sábado, 13 de agosto de 2016

Benefícios de comer lentilhas

7 Benefícios de comer lentilhas

Comer lentilhas faz bem à saúde porque é um alimento muito rico em vitaminas e minerais e possui apenas 127 calorias em cada porção de 100 gramas. Apesar de serem mais intensamente consumidas na ceia de ano novo, elas podem ser usadas como substituto do feijão no dia a dia durante todo o ano.
Porém, o preço das lentilhas varia entre 4 e 6 reais em embalagens de 500 g, o que é mais caro que o feijão e devem ser evitadas por quem tem ácido úrico elevado, sendo um alimento que faz aumentar as purinas, que podem provocar as crises de gota.

Por que comer lentilhas

Apesar de ser rica em carboidratos, as lentilhas podem ser preparadas sem adição de gorduras, se tornando assim uma ótima refeição para uma dieta de emagrecimento. Pode-se então concluir que os 7 principais benefícios de comer lentilhas incluem:
  1. Ajudar a diminuir o colesterol - porque têm fibras insolúveis que diminuem a absorção de gorduras.
  2. Desintoxicar o organismo regulando o intestino e, por isso, limpam os intestinos absorvendo as toxinas.
  3. Diminuir a Tensão Pré-Menstrual - pois contêm uma substância chamada de lignanas, que tem uma ação semelhante aos hormônios femininos como os estrogênios que ajudam a diminuir os sintomas de TPM.
  4. Combater a diabetes - porque apesar de ter muitos carboidratos, têm muitas fibras e fazem com que o açúcar não aumente muito sangue.
  5. Prevenir e tratar a anemia - alimento muito rico em ferro, recomendado especialmente para vegetarianos com tendência a desenvolver anemia.
  6. Ajudar a prevenir o câncer - porque além de serem ricas em fibras que diminuem o risco de câncer no cólon têm antioxidantes que protegem as células do corpo.
  7. Melhorar a saúde dos ossos - além de ter cálcio, contém isoflavonas que ajudam a produzir hormônios importantes para fortalecer os ossos.
Além disso, as lentilhas são ricas em zinco, que ajuda a fortalecer o sistema imune e são muito boas para tratar a anemia porque têm muito ferro e, além disso, sua alta quantidade de fibras melhora o trânsito intestinal e alivia a prisão de ventre e o inchaço da barriga.
7 Benefícios de comer lentilhas

Como fazer lentilhas

As lentilhas podem ser feitas como se faz o feijão e, por isso, basta cobrir as lentilhas com água e deixar cozinhar por 30 minutos. Assim, para fazer uma sopa rápida e nutritiva basta cozinhar as lentilhas secas junto com cenoura, salsão e cebola, por exemplo, e comer em forma de sopa ou junto com arroz.
Existem vários tipos de lentilhas, mas normalmente todos os tipos devem ficar de molho para que produzam menos gases intestinais, assim como o feijão.
As lentilhas podem ser verdes, marrons, pretas, amarelas, vermelhas e laranja, contendo consistências diferentes e ficando mais firmes ou macias após a cozedura. Por isso, as lentilhas laranja, como ficam macias e pastosas, são geralmente utilizadas na alimentação dos bebês, porém, é necessário colocar de molho, para não provocar prisão de ventre ou cólicas no bebê.

Receita com lentilhas

Uma receita deliciosa e fácil de fazer com lentilhas é a salada quente de batata e lentilhas.
Ingredientes
  • 85 g de lentilhas
  • 450 g de batatinhas novas
  • 6 cebolinhas verdes
  • 1 colher de sopa de azeite virgem extra
  • 2 colheres de sopa de vinagre balsâmico
  • Sal e pimenta
Modo de preparo
Colocar as lentilhas em uma panela com água a ferver por 20 minutos, retirar as lentilhas da água e reservar. Em outra panela colocar as batatas em água fervente por 20 minutos, retirar e cortar ao meio para uma taça. Adicionar às batatas as cebolas cortadas em rodelas e as lentilhas. Por fim, adicionar o azeite, vinagre, sal e a pimenta.

Informação nutricional da lentilha

ComponentesQuantidade por 100 g de lentilhas
Energia127 calorias
Proteínas5 g
Gorduras0,4 g
Carboidratos25,9 g
Fibras3,2 g
Vitamina B1100 mcg
Vitamina B2120 mcg
Vitamina B30,9 mg
Vitamina C16,8 mg
Zinco5 mg
Cálcio18 mg
Fósforo71 mg
Ferro2,4 mg
As lentilhas são excelentes fontes de ferro, mas para melhorar a sua absorção pelo organismo é importante comer de sobremesa frutas cítricas, como laranja ou kiwi, por exemplo.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Lentilha


Como Consumir na Dieta e Benefícios

Muitos brasileiros diariamente lutam contra a balança e mesmo assim acabam não encontrando os resultados que esperavam. Alguns chegam até desistir de emagrecer e aí comem tudo o que veem pela frente. Nós sabemos o quanto é difícil eliminar as gorduras indesejadas, porém você deve se esforçar dia após dia para garantir sucesso em seu objetivo. Ter um corpo perfeito é uma tarefa difícil, mas não é impossível e, em nosso cotidiano há alguns alimentos que além de serem saudáveis, ainda nos ajudam a emagrecer! Veja a seguir nesta matéria sobre a lentilha que emagrece e até fortalece os músculos. Confira como consumi-la em sua dieta e todos os seus benefícios:

Como Consumir a Lentilha na Dieta

Você pode consumir a lentilha de diversas formas em seu cardápio. Ela pode acompanhar o arroz ou as saladas e também fazer parte de temperos. Use sua criatividade e crie combinações deliciosas com este grão. É importante ressaltarmos que assim como qualquer alimento, quando a lentilha é consumida em excesso pode nos proporcionar malefícios, portanto, atente-se para a quantidade diária ideal. Veja abaixo como preparar uma receita de lentilha cozida:

Ingredientes:
- 200 gramas de lentilha
- 2 colheres de óleo
- 2 dentes de alho (picados)
- 1 cebola (picada)

​Modo de Preparo:

Leve os grãos até o fogo em uma panela com água e cozinhe-os. Em seguida pegue outra panela, adicione o óleo e doure o alho. Refogue a cebola e depois as junte com o alho na panela com as lentilhas. Para garantir que as lentilhas amaciaram bem, cozinhe durante mais um tempo. Pronto! Este será um delicioso e saudável acompanhamento para o seu almoço.

Benefícios


Este grão nos ajuda a emagrecer, porque proporciona saciedade ao nosso organismo e isso faz com que nós fiquemos sem comer por um período maior de tempo. Mas os benefícios não acabam por aí! A lentilha também reduz os níveis de colesterol, aumenta a fertilidade, é antioxidante, contém poucas calorias, é rica em proteínas e fibras, retarda o envelhecimento e até combate as anemias! Inclua este pequeno grão em sua dieta e sinta a saúde de seu corpo melhorar gradativamente. Lembre-se que para emagrecer com muito mais facilidade é preciso que você faça exercícios físicos com frequência e mantenha uma alimentação balanceada.
 

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Regime para emagrecer

Tudo Sobre Regime para emagrecer cardápio completo de 1200 calorias perca 7kg

Para você que deseja emagrecer mais sempre acha uma desculpa para fugir dos regimes preparamos um cardápio super simples e muito fácil de seguir.
 
Nosso Regime para emagrecer tem um cardápio de apenas 1200 calorias completo com varias opções para cada refeição do seu dia.

Nosso cardápio é simples, fácil e barato de seguir vale a pena conferir.

3 dicas para emagrecer que podem ajudar você a cumprir o compromisso durante o tempo necessário para conseguir emagrecer tudo o que se comprometeu.

As dicas são simples mas muito importantes, confira abaixo

Fazer um diário alimentar:

Registrar tudo o que come é importante e faz muita diferença para pessoas que estão de dieta anote tudo o comeu durante todo dia nem que seja uma bala no final do dia leia e procure por erros alimentares e corrigi-os de forma que a cada novo dia você repense sua alimentação.
 
Caso você passe grande parte do seu dia próximo a alguém peça para que esta pessoa tome nota que você esta comendo e bebendo esta é uma forma melhor e mais rigorosa de fazer esse registro com certeza isso vai mudar e muito como você e suas refeições do dia a dia.,
 
Faça compras somente após suas refeições:

Fazer compras depois de almoçar ou mesmo tomar um lanche fara você ir as compras sem fome é mais fácil seguir a lista de compras e não se sentir a tentação de comprar uma bolacha recheada ou outra salgadinho ou bebida que não faça parte de seu plano alimentar.

Pense como uma pessoa magra se não tiver no armário de casa, não dá pra comer.

Faça suas refeições sempre em grupo:

Fazer refeições sempre acompanhado de alguém ajuda pois sozinho é mais fácil consumir e perder facilmente a noção da quantidade de comida no prato.

É normal encontrar pessoas que gostem de comer após terminar a refeição usam a sobremesa para acabar de se encher mais ainda, isso muitas vezes acontece pois não ninguém para lhe trazer a realidade e criticar seu excesso na alimentação.

Além disso, companhias que compartilhem bons hábitos alimentares motivam e tornam as opções mais saudáveis prazerosas.

Por isso é importante escolher bem o restaurante onde vai almoçar diariamente e também levar pessoas que façam opções saudáveis de refeições também.

FICA A DICA:
É comum grande um paciente procurar um nutricionista para emagrecer somente quando já esgotou todas suas tentativas de fazer regime ou dietas por iniciativa própria sem conseguir perder peso, e normalmente não consegue levar a dieta até o fim, falhando muitas vezes.

Quem sabe um visitinha a uma nutricionista não deixa você mais confiante a pelo menos terminar uma dieta.

Tire aqui suas duvidas sobre o Cardápio para emagrecer:

Por quantos dias posso seguir o cardápio?
 
Você pode seguir o cardápio por até 30 dias. Dar uma pausa de 30 dias para depois seguir novamente o mesmo cardápio.

Quantas calorias tem esse cardápio?

Este cardápio tem 1200 calorias por dia – 6 refeições 1200 calorias no total

Posso tomar refrigerante ou Bebida Alcoólica durante a dieta?

Não. Pois o resultado será infinitamente menor. Bebida industrializa faz você reter liquido opte por sucos naturais ou água mesmo.

Abaixo o cardápio completo do Regime para emagrecer o cardápio esta passo a passo com 4 opções para cada refeição do dia:

Café da Manhã:
 
Opção 1: 1/2 papaia com 1 colheres sobremesa de farinha de linhaça + 1 fatia média de queijo branco.
Opção 2: 2 torradas integrais com pasta de soja + 2 fatias de queijo branco + 1 copo 250 ml de suco de tomate.
Opção 3: 02 kiwis com 01 colheres sopa de aveia e 1 fio de mel + 1 omelete com 1 clara e 1 fatia de peito de peru.
Opção 4: 1 copo 250 ml de leite de soja sem sabor batido com 8 morangos.

Lanche da Manhã:
 
Opção 1: 02 ameixas vermelhas.
Opção 2: 06 morangos.
Opção 3: 01 pêra.
Opção 4: 04 unidades de castanha-do-pará.

Almoço:
 
Opção 1: colheres sopa de arroz integral + 1 concha pequena de lentilha + 1 colheres sopa abobrinha com carne moída.
Opção 2: 3 colheres sopa de arroz integral com brócolis ou couve-flor refogada, tomate e pimentão picados + 1 prato sobremesa de camarão grelhado + 1 prato raso de folhas verde-escuras, palmito e pepino à vontade + 1 colheres sopa de azeite de oliva.
Opção 3: 2 colheres sopa de purê de inhame + 1 posta média de peixe grelhado com tomates-cereja + 1 prato raso de folhas verde-escuras, brócolis e pimentão refogados à vontade + 1 colheres sopa de azeite de oliva.
Opção 4: 2 batatas cozidas picadas com 1/2 tomate, cheiro-verde, champignon e brócolis refogados à vontade + 1 lata de atum light sem a água + 1 colheres sopa de azeite de oliva.

Lanche da Tarde:
 
Opção 1: 3 biscoitos de fibra light.
Opção 2: 1 pote de iogurte de soja com 1 colheres sopa de farinha de linhaça.
Opção 3: 1 fatia de pão integral light com 1 colheres sopa de tofu com 1 colheres sopa de pasta de soja.
Opção 4: 2 torradas integrais com pasta de atum com maionese light.

Jantar:
 
Opção 1: 2 colheres sopa de arroz integral misturado com tomates- cereja + 1 posta média de peixe grelhado + 1 prato raso de folhas verde-escuras e brócolis à vontade + 1 c colheres sopa de azeite de oliva.
Opção 2: 2 colheres sopa de suflê de couve-flor + 1 filé de peito de frango grelhado + 1 prato raso de folhas verde-escuras, tomate e champignon à vontade + 1 col. sopa de azeite de oliva.
Opção 3: 1 berinjela média recheada com carne de soja + 1 prato de folhas verde-escuras, tomate e aspargos à vontade e 2 colheres sopa de milho em lata + 1 colheres sopa de azeite de oliva.
Opção 4: 2 colheres sopa de purê de abóbora + 3 fatias de rosbife + 1 prato raso de folhas verde-escuras, tomate, brócolis refogado e brotos de feijão à vontade + 1 colheres sopa de azeite de oliva.

Ceia:
 
Opção 1: 01 fatia de abacaxi.
Opção 2: 01 copo de suco de laranja natural.
Opção 3: 05 unidade de morango.
Opção 4: 01 unidade de maçã pequena.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

A cura da diabetes pela alimentação

Dr. Brian M. Connolly *

O diabetes é um sintoma da Cultura da Morte, que traduz uma perda gradual da nossa inteligência e capacidade de amar, que hoje atinge a população mundial, ou seja, trata-se de uma verdadeira pandemia. Os ensinamentos do Dr. Gabriel Cousens adquiridos e praticados ao longo de 30 anos, materializados neste livro, é uma ode que nos magnetiza e nos chama para o retorno à Cultura da Vida. Dr. Gabriel Cousens.

A resenha abaixo foi escrita pelo Dr. Brian M. Connolly*, um ex-diabético tipo 2. Ela nos induz a pensar que este livro está dedicado à cura somente do diabetes tipo 2. Entretanto, eu li este livro, e pretendo reler muitas vezes, porque é um néctar para todo Ser humano que deseja mais saúde e luz e, ele garante a cura de quase 100% do diabetes tipo 2 em seu programa de 21 dias. Aliás, tem muitos casos que já alcançam taxas de glicose < 100 mg/l em 1 semana. Mas, o índice de cura ou redução de uso de insulina é da ordem de 80% em diabéticos tipo 1. Casos mais crônicos e graves alcançam a cura em 4-5 meses. Conceição Trucom.

Nós, os mais diretamente afetados pelo diabetes - tipo 1 e tipo 2 que são cerca de 250 milhões em todo o planeta-, podemos dizer que somos afortunados pelo surgimento de um li­vro que afirma em linguagem clara e precisa que existe de fato a cura para essa doença. A vocês, os outros milhões que brincam com a possibilidade de desenvolvê-la, está sendo dada de presente a prevenção em forma de livro, uma prescrição que, se seguida, garantirá a manutenção de sua saúde e bem estar por muito tempo.


O autor, Gabriel Cousens, é um médico extraordinário, que tem agido com coerência há décadas como figura de prestígio na área da saúde. Graças ao trabalho de sua vida e aos passos delineados neste livro, consegui sair de uma situação perigosa de um diabetes tipo 2, com taxa de glicose de 292, para uma taxa de 113, sem insulina, em apenas nove dias. Sei que parece espantoso e até difícil de acreditar. Mas garanto que não apenas aconteceu como foi documentado. E o mais importante: você pode realizar o feito e melhorar sua qualidade de vida, seja em nove, 21 ou 30 dias, como recomenda­do nas páginas deste livro: A cura do Diabetes pela Alimentação Viva (Alaúde).

Para cada um de nós há dias cruciais, sinais que mudam a direção de nossa vida e nos marcam para sempre. Para mim, esse dia foi 14 de setembro de 2006, quando recebi o que para muitos é uma condenação à prisão per­pétua. Eram 16:40h, e eu estava ao telefone com um especialista em diabetes, o respeitado doutor William Kaye, formado na Faculdade de Medicina de Harvard e fundador e diretor de uma das maiores clínicas de tratamento para essa doença dos Estados Unidos. Ele me informou que eu havia entrado oficialmente para a lista de seus quase 18.000 pacientes como um recém-diagnosticado: diabético do tipo 2.


Quando se ouve algo do gênero pela primeira vez, uma coisa esquisita acontece. Há uma sensação de que o mundo parou - e, esperançosa­mente, um sinal de alerta. Quando você conta que tem diabetes a seus parentes, amigos e pessoas próximas, essa pausa é ainda maior. Pode-se quase sentir o cheiro do medo neles, como se tivessem descoberto quealguém muito querido está para morrer. No meu caso, até me senti en­vergonhado por ter ficado diabético, pois me considerava um especialista secundário nessa doença.

Eu tinha sido vice-presidente da Diabetes Research and Wellness Foun­dation, instituição sem fins lucrativos que havia arrecadado 30 milhões de dólares, 90% dos quais direcionados para pesquisas e programas de educa­ção. E ocupara uma cadeira no conselho de diretores do Instituto de Pesquisa do Diabetes da Universidade de Miami, cujo orçamento anual era de 20 milhões de dólares. Nessa época, trabalhava todos os dias com as principais associações e companhias farmacêuticas e de produtos para diabéticos, entreas quais a Associação Americana de Diabetes, a Juvenile Diabetes Reasearch Foundation, a Bayer, a Eli Lilly e a Pfizer, além de mestres na área. Esses grupos forneciam aos diabéticos insulina, medicamentos, seringas, medido­res de glicose, revistas, informativos, livros e enfermeiros capacitados para tratar a doença. O que me chama a atenção agora é como, na época, todos pareciam se empenhar tanto em vender seus produtos e serviços, ou em arre­cadar dinheiro, em vez de promover o entendimento da causa e da urgênciada prevenção e reversão do diabetes, como faz o doutor Cousens neste livro.

O Instituto de Pesquisa do Diabetes da Universidade de Miami estava voltado à criação de um novo doutor Frankenstein, transplantando células de porcos em pessoas a um custo exorbirante para a sociedade e para os pa­cientes, tanto financeiramente quanto no que se refere à saúde. Imagine o que pensam desse procedimento os mais de 50 milhões de diabéticos judeus e muçulmanos que não consomem carne de porco.

O mais traiçoeiro nesse protocolo fracassado foi que os envolvidos se vangloriavam por ter livrado os pacientes da insulina, enquanto faziam algo muito mais nocivo: realizavam cirurgias invasivas, colocavam partes de por­cos em órgãos humanos e entupiam os pacientes com drogas imunossupressoras para impedir a reação natural do organismo de rejeitar as células suínas implantadas. Essas células destruíam então as células saudáveis do corpo, enfraquecendo o sistema imunológíco do paciente e deixando-o vulnerável a diversas doenças. E eles ainda tinham a coragem de se referir a tal procedi­mento como uma cura. Foi meu primeiro e último dia como membro desse conselho, pois não podia, em sã consciência, apoiá-los de maneira alguma.

Por experiência própria, posso dizer que uma porção de gente está ga­nhando muito dinheiro à custa desses inocentes ratos de laboratório co­nhecidos como diabéticos. Causa alguma surpresa que, em se tratando de resultados positivos - a reversão de fato da doença e o número cada vez menor de pessoas diagnosticadas —, todas essas companhias, institutos de pesquisa, fundações e associações tenham fracassado vergonhosamente? Quando abri o escritório da Diabetes Research and Wellness Foundation, em Palm Beach, em 2000, estimava-se que 200 milhões de casos haviamsido diagnosticados no mundo todo. Em apenas sete anos, esse número aumentou em praticamente 50 milhões. Isso é o que o Centro de Controle e Prevenção de Doenças —cdc chama de epidemia. O mais trágico é que é uma epidemia totalmente evitável, como você descobrirá neste livro. E, quando seguir as recomendações do doutor Cousens, você não só se tornará uma pessoa mais saudável, como muito provavelmente ficará livre da doença pelo resto da vida.

Você deve estar pensando que essas organizações voltadas para o diabetes, que representam bilhões de dólares, hoje se dão conta de que sua abordagem não teve sucesso. Durante o tempo em que fiz parte do conselho de uma delas, percebi que essas instituições estão mais interessadas em se perpetuar e arrecadar dinheiro do que em encontrar o caminho para a prevenção ou uma cura não invasiva e de custo viável. Os diabéticos são entupidos de medica­mentos, arruinados financeiramente e sujeitos a mais amputações do que os portadores de qualquer outra doença. Muitas vezes, ficam cegos e morrem cedo, tudo porque os incentivos para acumular dinheiro são sedutores de­mais para a indústria do diabetes fazer a coisa certa.

No outro extremo, o Dr. Gabriel Cousens não desperdiçou dinheiro algum, não sobrecarregou o contribuinte e foi praticamente 100% bem sucedido sem o uso de medicamentos nem efeitos colaterais. Posso dizer com segurança que, se a indústria do diabetes parasse de desperdiçar todo o seu di­nheiro e recursos em pesquisas inúteis e protocolos equivocados e antiquados e simplesmente adotasse as técnicas e os protocolos deste livro, o diabetes tipo 2, que acomete quase 99% de todos diabéticos, seria erradicado para sempre!

Dessa forma, parabenizo você que investir seu tempo e dinheiro adquirindo o livro A cura do diabetes pela alimentação viva. Faça dele seu companheiro, escreva comentários nele, marque as páginas de seu interesse, compartilhe seus trechos preferidos e estatísticas com sua família e amigos. E, quando se curar, ou integrar ao seu estilo de vida as medidas pre­ventivas propostas, por favor, dê o próximo e mais importante passo: conte a seus amigos diabéticos e profissionais da área que agora existe uma cura - e que você é a prova viva disso.

*Esta resenha foi escrita pelo Dr. Brian M. Connolly, MD, como Prefácio do livro A cura do Diabetes pela Alimentação Viva - Dr. Gabriel Cousens - Alaúde. Ele é médico anestesista, fundador e CEO da Healthful Communications, Inc.
https://www.docelimao.com.br/site/desintoxicante/alimentacao-viva/1230-a-cura-do-diabetes-pela-alimentacao-viva.html
 

quinta-feira, 17 de março de 2016

Trapaça e crime de lesa pátria

Artigo > Luis Milman 

Desde 2000 combato o PT como posso. Como repórter, professor universitário, articulista e como ex-conselheiro do Movimento de Justiça e Direitos Humanos. Desde 2000, quando Olívio Dutra era governador do RS, convenci-me, pelos fatos, de que o PT, em nível estadual e nacional, é uma organização esquerdista-populista criminosa e corrupta, que segue à risca um projeto de perpetuação no poder e eliminação das oposições. Uma organização antidemocrática, totalitária, para a qual qualquer meio justifica seus fins. No Rio Grande, suas cúpulas se emparceiraram com bicheiros e proxenetas , no mundo clandestino; em nível nacional, com bancos e empreiteiras corruptos, desviando, há anos, bilhões do patrimônio público. Para isso, Lula e seus sequazes trouxeram para o centro da República práticas abjetas, sórdidas, de compra de parlamentares por meio de pagamento de mensalões e outras formas de corrupção, além das já tradicionais oligárquicas, como a farta criação de cargos no setor público para apadrinhados e aliados. Tudo para formar uma base aliada que submetesse o país a um projeto esquerdo-populista que deveria estender-se indefinidamente. Usaram bancos de fomento para cooptar um empresariado que se deixou dominar pela tentação dos juros subsidiados e que, em troca, enchiam as burras de petistas e seus apoiadores com doações de campanha e propinas. Investiram pesadamente no aparelhamento da sociedade por meio de ativismo ideológico nas escolas, na universidade, no meio intelectual e jornalístico, onde Lula foi guindado à condição de gênio intuitivo e maior liderança política da história brasileira. Criaram, com a ajuda de sindicatos e da Igreja marxista, setores de pressão sob seu cabestro, que os identificavam como salvadores da pátria. O populismo de esquerda opera, no nível estratégico, para manter uma sociedade sob seu controle. E para isso, pratica a corrupção dos costumes e das referências e solapa as instituições, sempre coma expectativa de anunciar, para uma sociedade fragilizada e divida, um inesperado milagre de seu líder. O retorno de Lula ao governo, agora como superministro e tutor de Dilma, que renunciou ao seu mandato na prática, é um indicativo deste movimento messiânico.

Desde que foi fundado, em 1979, o PT lulista opera em todas as frentes do ilícito e da trapaça. Ele devastou as companhias estatais, a começar pela Petrobrás, inoculando nelas o superfaturamento sistemático de obras e uma rede de propinas que abastecia os gerentes da empresa e os políticos que os nomeavam, sempre sob o manto protetor de Lula e Dilma. Do ponto de vista de gestão, um escândalo sem precedentes, que custou ao país, segundo os cálculos até aqui feitos pelos investigadores do crime, um rombo de R$ 50 bilhões somente na estatal de petróleo. Na esfera da administração do estado, a característica petista é a incompetência tão absoluta que nos faz desconfiar ser deliberadamente instruída pela lógica do desmantelamento da sociedade para que se reforce o papel do líder messiânico.

A saúde pública está à beira do colapso; pelas fronteiras entram drogas que abastecem o gigante mercado nacional de estupefacientes, produzindo drogados em todos os níveis sociais de modo alarmante. Os presídios são masmorras superlotadas controladas pelo crime organizado e a sociedade está submetida à violência cotidiana de criminosos cada vez mais perigosos e ousados. A educação formal foi abandonada e substituída por um arremedo ideológico de doutrinação, cujo efeito danoso é a produção de jovens sem capacidade para fazer operações de raciocínio e cálculo. Temos milhões de analfabetos funcionais, que não conseguem interpretar um texto, seja qual for ele, além da volta do analfabetismo strictu sensu.

Com as revelações emanadas de Curitiba, sobre as falas gravadas, na Operação Lava-Jato, de Lula e Dilma e Lula com outros comparsas, a nação descobre, atônita, que os níveis de degradação deste projeto de poder lulopetista, embora já conhecidos em boa parte, ultrapassaram todas as barreiras do pensável. São níveis de criminalidade aberta, instalados no Palácio do Planalto, onde se tramam e articulam complôs para manter a República refém de uma gangue que faz qualquer movimento para solapar a lei e as instituições. A nomeação de Lula par a Casa Civil é a demonstração deque os petistas operam na faixa do mito. Mas também é a confissão do crime que o juiz Sérgio Moro e a equipe de procuradores da República da Força-tarefa da Operação Lava-Jato detectaram num momento histórico da nação. O que foi tramado em Brasília não é crime comum, mas sim crime lesa pátria. Vivemos agora o tempo em que, com o apoio massivo do povo nas ruas, esta organização criminosa será, enfim, escorraçada do que restou de suas posições de poder. Para sempre. 

Postado por Polibio Braga às 05:32

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

QUEM FINANCIA O ASTRÓLOGO?

Quinta-feira, janeiro 24, 2008
 
QUEM FINANCIA O ASTRÓLOGO?

Anselmo Heidrich está se propondo a um trabalho interessante, a desmitisficação de dois engodos da imprensa eletrônica nacional, o jornal Mídia sem Máscara e seu mentor, o sedizente filósofo e astrólogo Olavo de Carvalho. Sedizente filósofo porque se pretende como tal. Astrólogo por ofício, já que escreveu três ou quatro livros de astrologia, que curiosamente prefere nem mais citar em sua bibliografia. Aliás, o “filósofo” parece ter desistido de definir-se como astrólogo, pois em seus créditos já não acrescenta o antigo ofício. Quando a profissão é infamante, melhor declarar-se bailarina.

Ok! Filósofo não é profissão regulamentada, como muito menos a de astrólogo, psicanalista ou ornitologista. Assim, quem quiser anunciar-se como filósofo, astrólogo, psicanalista ou ornitologista, esteja a gosto. Nihil obstat!

Como leitor que um dia teve algum apreço por Olavo de Carvalho e ex-colaborador censurado do Mídia sem Máscara, presto meu depoimento. Gostei de seu livro O Imbecil Coletivo. Quando Olavo o autografou na livraria Cultura, em São Paulo, fui lá prestigiá-lo. O autógrafo veio eivado daquela simpatia impessoal que os autores dedicam a um leitor quando não querem comprometer-se. Li também oImbecil Coletivo II, menos interessante que o primeiro, como todas as suítes de filmes. Acabei sabendo que meu livro sobre a Suécia, O Paraíso Sexual-Democrata, fora citado em O Jardim das Aflições. Até hoje não entendi porquê. Meu livro nada tem a ver com o que pretende ser um tratado de filosofia.

Tratado de filosofia, umas ovas. Olavo irritou-se com uma palestra de um certo José Américo Motta Pessanha sobre Epicuro, proferida no MASP, em maio de 1990, e escreveu um livro inteiro para contestar o autor. Na verdade, quem Olavo não suporta é Epicuro,o filósofo de Samos que se opôs às concepções fundamentais dos estóicos, platônicos e peripatéticos, aproximando-se dos cirenaicos, movido por uma dupla necessidade: a de eliminar o temor aos deuses e a de desprender-se do temor da morte. Segundo Ferrater Mora, “o primeiro se consegue declarando que os deuses são tão perfeitos que estão além do alcance do homem e de seu mundo; os deuses existem (pois, contrariamente à opinião tradicional, Epicuro não era ateu) mas são indiferentes aos destinos humanos. O segundo se consegue advertindo que enquanto se vive não se tem sensação da morte e quando se está morto não se tem sensação alguma. (...) A felicidade se consegue quando se conquista a ataraxia, não para insensibilizar-se por completo, mas para alcançar o estado de ausência de temor, de dor, de pena, e de preocupação”.

É claro que este tipo de filosofia não pode servir a um astrólogo que, manipulando a superstição, quer exercer poder sobre seus semelhantes. Quem não teme a morte não teme deuses nem astros. O divertido em tudo isso é que, Olavo, irritado com o Pessanha, escreveu um livro inteiro sobre sua palestra. Ora, invejo o Pessanha. Adoraria um ouvinte assim irritado. Se cada palestra minha tivesse gerado um livro, minha bibliografia hoje seria vasta. Caso típico de um tiro que saiu pela culatra.

O autor de O Jardim das Aflições revela-se mais com vocação para garçom do que para ensaísta. Elabora sofisticados coquetéis de idéias que nada têm a ver com pensamento. Mistura todo tempo filosofia e teologia e chega a proferir este despautério: “O sábio deve, por um lado, obediência às leis e costumes, caso não deseje ser excluído da comunidade humana; deve-a, por outro lado, ao Deus verdadeiro, do qual a comunidade só conhece analogias e símbolos distantes, cristalizados em ritos e mandamentos cujo sentido se perdeu”.

Que Deus verdadeiro? Teria lido o pretenso teólogo algum dia a Bíblia? Até Jeová acreditava em outros deuses, tanto que mandava destruir seus altares. Os jeovistas contemporâneos são mais jeovistas que Jeová, acham que deus é um só. Jeová não achava. Aliás, esse gambito do astrólogo é muito safado. Professa um cristianismo abstrato, manifesta sua fé no tal de Altíssimo, sem jamais dizer à qual confissão de fé pertence. Aparentemente, é a fé católica. Mas o astrólogo não pode afirmá-la, sob pena de incoerência. Ninguém pode ser católico tendo tido três mulheres. Muito menos ser astrólogo e católico ao mesmo tempo. Então, fica professando aquele cristianismo indefinido, que só convence quem adora ser convencido – para não ter de comprometer-se. Em suma, um arremedo de Nostradamus que vive de mascambilhas. Nós, ateus, podemos ter uma, dez ou vinte mulheres. Católico só pode ter uma só.

Católicos, hoje, têm se mostrado mais enrustidos que homossexuais dentro do armário. Se homossexualismo se tornou uma opção comportamental, a fé católica é mais difícil de sustentar. Essas empulhações de mãe virgem, de deus-três-em-um, de Cristo que ressuscitou, de vinho que vira sangue, de pão que vira carne, já não convencem nem mesmo os cristãos.

De escritor de textos lúcidos contra as esquerdas, Olavo de repente descambou para aiatolices. O Mídia sem Máscara seguiu o chefe. Quando escrevi sobre as práticas medievais da Opus Dei aqui em São Paulo, recebi advertência do editor Paulo Diniz. Que não era bem assim, etc e tal. Quando escrevi que Cristo nascera em Nazaré, mas não em Belém – questão que sequer constitui dogma – fui censurado. Hoje o Vaticano mostra um presépio na praça de São Pedro, onde Cristo nasce em Nazaré. Se o Vaticano mandar um artigo para o Mídia sobre o assunto, certamente será censurado. Quanto a algum artigo do Bento, talvez passe. Neste Natal passado, enquanto o Vaticano afirmava o nascimento do Cristo em Nazaré, o Bento falava em Belém. Pelo jeito, está faltando comunicação interna na Santa Sé.

É curioso observar que o Mídia – que, bem ou mal, acaba se professando católico ou algo por el estilo – não escreveu uma linha sobre a visita do papa a São Paulo. Pelo jeito, temos cisma à vista. Quem sabe o Olavo cria uma seita. Dá grana a granel – os pastores da Renascer ou da IURD que o digam – e assim Olavo não precisaria pedir esmola a seus discípulos para sustentar suas vilegiaturas na Virginia. Também é curioso observar que Olavo, defensor incondicional da cristandade, nunca disse sequer uma palavrinha contra as práticas hediondas do islamismo, como a ablação do clitóris e a infibulação da vagina.

Padre não briga com padre. Muito menos astrólogos com teólogos. O ofício é o mesmo. Como escreveu Anselmo, “o Mídia Sem Máscara hoje é um site que detém elementos claramente totalitários. E isto parte da chamada “filosofia de Olavo de Carvalho”. Mas, seu maior erro é se julgar “sem máscara” enquanto que, na verdade, apresenta dois rostos: um anticomunista e outro tão totalitário quanto o comunismo, o do fundamentalismo religioso em campanha contra o estado laico e a pluralidade de opiniões intrínseca à democracia. (...) E não diferencio isto de um lixo como Carta Capital ou Caros Amigos”.

Mantive longos debates com alguns meninos da comunidade Mídia sem Máscara, no Orkut. Todos se manifestavam católicos, mas pouco ou nada entendiam de teologia ou doutrina da Igreja. Em boa parte, defendiam a Inquisição. Mais ainda: mantinham uma postura de quem se atribuía direitos sobre a orientação do jornal. Muito estranho.

A pergunta que permanece é esta: quem financia o Mídia sem Máscara? Porque o jornal tem algum custo de edição. Seus redatores não recebem nada. Os editores recebem. Recentemente, a ministra petista Marina da Silva alinhou-se a Olavo de Carvalho na defesa do creacionismo. Quando tivermos esta resposta, saberemos a quem servem Olavo de Carvalho e seus acólitos.

Olavo estende o chapéu desde Virginia: “Estou pedindo a todos os meus leitores e amigos que me ajudem a fazer o que tenho de fazer. Doações pessoais ainda são permitidas e livres de impostos. Quem tiver sensibilidade e condições para isso, que faça uma contribuição por qualquer destes três meios, à sua escolha: “Para contribuições em dólares, por cartão de crédito, simplesmente clique o botão abaixo e siga as instruções (no formulário, em resposta ao item "payment for", escreva simplesmente "donation").

Ainda há poucos dias, o Mídia sem Máscara oferecia um curso de filosofia ministrado pelo astrólogo em Virginia, por módicos três mil e poucos dólares. Parece que o site tomou vergonha: o anúncio do curso não está mais lá.

Ora, alguém acredita que leitores financiarão um guru nos States? Guru brasileiro? Para isto é preciso manipular altos níveis de vigarice, oriundos de países que têm prestígio místico. Falo de Bento XVI, Osho, Dalai Lama, Deepak Chopra.

Não é empreitada para campineiro. Resta então a pergunta: quem financia o astrólogo?


quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Instrução e Educação

“A educação preocupa-me muitíssimo, sobretudo porque é um problema muito evidente, claro e transparente e ninguém faz nada a este respeito. Confundiu-se a instrução com a educação durante muitos anos e agora estamos a pagar as consequências. Instruir é transmitir dados e conhecimentos. Educar é outra coisa, é transmitir valores […] Se, para ser educado, tivesse que ter sido instruído previamente, eu seria uma das criaturas mais ignorantes do mundo. Os meus familiares eram analfabetos, como me iriam instruir? É impossível. Mas sim, educaram-me, sim, transmitiram-me os valores básicos e fundamentais. Vivia numa casa paupérrima e saí dali educado. Milagre? Não, não há nenhum milagre. Aprendi a vida e a lição dos mais velhos quando nem eles mesmos sabiam que me estavam a dar lições”. (4 de Fevereiro de 2007. In José Saramago nas Suas Palavras)

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Homens que não aderem a nada

Por Janer Cristaldodiminuir o tamanho da fonte


Dominado de ponta a ponta por uma religião laica e assassina, o século passado pode ser denominado como o século marxista. A Revolução de 17 constituía um marco de definição obrigatória para todo intelectual e os melhores cérebros do Ocidente aderiram com entusiasmo à nova crença.
Moscou, para os crentes órfãos do deus hebraico-cristão, torna-se a Terra Prometida, a Nova Jerusalém. Intelectuais do mundo todo, peregrinos, em procissão, vão adorar o novo Messias. Entre os criadores do Ocidente, coube principalmente aos escritores — definidos por Zdanov como “engenheiros de almas” — fornecer a maior fatia de apóstolos da nova religião.

A lista demandaria páginas e páginas. Alguns nomes, entre milhares: Nikos Kazantzakis, André Gide, Bertold Brecht, Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir, Annie Kriegel, Louis Aragon, Henry Barbusse, Romain Rolland, Heinrich Mann, Paul Eluard, Vaillant-Couturier, Roger Garaudy, Henri Léfebvre, Rafael Alberti.
Na América Latina, sem querer esticar muito a relação: Pablo Neruda, Otávio Paz, Jorge Amado e Graciliano Ramos. Verdade que desta lista alguns nomes irão cair, é o caso de Gide e Otávio Paz. Mas os demais permaneceram cegos ante a evidência dos fatos e morreram stalinistas ferrenhos, ou ainda vivem, confusos crentes incapazes de mudar de crença.

Não foram muitos os escritores a intuir que não se estava precisamente ante uma revolução, mas ante uma nova religião. Entre estes, poucos foram tão precisos na denúncia do novo dogma como Nikos Kazantzakis. No relato de sua peregrinação à Rússia — Voyages — Russie —, diz o cretense que pouco a pouco a luz se fazia em seu espírito. Para ele, todos os apóstolos do materialismo davam às questões respostas grosseiras, de uma evidência simplista. Como em todas as religiões, eles buscavam divulgar essas respostas, tentando torná-las compreensíveis para o povo. Kazantzakis reconhece então, na Rússia, a existência de um exército fanático, implacável, onipotente, constituído de milhões de seres, que tinha em mãos e educava como bem entendia milhões de crianças.

Este exército, diz o cretense, possui seu Evangelho, O Capital. Seu profeta, Lênin. E seus apóstolos fanatizados que pregam as Boas Novas a todas as gentes. Possui também seus mártires e heróis, seus dogmas, seus padres apologistas, escolásticos e pregadores, seus sínodos, sua hierarquia, sua liturgia e mesmo a excomunhão. E sobretudo a fé, que lhe assegurava deter a verdade e trazia a resposta definitiva aos problemas da vida.

Não há apenas um Livro — acrescentaríamos —, como também os livros apócrifos. Assim como a Igreja Romana censura os testemunhos gnósticos que não servem à sua ambição de poder, assim censurou-se até mesmo a obra de Marx na finada União Soviética. “Nós somos contemporâneos — diz Kazantzakis — deste grande momento em que nasce uma nova religião”. A nova religião nascera e os intelectuais do Ocidente, os lúcidos entre os lúcidos, caíram como patinhos no engodo. Este é o grande enigma que cerca o fenômeno Stalin: como foi possível que espíritos abertos e generosos da época se tornassem cúmplices e devotos deste formidável assassino? Ou talvez não fossem tão lúcidos, nem tão abertos nem tão generosos, e sim pobres crianças em busca de um novo pai? Não será por acaso que a ladainha mais freqüente entoada a Stalin é a de Paisinho dos Povos.

Poucos homens representativos das letras da primeira metade do século passado tiveram suficiente lucidez para escapar ao fascínio do novo Deus. Entre estes, Pierre Pascal, Panaïti Istrati, David Rousset, Arthur Koestler, George Orwell, Victor Serge, Albert Camus, Ernesto Sábato. Todos pagaram seu preço. Na Europa e, conseqüentemente, entre nós, extensão da Europa, tiveram decretadas suas mortes civis e uma espécie de excomunhão os baniu do mundo do pensamento. Enquanto os intelectuais de Paris entoavam loas à Revolução de 17, um humilde camponês dos Balcãs dela tomava distância. Panaïti Istrati, escritor romeno de expressão francesa, teve o mérito de denunciar em primeira mão, doze anos após a Revolução, o embuste do século.

Panaïti nasceu em Braila, Romênia, em 11 de agosto de 1884, e morreu em Bucareste, em 1935 – diz-nos o Dicionário Literário Bompiani -. Filho de um contrabandista grego das Cefalônia, a quem nunca conheceu, e de uma camponesa romena, passou a infância nos bairros pobres do porto. Aos 20 anos, colaborava no Romênia operária, e iniciou uma intensa atividade social que o levaria ao cargo de secretário do sindicato de trabalhadores portuários. Seu espírito inquieto e sua vocação de nômade o induziram a uma aventureira série de viagens, interrompida apenas por alguma estada na pátria. Visitou os países do Oriente Próximo – Grécia, Palestina, Turquia e Egito – e, logo, Itália, França, Suíça e África do Sul, nas condições mais duras, faminto e às vezes doente, e em certas ocasiões viajou como clandestino em vapores dos quais era desembarcado na primeira escala.

Atrás de qualquer espécie de trabalho, desta forma chegou a ser garçom, fotógrafo ambulante, etc. Isso lhe permitiu reunir o tesouro de impressões e observações, com frequência cruamente realistas, que expressou em um estilo muito pessoal, no qual os elementos franceses livremente adquiridos se fundem com outros autóctones, em uma síntese realizada através do estro linguístico mais singular e vigoroso.

Vivendo na miséria, doente e deprimido, ele tenta suicidar-se sem sucesso em 1921. Esta tentativa acaba transformando sua vida. Em janeiro de 1921, Roman Rolland recebeu do hospital de Nice uma carta encontrada em cima de um homem que havia tentado suicidar-se cortando a própria garganta. Ao lê-la, o escritor francês teve a impressão de encontrar-se frente à obra de um gênio. Quando o ferido, que era Istrati, se curou, quis conhecê-lo, e escreveu o prólogo a Kyra Kyralina, que teve grande êxito na época.

Convidado para os festejos do décimo aniversário da Revolução de Outubro, em 1927, Panaïti encontra-se em Moscou com o cretense Nikos Kazantzakis, místico apaixonado por Cristo, Buda e Lênin. Esta viagem o afastará definitivamente do comunismo. O romeno não entende, no país da revolução, a fome e a miséria que vê por toda parte. Kazantzakis objeta que não se faz omelete sem quebrar ovos. Panaïti insiste. Só vê ovos quebrados e nada de omelete.

Em 1929, Istrati publica Vers l’autre flamme, primeira denúncia do stalinismo no Ocidente, anterior às denúncias de Gide, Koestler e Orwell, nos anos 30. A recusa ao novo dogma é tão traumática que, tendo seu livro publicado em Paris, em 1929, uma segunda edição só surgiria em 1980. Suas Obras Completas são publicadas pela Gallimard, exceto Vers l’autre flamme, cujos originais levaram Romain Rolland, seu padrinho literário em Paris, a aconselhá-lo:

“Isto será uma paulada a toda Rússia. Estas páginas são sagradas, elas devem ser consagradas nos arquivos da Revolução Eterna, em seu Livro de Ouro. Nós lhe estimamos ainda mais e lhe veneramos por tê-las escrito. Mas não as publique jamais”.

Panaïti publicou. Na libertária França, seu livro foi banido do mundo das letras por meio século. O argumento de Romain Rolland serviu, durante décadas, para calar qualquer crítica ao comunismo. No Brasil, nos anos 60, Erico Verissimo aconselhava o escritor gaúcho Sérgio Faraco, pelas mesmas razões, a não publicar o relato de seus dias em Moscou. Faraco, subserviente, calou-se. Só ousou falar em 2002, em seu livro Lágrimas na Chuva. Treze anos após a Queda do Muro, onze anos após a dissolução da União Soviética.

Após sua brutal decepção com o novo dogma, Istrati anuncia este homem novo, liberto das religiões e dos partidos: 

“Vejo nascer na rua um homem novo, um indigente. Um indigente que não crê em mais nada, mas que tem uma fé total nas forças da vida. Eu lhe digo: após ter tido fé em todas as democracias, em todas as ditaduras, em todas as ciências, e após ter sido por todas decepcionado, minha última esperança de justiça social fixou-se nas artes e nos artistas. Viva o homem que não adere a nada”.

Pioneiro na denúncia da mais longa ditadura do século passado e vítima de uma campanha de denegrimento por parte dos comunistas, Panaïti se retira na Romênia, onde morre de tuberculose em um sanatório, em 1935, com 51 anos. Pecou pelo otimismo. O homem que não adere a nada ainda está por nascer. O homenzinho contemporâneo continua aderindo a qualquer mentira prestigiosa.
Vers l’autre Flamme teve uma edição no Brasil, em 1946, com o título Rumo a outra Flama, 17 anos após sua publicação na França. A segunda edição é esta, 67 anos depois da edição brasileira.


Um gaúcho de coragem

 Por Janer Cristaldo (1947/2014)


A História é um lago que seca. Ao descerem, suas águas trazem à tona monstros insuspeitos. Todos os escritores gaúchos foram cúmplices da peste marxista. Não apenas os comunistas, como Faraco, Dyonélio Machado, Ciro Martins, Josué Guimarães, Ary Saldanha, Lila Ripoll, Laci Osório, Ivan Pedro de Martins, Edith Hervé, Isaac Axelrud, Otto Alcides Ohlweiler, Juvenal Jacinto de Souza, Antônio Pinheiro Machado Netto, que por ofício tinham de prestar culto à União Soviética.

Dyonélio, após a evidência dos gulags, passou a escrever sobre a antiga Grécia. Era homem íntegro e generoso, mas mal informado. Foi o mesmo movimento espiritual de Faraco, que refugiou-se em Urartu, na Armênia. Josué Guimarães foi caixeiro-viajante a serviço de Pequim e Moscou. Até as pedras da Rua da Praia sabiam que estes senhores eram comunistas, mas ai de quem o dissesse em público. Seria execrado como delator e expulso do rol dos vivos.

Desde os anos 30, Moscou aprendeu como conquistar intelectuais no Ocidente: bastava oferecer-lhes viagens e mordomias, com a nonchalance de quem joga milho às galinhas. A longa linhagem de intelectuais vendidos alberga desde pinheiros natos a expressões mais altas, tipo Kazantzakis, Aragon, Neruda, Brecht, Lukács, Sartre, Simone, Jorge Amado, Graciliano Ramos e vou ficando por aqui, que a lista seria infinda. O stalinismo, dogma já superado na Europa, ainda vige na América Latina.

Uma estranha patologia contaminou o final de século em Porto Alegre. Por todas as partes do mundo, as sociedades derrubavam mitos, monumentos, símbolos de tiranias passadas. Parece que a peste se entranhou de tal forma na universidade e nas instituições culturais da capital gaúcha que, enquanto a humanidade avançava - para a frente, como é normal - a intelectuália do Portinho virava as costas para o futuro e fica acariciando um baú repleto de coisas mortas.

Tiveram no entanto prestígio os escritores que teceram loas ao comunismo. Os que mais teceram loas foram exatamente os que tiveram chance de conhecer a União Soviética de perto. O caso mais emblemático terá sido o de Antônio Pinheiro Machado Netto, que só via uma hipótese da queda do muro de Berlim: a adesão da Alemanha Ocidental ao regime comunista.

Antônio Pinheiro Machado Netto e o Muro de Berlim - Em 1985, apenas quatro anos antes da queda do Muro, quando a Alemanha Oriental aderiu ao capitalismo, Machado Netto publicou Berlim: Muro da Vergonha ou Muro da Paz?, edição da L&PM, com terna homenagem em suas primeiras páginas a Luiz Carlos Prestes, esta alma penada que perdeu a noção da época em que vivia, e morreu encaracolado em um stalinismo obtuso, primário e criminoso.

Tendo visitado por duas vezes a URSS, a convite do Comitê dos Partidários da Paz na União Soviética, e uma terceira vez a Tchecoeslováquia, pela Assembléia pela Paz e pela Vida, e sentindo-se na obrigação de pagar suas mordomias em alguma moeda — desde que não dólares — nosso turista apressado entoa loas ao muro que durante três décadas constituiu o mais sinistro e desumano marco erigido pelo comunismo russo. Pincemos, cá e lá, alguns trechos desta cretina defesa do totalitarismo. 

Hoje não se pode mais falar em reunificação da Alemanha, pura e simplesmente, com fundamento tão somente na língua e história comuns. (...) Não se pode, todavia, afastar a hipótese de, num futuro mais ou menos remoto, vir a ocorrer a unificação (como aconteceu no Vietnã). Esta hipótese, porém, só pode ser considerada se na chamada Alemanha Federal — RFA — passar a existir também um regime socialista.

Uma das maiores bobagens veiculadas no Brasil sobre o Muro de Berlim é que ele foi erguido para evitar as fugas de alemães da RDA para a parte oeste de Berlim. Esta asneira é veiculada até por pessoas que gozam de alguma credibilidade no Brasil, e por órgãos de comunicação, que se apresentam como veículos fiéis à verdade.

Todos os epítetos lançados contra o muro — afronta à liberdade, vergonha, etc., etc. — escondem apenas o ressentimento e a frustração dos fazedores de guerra que, naquela linha de fronteira, viam o começo da terceira guerra mundial por que tanto sonham, e para cujo deflagrar tudo fazem, com vistas a salvar o capitalismo da crise irreversível em que está mergulhado.

É natural que na RDA e nos demais países socialistas a tendência seja a diminuição do índice de criminalidade, de vez que as infrações penais que têm origem na miséria, numa vida difícil e atormentada, com dificuldades econômicas e financeiras, tendem a desaparecer por completo nos países socialistas, e muito particularmente na RDA.

Mas, decorridas quatro décadas, essa mesma Alemanha Ocidental — eis a grande verdade — não resolveu problemas vitais do povo alemão que vive na região ocidental. Mais do que isso. Hoje a República Federal da Alemanha — RFA -, como todo mundo capitalista, é um país atormentado por uma crise de vastas proporções, crise política, econômica, social e moral.

A realidade alemã ocidental hoje reflete a crise que avassala o sistema capitalista. Na RFA a situação social também vem se agravando. Progressivamente aumenta a pobreza.

Os sindicatos da RFA estão prevendo que até 1990 cerca de 100 mil pessoas perderão seus empregos, atualmente, por força da automação. Afora, evidentemente, o desemprego resultante da crise do capitalismo que existe na RFA e em todo o ocidente capitalista, e que vai continuar.

Os meios de comunicação de massa do Ocidente já “decretaram” que nos países socialistas não há liberdade para os cidadãos e que, especialmente, inexiste liberdade de imprensa. Também “decretaram” que os direitos humanos não são respeitados no mundo socialista.

Daqui cinco anos, na RDA, não haverá mais desconforto habitacional — todas as famílias terão sua casa. 

Acho que chega. Este senhor, defensor dos restos podres do stalinismo, foi Conselheiro Federal da Ordem dos Advogados do Brasil. 

A paranóia parece ser genética. Um outro Pinheiro Machado, o Luiz Carlos, durante décadas, pretendeu submeter os genes às leis da dialética, defendendo as experiências fajutas de Lyssenko, pupilo de Stalin que por seu dogmatismo quase arrasou com a agricultura russa, tornando-a dependente, até hoje, de grãos do Ocidente. Luiz Carlos teve certa sorte: não teve editores que publicassem suas asneiras. O mesmo não aconteceu com Antônio.

Josué Guimarães e a fortaleza assediada - Um outro escritor gaúcho, viajante e venal, foi Josué Guimarães, morto em 1986. As Muralhas de Jericó, publicado postumamente em 2001, são relatos de sua viagem à União Soviética e China comunista em março-abril de 1952, como correspondente especial do jornal Última Hora, do Rio de Janeiro. O livro foi escrito em junho daquele ano e só publicado doze anos após a queda do muro de Berlim e dez anos após o desmoronamento da União Soviética.

Na apresentação do livro, Maria Luiza Ritzel Remédios afirma que o autor-narrador parece sentir-se como o Josué da Bíblia que, no comando dos israelitas, penetrou a citadela inexpugnável, pois ele está a alcançar a União Soviética até então separada do mundo ocidental. E aqui já vai um equívoco da prefaciadora. Os anos 50 constituíram talvez o auge da influência de Stalin no Ocidente. Escreve Josué:

Este livro tem a pretensão de derrubar as muralhas que separam, praticamente, o Ocidente do Oriente, fazendo deste mundo um só. Para tanto faltam engenho e arte. Porém, se não tiver a força e a magia das trombetas do Profeta, se não for capaz de destruir as muralhas simbólicas que hoje têm o nome de Cortina de Ferro, que pelo menos sirva para tirar desse muro de indiferença uma única pedra. Só isto justificaria a veleidade de publicá-lo. Pois a fresta assim aberta daria para que duas mãos se apertassem, fraternalmente, iniciando uma era de compreensão e vontade, únicos sentimentos que ainda poderão devolver a Paz aos homens. 

No fundo, Josué quer absolver Stalin dos crimes tremendos de que, já na época, era acusado. Ao falar da Muralha da China, Josué a define como “um símbolo de defesa de um povo que, até hoje, não encontrou segurança e que sabe que nenhuma barreira material será capaz de deter a ambição de outros povos, o desejo de destruição de outras gentes. Talvez seja a Muralha, nos dias de hoje, um símbolo muito vivo para os chineses. (...) está a ensinar-lhes que só uma coisa poderá deter uma agressão: é a união de todos, o trabalho de sol a sol e um sentimento de igualdade que lhes dê força e independência”.

Em 52, Mao estava plenamente empenhado na formidável tarefa de matar chineses. Mas nada disso interessa a Josué. Em seu turismo, o autor tem a ventura de ver o Grande Timoneiro na Praça Vermelha:

Mao Tse-tung já chegou. Daqui se avista o presidente cercado de seus auxiliares e do general Chu Têh (...) Sou capaz de distinguir o seu famoso sorriso daqui de onde estou. Ambos já tiveram a cabeça a prêmio, na sede de vingança do exilado de Formosa. Pela de Mao Tse-tung, que, antes de mais nada, é um intelectual dos mais puros, foi oferecida a quantia de 250 mil dólares. 

O intelectual dos mais puros matou 65 milhões de compatriotas seus. Em Moscou, então, tudo é lindo.

O nível cultural do povo soviético talvez seja hoje um dos mais elevados do mundo. Tive grande preocupação em observar este aspecto. (...) Uma tarde, a delegação brasileira, ao deixar o Hotel Nacional, teve a atenção de todos despertada para uma aglomeração à porta de uma livraria que nós havíamos visto várias vezes. Homens e mulheres disputavam a primazia na porta e muitos outros saíam de lá de dentro empunhando um livro qualquer. Fomos nos informar do que havia. E o espanto foi tanto, para nós, brasileiros, que ninguém comentou o sucedido depois, ruminando lá as suas incompreensões e engolindo seco seu espanto. Tratava-se, simplesmente, de mais uma edição de um livro sobre filosofia, disputado de tal maneira que me lembrou episódio igual, numa banca de São Paulo, no dia em que saiu uma edição nova da revista Grande Hotel, uma cretiníssima coleção de histórias de amores mal correspondidos de mistura com a vida secreta de Hollywood e conselhos sobre a melhor maneira de encontrar um marido.

E seriam intelectuais os que tanto esforço faziam para comprar um pesado livro sobre filosofia? A resposta é negativa e verdadeira. Talvez seja difícil para nossa mentalidade compreender o interesse do operário de uma fábrica qualquer por um assunto sério, de cultura. Ou o desejo da moça que dirige um trem elétrico subterrâneo – naquele esplêndido Metrô de Moscou – em comprar um livro que trata de problemas transcendentais, fora das coisas diárias ou das estórias de casamentos frustrados. Mas para eles isso é uma coisa natural e não representa nenhum esnobismo ou atitude. 

Nenhuma palavrinha sobre as prisões de intelectuais e dissidentes, que há muito vinham sendo enviados para os gulags. Este é o tom sempre baboso do livro. Tudo é grandioso, eficaz, inteligente, tudo é esperança no futuro e no homem novo, nas observações de Josué. Nenhuma palavrinha sobre a sufocação da literatura por Zdanov. Nenhuma menção ao desastre na agricultura provocado por Lyssenko. 

Se na época os crimes de Mao eram pouco conhecidos, sobre os crimes de Stalin o autor não podia alegar desconhecimento. Pois três anos antes de sua viagem, havia estourado em Paris a chamada affaire Kravchenko, depois da qual não mais era permissível a uma pessoa informada ignorar o que ocorria na União Soviética.

Em 1949, Victor Kravchenko, alto funcionário soviético, denunciou em Paris os crimes de Stalin. Tendo trocado a URSS pelos Estados Unidos, relatou esta opção em Eu escolhi a liberdade, livro em que denunciava a miséria generalizada e os gulags do regime stalinista. O livro foi traduzido ao francês em 1947 e teve um sucesso fulminante. A revista Les Lettres Françaises publicou três artigos difamando Kravchenko, apresentando-o como um pequeno funcionário russo recrutado pelos serviços secretos americanos. Kravchenko processou a revista, no que foi considerado, na época, o julgamento do século. No banco dos réus estava nada menos que a Revolução Comunista. 

Em seu testemunho, Kravchenko trouxe ao tribunal Margaret Buber-Neumann, mulher do dirigente comunista alemão Heinz Neumann, como também o ex-guerrilheiro antifranquista El Campesino, ambos aprisionados por Stalin em campos de concentração. Kravchenko, que perdeu toda sua fortuna produzindo provas no processo, teve ganho de causa. Recebeu da revista francesa, como indenização por danos e perdas ... um franco simbólico.

A história de Kravchenko é fascinante, envolve diversos países, desde a finada União Soviética até Estados Unidos, França, Alemanha, Espanha. Seu livro rendeu-lhe boa fortuna. Levado à falência com os custos do processo, foi morar no Peru, onde investiu em minas de ouro e de novo enriqueceu. Acabou suicidando-se em um hotel em Nova York. A partir de seu processo, ninguém mais podia negar o universo concentracionário soviético. 1949 é a data limite para um homem que se pretenda honesto abandonar o marxismo.

Três anos depois, Josué Guimarães, jornalista e correspondente internacional – profissional bem informado por definição - ainda louvava a União Soviética de Stalin. 

Há um detalhe curioso em As Muralhas de Jericó. Tendo sido escrito em 1952, permaneceu inédito por meio século, só tendo sido publicado postumamente em 2001. Ora, de 52 para cá, muita água correu sob o moinho da História. Em 1956, Nikita Kruschov denunciou, no XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética, os crimes de Stalin.

Não era a CIA, muito menos a imprensa capitalista ocidental que os denunciava, mas o mais alto dirigente soviético. Kravchenko era um dissidente, mas Kruschov era o secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética (PCUS). Se a affaire Kravchenko, apesar da farta abundância de provas, deixara alguma dúvida em comunistas mais testarudos, a partir do XX Congresso nenhuma dúvida mais era permissível.

Em 89 caiu o Muro e em 91 desmoronou o império tão amado por Josué. Seria mais que oportuno, para a imagem póstuma do escritor, que seu depoimento permanecesse inédito. Mas pelo jeito a viúva acreditou nas potocas do marido.

Sérgio Faraco, gaúcho e covarde - Outro gaúcho covarde é Sérgio Faraco. Em Lágrimas na Chuva, publicado em 2002, relata período de pouco mais de ano vivido pelo autor em Moscou, em 1963 e 64. 

"Depois de uma série de conflitos com chefetes políticos ligados aos partidos brasileiro e soviético" – diz-nos o editor na orelha – "Faraco foi internado em regime de reclusão, sob pesada bateria de medicamentos, numa clínica de reeducação. Era este,na época, um procedimento de rotina em relação àqueles que se rebelavam contra o ultra-esquerdismo do Partido".

Ora, quais foram os gestos de rebeldia do heróico mártir gaúcho?

Pelo que lemos em sua memória, foram basicamente duas atitudes: mantinha relações com uma russinha e insistia em escutar Wagner a todo volume em seu dormitório. Fora isso, em uma viagem à Armênia, demonstrou insólita coragem ao perguntar a um mandalete local como podiam avançar na automação do que quer que fosse, se as moradias não dispunham de vasos sanitários e as necessidades eram feitas nos quintais, em latrinas. A tradutora nem sabia o que era latrina.

Ou seja, os armênios não haviam chegado sequer ao conceito de latrina. Em função disto, o rebelde escritor foi enviado a uma clínica de reeducação, onde dispunha de quarto individual, com chuveiro e vaso sanitário (um progresso em relação à Armênia) e mais uma enfermeira que vinha pegar-lhe a mãozinha quando deprimido.

Gulag classe A, com direito a cafuné. Pra dissidente algum botar defeito. Do alto desta omissão, quarenta anos nos contemplam. Quatro décadas antes, Faraco havia sentido na carne o preço a ser pago, na União Soviética, por pequenas molecagens. Escritor, não lhe terá sido difícil imaginar o quanto custava qualquer discordância com a linha do Partido. Em idade provecta, a tardia madalena alegretense demonstra sua coragem denunciando, em 2002, fato ocorrido nos 60.


Seu depoimento, se feito na época de seu retorno, seria de extraordinário valor para sua geração. Seria o relato insuspeito de um militante comunista que, em sua viagem iniciática ao paraíso soviético, fora tratado como doente mental apenas por escapadelas a uma disciplina absurda, típica de seminários católicos. Seria oportuníssimo, logo após 64.


Erico Verissimo pergunta a Faraco se não pensava escrever sobre sua estada na União Soviética. "Respondi que, de fato, tinha essa intenção, embora minha experiência não fosse edificante. Ele ficou pensativo, depois disse que, se era assim, talvez fosse ainda menos edificante narrá-la, enquanto vivíamos, no Brasil,sob uma ditadura militar. Ele tinha razão" – diz Faraco. 

Ora, os militares lutavam para que o Brasil não virasse o imenso gulag que o futuro escritor então testemunhara. Em função de um regime que jamais o pôs na prisão, mesmo sendo comunista, Faraco silencia sobre o regime comunista que o internou em um hospital psiquiátrico, mesmo sendo comunista.

Escritor, Faraco intuiu o que Erico há muito já intuíra. Se dissesse uma só palavrinha contra a Santa Madre Rússia, adeus editoras, adeus honras literárias, adeus imprensa amiga, adeus resenhas e teses universitárias. O gaúcho de Alegrete, que não teve sequer a hombridade de despedir-se da humilde moscovita que o aquecera nos seus dias cinzas às margens do Volga, baixa a crista. 

Mas seu livro tem um grande mérito: nos revela a cumplicidade com a tirania do mais celebrado escritor gaúcho, tido como campeão da liberdade. Não por acaso, a universidade e imprensa gaúchas idolatram Erico. Covardes e omissos foram também todos os demais escritores gaúchos que, sem pertencerem ao Partido, silenciaram sobre os crimes do comunismo. Mário Quintana, por exemplo, refugiava-se em uma frase cômoda: "eu não entendo de problemas sociais". Moacyr Scliar foi premiado pela ditadura de Fidel Castro. Ou seja, estava cotadíssimo para a Academia Brasileira de Letras. E filho de Verissimo, Verissiminho é. Luis Fernando, o rebento, até hoje apóia toda ditadura, desde que de esquerda.

Falar em comunistas gaúchos e não citar Luís Carlos Prestes é ignorar o embuste maior que Porto Alegre já produziu. Embalado pelas proezas de uma coluna absurda, que se tornou famosa por suas "gloriosas" retiradas, ao refugiar-se nas margens do Prata acabou sendo contaminado pela mosca azul do poder. Treinado em Moscou, veio a mando do Kremlin fazer a "revolução" no Brasil. Deu no que deu: uma intentona ridícula e sangrenta, liderada por desvairados que de Brasil pouco ou nada conheciam. Preso e derrotado, acabou morando vários anos em Moscou. Cego e teimoso, em todo esse tempo não conseguiu ver o que Loureiro constatou em apenas dois meses. Morreu em odor de stalinismo. E ainda hoje há quem queira erguer-lhe monumentos. 

Apenas dois gaúchos, em todos os cem anos do século passado, ousaram escrever contra a barbárie. Um foi o jornalista Orlando Loureiro, que publicou A Sombra do Kremlin, editora Globo, 1954, dez anos antes da viagem do alegretense deslumbrado. O outro é este que assina este prefácio. 

Orlando Loureiro, gaúcho e corajoso - O depoimento de Orlando Loureiro, cria de Santa Cruz do Sul, foi editado pela Globo e suas reflexões são decorrentes de uma viagem à ex-União Soviética, nos meses de dezembro de 1952 e janeiro de 1953, ou seja, antes da morte do Paizinho dos Povos. E na mesma época em que Josué Guimarães girava bolsinha entre Moscou e Pequim. 

A viagem foi logo após um Congresso dos Povos pela Paz, em Viena, uma dessas reuniões em que os fiéis discípulos de Stalin pregavam a guerra. Neste encontro, entre outras cortesãs internacionais, rodavam a baiana Sartre, Jorge Amado, Pablo Neruda, Louis Aragon. De Viena, Loureiro é selecionado para ir a Moscou. Tem como companheira de comitiva, entre outras personalidades, Maria Della Costa, o que explica em boa parte sua carreira no Brasil. Ela viu de perto a tirania e silenciou. Palmas para a atriz. O mesmo não ocorreu com Loureiro. Jornalista, o autor não precisou de lupa para ver que havia uma só imprensa no mundo soviético:

Na URSS nunca existem duas opiniões a respeito de um mesmo fato ou acontecimento, porque o direito de pensar e opinar é prerrogativa apenas das elites dirigentes. O governo pensa prodigiosamente por 200 milhões de cabeças, obedientes e sub-missas dentro das fronteiras da contraditória democracia do proletariado. (...) As rotativas dessa poderosa usina geradora do pensamento comunista rodam ininterruptamente, dia e noite, para alimentar uma das mais fantásticas organizações de propaganda mundial de que se tem notícia. Essa verdadeira enxurrada de literatura marxista inunda os pontos mais remotos da terra e representa a persistente contribuição de Moscou aos seus fiéis, para as tarefas de catequese e proselitismo do proletariado universal. São milhares de toneladas de papel e tinta despejadas mensalmente na garganta anônima das grandes capitais do mundo, numa batalha obsedante pela arregimentação dos rebanhos humanos extraviados na voragem dos conflitos sociais e econômicos do nosso tempo. 


Jorge Amado, "ruidoso camelô do marxismo", como diz Loureiro, participa desta comitiva e sabe disto muito bem. Em uma visita à União dos Escritores Soviéticos, diz a Loureiro: "Na Rússia Soviética todo o trabalho intelectual é regiamente pago. As tiragens são geralmente elevadas e os escritores recebem grandes somas em direitos autorais. Há poetas que podem viver como milionários." 

Amado sabe o que quer. Loureiro prefere contar o que vê: 

A União dos Escritores funciona como um Vaticano para a moderna literatura soviética. O julgamento das obras a serem lançadas obedece a um critério estreito e sectário de crítica literária. Esta função é exercida por um conselho reunido em assembléia, que discute os novos livros e sobre eles firma a opinião oficial da sociedade. A exegese não se restringe aos aspectos literários ou artísticos da obra julgada, senão que abrange com particular severidade o seu conteúdo filosófico, que deve estar em harmonia com os conceitos da "realidade socialista" e guardar absoluta fidelidade aos princípios ideológicos da doutrina marxista. Se o livro apresentar méritos do ponto de vista dessa moral convencionada, se resistir ao crivo desse teste de eliminatória, então passará por um rigoroso trabalho de equipe dentro dos órgãos técnicos da União, podendo vir a transformar-se num legítimo best-seller, com tiragens astronômicas de 2 a 3 milhões de exemplares. E o seu modesto e obscuro autor poderá ser um nouveau riche da literatura e será festejado e exaltado e terminará ganhando o cobiçado Prêmio Stalin. 


O que explica a fortuna dos Amados e Nerudas da vida, ambos detentores do Prêmio Stalin, suas inúmeras traduções e tiragens milionárias, às custas da opressão, massacre e assassinato de milhões de seres humanos. 

Loureiro morreu em 2004, aos 85 anos, praticamente ignorado pelos gaúchos, enquanto os escritores comunistas e venais eram caitituados pela imprensa e universidade. O relato de viagens de Loureiro, um dos raros brasileiros a intuir a essência do regime soviético – outro foi Osvaldo Peralva, em O Retrato (1962) - escassamente mereceu uma segunda edição. Agora, mais de meio século depois, recebe a terceira.

Para baixar o livro de Loureiro: 

http://www.ebooksbrasil.org/adobeebook/sombrado.pdf

- Enviado por Janer @ 7:36 PM