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sexta-feira, 15 de março de 2013

Sonho doce sonho

Histórias de pai e filho

Gilrikardo disse: Encontrei em meio aqueles papéis que vamos ajuntando, esta moda do meu filho. Tácio Ricardo / 11 anos / 2008


SONHO DOCE SONHO

Sonhar acordado 

Comprando um milhão de coisas
no supermercado, comendo uma
montanha de chocolate e
dormir até mais tarde

Sonhar acordado
Viajando pelo espaço numa nave
de um terráqueo
que peguei emprestado

Sonhar acordado

Navegando pela piscina do
meu quarto e indo até o fundo
respirando sem ficar afogado

Sonhar acordado
Assistindo cinema pela janela
do meu armário, sem ficar
preocupado em acordar ninguém

Sonhar acordado
Pulando de um pára-quedas
para não ser amassado pelo asfalto

Sonhar acordado 
Voando de lado, para cima, para
baixo, dando giros, viravolta, volta e
vira, voando por toda a cidade...
era tudo que eu queria

Como gostaria de sonhar acordado
Seria um sonho realizado 


Leia aqui outra história de pai e filho: Momento Veja

sábado, 23 de julho de 2011

Inventando moda

Histórias de pai e filho

Por Gilrikardo


Clique na imagem para ampliar.

--Que negócio é esse aí pai?
--Um scanner.
--Prá que serve?
--Para copiar desenhos, imagens e textos.
--Posso copiar eu?
--Pode, vem aqui e coloca a cabeça neste vidro, deixa eu achar um pano para cobri-lo melhor.
--Paí, tá escuro aqui.
--Calma que já vai clarear e não se mexa até eu dizer, vamos torcer para a mamãe não chegar, se não adeus nossa brincadeira. Tá pronto aí, fica quieto e não se mexa?
--Tá legal pai, não vou me mexer.
--E... zássssssssssss... o resultado é a imagem acima.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Revolução na cozinha

Histórias de pai e filho

Por Gilrikardo

REVOLUÇÃO NA COZINHA

Explicava ao meu filho de seis anos como encontramos inspiração. Tal como alguém que escreve por gosto e não por ofício ou obrigação, o melhor argumento foi desafiar-me e dizer-lhe que relataria uma história ocorrida ali onde estávamos. Frisei que através da imaginação e das palavras temos o poder da criação. E assim foi escrito a revolução...

A geladeira sentindo-se a tal, gritou:

--Hei seus molengas!! Vamos dar as ordens a partir de hoje! Chega de me sufocarem com porcarias, aliás ultimamente o negócio anda tão fraco que nem isso têm. Só essas camadas de gelo que me deixam mais cansada. Basta! Chega desses adesivos na minha porta... esses enfeites de criança... e aquele gurizinho que vem aqui de cinco em cinco minutos e bate a porta.. arghhhhh! E a dona Maria então! Acha que sou prateleira ou armário, empilha um monte de bugigangas em cima de mim... desse jeito fico cansada! Estou aqui para ser uma conservadora... conservar alimentos é a minha utilidade.

Após esse breve discurso, todos na cozinha manifestaram-se. O fogão resmungou que suas bocas estavam precisando de tratamento, precisava de um "dentista" ou algum especialista para deixar seu sopro em dia. Estava descontente com a maneira grosseira que lhe davam banho, pois em cada lavada era um pedaço que lhe subtraiam. Botões que soltavam, grades que não se encaixavam mais, além de utilizarem-no como porta trecos. Não gostava de sentir a cafeteira sobre a tampa, muito menos lhe atulhar o forno com "apetrechos" que não eram dali.

A mesa reclamou que estava com reumatismo, pois suas pernas estavam doloridas e por isso mancava, não conseguia manter o equilíbrio. A pia chegou muito indignada com a sujeira que faziam com ela... era pedaço disso e daquilo, viravam óleo, alho, sabão e jogavam as panelas de qualquer jeito.

Ademais o que a deixava muito incomodada eram aquelas formiguinhas entrando e saindo de seu interior. Eta bichinhos irritantes e ninguém faz nada, esbravejava ela.

A geladeira retomou a palavra e sugeriu:

--Vamos fazer uma greve? A partir de hoje não vou mais conservar... que tal?
--Acho que não é uma boa idéia – disse o fogão – eles vêm e trocam você por outra ou lhe mandam para o "hospital".
-- Então o que faremos? – exclamou a mesa.

Silêncio geral. Por alguns minutos nada, a não ser o ronco do coração da geladeira... bbzzzz. Até que ouviram um snif... snif... bem baixinho vindo do canto, era o banquinho perna torta. Ele estava todo dolorido, inventaram que deveria suportar o jarro de água e a batedeira, mais de vinte quilos e suas perninhas já não agüentavam mais. Gemendo de dor, sugeriu que alguém fosse até o quarto do garoto que dormia e soprasse em seu ouvido todas as queixas da turma. Quem sabe, mesmo dormindo, seria sensível à causa e porventura tomaria alguma providência.

--Quem irá até o quarto dele? - perguntou o fogão.

Silêncio novamente. Até que ouviram a lagartixa que estava próxima da lâmpada dizer que sentiu-se comovida, portanto seria a portadora da mensagem. Lá se foi e após alguns cochichos voltou gritando:

-–Missão cumprida pessoal!

Raiou o dia, a mãe ao chegar na cozinha surpreende-se ao ver o garoto acordado tão cedo. Ali, na maior animação, com um martelo consertando as pernas do banquinho, retirando os adesivos da geladeira  e espantando as formigas. E lá na fresta, bem quietinha, a lagartixa observava tudo.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Boneca

Histórias de pai e filho

Por Gilrikardo

BONECA


Começo a acreditar que temos muito mais a aprender do que ensinar aos nossos filhos. O fato é que em determinadas ocasiões chamava minha mulher de boneca.

--E aí boneca... é prá hoje ... tá!
--Hei boneca! Tá na hora de um cafezinho. Que tal?
--A boneca tá a fim de ficar comigo hoje?!

Confesso que minhas intenções foram as mais variadas possíveis. Desde a sincera forma de carinho até, em momentos de ira, ironizar. E nas ocasiões que meu filho estava presente logo se pronunciava:

--Pára papai! Não diga assim. Não gosto.
--Não chame minha mãe de boneca.
--Chame de professora ou mamãe. Boneca não.

E assim, repetidas vezes, ele no alto de seus quatro anos e pouco censurava-me. Até o dia em que minha curiosidade transbordou e perguntei-lhe porque não deveria chamar sua mama daquela maneira. Para minha surpresa, espanto e longa reflexão veio sua resposta:

--Papai! Com bonecas a gente brinca, amassa ou arranca pedaços. Depois que ficam velhas, cansamos e jogamos fora.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Momento Veja

Histórias de pai e filho

Por Gilrikardo

Momento Veja

Ontem peguei a revista Veja e, junto ao meu filho de quatro anos, iniciei-me na leitura. Ao observar minha atitude percorrendo as páginas, pergunta:

-- Pai! “que se” tá fazendo?
-- Papai está lendo.
-- Papai posso ler também?
-- Claro !

Entreguei-lhe a revista e logo percebi que ficara sem jeito. Para quebrar o gelo e deixá-lo mais tranqüilo, afirmei que ele já sabia ler. Apontei para a página e disse-lhe:

-- Olhe o que tem na folha, sei que você sabe, então leia, conte para o papai o que diz ai?

Era a propaganda de uma montadora de veículos e a foto em página dupla de um de seus modelos. Ao entender minha indagação, começou e não parou mais:

-- Pneu... porta ...vidro... janela... banco... motorista... vermelho ...

Falou quase tudo sobre o carro. Conseguiu descrever a cena com grande perfeição.

--Viu meu filho! Você sabe ler.

Ele simplesmente olhou-me como um filho reconhecendo a presença do pai. Aproximou-se, colocou a mão sobre a letra "A" e de uma maneira infantil disse-me:

--Aaaah..............papai !!!

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Tugui-sugui

Histórias de pai e filho

Por Gilrikardo

TUGUI-SUGUI



Ilustração Tácio 5 anos

Percebo que, em determinados momentos, eu é quem sou o aprendiz na história.
Como na ocasião em que meu filho de cinco anos pediu para desenhar com pincel atômico. Dei-lhe diversas folhas e um local apropriado para desenvolver sua “arte”. Ficou fazendo figuras que mostrava e interpretava para mim: avião, barco, céu, entre outras. Após alguns minutos de explicação foi-se embora, sem nada dizer. Logo em seguida precisei do material e cadê? Revirei a oficina de cima a baixo e nada.
Chamei o desenhista para tentar descobrir o que havia feito. Ao chegar apontou-me os locais onde porventura laragara. Procuramos aqui, ali, acolá e nada. Falei da importância daquele objeto para minha atividade e que estava perdendo a paciência. Enquanto isso mostrava-se interessado em ajudar. Vasculhava embaixo dos móveis e da bancada, sem no entanto obter sucesso. Então perdi a estribeira e soltei o verbo:
--Filho!, assim não dá, na próxima vez que você pedir o papai não vai emprestar. Você extravia.
Outra vez, aquele garotinho com a cabeça na altura de minha barriga, habilmente soluciona o impasse.
--Ahhhh...papai! eu estava aprendendo mágica e quando falei "tugui-sugui" o pincel sumiu. Tenho que aprender uma mágica para ele aparecer.
--Barbaridade! E agora guri...
Passados alguns dias, o pincel foi localizado embaixo de um armário, entretanto ficou a marca do meu “tugui-sugui”.