quinta-feira, 19 de abril de 2012

Dia da sacanagem

Galdino Jesus dos Santos *1952+1997  
Eleger um dia do índio para homenageá-lo é lembrar de que tal criatura, sim criatura, deixou de ser índio e tornou-se ninguém, pois como cidadão é considerado relativamente incapaz, isto é, impossibilitado de exercer algum tipo de cidadania. E como índio, devido à ingerência do homem branco, abandonou a cultura milenar para sobrevivência e transformou-se em miserável, esmoleiro, andarilho, sem-teto e sem-esperança. Então, comemorar o quê? Seria mais honesto e mais digno se elegêssemos este dia para lembrar da sacanagem que o branco vem aplicando no índio desde que aqui chegou.

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ASSASSINOS + UM "DI MENOR"

Galdino Jesus dos Santos (Bahia, 1952 – Brasília, 20 de abril de 1997) foi um líder indígena brasileiro da etnia pataxó-hã-hã-hãe que foi queimado vivo enquanto dormia em um abrigo de um ponto de ônibus em Brasília, após participar de manifestações do Dia do Índio, em um crime que chocou o Brasil. O crime foi praticado por cinco jovens de classe média-alta daquela cidade.
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O motivo da viagem até Brasília
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Galdino, por ocasião das comemorações do Dia do Índio, em 1997, fora a Brasília juntamente com outras sete lideranças indígenas, para levar suas reivindicações acerca da recuperação da Terra Indígena Caramuru-Paraguaçu, em conflito fundiário com fazendeiros. Participou de reuniões com o presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso e com outras autoridades, juntamente com representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Como chegou tarde das reuniões, não pôde entrar na pensão onde se hospedara e resolveu dormir num abrigo de ponto de ônibus na Quadra 704 Sul.
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O crime
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Na madrugada de 20 de abril de 1997, cinco jovens de classe média-alta de Brasília (um menor de idade, G.N.A.J. e quatro maiores de idade: Tomás Oliveira de Almeida, Max Rogério Alves, Eron Chaves Oliveira e Antônio Novely Cardoso Vilanova) atearam fogo em Galdino enquanto este dormia. Galdino morreu horas depois em consequência das queimaduras. O crime causou protestos em todo o país.
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O Julgamento
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Em sua defesa, no julgamento realizado em 2001, os acusados disseram que o objetivo era "dar um susto" em Galdino e fazer uma "brincadeira"” para que ele se levantasse e corresse atrás deles. Alegaram, ainda, que chegaram a jogar fora na grama parte do álcool adquirido num posto de gasolina, por não ser necessária toda a quantidade comprada para dar o alegado "susto". Um dos rapazes disse à imprensa que ele e seus amigos haviam achado que Galdino era um mendigo e que, por isso, haviam decidido perpetrar o ato.

Os quatro acusados maiores de idade foram condenados a catorze anos de prisão por homicídio qualificado.Ao rapaz menor de idade, foram aplicadas as sanções previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente, que prevê internação máxima de três anos, a qual pode ou não ser substituída por prestação de serviços à comunidade, conforme a interpretação do juiz.
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Regalias e Benefícios
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Pertencentes a famílias de grande poder aquisitivo e influência, desde a prisão os criminosos contaram com regalias a que nenhum outro preso comum tinha direito. Apesar das críticas efetuadas pela promotora Maria José Miranda, que acompanhou o processo nos primeiros cinco anos, os quatro criminosos detidos tinham direito a tomar banho quente e manter cortinas em suas celas, além de ficarem de posse da chave da própria cela. Por motivos desconhecidos, a promotora pediu afastamento do caso pouco tempo antes do julgamento.
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G.N.A.J. foi encaminhado para o centro de reabilitação juvenil do Distrito Federal, onde ficou preso apenas por três meses, apesar de ter sido condenado a um ano de reclusão. Os outros quatro foram condenados, em 2001, a catorze anos de prisão em regime integralmente fechado por homicídio doloso. Pela gravidade do crime não teriam direito a determinados benefícios, mas, já no ano seguinte, receberam autorização para exercer funções administrativas em órgãos públicos. Três dos cinco rapazes chegaram a ser flagrados pela imprensa local se dirigindo em carro próprio até o presídio sem passar por qualquer tipo de revista, após namorar e ingerir bebida alcoólica em um bar.
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Em agosto de 2004, foi concedido o livramento condicional aos quatro condenados. Esse benefício foi recepcionado pela opinião pública como um atestado do "caráter volúvel do Poder Judiciário frente à força político-econômica" e revoltou os familiares do índio assassinado. A mídia também noticiou a concessão do benefício, apesar de previsto em lei, como "certeza da impunidade" para um crime considerado hediondo pela legislação brasileira.
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Praça do Compromisso
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O local do crime foi rebatizado como Praça do Compromisso e, lá, foram colocadas duas esculturas relativas ao assassinato de Galdino: uma delas retrata uma pessoa em chamas e a outra representa uma pomba, o símbolo da paz. 
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quarta-feira, 18 de abril de 2012

Ainda sobre livros e leituras

Transcrevo do blog: http://cristaldo.blogspot.com.br/


A OUTRA NUVEM
(...)
Estes dias de Internet são propícios à leitura. Qualquer um tem acesso aos clássicos mesmo em cidades onde não mais existem bibliotecas. Mas desconfio que a moçada, de modo geral, prefere baixar filmes ou música. Ou publicar abobrinhas no Facebook. Não digo que vá se discutir a enteléquia aristotélica nas redes sociais. Mas não precisavam publicar tanta bobagem.

Ainda há pouco, comentei reportagem de Veja sobre a leitura, na qual o repórter se congratulava com o fato de o brasileiro estar lendo mais. Mas está lendo o quê? Paulo Coelho ou padre Marcelo, Zíbia Gasparetto ou Lauro Trevisan, Thalita Rodrigues ou Gabriel Chalita. Melhor fossem os brasileiros analfabetos. Na época, leitores me contestaram, acusando-me de elitista por desprezar a leitura destes senhores. Ou seja, chegamos a um ponto em que denunciar a mediocridade é condenável.

Verdade que, neste blog, sempre pesco almas jovens que querem entender o mundo. Nem tudo está perdido. É minha paga, melhor que qualquer salário.

A vida como ela é

O PEDIATRA
Saiu do telefone e anunciou para todo o escritório:
-- Topou! Topou!
Foi envolvido, cercado por três ou quatro companheiros.
O Meireles cutuca:
-- Batata?
Menezes abre o colarinho: 
-- Batatíssima!. 
Outro insiste:
-- Vale? Justifica?
Fez um escândalo:
-- Se vale? Se justifica? Ó rapaz! É a melhor mulher do Rio de Janeiro! Casada e te digo mais: séria pra chuchu!
Alguém insinuou: 
-- Séria e trai o marido? 
Então, o Menezes improvisou um comício em defesa da bem-amada:
-- Rapaz! Gosta de mim, entende? De mais a mais, escuta: o marido é uma fera! O marido é uma besta!
Ao lado, o Meireles, impressionado, rosna:
-- Você dá sorte com mulher! Como você nunca vi!  
E repetia, ralado de inveja: 
-- Você tem uma estrela miserável!

O AMOR IMORTAL
Há três ou quatro semanas que o Menezes falava num novo amor imortal. Contava, para os companheiros embasbacados: 
-- Mulher de um pediatra, mas olha: - um colosso! 
Queriam saber: 
-- Topa ou não topa? 
Esfregava as mãos, radiante:
-- Estou dando em cima, salivando. Está indo.
Todas as manhãs, quando o Menezes pisava no escritório, os companheiros o recebiam com a pergunta: 
-- E a cara? 
Tirando o paletó, feliz da vida, respondia:
-- Está quase. Ontem, falamos no telefone quatro horas!
Os colegas pasmavam para esse desperdício: 
-- Isso não é mais cantada, é ... E o vento levou. 
Meireles sustentava o princípio que nem a Ava Gardner, nem a Cleópatra justificam quatro horas de telefone. 
Menezes protestava:
-- Essa vale! Perfeitamente, vale! E, além disso, nunca fez isso! É de uma fidelidade mórbida!  Doentia! Compreendeu?
E ele, que tinha filhos naturais em vários bairros do Rio de Janeiro, abandonara todos os outros casos e dava plena e total exclusividade à esposa do pediatra. Abria o coração no escritório:
-- Sempre tive a tara da mulher séria! Só acho graça em mulher séria!
Finalmente, após quarenta e cinco dias de telefonemas desvairados, eis que a moça capitula. Toda a firma exulta. E o Menezes, passando o lenço no suor da testa, admitia: 
-- Custou, puxa vida! Nunca uma mulher me resistiu tanto! 
E, súbito, o Menezes bate na testa:
-- É mesmo! Está faltando um detalhe! O apartamento!
Agarra o Meireles pelo braço: 
-- Tu emprestas o teu? 
O outro tem um repelão pânico:
-- Você é besta, rapaz! Minha mãe mora lá! Sossega o periquito!
Mas o Menezes era teimoso. Argumenta:
-- Escuta, escuta! Deixa eu falar. A moça é séria. Séria pra burro. Nunca vi tanta virtude na minha vida. E eu não posso levar para uma baiúca. Tem que ser apartamento residencial e familiar. É um favor de mãe pra filho caçula.
O outro reagia: 
-- E minha mãe? Mora lá, rapaz! 
Durante umas duas horas, pediu por tudo:
-- Só essa vez. Faz o seguinte: - manda a tua mãe dar uma volta. Eu passo lá duas horas no máximo!
Tanto insistiu que, finalmente, o amigo bufa:
-- Vá lá! Mas escuta, pela primeira e última vez!
Aperta a mão do companheiro:
-- És uma mãe!

DECISÃO
Pouco depois, Menezes ligava para o ser amado:
-- Arranjei um apartamento genial.
Do outro lado, aflita, ela queria saber tudinho:
-- Mas é como, hein? 
Febril de desejo, deu todas as explicações: 
-- Um edifício residencial, na rua Voluntários. Inclusive, mora lá a mãe de um amigo. 
Do apartamento, ouve-se a algazarra das crianças. 
Ela, que se chamava Ieda, suspira:
-- Tenho medo! Tenho medo!
Ficou tudo combinado para o dia seguinte, às quatro da tarde. No escritório, perguntaram:
-- E o pediatra?
Menezes chegou a tomar um susto. De tanto desejar a mulher, esquecera completamente o marido. E havia qualquer coisa de pungente, de tocante, na especialidade do traído, do enganado. Fosse médico de nariz e garganta, ou simplesmente de clínica geral, ou tisiólogo, vá lá. Mas pediatra! 
O próprio Menezes pensava:
-- Enquanto o desgraçado trata de criancinhas, é passado pra trás! 
E, por um momento, ele teve remorso de fazer aquele papel com um pediatra. Na manhã seguinte, com a conivência de todo o escritório, não foi ao trabalho. Os colegas fizeram apenas uma exigência: - que ele contasse tudo, todas as reações da moça. Ele queria se concentrar para a tarde de amor. Tomou, como diria mais tarde, textualmente, um banho de Cleópatra. A mãe, que era uma santa, emprestou-lhe o perfume. Cerca do meio-dia, já pronto e de branco, cheiroso como um bebê, liga para o Meireles:
-- Como é? Combinaste tudo com a velha?
-- Combinei. Mamãe vai passar a tarde em Realengo.
Menezes trata de almoçar. Preciso me alimentar bem, pensava. Comeu e reforçou o almoço com uma gemada. Antes de sair de casa, ligou para Ieda:
-- Meu amor, escuta. Vou pra lá.
E ela:
-- Já?
Explica:
-- Tenho que chegar primeiro. E olha: vou deixar a porta apenas encostada. Você chega e empurra. Não precisa bater. Basta empurrar.
Geme:
-- "Estou nervosíssima!".
E ele, com o coração aos pinotes:
-- Um beijo bem molhado nesta boquinha.
-- Pra ti também.

ESPANTO
Às três e meia, ele estava no apartamento, fumando um cigarro atrás do outro. Às quatro, estava junto à porta, esperando. Ieda só apareceu às quatro e meia. Ela põe a bolsa em cima da mesa e vai explicando:
-- Demorei porque meu marido se atrasou.
Menezes não entende: 
-- "Teu marido?", e ela:
-- Ele veio me trazer e se atrasou. Meu filho, vamos que eu não posso ficar mais de meia hora. Meu marido está lá embaixo, esperando.
Assombrado, puxa a pequena: 
--Escuta aqui.Que negócio é esse? Está lá embaixo! Diz pra mim, teu marido sabe? 
Ela começou:
-- Desabotoa aqui nas costas. Meu marido sabe, sim. Desabotoa. Sabe, claro.
Desatinado, apertava a cabeça entre as mãos: 
-- Não é possível! Não pode ser! Ou é piada tua? 
Já impaciente, Ieda teve de levá-lo até a janela. Ele olha e vê, embaixo, obeso e careca, o pediatra. Desesperado, Menezes gagueja:
-- Quer dizer que... 
E, continua:
-- Olha aqui. Acho melhor a gente desistir. Melhor, entende? Não convém. Assim não quero.
Então, aquela moça bonita, de seio farto, estende a mão:
-- Dois mil cruzeiros. É quanto cobra o meu marido. Meu marido é quem trata dos preços. Dois mil cruzeiros.
Menezes desatou a chorar.

Nelson Rodrigues

UMA BANANA COMO MERENDA
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Eu e o Hélio Pellegrino temos um amigo que é o que se chama um erudito. E o pior é que se trata de um caso recente e diria mesmo de fulminante erudição. A princípio suspeitei de uma deslavada escroqueria intelectual. E aqui começa o mistério que desafia todo o meu raciocínio e toda a minha intuição. Do dia para a noite o semi-analfabeto aprendeu não sei quantos idiomas.
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Já não digo francês, que todos falam, menos eu. Não. O rapaz declamava Goethe em puríssimo alemão. E, certa noite, passei pelo seu quarto, na praça Onze (ele mora no alto, junto à clarabóia, como no tempo de Paulo de Koch). Entro e o surpreendo, no meio de três ou quatro, em pé, recitando o padre-nosso em grego. Saí dali e fui ligar para o Hélio Pellegrino. Disse-lhe, sinceramente esmagado: — “Hélio, nós somos dois analfabetos!”.
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Eu e o Hélio, cada vez mais inferiorizados, temos seguido pelos jornais a carreira de tão vasta e súbita erudição. E eu fico a resmungar, na irritação da minha impotência: “Como sabe! Como lê! Como cita!”. Até que, de repente, baixou-me uma luz e descobri toda a fragilidade daquela monstruosa estrutura. Aquilo era uma catedral de pauzinhos de fósforos, sim, um gótico de palitos.
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Certa manhã, fui para a máquina e bati minha primeira carta anônima. Se bem me lembro, dizia mais ou menos o seguinte: — “Leia pouco, pelo amor de Deus, leia pouco!”. E assim, nesse tom de salubérrimo descaro, fui dizendo tudo. Aconselhei-o a voltar ao Dumas pai, a Ponson Du Terrail, a Michel Zevaco, Eugène Sue e outros folhetinistas de boa cepa. Acabei a carta, enfiei-a no envelope e tive a desfaçatez de mandá-la registrada.
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Agora, a revelação: — em que pese o evidente traço caricatural, não estou longe de pensar assim. Por tudo que sei da vida, dos homens, deve-se ler pouco e reler muito. A arte da leitura é a da releitura. Há uns poucos livros totais, uns três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos.
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Certa vez, um erudito resolveu fazer ironia comigo. Perguntou-me: “O que é que você leu?”. Respondi: “Dostoievski”. Ele queria me atirar na cara os seus quarenta mil volumes. Insistiu: “Que mais?”. E eu: “Dostoievski”. Teimou: “Só?”. Repeti: “Dostoievski”. O sujeito, aturdido pelos seus quarenta mil volumes, não entendeu nada. Mas eis o que eu queria dizer: pode-se viver para um único livro de Dostoievski. Ou uma única peça de Shakespeare. Ou um único poema não sei de quem. O mesmo livro é um na véspera e outro no dia seguinte. Pode haver um tédio na primeira leitura. Nada, porém, mais denso, mais fascinante, mais novo, mais abismal do que a releitura.
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(Divaguei demais e desculpem.) 
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De Dostoievski passo à minha infância. Há bastante de Dostoievski, bastante de Dickens, na rua Alegre, em Aldeia Campista. Não será a pura semelhança episódica, Não. É uma semelhança, digamos assim, de atmosfera. Sinto que parte de minha infância está inserida, difusa, volatilizada em certas páginas de Dickens ou Dostoievski. Por exemplo: — eu poderia fazer, com minha passagem pela escola pública, uma antologia de humilhações. (Está comigo, enterrado em mim, um perene menino humilhado.)
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A escola era bem na esquina da rua Alegre com Maxwell. (Quando Lili morreu, eu achava absurda a vida sem Lili. Lembro-me de que, depois do enterro, eu mudava de calçada para não passar pela sua porta.) Comecei a sofrer no recreio. Já disse que levava para a escola, como merenda, uma imutável banana. No primeiro dia, bateu a sineta do recreio e lá fui eu. O pátio se inundou de meninos e meninas. Apanhei a banana e, sem pressa, comecei a descascá-la. Fazia isso meio solene, como se descascar banana exigisse uma técnica, uma arte, não sei que virtuosismo.
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Descascada a banana, eu não a mastigava imediatamente. Não. Com delicada paciência, punha-me a chupá-la, como hoje se faz com o Chicabon. E, ao mesmo tempo, olhava para os outros meninos. Não sei por que, o fato é que, no primeiro e segundo dias de escola, tive orgulho, vaidade da banana. Olhava para os garotos, como se dissesse: “Eu tenho uma banana. Estou comendo uma banana”. Mas já o primeiro dia deu-me para perceber que havia toda uma fauna de merendas prodigiosas.
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Lembro-me de que uma das minhas invejas mortais foi um garoto, já taludo. (Eu era miúdo e tinha vergonha da minha cabeça grande.) Trouxe a merenda embrulhada em papel de pão e amarrada com barbante. Desfez o nó do barbante e abriu o papel: — então, eu a vi. Era um sanduíche de pão com ovo. Pão com ovo. O menino pôs-se a comer. A gema escorria-lhe da boca como uma baba amarela. E outros garotos e garotas levavam sanduíches de goiabada, de queijo, de bife; havia uma menina que levava biscoitos numa latinha.
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No terceiro dia, comecei a ter vergonha da banana. Fosse prata, ou maçã, mas era banana. Nasceu em mim, então, a utopia do sanduíche de ovo. Se eu levasse um, havia de comê-lo no meio do recreio, com todos olhando; e deixaria a gema escorrer pelo queixo. Ao mesmo tempo que me envergonhava da banana, tinha-lhe pena. Pena da banana. De vez em quando, faltava dinheiro em casa. Banana custava um vintém. E eu ia para a escola sem merenda. Na hora do recreio, rodava pelo pátio, errante e perdido de fome.
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Já contei o episódio das orelhas sujas. Mas não foi só. De vez em quando a professora me apontava como um exemplo: 
—Não quero menino sujo na minha classe. Já basta o Nelson. 
As meninas me olhavam e eu tinha de novo o sentimento de nudez pública. Até que, um dia, estava eu no meu banco, que era o último (eu me sentava embaixo de uma janela). E, de repente, ouço a voz da professora: 
—Menino, não coça a cabeça! 
Eu devia estar entretido no meu sonho. A professora bate com a régua na mesa: 
—Nelson! Não está me ouvindo? Levante-se! De castigo, já! Ali, fica ali! Aí!
Saí eu, lá do fundo, assombrado, e vim atravessando toda a classe. Dizia, chorando: 
—Eu não ouvi a senhora me chamar! 
E ela: 
—Menino insubordinado! 
Estou de frente para o quadro-negro, de costas para a classe. E ela: 
—Vira, vira! Fica de frente! 
Estou cara a cara com os outros. Ela ainda continua: 
--Parece que tem o bicho carpinteiro, esse menino! 
E, súbito, muda de tom. Pergunta: 
—Por que é que coça tanto a cabeça? Vem cá. Chega aqui. Pode vir. 
Eu me chego. Ela está dizendo, quase doce: 
—Está com medo? Não vou fazer nada.Vem, meu filho!. 
E completa, rápida, cortante: 
—Quero só examinar tua cabeça. 
Paro: 
—Não, não! 
Mas ela vem me buscar; sou arrastado: 
—Fica quieto, fica quieto!. 
Imobiliza a minha cabeça. Sinto seus dedos enfiados nos meus cabelos. E, de repente, o berro: 
—Não disse? 
Vira-se para a classe: 
—Eu sabia! Eu sabia! Tem piolhos, lêndeas! 
Levou-me para a sala da diretora: 
—Esse menino não pode ficar com os outros! Pega piolho nos outros! 
A diretora, de óculos e papada, fez uma boquinha de nojo. Depois da aula, levei para casa um bilhete da professora. E mudei de calçada para não passar pela porta de Lili.
[15/12/1967]
O ÓBVIO ULULANTE
PRIMEIRAS CONFISSÕES
Crônicas

terça-feira, 17 de abril de 2012

Educação vem de berço, não é de hoje!

Gilrikardo disse: Vem de casa. Vem de onde deve vir, do pai e da mãe em primeiro lugar, sem eximir os demais membros da família, caso seja possível. Isso é praxe desde séculos antes de Cristo. E acreditar que dois mil e tantos anos depois, ainda existam pessoas insensíveis à causa da boa formação. Leia abaixo as primeiras palavras do legado do grande imperador romano Marco Aurélio - Meditações, é lição pura... é para quem deseja aprender... e não custa nada!

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"Se você se aflige com qualquer coisa externa, o sofrimento não é causado pela coisa em si, mas por sua própria avaliação a respeito; e isso você tem o poder de revogar a qualquer momento." - 
 
MARCO AURÉLIO

MEDITAÇÕES

Livro 1

1. A cortesia e a serenidade, aprendi-as eu, primeiro, com o meu avô.

2. A virilidade sem alardes, aprendi-a com aquilo que ouvi dizer e recordo do meu pai .

3. A minha mãe deu-me um exemplo de piedade e generosidade, de como evitar a crueldade — não só nos atos, mas também em pensamento — e de uma simplicidade de vida completamente diferente daquilo que é habitual nos ricos.

4. Ao meu bisavô fiquei a dever o conselho de que dispensasse a educação da escola e, em vez disso, tivesse bons mestres em casa — e de que me capacitasse de que não se devem regatear quaisquer despesas para este fim.

5. Foi o meu tutor que me dissuadiu de apoiar o Verde ou o Azul1, nas corridas, ou o Leve ou o Pesado2, na arena; e me incentivou a não recear o trabalho, a ser comedido nos meus desejos, a tratar das minhas próprias necessidades, a meter-me na minha vida, e a nunca dar ouvidos à má-língua.
 
1 As cores dos aurigários no Circo. O entusiasmo dos romanos por estas corridas não tinha limites; os vencedores ganhavam grandes fortunas e tornavam-se ídolos populares.

2 Num tipo de combate de gladiadiores (o “Trácio”) os contendores eram armados com escudos redondos leves; noutro (o “Samnita”) eles traziam escudos rectangulares pesados.
 
6. Graças a Diogneto3 aprendi a não me deixar absorver por atividades triviais; a ser cético em relação a feiticeiros e milagreiros com as suas histórias de encantamentos, exorcismos e quejandos; a evitar as lutas de galos e outras distrações semelhantes; a não ficar ofendido com a franqueza; a familiarizar-me com a filosofia, começando por Bacchio e passando depois para Tandasis e Marciano; a redigir composições, logo em pequeno; a ser entusiasta do uso do leito de tábuas e pele, bem como de outros rigores da disciplina grega.

3 Pintor e filósofo a quem Marco, ainda um rapaz de onze anos, ficou a dever os primeiros contatos com o estoicismo. De Bacchio, Tandasis ou Marciano nada se sabe.

7. De Rústico4 obtive a noção de que o meu caráter precisava de treino e cuidados, e que não me devia deixar perder no entusiasmo sofista de compor tratados especulativos, homilias edificantes, ou representações imaginárias de O Asceta ou de O Altruísta. Também me ensinou a evitar a retórica, a poesia, e as presunções verbais, os amaneiramentos no vestuário em casa, e outros lapsos de gosto deste género, e a imitar o estilo epistolar simples utilizado na sua própria carta a minha mãe, escrita em Sinuessa. Se alguém, depois de se zangar comigo num momento de mau humor, mostrasse sinais de querer fazer as pazes, devia mostrar-me logo disposto a ir ao encontro dos seus desejos.

Também devia ser rigoroso nas minhas leituras, não me contentando com as meras ideias gerais do seu significado; e não me deixar convencer facilmente por pessoas de palavra fácil. Por ele, vim também a conhecer as Dissertações de Epicteto, das quais ele me deu uma cópia da sua biblioteca.

4 Q. Júnio Rústico, um professor estóico que foi tutor de leis e amigo de Marco.


8. Apolónio5 convenceu-me da necessidade de tomar decisões por mim mesmo, em vez de depender dos acasos da sorte, e nunca, nem por um momento, perder de vista a razão. Também me instruiu no sentido de encarar os espasmos de uma dor aguda, a perda de um filho e o tédio de uma doença crónica sempre com a mesma inalterável compostura. Ele próprio era um exemplo vivo de que nem mesmo a energia mais impetuosa é incompatível com a capacidade de descansar. As suas exposições eram sempre um modelo de clareza; contudo, era claramente alguém para quem a experiência prática e aptidão para ensinar filosofia eram os talentos menos importantes. Foi ele, além disso, que me ensinou a aceitar os pretensos favores dos amigos sem me rebaixar ou dar a impressão de insensível indiferença.

5 Professor de filosofia que veio da Calcedónia para Roma. Quando Marco o chamou pela primeira vez ao palácio, dizem que ele respondeu, «O mestre não deve ir ter com o aluno, mas o aluno com o mestre.»


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Das vantagens do analfabetismo*

TRANSCREVO DO SITE: http://cristaldo.blogspot.com.br/
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Estou sendo vítima de assédio. Não de assédio sexual. Mas religioso, que me parece ser crime mais grave. Não passa dia sem que católicos, marxistas ou espíritas me repassem bibliografias. Recebi até mesmo insinuações da exótica Bola de Neve Church, que descobriu no cérebro de camarão dos surfistas um promissor campo de plantio. Recebo mails de pessoas que se pretendem imbuídas de fé cristã, mas jamais leram a Bíblia. 
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De uma surfista da Bola de Neve, por exemplo, recebi mensagem me recomendando ler os "Evangélios". Porque nós, "cristões"... dizia a menina, a propósito já nem lembro de quê.
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Ora, a Bíblia é livro muito bem escrito, e certamente melhor traduzido. Quem a leu jamais escreveria "evangélios" ou "cristões". Que o presidente da República assim escreva, não me espantaria. Mas não quem tenha lido o Livro. Isso é coisa de gente que não lê e só capta a oralidade. De gente que só ouve a lavagem cerebral do pastor. Quando o Supremo Apedeuta fala sobre saúde, nunca sabemos se está pronunciando a palavra com s ou ç. Essa é vantagem da oralidade. Escrever é um pouco mais complicado.
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Munir-se de bibliografias e estudar a fundo doutrinas é terrível perda de tempo. Imagine que você, para conhecer o cristianismo, tenha de ler desde a Bíblia a Santo Anselmo, Orígenes, Tomás de Aquino, Agostinho, Hans Kung e teólogos outros. Só a leitura da Bíblia já é empreitada que exige tempo e conhecimentos históricos. A Suma Teológica, por exemplo, tem doze volumes. 
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Imagine então que você, ao ler a Bíblia, embrenhar-se pela Suma, Cidade de Deus, Ser Cristão, etc., passou a descrer do cristianismo. Busca então outra fé. Sem ir mais longe, o marxismo, como fizeram boa parte dos católicos que se desiludiram dos preceitos do Nazareno.
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Aí vem outra bibliografia colossal. Para entender os prolegômenos, você precisa ir às fontes, desde os socialistas utópicos a Hegel, Engels e Marx. Teria depois de ler aquele calhamaço religioso travestido de pensamento científico, O Capital. Depois os comentaristas, que são centenas. Mais os dissidentes. Só aí, você empenhou metade de sua vida.
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Digamos então que, dadas as reviravoltas do século, você perdeu a fé no marxismo. Procura então outra. Espiritismo, freudismo, talvez islamismo. Novas bibliografias. Você vai desperdiçar sua vida lendo, sem talvez chegar a nada. Recebo continuamente sugestões bibliográficas. Como se livro fosse atestado de verdade. Ora, um olhar perfunctório sobre as crenças que o mercado oferece, nos mostra sobejamente que os livros têm sido os objetos mais mentirosos da história da humanidade.
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Conheço não poucos destes eternos migrantes. O mais conhecido deles foi Roger Garaudy. Do catolicismo migrou para o marxismo, percurso banal no Ocidente. Insatisfeito com o marxismo, refugiou-se no islamismo. Em Porto Alegre, conheci um jornalista que repetiu este turismo espiritual. De católico virou stalinista e do stalinismo migrou para o islamismo. Me consta que morreu virando o bumbum pra lua na hora das preces e cumprindo o ramadã. Às vezes, a ordem do percurso se inverte. Do marxismo passam ao islamismo e do islamismo ao catolicismo. Constituem um exemplo perfeito do antigo axioma: a ordem dos fatores não altera o produto. São eternos buscadores de fés, e não encontram sossego fora de uma crença em um Absoluto qualquer.
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Recentemente, recebi vasta bibliografia sobre espiritismo, de um leitor com alma de apóstolo. Surpreendeu-se quando confessei-lhe ser um estudioso de religiões. Não entendia como um estudioso de religiões pudesse ser ateu, quando é precisamente o estudo aprofundado das religiões o que nos leva ao ateísmo. Revelei ter também uma extensa biblioteca marxista em casa, sem nunca ter sido marxista. Então você pode começar a ler Kardec, me sugeriu. Declinei o convite. Disse-lhe que só me interesso pelas grandes mentiras da humanidade, não me sobra tempo para as pequenas.
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Passei outro dia no setor de livros da Fnac. Estantes e mais estantes de ficção. Mas deixemos estas de lado. Ficção, por definição é mentira. Ao comprarmos um romance, sabemos que não se trata de uma história real, mas de fruto da imaginação. Ficção não é o problema. A mentira mais sutil está nos ensaios, que pretendem dissertar sobre verdades.
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Prateleiras e mais prateleiras de livros apologéticos sobre o cristianismo, catolicismo, protestantismo, islamismo. Tudo mentira. (Excluo disto os estudos sérios sobre religião, mas estes são raros). Mais prateleiras de auto-ajuda. Tudo embuste. O mercado da auto-ajuda cresceu a tal ponto que até mesmo um líder religioso, que vive da caridade pública enquanto não realiza seu sonho de uma teocracia, o Oceano de Sabedoria - conhecido também por Dalai Lama - resolveu nele investir. Paulo Coelho e Lya Luft também. Não por acaso, muitas vezes os encontramos juntos na lista dos autores mais vendidos, e não estou fazendo trocadilho. Sem falar em misticismos outros, psicanálise, astrologia, budismo, wicas, feng shui, quiromancia, xamanismo, bruxaria, cabala, lingüística, neurolinguística e sei lá quantas outras religiões, crenças e teorias, que seres humanos mais dotados para o engodo criaram para enganar seus próximos, mais vulneráveis à vigarice. Houve época em que as obras marxistas cobriam paredes. Literatura sobre Cuba virou gênero literário, cada livraria tinha uma estante exclusiva dedicada a Castro e ao Che. Tudo mentira e nada mais que mentira.
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Nestes dias de indústria do livro, procurar neles verdades é aposta arriscada. No mais das vezes, o livro é instrumento de proselitismo e enganação. Diz um provérbio oriental: quem acredita em tudo que lê, melhor não tivesse aprendido a ler.
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* 03/10/2004
- Enviado por Janer

O PT que a maioria não vê


É cada vez mais delicada a situação da Delta; o Jornal Nacional exibiu nesta segunda-feira o grampo de Fernando Cavendish, publicado ontem no 247; nele, o maior empreiteiro do PAC fala em dar R$ 30 milhões a políticos para obter obras públicas; o ex-ministro José Dirceu foi consultor da empresa

Fora da leitura não há salvação

Transcrevo do site: http://cristaldo.blogspot.com.br/
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Segundo a pesquisa do IPL, vão à biblioteca freqüentemente apenas 8% dos brasileiros, enquanto 17% o fazem de vez em quando. Isso não quer dizer que brasileiro não leia. Vão à biblioteca pesquisadores... e pessoas que não têm o hábito da leitura. Quem gosta de ler monta a sua. Por outro lado, se há livros que você encontra só nas bibliotecas, há outros que só existem em livrarias.
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Ainda segundo o mesmo estudo, o brasileiro lê em média quatro livros por ano e apenas metade da população pode ser considerada leitora. A Bíblia aparece em primeiro lugar entre os gêneros preferidos – como se a Bíblia fosse um gênero – seguida de livros didáticos, romances, livros religiosos, contos, literatura infantil, entre outros.
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Se a escassa freqüência às bibliotecas não significa que brasileiro leia pouco, isto tampouco quer dizer que brasileiro leia. Nem mesmo quatro livros por ano. Bíblia não conta, é imposição de igrejas e seitas. Pelo que conheço desta gente, geralmente só usam a Bíblia para portá-la sob o sovaco. Ou para papaguear versículos como um mantra. Isto não é ler.
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Livro didático muito menos. É instrumento de ensino e imposição das escolas. Ler, a meu ver, é buscar leitura sem que a leitura seja imposta. Assim sendo, é bastante provável que um brasileiro não leia nem mesmo quatro livros por ano. Entre estes leitores, devemos incluir os de Paulo Coelho, padre Marcelo, Gabriel Chalita. Melhor não tivessem aprendido a ler.
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A pesquisa levou em conta apenas os livros em papel. Por mais que editores, distribuidores e livreiros não gostem desta idéia, ebook também é livro. E as bibliotecas digitais, portáteis e o mais das vezes gratuitas, só têm aumentado nos dias que correm. O IPL ignorou o século em que vivemos.
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Fora da leitura não há salvação, costumo afirmar. Não é preciso fazer pesquisa para concluir que brasileiros lêem pouco ou quase nada. Basta ver os governantes que elegem ou os ídolos que cultuam.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Não basta estar na cidade

O historiador José Murilo de Carvalho define cidadania como o exercício pleno dos direitos políticos, civis e sociais, uma liberdade completa que combina igualdade e participação numa sociedade ideal, talvez inatingível.
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Carvalho entende que esta categoria de liberdade consciente é imperfeita numa sociedade igualmente imperfeita. Neste sentido, numa sociedade de bem-estar social, utópica, por assim dizer, a cidadania ideal é naturalizada pelo cotidiano das pessoas, como um bem ou um valor pessoal, individual e, portanto, intransferível.
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Esta cidadania naturalizada é a liberdade dos modernos, como estabelece o artigo III da Declaração Universal dos Direitos Humanos, aprovada na Assembléia Geral das Nações Unidas, em 1948: "toda pessoa tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal." 
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A origem desta carta remonta das revoluções burguesas no final do século XVIII, sobretudo na França e nas colônias inglesas na América do Norte; o termo cidadão designa, nesta circunstância e contexto, o habitante da cidade "no cumprimento de seus simples deveres, em oposição a parasitas ou a pretensos parasitas sociais".
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A etimologia da palavra cidadania vem do latim civitas, cidade, tal como cidadão (ciudadano ou vecino no espanhol, ciutadan em provençal, citoyen em francês). Neste sentido, a palavra-raiz, cidade, diz muito sobre o verbete. O habitante da cidade no cumprimento dos seus deveres é um sujeito da ação, em contraposição ao sujeito de contemplação, omisso e absorvido por si e para si mesmo, ou seja, não basta estar na cidade, mas agir na cidade. 
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A cidadania, neste contexto, refere-se à qualidade de cidadão, indivíduo de ação estabelecido na cidade moderna.
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A rigor, cidadania não combina com individualismo e com omissões individuais frente aos problemas da cidade; a cidade e os problemas da cidade dizem respeito a todos os cidadãos.

O perfil psicológico dos esquerdistas

Pra começo de conversa, muitos NÃO GOSTAM DE ESTUDAR! Foram péssimos estudantes, a maioria com várias repetições de ano. Mas são de família de classe média, onde sempre sofreram pressão pra “ser alguém na vida”. Como são preguiçosos, SEM DISCIPLINA e folgados; precisam arrumar um jeitinho. Se passar por coisas que NÃO SÃO: pensam ser! 
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FINGIR QUE É CULTO, “engajado”, e “crítico” rende pontos. Assim, prestam vestibular sem concorrência, de preferência em um curso de Geografia, Ciências Sociais e História. Então, começam a carreira de charlatanismo. Alguns raros estão em cursos como Direito, Medicina, Engenharia; mas, como não são chegados ao estudo, terminam por trancar a matrícula ou mudam de Curso. E, muito dificilmente, se enturmam quando tentam esses Cursos acima e assemelhados.
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Ali, na universidade, encontram todas as FERRAMENTAS: professores barbudinhos, livros de esquerda, palestras com “doutores” no assunto; e até o assédio de políticos “guerreiros” do PT, do PC do B et caterva. É claro que não estudam nada! Vivem o tempo todo no DCE, deitados no chão, passeando no campus com aquelas mochilas velhas, calças cargo, sandálias de couro e CABELOS ENSEBADOS. Alguns começam a se INFILTRAR NOS SINDICATOS E NAS REUNIÕES DOS SEM-TERRA. Já começam a se achar revolucionários e reserva intelectual das massas proletárias exploradas; e também das causas revolucionárias.
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Assim, se passam por intelectuais, cultos, moderninhos, e diferentes. Sentem-se mais seguros para atacar as mulheres, achando que elas são doidas por esse TIPO DE GENTE. Começam a ver os amigos que estão trabalhando ou cursando Engenharia, Direito, Medicina ou administração como pobres coitados que não tiveram a chance da “ILUMINAÇÃO”.
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COMO NÃO TRABALHAM e vivem apenas da mesada, estão sempre sem grana. Aí começa a brotar a INVEJA, o ÓDIO de quem se veste um pouco melhor ou tem um carrinho popular. Estes, são os chamados “porcos capitalistas” ou “burgueses reacionários”! Começam uma fase ainda mais ALOPRADA da vida quando passam a ouvir Chico Buarque e músicas andinas. Nessa fase, já começam a pensar em se tornar terroristas, lutar ao lado dos norte-coreanos, admiram Cuba e, muitos deles, apoiam o Irã e NÃO ACREDITAM NO HOLOCAUSTO JUDEU! Não usam mais desodorante; e a cada 5 minutos aparece nas suas mentes a imagem de um MacDonald’s totalmente destruído.
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Mas, é claro que o que querem não é a revolução, isso é apenas uma desculpa. COMO SÃO INCOMPETENTES pra quase tudo, até mesmo para bater um prego na parede, e como sentem vergonha de fazer trabalhos mais simples, POR SEREM ARROGANTES o suficiente para não começar por baixo, querem saltar etapas. QUEREM, no fundo, a coisa que todo esquerdista (ESQUERDOPATA!) mais deseja, mesmo que de forma sublimada: UM EMPREGO PÚBLICO! Mas, aí surge um outro problema: é a coisa mais difícil passar em um concurso! É PRECISO ESTUDAR (argh!).
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Por isso, SONHAM com a “revolução” proletária, com a tomada do poder por uma elite da esquerda, nas quais eles estão incluídos, obviamente, afinal são da mesma TRIBO! Consequentemente, ocuparão, POR INDICAÇÃO, UM CARGO COMISSIONADO EM ALGUMA REPARTIÇÃO QUALQUER, onde ganharão um bom salário para poder aplicar seus "vastos e necessários conhecimentos" adquiridos durante anos na luta pela derrubada do SISTEMA CAPITALISTA imundo. 
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NESSA FASE, mudam e se contradizem: cortarão o cabelo, usarão terno, passarão a apreciar bons vinhos e restaurantes. E, dependendo do cargo, até motorista particular terão! E, SEM DÓ, ENFIARÃO A MÃO – E COM MUITO TESÃO – no dinheiro dos cofres da NAÇÃO!!! Claro, que pela nobre causa socialista e para o bem dos trabalhadores, POSTURA SEM NOÇÃO!
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Este é o retrato fiel dos participantes da UNEA (União Nacional dos estudantes Amestrados) onde a média de idade é 26 anos, estudantes que nunca estudaram, que compõem a famosa classe dos esquerdopatas iluminados.
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Fonte:

domingo, 15 de abril de 2012

Rir é o melhor remédio

Um brasileiro volta de uma viagem de negócios na China, onde conheceu algumas profissionais. Dias depois, seu pênis ficou todo verde. Ele esconde isso da mulher do jeito que pode, e vai consultar um médico. O médico olha o órgão do sujeito e sentencia:


- Ahaa...! Você foi para a China! Não?
- É verdade.
- E conheceu umas garotas de programa!
- É verdade!
- Infelizmente isso não tem cura. Vamos ter que cortar.

O sujeito não acredita no que ouve, e vai consultar outro médico, mas o diagnóstico é o mesmo. Em desespero, procura urologistas, especialistas, catedráticos, e todos, sem exceção, confirmam o diagnóstico. Arrasado e sem saída, decide procurar um médico chinês. Um especialista em urologia na própria China. Afinal eles deviam estar acostumados com aquela doença. Volta à China e marca uma consulta com o médico mais renomado do país. Ao examiná-lo, ele dá uma risadinha:

- Hehe! O senhor esteve na China lecentemente... Non?
- É verdade.
- E o senhor fez umas bobagens com as galotas... Non?
- É verdade.
- E o senhor foi ver médico basileilo... Non?
- É verdade.
- E médico basileilo lhe disse que telia que cortar.... Non?
- É verdade.
- Médico basileilo não sabe nada! Non plecisa cortar.

O brasileiro nem acredita! Quase desmaia de tanta emoção. Sai pulando pelo consultório. Abraça e beija o médico. Seu pesadelo acabou!

- Então, existe tratamento para isso?
- Non... Non.... Non plecisa cortar... Cai sozinho!

sábado, 14 de abril de 2012

O PT que a maioria não vê

Querem apagar os crimes mensalão
Com o julgamento do mensalão pelo Supremo a caminho, os petistas lançam uma desesperada ofensiva para tentar desviar a atenção dos crimes cometidos por eles no que foi o maior escândalo de corrupção da história brasileira

O PT que a maioria não vê