Eu, dentro das limitações da avenida, a sessenta quilômetros por hora; ela, muito acima disso, mandando-me para "aquele lugar". Fora os que param em qualquer lugar e manobram de qualquer jeito. Além de cuidar da nossa trajetória, tínhamos que atentar para motoristas que não estão nem aí para os outros.

Tudo isso me levou a concluir que, ao andar a pé, eu estaria me livrando desse estresse, além de contribuir para a minha saúde. E fui levando a vida nessa toada: aplicativos para trechos longos e caminhadas para os curtos. Até que aquela semente de anos atrás — os quatrocentos metros iniciais — germinou.

Certo dia, calculei o trecho entre meu trabalho e minha casa: dois quilômetros e meio. Ida e volta perfazem cinco quilômetros. Bingo! Agora não há desculpa. Quando o universo conspira a favor, o desejo de ser pedestre floresce. Em meu entendimento, só vejo vantagens: eliminei a despesa e o estresse do automóvel (para urgências ou férias, eu os loco) e obtive o maior ganho de todos: a saúde. Cinco quilômetros por dia, vezes trinta, dão cento e cinquenta por mês.

Resolvi fazer este relato porque, muitas vezes, temos um desejo tão internalizado que nem precisamos pensar muito a respeito. O tempo se encarrega. É como dizem: "é no embalo da carroça que as melancias se ajeitam". E eu sigo feliz com minhas melancias de pedestre.

Gilrikardo - aprendiz 02/26

sábado, 17 de janeiro de 2026

A Inteligência de Carona



A estrada corria lá fora, indiferente ao pequeno universo que havíamos criado dentro do automóvel. Éramos três: um casal e eu. O motor rosnava, o asfalto passava, e as ideias fluíam.

Não sei exatamente em que quilômetro a conversa deixou de ser trivial para se tornar profunda. Sei apenas que, movido por uma tal inquietação de entender a vida, comecei a discorrer sobre o comportamento humano, sobre as dores que carregamos e as curas que buscamos.

Em determinado momento, a mulher, talvez espantada com a clareza das observações, interrompeu o fluxo com uma pergunta que buscava um rótulo:

— Quantas palestras você já assistiu para saber tanto sobre as pessoas?

Sorri internamente. Ela buscava a academia, o diploma, o palco iluminado. Ela procurava a fonte da minha "sabedoria" fora de mim.

Respondi com a verdade crua de quem não tem mais tempo para vaidades:

— Nenhuma palestra me ensinou o que digo. Eu sou um estudante de mim mesmo. O meu laboratório sou eu. Busco entender a minha vida, corrigir meus defeitos, apaziguar minhas ansiedades. Estudo a condição humana porque preciso sobreviver a ela.

Houve um breve silêncio, seguido por um elogio automático, quase uma defesa:

— Nossa... mas como você é inteligente!

Foi ali que o "clique" aconteceu. O momento provocado. A construção do pensamento. Olhei para ela (ou pelo retrovisor da alma) e devolvi a responsabilidade:

— Engano seu. Eu apenas relato o que estudo e pratico; compartilhar é a minha forma de fixar a matéria, de não esquecer quem quero ser. Inteligente não sou eu por falar. Inteligente será você, se conseguir tirar algum proveito deste falatório. Se você pegar algo dessa conversa e aplicar na sua vida para torná-la melhor, aí sim haverá inteligência. Caso contrário, foi apenas barulho na estrada.

O carro seguiu. O assunto morreu ou mudou, não lembro. Mas a lição ficou no banco da frente: Sabedoria não é o que a gente fala para o mundo. É o que o mundo decide fazer com o que ouviu.

RETORNEI


Após uma pequena pausa, retorno a esse blog cujo inicio deu-se há mais de quatorze anos. Período em que a gente dedicou-se a muitas atividades, em algumas o tempo facilitou a minha "escrevinhação" neste recanto solitário. Em outros a jornada muitas vezes não deixava espaços para este convívio aqui. Deixo o registro da boa vontade que nunca faltou, apesar dos percalços. Tenho muito material e muita novidade a ser "postada" aqui. Boas vindas a quem chega, e um abraço aos que já rodam por estas linhas. Obrigado a todos. Gilrikardo - eterno aprendiz 6.5

sexta-feira, 19 de abril de 2019

O atleta que reside em mim

Por Gil Rikardo

Comecei a caminhar pequenos trechos... 400 metros... sem pressa... indo e vindo duas quadras... hoje estou caminhando 2000 metros dando voltas na quadra... levo quarenta minutos... minha meta é 4000 metros em uma hora... para mim isso é fundamental à minha saúde... sempre fui sedentário, mas agora a água bateu na bunda... é isso ou corro o risco de viver menos 10 anos... Sugiro que encontres algo motivador para abandonar o sedentarismo... Boa sorte e saúde a todos nós...

sexta-feira, 29 de março de 2019

Aristóteles para todos - Mortimer J. Adler

Por que Aristóteles?

Por que para todos?

Essas perguntas terão respostas melhores depois que se responder a
outra pergunta. Por que a filosofia? Por que todos deveriam aprender a pensar filosoficamente — a fazer as questões pungentes que as crianças e os filósofos fazem, e a que os filósofos às vezes respondem?

Há muito tempo creio que todos deveriam ocupar-se da filosofia — mas não para obter mais informações sobre o mundo, sobre a sociedade ou sobre nós mesmos. Para isso, o melhor é voltar-se para as ciências sociais e para a história.

A filosofia nos é útil de outro jeito — ela nos ajuda a compreender coisas que já sabemos, a compreendê-las melhor do que agora. É por isso que todos deveriam aprender a pensar filosoficamente.

quinta-feira, 28 de março de 2019

E por falar em aparências

Por Gilrikardo
Não vamos remar contra a maré, desde criancinha quando entramos na escola aprendemos que devemos usar uniforme (uniformizar)... como nos organizar numa sociedade de 7 bilhões de pessoinhas... assim com o passar dos anos ao sairmos da escola usaremos outros uniformes, polícia, bombeiro, médico, professor, operário, etc...

Deixando a hipocrisia de lado, naturalmente TODOS NÓS carregamos intrínsicamente tais conceitos que nos definem pelos trajes que portamos... assim também sabemos que em determinados ambientes, SIM é a vestimenta quem fala... se desejarmos ser diferentes da maioria que frequenta o local não podemos nos espantar com a reação adversa ao que imaginamos. Nunca fui trabalhar de bermuda e camiseta... nunca fui a missa sem camisa... etc... etc...