terça-feira, 12 de junho de 2012

Corrupção Legal


Corrupção legal

Vamos pedir duas carradas de brita para o vereador. Nem esquenta com isso, não vá cometer a loucura de comprar esse material, pois consigo de graça, deixa comigo, tá no papo. 
Esse era o teor da conversa entre o pai de um amigo meu e meu irmão, interessados em melhorar o acesso à oficina mecânica, as primeiras palavras com som de corrupção que tenho memória. Devia estar com doze ou treze anos e tal prática mostrou-se tão natural nos dizeres daqueles que ali estavam, que me senti constrangido em perguntar de onde sairia o dinheiro para pagar a brita. 
A partir desse fato comecei a perceber e anexar outros... outros... e mais outros. Muitos angariados graças às facilidades de morar numa pequena cidade onde a vida das pessoas é “domínio público”, isto é, todo mundo sabe a respeito de todos. Deixando transparecer com isso quem eram os privilegiados sob as asas dos governos (independente de partidos) em constante busca de meios para sobreviver. 
E conseguiam... enquanto uns ralavam uma vida inteira (eu por exemplo, rastejo há cinqüenta anos) havia aqueles colados ao poder que de uma forma ou outra sempre encontravam meios de prestar serviços, vender mercadorias, alugar equipamentos, instalações entre outras maracutaias cujos respingos afetavam a vida de muita gente. Assim, num silêncio geral a prática se consolidou... chega aos nossos dias como um meio de vida naturalmente aceito. 
Se assim continuasse, nos custaria barato... no entanto, com estes emergentes movimentos de tornar a moralizar ou denuncismos de desvios entre outros, está se elevando o custo corrupção no Brasil. Pois saímos da simples esfera negocial cujos preços suportamos há tempos para entrar em polêmicas e discussões entre as mais diferentes classes, além das entidades políticas e judiciárias. Resulta com isso o aumento dos valores... ou seja... um ato que originalmente era suportado dentro do sistema, encarece em muito devido aos interesses e as instâncias (CPI, MP, STF, PF) se fazendo crer que existem para extirpar tal malefício. Nada mais que jogo de cena a justificar-se. 
Portanto, LEGALIZAR a corrupção nos custaria bem menos. Legitimar esta forma de ganhar a vida, ou seja, todos os projetos do governo aprovados com uma margem entre cinco e vinte por cento a ser distribuída entre os políticos e as empresas participantes de licitações. Pronto, a corrupção se torna legal graças ao esforço de anos de brasileiros abnegados que se dedicaram em construir mecanismos para sobreviver às custas do Estado e dos impostos ali depositados. 
Hoje quando presenciamos uma multidão alimentando uma ilusão, percebemos o quanto nos custa tentar não provar o que todo mundo sabe. Em outras palavras, o teatro da hipocrisia é muito caro... não merecemos arcar com tanto. CPMI que não chega a lugar algum, Supremo Tribunal padecendo do mesmo mal, também não produz resultados positivos à sociedade. Por isso, manter tal prática viável, somente com a CORRUPÇÃO LEGAL, isto é, regulamentar para ter o custo suportável, possibilitando inclusive recursos declarados, além de utilizá-los para gerar outras oportunidade aos menos afortunados. Seria um bom negócio para todos. Então, vamos apoiar essa idéia. Corrupção legal já. O Brasil agradece! 

segunda-feira, 11 de junho de 2012

A verdade de cada um - Renato Holz

No. 284 - 24/2012

EMPRESAS E EMPRESAS
Renato Holz (*)

               Há uns poucos meses correu pela “ Internet “ a informação sobre o volume de recursos remetidos para o exterior pelas montadoras de automóveis a título de lucro no ano de 2011. Foram, segundo o Banco Central US$ 5,58 bilhões ( aproximadamente R$ 9,9 bilhões ). Um incremento de 36 % sobre o valor de 2010 – US$ 4,1 bilhão = 7,3 bilhão ).
            Óbvio e justo que todos os fatores da produção sejam remunerados, inclusive o capital empregado que somado ao risco comercial assumido, é remunerado pelo lucro.
            A única pergunta que fica é: se a lucratividade é tão boa, porque os subsídios com isenção temporária de IPI e outras formas mais que são usadas.
‘ Se analisarmos com cuidado o número de empregos gerados pelas montadoras de carros no Brasil, somado ao número de empregos de sua cadeia produtiva, vemos que o total de recursos canalizados para essa indústria sob todas as formas empregadas de incentivos e renúncias fiscais somadas a financiamentos a juros subsidiados, via BNDES – normalmente, o preço pago pela população brasileira, via erário público, para cada emprego gerado é altíssimo.
            Somemos a isso o retrocesso de exercício de livre mercado que a pesada carga tributária sobre automóveis importados trouxe, única e exclusivamente para garantir às montadoras aqui estabelecidas um mercado cativo, e concluiremos, por força de lógica, que no Brasil há empresas e empresas.
            Vejamos, por exemplo, o que acontece com a indústria brasileira de confecções, artefatos plásticos, ferramentas e instrumentos profissionais em geral, com a padaria da esquina.
           Todas estas atividades, fruto do empreendedorismo de brasileiros, e que gera empregos e recolhe tributos, estão sujeitas às mais severas leis de mercado, a financiamento para capital de giro com toda ordem de taxas, de 1,5 a 3,5 % ao mês, à concorrência de produtos estrangeiros que em seu país de origem são pesadamente subsidiados, e aqui concorrem com os produtos brasileiros pesadamente tributados.e por aí vai a saga das empresas genuinamente brasileiras.
            Não estou aqui advogando a causa do fechamento do mercado brasileiro a produtos estrangeiros. Estou defendendo a tese de que a regra deve ser igual para todos.
            Assim como importamos confecções, calçados, artefatos plásticos, etc, etc com baixa carga de tributação de importação, também o façamos com automóveis, pois a concorrência é a mais salutar das práticas de mercado. No momento que a indústria automobilística brasileira for confrontada com competidores estrangeiros que pelos mesmos preços dos carros nacionais, e provavelmente também por preços menores, a oferecerem veículos com tecnologia de ponta, a indústria brasileira saberá reagir e acompanhar as tendências de mercado.
            Aliás, cabe aqui uma outra ponderação. Como podem as montadoras localizadas na Coréia do Sul e Japão, por exemplo, produzir e vender carros feitos a partir de minério de ferro importado do Brasil, e por mão de obra bem mais cara que a brasileira, por menor preço que os aqui produzidos? A carga tributária brasileira tem a sua parcela de culpa nesta história, mas não pensemos que nos países acima citados a produção de automóveis seja isenta de impostos.
            Conclui-se facilmente que aqueles lucros remetidos para o exterior pela indústria automobilística, como citado no início, se necessário for, são garantidos pelo erário público, ou, em última análise, por todos os brasileiros, mesmo aqueles para quem possuir uma bicicleta é um sonho remoto, mas que contribuem ativamente na arrecadação do Estado toda a vez que compram seus alimentos , vestimentas e remédios.
            Volto a afirmar que no Brasil temos dois tipos de empresas, as que tem os seus interesses defendidos por centrais sindicais e outros lobistas de prestígio junto ao governo brasileiro, e as empresas brasileiras em geral. Isto me faz lembrar de uma máxima do político catarinense Nereu Ramos, que foi presidente do Brasil na segunda metade dos anos de 1950: Aos amigos os favores da lei, e aos outros os seus rigores; mas sempre a Lei.

Pensem nisto enquanto desejo a todos uma ótima semana
Renato Holz
< renatoholz31@gmail.com >

Horizonte / Ce 11 de junho de 2012
(*)Renato Holz
bacharel em ciências econômicas, e articulista catarinense
P.S. – Permitida a reprodução parcial ou total, desde que citada a autoria.

sábado, 9 de junho de 2012

Quem gosta de frio é o turista



Nos últimos dias o frio tem sido dolorido. Sim, o frio provoca-me dores e lembranças, sobretudo dos dias em que levantar de manhã para ir à escola era uma tarefa para poucos. Pois em muitas ocasiões éramos meia dúzia de persistentes e entusiasmados alunos em frente à sala de aula. Até a chegada do diretor e o convite para que voltássemos para casa devido ao excessivo rigor da baixa temperatura e a impossibilidade de segurar o lápis. Como não havia telefone nem intenet naqueles tempos, sofríamos com aquela falta de critérios em determinar quais dias teríamos aula ou quais dias a temperatura seria suportável a maioria.
Na volta para casa, quase todos e com razão, soltavam o verbo, eu em minhas reclamações aproveitava para xingar de bobos aqueles que apareciam em frente aos hotéis, geralmente cinco estrelas, sorrindo e bendizendo a temperatura abaixo de zero... chamava-os de hipócritas. 
Pois desejava vê-los acompanhando-nos num dia de escola. Desde o alvorecer até ao fim da tarde. Quando nos rendíamos encorujados, com os beiços rachados pelo massacre do vento, as orelhas roxas, parecendo que iam cair e o nariz pingando qual torneira quebrada. Os pés então, era lamentável quando não se tinha um calçado totalmente fechado... a umidade mais o frio produziam frieiras monumentais... 
Desde aqueles dias desejava-me longe. Consegui. Hoje só restam as lembranças e conferir na tevê a imagem dos turistas cheios de roupas, garbosos, bem alimentados em frente aos hoteis ou dentro de seus carros com ar condicionado, segurando suas câmeras digitais e pedindo para os céus mandarem uma nevezinha, é o friooooo!!!

sexta-feira, 8 de junho de 2012

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Meu epitáfio

Para quem não sabe, epitáfio é inscrição em túmulos ou monumentos funerários. Se algum dia eu merecer essa honra, pediria que lá colocassem... Salve-se quem puder. Pois dentro do que a vida até aqui me ensinou, isso seria o título do capítulo final. Nada de estranho ou macabro, apenas um singela constatação daquilo que percebi a meu redor, nada mais que isso. Para melhor entender, vamos ouvir os Titãs...


Epitáfio
Devia ter amado mais
Ter chorado mais
Ter visto o sol nascer
Devia ter arriscado mais
E até errado mais
Ter feito o que eu queria fazer...
Queria ter aceitado
As pessoas como elas são
Cada um sabe a alegria
E a dor que traz no coração...
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar...
Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr
Devia ter me importado menos
Com problemas pequenos
Ter morrido de amor...
Queria ter aceitado
A vida como ela é
A cada um cabe alegrias
E a tristeza que vier...
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar...(2x)
Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Mais que 1000 palavras


Infantilização - Renato Holz

Crianças pequenas não sabem as consequências de seus atos. Os pais, aflitos, tampam as tomadas, instalam telas nas varandas, fazem tudo o que for necessário para evitar que, inocentemente, os pequeninos se machuquem gravemente ou morram, por não serem capazes de prever as consequências do que fazem. 
Agora, contudo, parece que esta inconsequência alastrou-se para os adultos. Os mercados têm prateleiras sem fim de doces dietéticos, que teoricamente podem ser comidos sem qualquer consequência. Se não funcionar, sempre se pode recorrer a um balão inflável dentro do estômago. Os encarregados de rascunhar um Código Penal querem legalizar os bordéis e o crack, essas diversões inconsequentes, e permitir a eliminação final pelo aborto de qualquer consequência indesejada do prazer. Tornou-se normal pagar até metade do salário em prestações de coisas perfeitamente inúteis. Grupos de mulheres fazem passeatas seminuas, demandando que os estupradores – essas pessoas tão sensíveis ao clamor da opinião pública – não se sintam tentados por roupas sensuais. O debate sobre o Código Florestal opõe gente que parece querer que o país vire uma imensa selva, em que nada se planta, a quem parece achar possível transformar o país numa imensa plantação, desprovida de floresta. O próprio matrimônio foi reinterpretado pelo STF, tornando-se agora uma união inconsequente que diz respeito apenas a sexo e dinheiro. 
Enquanto se é criança, é natural que ainda não se tenha aprendido que os atos têm consequências. Adultos, contudo, deveriam ser capazes de percebê-las e sopesá-las. Mas não; a reação mais comum da sociedade, no seu frenesi de prazer inconsequente, tem sido o ódio contra quem lembra este fato simples da vida. As senhoras semidespidas da “Marcha das Vadias” do Rio invadiram uma igreja na hora da missa das crianças, como se o pudor, não a psicopatia dos estupradores, fosse o verdadeiro problema. A prostituição já ganhou código na classificação de ocupações do Ministério do Trabalho, onde fica entre o sujeito que dá banho em cachorro e o que mata baratas.
E ai de quem lembrar que, ao contrário da expressão, não se trata exatamente de uma “vida fácil”, de uma “ocupação” tão desprovida de consequências físicas e psicológicas quanto as outras.
Essa infantilização do país faz com que se tema pelo seu futuro. Se é só o prazer que vale, se não quisermos ver as consequências dos nossos atos, dia desses o Brasil enfia de vez os dedinhos babados na tomada. Será que então vai adiantar chorar? 

“Se você apanha um cão faminto, o alimenta e o torna próspero, ele não o morderá ; esta é a principal diferença entre um cão e a grande maioria dos homens. “ 
TWAIN, Mark pseudônimo de Samuel Langhorne Clemens 1835-1910 ( escritor americano - USA ) 


Bom final de semana 
Renato Holz 
Horizonte, Ceará

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Segunda das águas

Segunda-feira amanheceu chovendo rios e mais rios de água... isso que é "pleonasmo" vicioso... ora, chover só pode ser água... mas como foi além do normal, dou-me o direito de "pleonasmar" para conseguir descrever a quantidade impressionante de água que rolou. Anunciam os radialistas que a quantidade de chuva atingiu em dois dias a precipitação de 150mm, isto representa o total projetado para o mês de junho. Ou em outras palavras, choveu em dois dias o que era para chover durante todo o mês de junho. Com toda essa água, não é difícil imaginar como se comportou nosso trânsito que além de caótico, também pareceu marítimo, tamanha a quantidade de ruas alagadas, buracos, crateras, valetas entre outras dificuldades a serem dribladas por quem precisou se deslocar. Em tais momentos é bom lembrar daqueles políticos que prometem fundos e mundos, vendem o pai e a mãe, só com o intuito de levar o nosso voto... e levam! São as águas de junho!

domingo, 3 de junho de 2012

Domingo de lamentos


É interessante como nos enquadramos neste mundo... Cada viva alma com sua cruz e seus segredos. E neste domingo de junho, minha cruz pareceu pesada... ao assistir o programa de tevê relatando os problemas da seca no nordeste.
Escuto tal ladainha, talvez desde na barriga de minha mãe, e parece que nada foi feito ainda. MILHÕES CARREADOS através das SUDENES  da vida e aquilo continua o mesmo sertão de sempre. 
Considerei as imagens chocantes. Gado morrendo de sede, falta de ração, as pessoas lamuriando, mas sem transparecer que se preocupam de fato com a miséria, pois em cada casebre a presença de inúmeras crianças, anuncia que os miseráveis insistem em permanecer miseráveis. 
Tem certas coisas que é difícil de entender e mais difícil ainda de engolir. Essa tal seca do nordeste é uma delas. Pois há séculos vem enriquecendo uma elite da "CATIGORIA" do Sarney, do Jader Barbalho, do Toninho Malvadeza (ACM), e agora a "neo geração", Lula da Silva, recente membro alçado à elite nordestina que germina graças à miséria do povo em todos os sentidos. 

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Sexta-feira

Um dia daqueles dias que nos fazem lembrar das coisas que algum dia deixaremos de lembrar. Dia de trânsito maluco, dia de chegar a lugar nenhum, pois todos querem ao mesmo tempo ir... Num dia para lembrar dos dias que não mais virão... Num dia para lembrar dos dias idos... Eis nossas idas em dias de lembrar do dia em que deixaremos de lembrar dos dias lembrados... idos... idas... iremos lembrar... das coisas que algum dia deixaremos de lembrar.