terça-feira, 12 de maio de 2026
Uma Tarde No Shopping
Ao me levantar da cadeira e girar o corpo para ir embora, fui sequestrado pelo olhar da moça na mesa ao lado. Ela me fitava de uma maneira intrigada, como se quisesse dizer alguma coisa. Percebi em seu semblante um fascínio mudo, um desejo indiscreto de decifrar quem eu era. O contato visual se sustentou até que eu, por iniciativa própria, desviasse os olhos. Mas aqueles poucos segundos de encarada criaram em mim a necessidade de entender a cena.
E como explicar aquele olhar sem revelar o que a moça estivera assistindo na última hora e tantos minutos? O que ela via éramos eu e minha companhia feminina em pura expressão de nossas emoções. Estávamos imersos na conversa de dois adultos maduros iniciando um relacionamento. O assunto só poderíamos ser nós e a nossa conexão. Assim, a cada palavra dita, eu acariciava seu rosto e roubava-lhe um beijo de leve.
Os dengos seguiam a cadência de quem deseja ser acariciada, e eu não economizava energia nem entusiasmo ao segurar suas mãos, apertar seus dedos e provocar com aquela sutil conotação de desejo. Ouvir sua risada de concordância instigava ainda mais o guerreiro que despertara dentro de mim.
Tudo isso fluía com a naturalidade de duas pessoas que não estão nem aí para o ambiente ao redor. O que nos importava era o nosso aqui e agora. Aquele era o momento que ficaria gravado em nossas memórias, porque a nossa conexão havia, enfim, dado a partida. Era a primeira marcha; era o início do nosso destino sendo escrito à vista de todos.
E como não reparar naqueles dois "velhos" imersos numa onda de carícias e intimidade quase explosiva? Foi exatamente isso que atraiu a atenção daquela desconhecida, que acompanhou a nossa partida com um misto de curiosidade e reverência. Um olhar que testemunhou a vida que fervia em nós.
Obrigado, moça!
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