quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Assustador


Em minha santa ingenuidade, numa conversa com alguém, ofereci dois textos (publicados aqui: Ideal para quê? e Em Louvor ao AEIOU) que escrevi cujos conteúdos seriam oportunos ao nosso diálogo. Fiquei motivado a dar-lhe subsídios para exercer aquilo que ela descrevia ser seu talento. O assunto girava em torno desse tão famoso atributo inerente a cada ser humano. Dei meu exemplo pela prática das letras: nunca ganhei um centavo; no entanto, não é isso que me move. Muito pelo contrário, só acumulo gastos nesta carreira de escrivinhador, mas é minha essência, segundo a natureza determinou. Desde criancinha estou com a caneta na mão, cuja evolução leva a dedilhar teclas como faço neste exato instante.

Mas voltemos à minha amiga. Entreguei os textos e dei o caso como encerrado. No outro dia, ao revê-la, imediatamente indaguei se os tinha lido. Olhou para mim com um sorriso amarelo e disse que não deu tempo. Naquele momento, veio a ideia do motivo pelo qual multidões andam por aí sem saber se estão vivas ou mortas. Verdadeiros zumbis, anestesiados pelo lugar-comum, pelo pensamento comum — o tal imaginário coletivo de que o ato de pensar é desprovido de importância. "Ou não é preciso pensar, outros pensam por mim", devem imaginar.

Fiquei surpreso que uma pessoa como aquela, que teceu mil comentários a respeito de sua vontade de ser bailarina, ou simplesmente dançar — dizia que sempre se imaginou dançando desde jovem, e até confessou que seu talento seria esse — tenha reagido assim. Acreditei nela, como acredito no talento natural de cada ser humano, tanto que até descrevi, em uma crônica, minha crítica à postura de quem tem condições de exercer a sua originalidade diante das circunstâncias do mundo atual. É um assunto que mexe com minha imaginação e interesse.

Ao vê-la relatar aquele legítimo desejo, senti-me sensibilizado e simpático ao entregar aquelas linhas de reflexão sobre o que nos leva a realizar ou abandonar nossos sonhos. Desejava injetar-lhe algumas gotas de otimismo e motivação para seguir em frente; deixar florescer aquela semente, mesmo na idade adulta. Mas a minha santa ingenuidade bateu com a cara na realidade dos dias de hoje, quando as pessoas não têm interesse nem coragem de ler apenas algumas linhas em busca do conhecimento, em busca do pensamento, para, quem sabe, atingir graus de felicidade.

Fiquei triste e assustado ao constatar que as pessoas preferem a MESMICE da multidão ao DESAFIO da individualidade — caminho que persigo, inclusive agora, com estas linhas.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Efemeridades

A (Gil): — Que queres tu de mim?

B (Companheira): — Nada além daquilo que nos diz respeito!

A: — Não entendi!?

B: — Não te faças de engraçadinho, meu bem!

A: — Estima-se que a terra tenha cinco bilhões de anos...

B: — E eu com isso...

A: — Tu e eu... efêmeras passagens pelo planetinha e tu ainda te apegas ao egoísmo, patrono de nossas vaidades...

B: — Puxa! Só queria saber se tu estás bem e tenho que ouvir isso!

A: — Se desejas algo de mim, talvez ouvir-me é o possível agora.

B: — Estou toda ouvidos... queres dizer? Então fales?

A: — Sabias que desde o primeiro instante que te conheci tornei-me profeta e vi como a vida longe de ti seria inviável... Com o passar dos anos... dos altos... dos baixos... isso emergiu, pois foi em teu olhar que em inúmeras ocasiões encontrei reflexos de mim. Ainda, e vivo, em tua companhia... que mais faltaria a este simples mortal?

B: — Se te entendo do jeito que imagino... desejas algo? Ou...

A: — Minha doce inspiração, noutros tempos, quem sabe, até seria possível imaginar que de minha boca não verteriam confissões... mas nesta altura da vida, quando as cortinas descem... e as luzes estão para... imagino que devemos saborear tais instantes e guardar o traduzido em louvor ao dever cumprido.

A: — Até rimou. Viver de acordo com o papel que a vida nos brindou. Boa Noite. Beijos e bons sonhos...

A: — Ué... já estavas dormindo!




Análise do Editor

1. O Confronto de Escalas: O Cosmo vs. O Quarto

A crônica abre com uma técnica clássica da filosofia: o uso da escala geológica para ridicularizar as picuinhas humanas. Ao citar os "cinco bilhões de anos da Terra", o autor tenta desarmar o egoísmo e as vaidades do cotidiano. É o "Diletante" em sua forma mais pura, tentando aplicar a grandeza do universo em uma discussão de pijama. A análise aqui reside na dificuldade de traduzir grandes conceitos existenciais para a linguagem prática de um relacionamento.

2. O Outro como Espelho Existencial

A frase "foi em teu olhar que em inúmeras ocasiões encontrei reflexos de mim" é o ponto alto da vulnerabilidade do texto. No seu Laboratório do Eu, isso revela que a identidade não se constrói sozinha, mas no reflexo de quem nos acompanha. Para o "viajante" de 2007, a parceira era o cais onde ele podia ancorar suas "profecias" e incertezas, encontrando sentido na companhia simples em meio à efemeridade da vida.

3. A Ironia do Desfecho (O Monólogo Involuntário)

O texto termina com um anticlímax magistral. Enquanto o protagonista atinge o ápice da sua eloquência sobre o "dever cumprido" e o encerramento das cortinas da vida, a plateia (a amada) simplesmente se entrega ao sono. Essa quebra de expectativa serve como uma lição de humildade para qualquer intelectual: a vida orgânica e o descanso biológico sempre terão a última palavra sobre as nossas reflexões mais profundas. Às vezes, o "viver de acordo com o papel" significa apenas saber a hora de apagar a luz.








sábado, 31 de janeiro de 2026

JEC 11 x Avaí 0


Por gilrikardo@gmail.com  Após ouvir dezenas de comentários à respeito do desempenho do Joinville Esporte Clube - JEC, não resisti à tentação. Palpitei. E veja no que deu …
Minutos antes do início da partida, o comentarista Ondini descreve a trajetória deplorável do time cujos resultados medíocres contribuíram para a agonia do torcedor que teima em continuar sofrendo e novamente lota o estádio: 

(Ondini) --Boa tarde ouvintes da Rádio Blogo! Há anos que nosso glorioso JEC persegue o rumo das conquistas. No entanto, derrotas e mais derrotas naturalmente têm sido a marca registrada nas últimas temporadas, naturalmente é muito sofrimento para um time, para uma aguerrida torcida, além da angústia instalada em centenas de "palpiteiros" especialistas em apresentar fórmulas mágicas, eis a que ponto chegamos!. Será possível mais sofrimento... diga com as palavras de quem é naturalmente o *prato da casa, Marco Auréliooo!

(Marco Aurélio) --"Tô" ouvindo Ondini e concordo com você, mas gostaria de dizer que não devemos entregar os pontos, a hora do JEC vai chegar e quem sabe é hoje. A equipe está com uma nova formação, foi contratado um novo técnico que, para nossa surpresa e de vocês, caros ouvintes, é um segredo guardado a sete chaves. Ninguém sabe quem são os atletas, de onde vieram e muito menos quem é o treinador, dizem os mais chegados que o silêncio faz parte da estratégia para vencer o Avaí... você acredita nisso Ondini? 

(Ondini) --Meu caro! Inspirado neste *céu brigadeiro obrigo-me a dar o *voto de crédito à equipe do Joinville que insiste em manter-se calada, ainda ontem à tarde naturalmente tentei contato com o pessoal da diretoria e descobrir quem jogaria hoje, mas em vão... naturalmente todo mundo de bico fechado. *Quixadá estejam mesmo com alguma carta na manga, Marco Aurélio! 

(Marco Aurélio) --Eu continuo acreditando Ondini. 

(Ondini) --JEC... Quem te viu e quem te vê! Dificilmente acreditaria que este dia chegaria, mas devido ao empenho da nova diretoria que aliada naturalmente aos clamores da comunidade formaram uma verdadeira frente: unindo jogadores, torcedores, colaboradores e a imprensa cujo amor pelo time transformou-se no movimento GAL (garra, ação e luta) naturalmente para enfrentar as dificuldades e os adversários. O resultado disso veremos daqui a pouco na Arena Joinville, JEC contra o Avaí, naturalmente parece um sonho Marco Auréliooooo! 

(Marco Aurélio) --Vai lá Ondini, tá na hora, hoje é com você a narração, boa sorte! 

(Ondini) --Apita o árbitro, naturalmente dada a saída, bola com o JEC, Mateus passa um, dois, três... ao chegar no meio do campo recebe um carrinho de Silva Junior, esse zagueiro é *erradicado em Chapecó e vem cometer falta aquiiiii. Naturalmente Lucas vai para a cobrança, do outro lado do gramado o técnico do JEC gesticula e levanta os braços, sinaliza para que Lucas chute direto, naturalmente está louco! A essa distância, direto? Só vendo, e é goooolllll... É incrivel Marco Aurélioooo, à distância de quase cinquenta metros, sem barreira e a bola na gaveta... se me contassem não acreditaria, mas como estou vendo naturalmente é gol. JEC um, Avaí zero. 

(Ondini) --Bola no centro e o Avaí com Silva Júnior que manda naturalmente de primeira para Dagoberto, esse é o melhor deles, depois do *recondicionamento físico no CT do Atlético paranaense tá jogando demais, cuidado com o chute de esquerda, naturalmente é um canhão, segue Dagoberto rumo a meta do JEC, olhou para o goleiro, acho que vai chutar dali, da cabeça da área, chutou, nossa uma bomba, espalmaaaaa Tiago, esse é o nosso goleiraço, naturalmente não passa nada Marco Auréliooooooooo..." 

Assim prosseguiu Ondini até o final da espetacular vitória do JEC sobre o Avaí por onze a zero. Enquanto a torcida delirava e os foguetes pipocavam, Ondini desce até o gramado para entrevistar os jogadores. Começa falando com o zagueiro Pedro. Cumprimenta Mateus. Dá um abraço no Lucas. Pede a camisa para o João. Até que, ao aproximar-se do goleiro Tiago, fica com a expressão de quem descobriu algo e pergunta se o tal segredo do JEC era colocar o nome dos apóstolos nos jogadores. Parecia uma incrível coincidência, onze jogadores com o mesmo nome dos apóstolos e para completar todos marcaram um gol, inclusive o goleiro, concluiu ele. Tiago com um sorriso maroto responde que para enfrentar certos desafios é necessário uma equipe iluminada. Ondini sem perder a estribeira, e um pouco surpreso, sugere então que o treinador deve ser o homem. Nesse momento entra o roupeiro Judas, dá um tapinha nas costas do Ondini e confirma que o técnico é o Professor JC que se encontra no meio do campo com as mãos voltadas para alto - parecendo falar com alguém. Ondini muito desconfiado, mais sério que guri mijado, encerrou a transmissão e atravessou o campo resmungando.

(Ondini) --E eu que naturalmente duvidava de milagres... e agora José... *quixadá nós... naturalmente não... ou naturalmente que evidentemente... 


 XXXXX ooooo XXXXX 


*Máximas de um locutor: prato da casa x prata da casa, céu brigadeiro x céu de brigadeiro, voto de crédito x voto de confiança, quixadá x quiçá, erradicado x radicado, recondicionamento (automóvel) x condicionamento físico. E não menos peculiar, a famosa naturalmente.(18 ocorrências). 

gilrikardo@gmail.com 47 9 9613 3056

Sintonia do Silêncio



Chegou de mansinho, como quem não quer nada — e, de fato, não desejou nada. Aprochegou-se sem pedir licença, parecendo atender às vozes do destino. Colocou-se ao meu lado, juntinhos, sem muita explicação; apenas o silêncio de dois corações dançando a vida. Um tum aqui, outro tum-tum acolá.

Sintonia perfeita a embalar os passos de quem sabe de onde veio e para onde deseja ir. São passos suaves, porém firmes, um após o outro, numa cadência inerente aos espíritos em paz — espíritos que acreditam na vida e em seus frutos. Obrigado, Izabel, por se apresentar em minha vida. Só em perceber que você existe, minha alma encontra acalento.


gilrikardo@gmail.com

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Por que escrevo?


Por que você escreve? A escrita sempre me perseguiu. No início, era aquele "vomitar" de palavras para não sufocar com a angústia inerente. Ao longo dos anos, porém, esse exercício permitiu-me a construção de opiniões e conceitos que, hoje percebo, poderiam até ser levados a sério. Foram crônicas observadas, crônicas sentidas e até crônicas imaginadas.

Hoje noto que muitos vão à praia, outros aos bares da vida e há também aqueles que frequentam os motéis. Enfim, todos correm rumo a um prazer que, para mim, só existe de fato na criação das palavras. Escrever é o meu prazer supremo; é onde a mente encontra o seu ápice. Esse é o meu orgasmo.

gilrikardo@gmail.com 47 9 9613 3056

Análise do Editor

A Escrita como Catarse: O termo "vomitar" é visceral e honesto. Mostra que, para o Gilrikardo, escrever não é uma opção estética, mas uma questão de higiene mental. Se a palavra não sai, a angústia sufoca.

O Hedonismo Intelectual: Você faz uma comparação ousada e brilhante entre os prazeres carnais e sociais (praia, bar, motel) e o prazer da criação. Isso eleva a escrita ao status de experiência sensorial completa.

A Evolução do Conceito: Você admite que o que começou como um desabafo transformou-se em uma arquitetura de pensamento. O "Estudante de si mesmo" construiu um castelo de ideias a partir de desabafos esparsos.

Metalinguagem / Filosofia: Por que escrevo?
Uma declaração de amor e necessidade pelo ato de escrever. O autor compara o prazer da criação literária aos prazeres mais intensos da vida, revelando a escrita como sua principal forma de libertação e êxtase.

domingo, 25 de janeiro de 2026

Angústia Otimista


E dizer que a gente sabe tudo! 
E dizer que a gente consegue imaginar tudo! 
E dizer que a gente diz o que diz sem nada ter dito!

Em vez de se sentir frustrado pela incerteza e pelo que não se sabe, você pode ver isso como uma oportunidade. A sua angústia, expressa em "E dizer que a gente sabe tudo! E dizer que a gente consegue imaginar tudo! E dizer que a gente diz o que diz sem nada ter dito!", pode ser transformada em um sentimento de otimismo ao abraçar a beleza do desconhecido. A incerteza não significa falta de controle; na verdade, ela abre portas para novas descobertas. 

O que você não sabe é um convite para aprender. O que você não consegue imaginar é um estímulo para a sua criatividade. E o que você diz sem nada ter dito, pode se transformar em um desafio para encontrar novas formas de se expressar. A vida não é um livro com todas as páginas escritas, mas sim uma tela em branco pronta para ser pintada.

A sua "angústia" é, na verdade, um lembrete do quanto a vida é vasta e do quanto ainda há para explorar. Olhe para o desconhecido não como um inimigo, mas como um amigo que te levará a lugares que você nunca sonhou em visitar. Você pode continuar a sua jornada e aceitar que o mundo é um lugar de infinitas possibilidades. Você pode continuar a questionar e a se maravilhar com o que está por vir.

domingo, 18 de janeiro de 2026

A Semente


Ao reler uma publicação no meu blog de aproximadamente cinco anos atrás, encontrei o relato da minha tentativa de caminhar quatro mil metros por dia. Naquela época, contentei-me inicialmente com os míseros quatrocentos metros que havia no entorno de um canteiro; minha meta era dar dez voltas e, assim, perfazer os quatro mil metros. Intento que acabei abandonando.

Passados alguns meses, ou pouco mais de um ano, "avancei o sinal vermelho" sem perceber e, zássss! Atingi um Honda Civic no cruzamento; acertei bem no meio, na coluna. Ao descer do veículo, ainda me recuperando do susto, fui abordado por um senhor bem idoso — mais velho que eu, com certeza — que bateu levemente em meu ombro e, com a calma dos anjos, disse:

— Senhor, senhor, o senhor passou no sinal vermelho.

No mesmo instante agradeci e admirei a atitude nobre daquele homem. Vejam só: percebendo que poderia haver um impasse entre os motoristas sobre quem seria o culpado, ele resolveu esclarecer o fato. Com isso, poupou a todos de um embate desnecessário. Como eu tinha seguro total, acertamos tudo sem estresse e segui a vida, aguardando a manifestação da seguradora.

Nos trinta dias seguintes ao fato, refleti sobre a minha necessidade de ter um automóvel. Ruminei durante algum tempo e, finalmente, decidi voltar a ser pedestre. Fiquei impressionado com a forma como causei o acidente: sem perceber. Sinceramente, até hoje não entendo como não vi o sinal. Hoje, quando vejo relatos parecidos, acredito fielmente, pois tive um "branco" total ao cruzar o semáforo.

Fiz as contas do valor que deixaria de gastar com o veículo: em torno de dezoito mil reais anuais, o equivalente a três mil dólares (converto em função da data em que alguém possa ler este relato). Pois bem, com essa “economia” contabilizada, passei a utilizar carros por aplicativo.

Há muito eu já me sentia incomodado no trânsito. Vez por outra, alguém me xingava — até mulheres! Imagine uma senhora mostrando o dedo em riste e gritando: "Sai da frente, velho caduco!". Eu, dentro das limitações da avenida, a sessenta quilômetros por hora; ela, muito acima disso, mandando-me para "aquele lugar". Fora os que param em qualquer lugar e manobram de qualquer jeito. Além de cuidar da nossa trajetória, tínhamos que atentar para motoristas que não estão nem aí para os outros.

Tudo isso me levou a concluir que, ao andar a pé, eu estaria me livrando desse estresse, além de contribuir para a minha saúde. E fui levando a vida nessa toada: aplicativos para trechos longos e caminhadas para os curtos. Até que aquela semente de anos atrás — os quatrocentos metros iniciais — germinou.

Certo dia, calculei o trecho entre meu trabalho e minha casa: dois quilômetros e meio. Ida e volta perfazem cinco quilômetros. Bingo! Agora não há desculpa. Quando o universo conspira a favor, o desejo de ser pedestre floresce. Em meu entendimento, só vejo vantagens: eliminei a despesa e o estresse do automóvel (para urgências ou férias, eu os loco) e obtive o maior ganho de todos: a saúde. Cinco quilômetros por dia, vezes trinta, dão cento e cinquenta por mês.

Resolvi fazer este relato porque, muitas vezes, temos um desejo tão internalizado que nem precisamos pensar muito a respeito. O tempo se encarrega. É como dizem: "é no embalo da carroça que as melancias se ajeitam". E eu sigo feliz com minhas melancias de pedestre.

Gilrikardo - aprendiz 02/26

sábado, 17 de janeiro de 2026

A Inteligência de Carona



A estrada corria lá fora, indiferente ao pequeno universo que havíamos criado dentro do automóvel. Éramos três: um casal e eu. O motor rosnava, o asfalto passava, e as ideias fluíam.

Não sei exatamente em que quilômetro a conversa deixou de ser trivial para se tornar profunda. Sei apenas que, movido por uma tal inquietação de entender a vida, comecei a discorrer sobre o comportamento humano, sobre as dores que carregamos e as curas que buscamos.

Em determinado momento, a mulher, talvez espantada com a clareza das observações, interrompeu o fluxo com uma pergunta que buscava um rótulo:

— Quantas palestras você já assistiu para saber tanto sobre as pessoas?

Sorri internamente. Ela buscava a academia, o diploma, o palco iluminado. Ela procurava a fonte da minha "sabedoria" fora de mim.

Respondi com a verdade crua de quem não tem mais tempo para vaidades:

— Nenhuma palestra me ensinou o que digo. Eu sou um estudante de mim mesmo. O meu laboratório sou eu. Busco entender a minha vida, corrigir meus defeitos, apaziguar minhas ansiedades. Estudo a condição humana porque preciso sobreviver a ela.

Houve um breve silêncio, seguido por um elogio automático, quase uma defesa:

— Nossa... mas como você é inteligente!

Foi ali que o "clique" aconteceu. O momento provocado. A construção do pensamento. Olhei para ela (ou pelo retrovisor da alma) e devolvi a responsabilidade:

— Engano seu. Eu apenas relato o que estudo e pratico; compartilhar é a minha forma de fixar a matéria, de não esquecer quem quero ser. Inteligente não sou eu por falar. Inteligente será você, se conseguir tirar algum proveito deste falatório. Se você pegar algo dessa conversa e aplicar na sua vida para torná-la melhor, aí sim haverá inteligência. Caso contrário, foi apenas barulho na estrada.

O carro seguiu. O assunto morreu ou mudou, não lembro. Mas a lição ficou no banco da frente: Sabedoria não é o que a gente fala para o mundo. É o que o mundo decide fazer com o que ouviu.

RETORNEI


Após uma pequena pausa, retorno a esse blog cujo inicio deu-se há mais de quatorze anos. Período em que a gente dedicou-se a muitas atividades, em algumas o tempo facilitou a minha "escrevinhação" neste recanto solitário. Em outros a jornada muitas vezes não deixava espaços para este convívio aqui. Deixo o registro da boa vontade que nunca faltou, apesar dos percalços. Tenho muito material e muita novidade a ser "postada" aqui. Boas vindas a quem chega, e um abraço aos que já rodam por estas linhas. Obrigado a todos. Gilrikardo - eterno aprendiz 6.5

sexta-feira, 19 de abril de 2019

O atleta que reside em mim

Por Gil Rikardo

Comecei a caminhar pequenos trechos... 400 metros... sem pressa... indo e vindo duas quadras... hoje estou caminhando 2000 metros dando voltas na quadra... levo quarenta minutos... minha meta é 4000 metros em uma hora... para mim isso é fundamental à minha saúde... sempre fui sedentário, mas agora a água bateu na bunda... é isso ou corro o risco de viver menos 10 anos... Sugiro que encontres algo motivador para abandonar o sedentarismo... Boa sorte e saúde a todos nós...