domingo, 7 de agosto de 2011

Nem sempre sou o que escrevo

Ou nem sempre escrevo o que sou

Devido à nossa dependência materialista para sobreviver, naturalmente tendemos vincular pensamentos à matéria. Por isso ao depararmos com certas opiniões logo desejamos saber "Quem é esse cara? ou "Quem ele pensa que é?". Antes mesmo de racionalmente interpretarmos a mensagem, procuramos definir a partir de algum referencial. Cacoete que nalgumas ocasiões tento livrar-me e enfim liberar minha capacidade crítica para então exercitar a tão conhecida "isenção" ao refletir sobre determinadas questões.

Em outras palavras, qualificar ou desqualificar, esses seriam os termos melhor adequados ao concluirmos a análise da opinião de alguém. É nessa etapa que estamos inclinados pelo pré julgamento do portador do cérebro que originou tal conceito, causando com isso em muitas ocasiões uma certa "poluição" advinda  de conceitos inerentes a matéria. Ainda estamos longe da telepatia, se é que isto seja possível - ligação direta de pensamento a pensamento. Donde imagino que a total isenção de interferências referenciais proporcionariam um julgamento baseado exclusivamente nos impulsos dos neurônios.

Mas o que é isso vivente... foi às estrelas índio velho!  Viajouuuu...

sábado, 6 de agosto de 2011

O futuro é presente do passado

Em meus tempos de guri, lá no Rio Grande do Sul, Coréia era sinônimo da origem de bugigangas baratas, sem qualidade nem garantia que circulavam pelas mãos de ambulantes. Por extensão também se utilizou para denominar o local menos privilegiado do estádio do Internacional, rente ao fosso que separava o campo da torcida. Era o ingresso mais barato, pois ali, além de permanecer em pé, a torcida virava alvo daqueles que estavam na arquibancada e arremessavam quaisquer objetos, entre os quais o famoso saco plástico com "xixi".

Lembrei-me disso ao deparar com a revista Superinteressante que apresenta a Córeia do Sul como o país que detêm o maior índice da população conectada à internet em alta velocidade (97%), na frente de países tais como Suíça (90%), Noruega (84%), Holanda (83%), EUA (75%) e o nosso Brasil (19%). A receita para tal desempenho é divulgada no mundo inteiro. Há cinquenta anos o país arrasado pela guerra, na miséria e essencialmente agrícola resolveu virar a mesa, isto é, mudar o rumo de seu destino e aplicou todas as fichas no seu maior patrimônio: as pessoas. E deu no que deu, uma das nações que mais cresceu nas últimas décadas, com altos investimentos em educação, ciência e tecnologia. Transformando-se em berço da Hyundai, Kia, Samsung, LG Eletronics e primeiro lugar na fabricação de celulares e monitores de plasma. O sistema de ensino situa-se entre os melhores do mundo (99% índice de alfabetização). Professores com salário inicial em torno de dois mil dólares e que facilmente dobra após dez anos de trabalho. Um povo em dia com o futuro.

E nós aqui convivendo num sistema viciado, repleto de distorções, abismos e contradições alimentado pela CARGA tributária que faria qualquer jumento quebrar as canelas. Um sistema que em pleno século XXI nos brinda com os discursos inflamados de políticos se vangloriando de que chegaram onde chegaram sem precisar estudar e que talvez por isso imaginam que todos devem se pendurar nas benesses do estado cujo reflexo democrático determina limites, pois é a voz da maioria. A mesma maioria que talvez nunca ouviu falar dessa tal "Coréia". É uma pena, pois parece que já estamos em débito com o futuro.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Em dias de brrrrrrr....

Nasci e me criei na região serrana (Lajes SC, Lagoa Vermelha RS e Vacaria RS). Foram duas décadas de invernos, ventanias, geadas e neve a castigar-me o lombo. Eram nas manhãs de estudante, com os pés encarangados, orelhas doendo como se navalhas às tivessem riscado, lábios rachados a cantarolar resumos da matéria em dias de prova... 

Assim era  minha jornada ao colégio. Momentos em que testemunhava uma cidade deserta, nem cachorro pelas ruas, só alguns gatos pingados, aliás estudantes que muitas vezes eram obrigados a voltar para casa, pois só havia a presença de cinco ou seis alunos por turma. Numa ocasião dessas, perguntei ao professor porque não se dava aula para quem chegou até ali, para compensar o esforço. Como resposta, perguntou-me se eu conseguia escrever diante de tamanho frio... tentei e então concordei.
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Vivia-se naqueles dias, em eterno recolhimento, encorujado, resguardado em qualquer canto, longe do vento e do frio. Imaginava muito trabalho e tempo perdido só para se “aquentar”. Eram muitas horas dedicadas a expulsar a sensação de estar morrendo de frio... com isso se reduziam as atividades. Só se mexia quem era obrigado. Comprar comida. Buscar lenha. Comprar remédio. Nesse clima, certo dia despertou-me o desejo de conhecer outras paragens menos frias, pois acreditava que seria mais fácil viver o extremo num clima de verão.

Hoje, passados quase trinta anos longe daqueles frios, constato que em dias de muito calor é mais fácil a vivência... pois basta-me procurar uma sombra qualquer e consigo administrar o dia-a-dia sem muito trauma.

Contei essas passagens para comentar sobre aquelas imagens que a mídia disponibiliza como novidade a cada inverno. Turistas bem nutridos e muito bem vestidos. Dançando. Cantando. Nas geladas madrugadas, pedindo mais neve e frio - geralmente em frente ao carrão ou hotel cheio de estrelinhas. Para mim é um exemplo de como o ser humano se presta a tudo. Aqui atende aos apelos de consumidor de pacote turístico. É a roda capitalista girando, levamos os incautos a gastarem seus reais e a vida segue. Isso não elimina a dor que os miseráveis devem suportar em dias abaixo de zero. A esses me rendo, solidarizo-me e pergunto porque a gente é assim? Tão contraditório. Sem palavras é o eco... eco... eco...

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Produzo 10, levo 5. Tá certo?

Não existe mágica, tampouco milagre, é mera questão aritmética. O Estado é simplesmente o devorador de grande parte dos recursos produzidos por milhões de viventes que vêem seus esforços mentais e físicos se esvaírem através dos impostos. Se a gestão desse patrimônio fosse dignamente destinada ao fim que teoricamente é de direito, certamente teríamos um quadro bem diferente do instalado, onde uma multidão vincula sua sobrevivência sob as asas da estrutura estatal.

Assim é fácil entender porque existem disputas alucinadas em se inchar a máquina. Tais como criar novos municípios que resulta o surgimento de mais cargos e instituições consumidoras de recursos e dessa forma ajeitar a vida de muita gente em detrimento do progresso e da qualidade de vida da grande maioria que rala. Imaginem quantos municípios, entre os mais de cinco mil, existem sem produzir renda para justificar a estrutura instalada e assim por conseqüência sobreviverá graças às benesses do Governo Federal (leia-se impostos gerados por mim e você) - eta paizão ou paisão!

Apesar de tamanha barbaridade, nunca ouvi discursos ou projetos propondo a redução do custo estatal; e com certeza nunca ouvirei, pois os donos do poder são corporativistas e em hipótese alguma se libertarão dessa fácil e cômoda maneira de ganhar a vida. Enquanto perdurar essa fórmula matemática de distribuir os recursos, entre os que geram e aqueles que consomem, continuaremos trilhando à beira do abismo.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Na balada

--Tá rindo de quê? Por acaso é de mim?
--Não! não é de você. É que lembrei de um amigo muito parecido com você e de um fato ocorrido.
--E qual é a graça?
--Logo você verá. É que certa vez eu e esse amigo caminhávamos por uma avenida, num domingo à tarde, quando do alto de um prédio algumas meninas começaram acenar e sorrir. Paramos e  ficamos mandando beijinhos; pedindo para ir até lá. Elas toparam.
--E aí?
--Pensei que aquilo estava muito fácil. No entanto, meu espírito "cachorrão” estimulou-me e seguimos pelas escadas. Na caminhada ficamos  disputando quem ficaria com a loirinha ou quem ficaria com as moreninhas. Eram três garotas. E de longe, pareciam "comíveis".
-- Quem ficou com quem?
-- Calma! Nem chegamos lá ainda. Continuando, chegamos em frente a  uma porta de onde vinham gritinhos e  uma música. Deve ser aqui, disse. E apertei a campainha.
-- Como eram as "gatas"?
-- Nem te conto! O melhor estaria para acontecer.
-- Não enrola, diga logo o que vocês fizeram?
-- Não fizemos nada, aliás saímos correndo pelas escadas e lá no meio da rua é que nos demos conta do papelão.
-- Por que papelão?
- Imagine dois malucos só de cueca e sapatos descendo uma avenida e gritando: "assalto"... "socorro"...
-- Eh eh eh... vocês entraram numa fria?
-- E que fria, as gatinhas eram três "travecos" que estavam acompanha das de dois "caras" do tamanho de uma geladeira. Não tivemos tempo de voltar; entramos e aquela turma nos mandou tirar a calça e a camisa. Quando um dos "leões" puxou um revólver da cintura e nos disse que contaria até cinco para que sumíssemos dali. Assim chegamos à rua.
-- E depois, o que aconteceu?
-- Quase fomos linchados. O pessoal que nos via correndo com cara de apavorados, gritava: "tarados” "tarados", segurem eles.
-- Sim, mas como terminou a balada? eh... eheheh
-- Terminou quando uma viatura da polícia militar nos encaminhou à delegacia e ao nos apresentarem ao delegado quase vomitei de pavor e raiva.
-- Por quê?
-- O dito vinha acompanhado  pelos dois sujeitos que minutos antes subtraíram nossa roupa, dinheiro, documentos e a dignidade.
-- E aí?
-- Aí é que eu e meu amigo estamos respondendo a um processo por atentado à ordem pública.

domingo, 31 de julho de 2011

Algumas palavras

Algumas palavras, misturo-as. Estou faminto.  O resultado desta goreba é a oportunidade de saciar-me. Entre os ingredientes está a vontade, humm! ... ideal para qualquer cardápio, desde o mais singelo até aquele digno de reis. Tenho a vontade agora acrescida à persistência - indispensável componente. Mantém-me ligado na preparação. Vontade e persistência combinam, são o básico perfeito em qualquer ocasião.

Ainda assim, falta o tempero para atiçar o paladar. Causar maior prazer ao se degustar, para meu deleite... lá está... o melhor deles... a imaginação. 

Aos poucos, mexendo para melhor mistura, os ingredientes agregam-se. Algumas pitadas de tempero e deslizo por entre as pedras para finalmente encontrar a palavra escrita, meu prato feito.

Escrita com esmero. É a prosa pontilhada de dúvidas e talvez com alguns deslizes na gramática; mas cozida com elementos indispensáveis apenas aos sonhadores: visão do infinito entre dois pontos, que Roma é o destino.

Este foi o prato do dia. Foi alguém "marchando ao som de seu próprio tambor".*

*li esta frase nalgum lugar

sábado, 30 de julho de 2011

Tudo vale a pena

O único direito que ainda não conseguiram burlar, e não por falta de tentativas, é o meu direito de pensar. Enquanto meus neurônios mostrarem disposição em percorrer livremente os vários caminhos e quem sabe chegar à minha Roma, estarei dando gás e alimentando-os nas mais diversas fontes. Pois se existe alguma dádiva, creio ser o pensamento construído através da liberdade e da isenção de preconceitos oriundos da ignorância tão comum em todas as épocas. Hoje tudo é massificado, globalizado, comercializado... reduzindo-nos a presas fáceis de uma ou outra tendência. Para alguns nem é dada a chance de escolher, a outros tal hipótese inexiste. São poucos que se aventuram a enfrentar domínios já consagrados. É luta solitária. Romper paradigmas parece missão para poucos.

Poucos como Galileu Galilei que, ao afirmar ser o Sol o centro de nosso sistema, foi pressionado pelos pais do poder e para não ser condenado por heresia, finalmente assinou uma confissão declarando seu engano. Imagine-se a dor. Ser a única pessoa no mundo a enxergar um palmo mais adiante, e por isso, ser obrigado a curvar-se perante o poder instituído. Tal dádiva lhe custou a condenação. Morreu cego e longe do convívio público, além de ter suas obras incluídas no Index Librorum Prohibitorum -índice de livros proibidos- por longos trezentos e quarenta anos, quando finalmente o sistema que o condenou rendeu-se às evidências.

Assim, muitos conceitos consagrados há séculos, não estão livres de a qualquer momento sofrerem contestação de algum solitário cujo pensamento poderá romper algum padrão. A história tem seu tempo e as evidências apontam que nem tudo é vão.

P.S. "Tudo vale a pena, se a alma não é pequena."  Fernando Pessoa

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Onde houver... que eu leve...

A comunidade vivia um drama comum: fome. Ali, a luta pela sobrevivência perambulava diariamente entre as ruelas e barracos indignos de morada. A falta de saneamento transformava tudo numa grande fossa a céu aberto, com a proliferação de ratos, baratas entre outros transmissores de doenças. O cheiro era contaminado pelo lixo do lixo depositado de qualquer jeito a céu aberto. Ciente disso e sem as mínimas condições morar em outro lugar, aceitei a oferta de um canto onde só existia uma cama, aliás, pedaços de uma. Mal conseguia movimentar-me naquele cubículo, entrava meio de lado para, após certo esforço, enfim ajeitar-me. 
Não tinha roupas, assim não precisava guarda-roupa. Não havia energia nem aparelhos elétricos. Dessa forma minha mobília se restringia às velas e uma lata para as necessidades de peso, já que o xixi mandava pela janela mesmo, direto no valetão do antigo riacho que algum dia passou por ali. O aluguel era trazer alguma goreba para contribuir na alimentação daquelas crianças. Eram seis, uma escadinha, indo do mais novo com um ano até a mais velha com nove. Netos da senhora que me cedera o espaço. Não direi que foi amor à primeira vista, entretanto senti-me na obrigação de estender-lhes a mão e tudo o mais que de mim fosse possível. 
Assim, lembrando da imagem daquelas crianças imundas, doentes e com a miséria estampada em seus rostos, dirigia-me ao centro da cidade para buscar o nosso sustento. Revirava as lixeiras que encontrava pelo caminho, mas devido ao aumento da concorrência, caminhava cada vez mais longe, às vezes fazia mais de dez quilômetros para finalmente conseguir algumas sobras comíveis. Quando então, já era hora de voltar. Torcia para que os famintos não sucumbissem em minha ausência. Era lastimável o estado de miséria instalado naquelas gentes. Durante várias semanas nesta rotina, sair de manhã e voltar à tardinha, às vezes conseguia algumas moedas doadas pelo caminho, com as quais comprava guloseimas ou leite para as crianças menores. Nunca comprei algo para mim, pois já estava acostumado a sobreviver de restos ou ficar alguns dias na base da água. Pensava muito naquela família, isso sim, merecia atenção especial. 
Até que certa noite, ao voltar para casa, ao aproximar-me do barraco ouvi gritos, carros movimentando-se, sirenes e estampidos de várias intensidades. Era o confronto entre a polícia e alguns elementos que se escondiam por ali. Já presenciara tiroteios noutras ocasiões e lugares, mas não com tamanha intensidade. Senti medo, muito medo e quando o pavor apossou-se de mim, corri. Desejava conferir se tudo estava em ordem, se o pessoal estava em segurança, além de esconder-me, é claro. 
Tamanho desespero, devido ao zumbido dos projéteis que cruzavam próximos, fez-me entrar pela janela. Surpreendi-me ao ver a turma com cara de fome, mas muito alegres, seus olhos vibravam de felicidade. Parecia que alguém estava comemorando algum evento. Eu sem saber se chorava ou ria. Quando a vó, com a mesma alegria das crianças, tocou-me o ombro e disse para ficar tranqüilo, pois aquela barulheira em breve cessaria. E assim, depois de algum tempo de sirenes, tiros, rajadas, gritos de pavor e motores... tudo se aquietou. 
Quando então veio a ordem para que preparássemos o fogo e a água, pois haveria um ensopado daqueles - deduzi ser este o motivo da festa. Vibrei com a possibilidade de saborear algo feito na hora, quentinho... hummm.... há tempos que não comia algo assim. Então, sob o breu da noite e com uma grande faca nas mãos, aquela senhora que mal conseguia andar pelo peso da idade, retirou-se. Após alguns passos, se abaixou e iniciou seqüência de golpes naquilo que parecia ser uma das vítimas do confronto.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Notícia versus audiência

É comum presenciarmos declarações determinando se um fato é ou não utilizando-se das clássicas: "deu no jornal nacional", "saiu no jornal de hoje" "estava na revista tal" e por aí vai.

Devido à (in)cultura ou (de)formação, imediatamente agregamos tais conclusões aos conceitos que deverão contribuir para a visão de mundo. Assim, em doses homeopáticas, paulatinamente nos tornamos reféns da audiência que, sem exageros, parece transformar-se em sinônimo de verdade.

Isso transparece quando ingenuamente assistimos aos telejornais e a notícia do dia é um pequeno abalo sísmico que atingiu o Brasil. A matéria é carregada de cores para a conquista da audiência, pois aquilo que inicialmente se apresentava como informação de utilidade pública, transforma-se rapidamente em um show de especulações e hipóteses apelativas.

São apresentados depoimentos de pessoas apavoradas. Imagens de rachaduras nas paredes são a prova da força do fenômeno, aproveita-se para dizer que em tal ano em tal lugar morreram tantas mil pessoas. Tudo anunciado quase que histericamente pelos âncoras cuja  maioria dos comentários contribuem somente para a construção de alguma hipotética tragédia, muito pouco destina-se à explicação científica que facilmente traduz o sentido daquilo que seria de fato a notícia: simples acomodação das placas tectônicas, um abalo como milhões de outros que ocorrem desde que esse planeta surgiu... o Brasil encontra-se, até onde sabemos, numa posição isenta de riscos graves... não há como prever, etc...

Mas como estamos treinados pela audiência, devemos atender aos apelos do repórter e imaginar todos os "se": se isso, se aquilo, se eu, se... E assim vamos anexando (pré)conceitos à nossa formação de palpiteiros... é Fantástico!

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Li, gostei e transcrevo

Deputado catarinense sorteia TV e DVD no Twitter


Em busca de seguidores no microblog Twitter, o deputado catarinense Kennedy Nunes (PP) está sorteando uma TV e um aparelho de DVD entre os twiteiros que o seguirem. Em mensagem postada hoje, ele escreveu:

“Muitos twiteiros participando do sorteio do DVD e da TV”.

Em seguida, aparece um link, que remete ao site da Associação dos Jornais do Interior de Santa Catarina, que noticia: Ontem, dia 24, o deputado Kennedy Nunes PP-SC resolveu inovar. Em seu twitter, postou a seguinte notícia:

“Alo galera! Vou sortear, entre meus seguidores, um aparelho de DVD e uma TV ao alcançar 1.000 seguidores. Ajude a divulgar e participe!”

Muitos de seus seguidores no twitter já o recomendaram para toda a sua lista de amigos nesta rede social que está se popularizando cada vez mais no nosso país.

O deputado que visitou a região do Alto Vale há menos de 15 dias, espera chegar aos 1000 seguidores no tempo mais curto possível, e explicou também o critério que será utilizado para que se chegue ao vencedor da promoção:

--Quando chegar MIL vamos postar o login de todos com um número e escolheremos a data d prox sorteio da lot federal.

Para quem quiser concorrer, o twitter da figura é:

http://twitter.com/deputadokennedy

O meu (sem sorteio) é http://twitter.com/giovanigrizotti

Até agora, o parlamentar conseguiu arrebanhar 389 seguidores. Em seu twitter, o coordenador de projetos da Transparência Brasil, Fabiano Angélico, escreveu: 
 
(…) -É um tanto quanto desonesto isso de comprar seguidores. Feio o Huck fazer isso. E mais feio ainda para um político.

Postado por Giovani Grizotti > http://wp.clicrbs.com.br/diretodafonte

terça-feira, 26 de julho de 2011

Friedrich Nietzsche

Ninguém pode construir em teu lugar as pontes que precisarás passar para atravessar o rio da vida. Ninguém, exceto tu, só tu. Existem, por certo, atalhos sem número, e pontes, e semideuses que se oferecerão para levar-te além do rio, mas isso te custaria a tua própria pessoa: tu te hipotecarias e te perderias. Existe no mundo um único caminho por onde só tu podes passar. Aonde leva? Não perguntes, siga-o!"

As flores do vizinho

O pomar era viçoso. Várias espécies frutíferas diariamente observadas por ele. Admirava as flores brancas da macieira e imaginava que logo estariam produzindo lindas maçãs. Atração fatal para os pássaros que em bandos aportavam para afinar a cantoria. Tal visão lhe incendiava o desejo de quem sabe ser uma macieira e também partilhar com as aves penduradas em seus galhos. Seguiu em suas comparações até a ameixeira cujas flores ampliavam o colorido daquele espaço. Outra parada obrigatória das criaturas de asas e plumas que pousavam em busca do frescor das folhas.

Essas possibilidades deixavam-no cada vez mais intrigado, porque será que a ele não era dada essa graça, indagava-se. Continuava observando em sua volta e por todo o pomar não havia árvore que não lhe causasse inveja. Qualquer que fosse a flor ou o fruto o deixava transtornado, sentia-se menos que todos ali. Só porque em seus galhos não tinha a freqüência de bandos e mais bandos de pássaros, porque nunca havia visto uma flor brotar por entre seus galhos. Não entendia o porquê de sua presença naquele local, já que não era notado e não estava servindo nem para poleiro.

Desde quando se percebeu naquele recanto, muitas árvores surgiram para celebrar a vida. As estações determinando a época das flores, dos frutos, dos pássaros e das demais formas de vida. Ele continuava inconsolável, sentindo-se um alijado dentro daquele espaço pelo fato de não ser como as outras, praguejava-se a todo momento. Melhor seria se tivesse sido um pé de laranja, imaginava, para em seguida procurar pelo velho pé de laranja e verificar que sumira. Notou então que vários outros já não estavam mais presentes, lembrou-se então que desde a sua chegada muitos outros já partiram. Isso começou a dar-lhe um pouco de conforto, pelos menos estava presente - consolava-se. Será que eles não voltarão mais - questionava-se,  enquanto tentava entender o motivo daquilo tudo.

Foi quando que, por encanto, apareceram algumas pessoas lá embaixo e começaram a examiná-lo por inteiro. Diziam ser ele um jovem pinheiro, uma árvore nobre e que seria das grandes. Daqueles que levam mais de quinze anos para começar a florir e gerar os primeiros frutos, durava muito mais do que todas aquelas em sua volta. Ao ouvir isso, sentiu-se mais em sua condição. Com ar presunçoso, rapidamente mudou sua forma de julgar aqueles à sua volta. Olhou-os com desprezo, pois além de vida curtas, não estavam nem chamando a atenção daqueles especialistas, imaginou.

De repente um barulho começou a espantar os pássaros e um cheiro esquisito invadiu o ar. Era um daqueles estranhos com uma motosserra procurando o melhor ângulo para iniciar o corte e pô-lo abaixo. Quando percebeu a intenção os dentes da máquina já lhe haviam cortado mais da metade do tronco, estava para cair, era só uma questão de tempo.

Foi quando lamentou oportunidades perdidas por tentar ser o que nunca seria, igual às demais árvores. Não seria pessegueiro, nem ameixeira, nem macieira, tampouco um pé de laranja. Ele era pinheiro e como tal teria seu tempo de florir, gerar frutos e de partilhar suas virtudes - galhos e sementes - com os outros elementos da natureza. Agora era tarde demais...

Devido ao tamanho foi removido do pomar a fim de proporcionar maior luminosidade e chuva às outras culturas. O pinheiro não caiu em vão, tornou-se o que sempre almejara, algo especial e útil, transformou-se naquilo que fora vocacionado desde seu plantio: em mesas, cadeiras, bancos e outros utensílios para a fazenda do seu Rubião.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Autofagia

Vivemos um mundo onde o consumidor é o eleito. É difícil escapar imune aos apelos para que nos tornemos mais um devorador disto ou daquilo. É o novo lançamento que já vem com ar condicionado, ou aquela bolacha que não faz ruído, ou ainda, se desejamos a felicidade agora devemos aderir ao plano cujo financiamento será pago em oitenta  e tantas suaves prestações. Este é o modelo de economia que segundo os especialistas é o melhor até então, o mercado aberto a todos em todos os sentidos. Assim, em meio a inúmeras ofertas e promoções, surgem várias receitas apelativas e também de discriminação.

Assim, se digo que não compro no crediário ou não desejo um modelo novo, logo sou chamado de mão de vaca. Ou sou obrigado a ouvir assertivas condenatórias tais como: Vai guardar o dinheiro prá quê? Trabalha para fazer o quê?  Tá escondendo o dinheiro?. Tá aí o início de uma discriminação velada. Onde o perfil do consumidor ideal não está se enquadrando, então pressão nele e o miserável acaba sofrendo sem saber o motivo. É o poder do capitalismo contribuindo para manter acesa a chama da sensação de que falta alguma coisa. Esse é o segredo. Criar necessidade, mesmo que do além, e desse modo manter mais um elo no círculo do consome, paga e dá lucro. Vale tudo para manter o ritmo, até apelar para a imagem de crianças precisando de celular. É só conferir a propaganda onde meninas de seis ou menos anos, aprendem a criar a necessidade de que ter um aparelho lhes dará a felicidade de encontrar um namorado. Esse tipo de propaganda é... deplorável.

Diante disso, fugir para onde, se em qualquer meio de comunicação, desde o rádio até a internet... o apelo ao consumo é a mola mestra. Ou quem sabe uma entidade criada pela sociedade cujo controle está se perdendo e nos transformando em caça. Simples alvos de uma força voraz a nos consumir. É ... parece que todos os caminhos nos levam para autofagia.