sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Um homem e seu trabalho

quinta-feira, julho 28, 2011

VASSILISSA

Um homem se define por seu trabalho – escrevi há pouco. Se não trabalha, é um inútil. Objeta um leitor:

- Profissão é parte do que uma pessoa é. Não tudo. Possivelmente nem algo com o qual ela se identifica em particular, e sim algo que ela, muitas vezes por contingência do destino, calhou de fazer, e portanto não é algo que representa suas crenças, posições, modo de viver e ações como um todo. Profissão é parte da vida das pessoas. E nem de todas. Se fulano vive de renda ou herança, problema (ou sorte) dele. Isso não define caráter. O que você faz para ganhar seu pão é problema seu, e não vejo por que tenha que ser o que te define como ser humano, seu valor absoluto, ou o que seja que funcione como termômetro de qualidade de fulano.

Ok, leitor. Admitamos que profissão não seja tudo. Pode não definir caráter. Mas quem não trabalha continua sendo um inútil. Já nas primeiras páginas do Gênesis, o Senhor transforma o trabalho em maldição, ao jogar Adão fora do Éden para lavrar a terra.

“E ao homem disse: Porquanto deste ouvidos à voz de tua mulher, e comeste da árvore de que te ordenei dizendo: Não comerás dela; maldita é a terra por tua causa; em fadiga comerás dela todos os dias da tua vida. Ela te produzirá espinhos e abrolhos; e comerás das ervas do campo. Do suor do teu rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, porque dela foste tomado; porquanto és pó, e ao pó tornarás”.

Para o deus judaico, trabalho é castigo. Felicidade é viver sem fazer nada, numa espécie de País da Cocanha, onde os frutos da terra estão ao alcance da mão. Esta apologia do ócio é retomada no Novo Testamento, mais precisamente em Mateus:

“Olhai as aves do céu, não semeiam nem colhem e nem juntam em celeiros. E no entanto, vosso Pai celeste as alimenta. Aprendei com os lírios do campo, vede como crescem, e não trabalham e nem fiam. E no entanto, nem Salomão em toda a sua glória jamais se vestiu como um deles”.

Pode ser. Mas eu me entediaria como uma ostra se tivesse de passar a vida toda sem fazer nada. Segundo o leitor, as pessoas podem viver de renda ou herança e trabalho não funciona como termômetro de qualidade de ninguém. Permito-me discordar. Um homem que nada faz, para mim, nada é. Há, é claro, algumas diferenças entre ser regente de orquestra e balconista, piloto de Boeing e taxista, chef e padeiro.

A propósito, em meus dias de Santa Maria, tive como companheiro de bar um poeta. Sua meta na vida era fazer poemas. Voltei a encontrá-lo alguns anos mais tarde. Perguntei se ainda fazia poemas.

- Não mais. Agora faço pães.

Aleluia! Os poetas que me desculpem. Mas a humanidade precisa mais de pães do que de poemas. Sem falar que pães são em geral mais saborosos que muitos poemas. Particularmente se falamos de poesia contemporânea.

Há obviamente o trabalho ruim, aquele que não escolhemos e jamais escolheríamos. Há o trabalho que até pode ser agradável, mas é mal pago. Quando comecei a trabalhar em jornal, ganhava apenas oito cruzeiros mais que o contínuo da redação. Mas me sentia muito bem quando, ao final do mês, passava no caixa para receber meus míseros trocados. Com eles, me dedicava a meus prazeres. Raras pessoas no mundo podem orgulhar-se do trabalho que fazem. O segredo do sentir-se bem com a vida é encontrar uma fórmula de chegar lá.

Quando encontro alguém de quem ainda não tenho referências, minha pergunta é: o que você faz? É pergunta que recomendo a toda pessoa que encontra uma outra que ainda não conhece. Se não sabemos o que uma pessoa faz, não sabemos quem ela é. Vive de rendas ou de herança? Pode ser. Mas se não tem uma profissão, pouco ou nada tem a me dizer.

Conheço pessoas que vivem sem nada fazer. Há muita mulher neste mundo que vive de pensão, distribuindo seu ócio entre a academia, o instituto de beleza e a novela das oito. Suas cabeças dão uma boa idéia do vácuo absoluto. Há cientistas que negam a existência do vácuo absoluto, pois isto contraria o princípio da incerteza, de Heisenberg. Que se lixe o princípio da incerteza. Vácuo absoluto existe, é a cabeça de quem não trabalha. Não trabalhar é a fórmula mais eficaz de uma mulher anular-se. Os muçulmanos, que alimentam um medo ancestral ao feminino, sabem disto. E proíbem suas mulheres de trabalhar.

Uma das coisas que me agrada em São Paulo são as mulheres com quem cruzo em meu dia-a-dia. São pessoas que vem ou vão para um trabalho, freqüentam bares e dispensam machos para pagar suas contas. Altivas, são donas dos próprios narizes e gerem suas próprias vidas, sejam minhas gerentas de banco ou as meninas que me servem nos bares ou cafés.

Em meus dias de Santa Catarina, me disse um aluno: meu sonho é ser rico e viver tomando uísque e olhando o mar. Tive pena da mísera espécie humana que ele representava. É possível que tenha chegado lá. Não o invejo.

Tampouco tenho maior apreço por quem pensa só em dinheiro. Dinheiro é bom. Mas se sua busca nos torna a vida desagradável, não é bom. Eu poderia ter enriquecido com a advocacia. Mas não me sentiria bem na pele de um advogado. Optei então pelo jornalismo. Ganhava pouco, mas era ofício que algum prazer me proporcionava. Jornalismo é cachaça, costumamos dizer. A adrenalina de um fechamento de jornal é algo que vicia. Más vale un gusto que cien pesos, dícen los orientales.

Algum leitor deve ter visto o filme Mediterrâneo, de Gabriele Salvatores. É uma das mais belas mentiras da história do cinema. Pego uma sinopse da Web: durante a Segunda Guerra, com a missão de defender o lugar contra uma possível invasão inimiga, um punhado de soldados é deixado numa pequena ilha do mar da Grécia. Mas, o vilarejo parece abandonado e como não tem nenhum único inimigo a vista os soldados aproveitam o tempo para relaxar um pouco. Porém, a ilha não está deserta e quando os habitantes do local percebem que os soldados italianos são inofensivos, saem de seus esconderijos nas montanhas para dar seqüência a suas pacíficas vidas. Portanto, logo os soldados descobrem que serem deixados para trás em uma paradisíaca ilha grega esquecida por Deus, não é uma coisa tão ruim assim...

O diretor não engana seu público: o filme é dedicado a todos os escapistas do mundo. Ilha grega pode ser uma idéia de paraíso para muita gente. Por uma semana, até concordo. Para toda a vida, seria para mim um inferno. Os italianos se dedicam a um eterno dolce farniente. A única pessoa que parece ter uma profissão na ilha é Vassilissa. Se apresenta alegremente ao batalhão. O capitão pergunta:

- Che lavoro fare?
- Io sono la puta.

E passa a exercer orgulhosamente sua profissão. Os soldados perderam o sentido de suas vidas. Vassilissa não: http://www.youtube.com/watch?v=B9VOQoH-Kb0

A profissão pode não ser das mais nobres. Mas é melhor do que não fazer nada.

Hora da merenda


A minoria “nimim”

Por Gilrikardo




Em muitas ocasiões estou a ver a banda passar. Percebo isso ao tentar acompanhar os ditos movimentos sociais que de uns tempos para cá, em nome da diversidade, surgem a empunhar bandeiras das mais variadas cores, sabores e odores. Surgem acompanhadas com certo toque de novidade, como se no mundo desde que é mundo não existisse o caldo da variedade.

Ainda assim, observei as tantas combinações e praticamente obriguei-me a redefinir certos conceitos, além de reavaliar a utilidade ou perigo de certos relacionamentos ditos até aqui como normais.

Feito isso, senti-me parte do horizonte que se abriu, e aí então é que a vaca foi para o brejo. Pois de cidadão tranqüilo, na condição de ser apenas mais um a desfrutar desta vida, de forma independente ou quase nada dependente de forças estranhas à minha legítima vontade. Conclui então que não era apenas mais um! O momento condena-me a diversidade!

E agora, a que minoria pertencer?
Em que bandeira abrigar-me?

Talvez na bandeira dos indignados com a política, será? Indignar-se é fácil, e aí, qual o sentido da indignação, que fazer para sair dessa ... é parece que não existe indignados pela política. Ou quem sabe o movimento dos sofredores do ensino, também só escuto resmungos e choradeiras, de concreto nada. É... não está fácil situar-me nesse “neoparadigma”. E o movimento daqueles sedizentes anarquistas ou contra todos os governos, ou ainda adoradores da iniciativa individual, assumidamente construtores do próprio destino... cadê?


Onde encontrarei minha bandeira? É... pelas que vejo tremulararem, dificilmente uma que defenda os libertários ascenderia mais que meio mastro. E agora josés, joãos e “eus” desta vida. Escutem! Eu disse que sou minoria, eu e minha cara, eu e minha coragem, eu e minha covardia, eu e minhas idéias sentado à beira dum caminho. Antes só, do que mal acompanhado.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

O cão que fuma...: Vídeos mostram execução de mulheres por elementos da al-Qaeda na Síria

O cão que fuma...: Vídeos mostram execução de mulheres por elementos da al-Qaeda na Síria

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Mulçumanos

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015


O site de ativistas Raqqa Is Being Slaughtered tem relatado as condições de vida e os crimes praticados na Síria. Nos últimos dias publicou dois vídeos que mostram execuções brutais.

Catarina Fernandes Martins


Dois vídeos divulgados nas últimas duas semanas pelo site Raqqa Is Being Slaughtered Silently mostram imagens de homens suspeitos de pertencerem ao braço sírio da al-Qaeda, al-Nusra, a executarem mulheres acusadas de adultério com tiros na nuca. A al-Nusra é um grupo rival do Estado Islâmico que tem tentado conquistar território no norte da Síria para aí constituir um Emirado Islâmico.

O primeiro vídeo foi colocado no site Raqqa Is Being Slaughtered – que une uma rede de ativistas de Raqqa, a auto-proclamada capital do Estado Islâmico, que relatam as condições de vida e os crimes cometidos na Síria – no dia 13 de janeiro de 2015 e chamou a atenção do Observatório Sírio dos Direitos Humanos, uma organização que tem sido seguida pela ONU e por vários meios de comunicação internacionais durante a guerra civil na Síria.

O Observador consultou Abdeljelil Larbi, professor de árabe no ILNOVA, centro de línguas da Universidade Nova de Lisboa, que explicou que a mulher vestida com um blusão vermelho pede repetidamente e de forma desesperada para ver os filhos antes de ser executada. “Por favor, senhor, em nome do profeta quero ver os meus filhos”, diz. O pedido é recusado. Depois, os homens recitam o Corão e informam-na de que será condenada pelo crime de prostituição e que a pena aplicada é a mesma para o crime de adultério: morte. “Esperamos que deus perdoe essa mulher e que este castigo seja melhor para ela”, diz um dos homens, de acordo com o professor Larbi.

Seguidamente, um homem aponta uma pistola à sua cabeça, disparando. O corpo da mulher cai no chão. À volta, muitos militantes registam o momento com smartphones. A execução parece ter ocorrido numa cidade do norte da Síria, Idlib, conquistada em dezembro de 2014 pela al-Nusra.

Atenção às imagens!

O vídeo mais recente, publicado terça-feira no site ativista, mostra outra mulher já ajoelhada no chão. A forma escolhida pelos militantes para a execução é semelhante à utilizada com a primeira mulher: um tiro na nuca.

O mesmo site escreve também que o Estado Islâmico está a proibir as mulheres com menos de 45 anos de deixarem Raqqa para alegadamente as obrigar a casarem com jiadistas.

No final de novembro, o Guardian publicou um relato feito pelos ativistas do Raqqa Is Being Slaughtered que descrevia a auto-proclamada capital do Estado Islâmico como uma cidade devastada, em que os seus habitantes sofrem de fome e de pobreza extrema e não estão a salvo das crucificações, decapitações e chicotadas (o ato de fumar um cigarro é uma ofensa punível com chicotadas) que ocorrem frequentemente na Praça do Paraíso, que, segundo o fundador da rede, Abu Ibrahim Raqqawi, foi renomeada pela população, que agora lhe chama Praça do Inferno.

Título e Texto: Catarina Fernandes Martins, Observador, 22-1-2015

às 16:53


Reações: 

5 comentários:



A religião da Paz! Que utiliza tecnologia dos infiéis para registrar a barbárie!

Ora vão para o diabo que os carregue!




Eles são totalmente loucos. Eles usam o islã para praticar o mal, causar sofrimento em nome de Allah sentindo prazer em ver o sofrimento dos seres humanos sendo assassinados como se eles fossem o justiceiro do profeta. São mentes doentias e perigosas. Merecem a morte, depois de uma estadia lá em Guantánamo. Alberto José




Quando se pensa em céu e inferno , a representação da presença do demônio está ali, na terras dos fanáticos e psicopatas . Matam em nome de Allah . O Criador deixou um mundo cheio de vida e esplendor. Alguns homens vem para destruir. Mas nisso há a sabedoria do Grande Mestre dos Mestres . Se existe o inferno em chamas , temos também a outra metade em paz . Estamos nela , Nada é por acaso.

Não é necessário ver esses vídeos . São deploráveis.

Abraços

Sidnei Oliveira




É simplesmente terrível, Nelson Ribeiro

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Angústia

Por Gilrikardo

Palavras ao vento

tento
tento

Palavras ao tempo

distante
distante

Palavras de palavras

brincadeiras
brincadeiras

tempo
vento
tento
 

Palavras de angústia
Palavras de tempo
Palavras de vento
Palavras que tento
 

Tudo vão
Palavras em vão


domingo, 18 de janeiro de 2015

Blog Azluizio Amorim

EM VÍDEO, PSIQUIATRA SÍRIA DETONA O JORNALISMO ESQUERDISTA IDIOTA QUE TRANSFORMA EM CULPADOS AS VÍTIMAS DO PRIMITIVISMO ISLÂMICO.


quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Coisas do meu rincão

Por Gilrikardo

Postei esta notícia para registrar uma prática muito utilizada em municípios do RS onde os recursos geralmente são escassos. Diante disso, a prefeitura ao asfaltar uma rua com paralelepípedos, primeiro retira-os para REUTILIZAR em outras áreas, e então prepara o solo para receber a nova cobertura.

Reiniciada as obras do asfaltamento Avenida Samuel Guazzelli
 
Reiniciada as obras do asfaltamento da Avenida Samuel Guazzelli
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Ontem, terça-feira, dia 6, a empresa Dalfovo Construtora de Caxias do Sul, reiniciou as obras da retirada dos paralelepípedos e melhoramentos para o asfaltamento da Avenida Samuel Guazzelli Filho.

O valor investido nessa obra é de mais de R$ 2 milhões, sendo que os paralelepípedos estão sendo reutilizados para o calçamento de ruas de outros bairros.

Conforme informações, ainda neste mês deverá iniciar o asfaltamento da Avenida Frei Cândido Maria Bampi, no Bairro Barcelos e as ruas Acre e Olavo Bilac com investimento superior a R$ 3 milhões.

A empresa Dalfovo ainda realizará o asfaltamento das ruas Campos Sales, Siqueira Campos, Fernando de Noronha, Eça de Queiroz, Getúlio Vargas e Farrapos.
 
Data: 07/01/2015 - 13:56:51
Crédito: Adelar Gonçalves/Dep. Jornalismo

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Conta de luz deve subir 40 por cento

Por Gilrikardo

Nesta hora lembro-me que nossa oposição carece de estratégias ou vontade de fazer oposição... Taí uma grande oportunidade de buscar (vídeos) a fala da "presidAnta" a anunciar a redução da tarifa elétrica... isso é fácil de fazer, são os fatos, não há como contestar.  É só reproduzir os discusros anteriores e a realidade dos dias atuais fará o resto.
No entando, do Oiapoque ao Chuí, manchetes e manchetes revelando mirabolantes explicações "técnicas" para o aumento da tarifa elétrica. Quando se sabe que a incompetência da gerentona vem lá dos tempos em que era do Ministério das Minas e Energia... a oposição tem aí uma grande opotunidade de "OPOSICIONAR", ao invés disso, simplesmente se cala! Assim é difícil... parece que estamos sós... e sós deveremos trilhar por um "long time".
 
 

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Liberté, Egalité, Fraternité

LIBERDADE
 
IGUALDADE
 
FRATERNIDADE
 

ÁGUA PARA O AMANHÃ

Boa tarde Gil Rikardo.
 
Recebo seus textos e já comentei alguns deles, e acredito que muitos também o fazem.
 
Sou apenas um cidadão que algumas vezes lê e escreve e se interessa por assuntos que tem a ver com nossas cidades e o futuro delas e não tenho como enviar meus textos para que outras pessoas leiam, pois não estou conectado as redes sociais e nem quero estar.
 
Envio o texto que fiz eferente a preservação da água na nossa região.
Gostaria que este texto alcançasse o maior número de pessoas e não sei como faze-lo.
Se você puder e quiser publicar, ficarei agradecido.

Grande abraço.
Jair A. Silva.
 
 
ÁGUA PARA O AMANHÃ
Muito se tem comentado em todas as estâncias sobre a falta de água no Centro-oeste do Brasil, mais especificamente na Grande São Paulo, onde o impacto de torneiras vazias é maior.
É uma situação difícil para os habitantes e também fácil de saber as causas do problema, pois para todo lado que se olha estando em São Paulo, tudo o que se vê é asfalto e edifícios cobrindo 100% da área onde deveria ter arvores e pequenos córregos, mananciais preservados e nas periferias da cidade teria que ter matas com nascentes e áreas alagáveis onde ficaria preservada a água para abastecer toda a vida nos períodos de seca, seca esta que não viria se estas pequenas ações fossem tomadas a pelo menos 50 anos atrás.
 
Olhando aqui para nossa região onde temos o privilégio de ter muita mata, mananciais e rios por toda a parte, o que estamos fazendo para preservar isso tudo??
 
Não é difícil de se ver o completo desrespeito com a natureza ao passarmos, por exemplo, nas duas principais rodovias que cortam nossas Cidades: BR 101 e BR 280.
 
Saindo de Joinville em direção e São Francisco do Sul, passando obrigatoriamente por Araquari, o que observamos é um festival de aterros para todos os lados que olhamos, todos os grotões, vales e áreas baixas estão sendo aterradas para dar lugar aos Galpões onde serão instalados o PROGRESSO, sem fiscalização ou fiscalização ineficiente que visa apenas o lucro sem levar em conta o futuro das cidades, nascentes estão sendo cobertas por milhares de toneladas de terra e entulhos que são retirados dos morros, pequenos córregos são simplesmente aterrados e as áreas alagáveis não tem importância nenhuma quando a indústria precisa de um lugar para se instalar.
 
Seguindo na direção de Barra Velha, o que se vê é a mesma imagem, aterros, aterros e mais aterros, todas as áreas onduladas, desenhadas pela natureza para preservar a tão preciosa água, estão se transformando em um plano só, onde não há reserva alguma de qualquer tipo de natureza e a tão preciosa água que era ali armazenada pela natureza perfeita, agora escorre sobre o os aterros e vai direto para os grandes rios em direção ao mar, sem alagar as preciosas áreas alagáveis que preservam a umidade e fazem as nascentes brotarem e os pequenos rios correrem.

Acho que meus netos e talvez até meu filho quando chegar a idade adulta, não terá água pura na torneira de sua casa assim como temos hoje e veremos nossa região tão próspera sofrer com a debandada das empresas para destruir outra área em outra região do País onde ainda tenha recursos naturais para serem explorados e destruídos como estão fazendo em Araquari.
 
Sou Joinvillense de coração, adotei a cidade ha quase 30 anos e nos últimos 12 estou trabalhando em uma empresa que tem sede no Centro de Araquari, faço este trajeto todos os dias e pude observar a devastação que foi e está sendo feita no município em troca de ser o Município Catarinense que mais cresce e onde mais empresas se instalaram nos últimos anos.
 
Hoje, Araquari não tem nenhuma residência com coleta e tratamento de esgoto, a água tratada chega a apenas 60% das residências e no verão, não chega para ninguém. Mas a cada semana nova empresa se interessa em instalar sua sede por aqui, pois o município oferece apoio e incentivos e afirma que tem muita área ainda a ser desmatada e aterrada pois seu território é muito grande.
 
O que estão fazendo para as futuras gerações??
 
Será que não seria melhor ser a cidade que mais preserva o meio ambiente e cuida dos recursos naturais ao invés de destruir tudo em prol do desenvolvimento econômico sem controle algum??
 
Acho que só teremos respostas daqui a alguns anos.
 
Jair Assis da Silva
CPF 603.773.489-53
Joinville/SC.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

O sonho acabou

Por Adriana Calcanhotto



O PT foi ficando cada vez mais dividido, pesado, paquidérmico, carregando alas divergentes que foram minando a força interior do partido e sua chama


Aos 15 anos, estudante secundarista em Porto Alegre, interessada especialmente nas causas indígena e trabalhista, devorando qualquer texto dos irmãos Villas Boas ou de Darcy Ribeiro que encontrasse pela frente, me apaixonei pelo movimento de criação do Partido dos Trabalhadores. Era o ano de 1980, e eu vendia broches que eram estrelinhas vermelhas com “PT” escrito em branco. Era o que podia fazer como contribuição para a concretização do grande sonho, aquele trabalho de formiguinha que o militante secundarista pode fazer, dando tudo de si. Usava meu broche de estrelinha do lado esquerdo do peito, no duplo sentido. Tirava o broche antes de chegar em casa para não ter que confrontar a família, de direita, entre outras manobras anticonflito. Até que um dia nasceu finalmente o PT, o inacreditável aconteceu. Grande privilégio do ponto de vista histórico fazer parte daquilo. Meu herói era Olívio Dutra, e meu lema era “com o Olívio onde o Olívio estiver”.

Gostava do comunismo e gosto ainda hoje. Do lado bom, do lado utópico, do lado Ferreira Gullar, do lado Oscar Niemeyer do comunismo. Li “O capital”, mas repudio ditadores que não respeitam os direitos humanos. Revelou-se utópico, mas para mim antes utopia que acomodação ou o trabalho escravo do qual o capitalismo com tanta naturalidade lança mão.

Dada hora o PT trincou e acabou rachado. Começou a ter alas e facções demais e tornou-se, para meu gosto, excessivamente “partido”. Mesmo ligada à causa trabalhadora e filiada ao PT em Porto Alegre, sempre me senti mais ligada a quadros do que a agremiações. Já morando no Rio de Janeiro, fiz campanha voluntária à Presidência da República de Roberto Freire, pelo PCB, no primeiro turno nas eleições de 1989. Tinha 23 anos, liguei para o comitê e perguntei: “Posso ajudar?”. Seguia acreditando nas ideias do PT, votei em Lula no segundo turno e chorei dois dias de desgosto com a vitória de Fernando Collor. Passou o tempo, e o PT foi ficando cada vez mais dividido, pesado, paquidérmico, carregando alas divergentes que foram evidentemente minando a força interior do partido e sua chama. Tempos depois a ala radical do PT, de tão radical, chegou, por exemplo, a ser contra a candidatura pelo partido à Presidência da República de figuras migradas de outros partidos, caso da presidenta Dilma, oriunda do PDT. Não gosto de fanatismo. Fui deixando a cada dia de me sentir representada pelo PT. Não achei a escolha do cinismo boa opção. Não gostei de ver o Lula em palanques com Sarney e Paulo Maluf, que ele execrava nos mesmos palanques quando eles não estavam presentes, aquele PT não me representava mais.

O desmatamento aumentou. A nascente do Rio São Francisco secou. O governo não relaciona uma coisa à outra. O governo permanecerá no governo porque a cada eleição vai pagar carros com alto-falantes para circular pelas ruas das cidades mais pobres do Nordeste informando que a oposição, vencendo a eleição, vai acabar com o Bolsa Família. O povo tutelado, acuado. São inegáveis as boas coisas realizadas pelo PT, são transparentes, menos gente passa fome. Mas e essa confusão na Petrobras?

A Educação em cujo país o lema do governo agora é “Pátria educadora” tem o responsável pela pasta definido no balcão de loteamento de cargos, um deboche, uma ofensa à memória de Paulo Freire e ao esforço das pessoas comprometidas com a educação no país, considero inaceitável, mas e daí? Quem sou eu? Apenas uma cidadã, que paga impostos, que é muitas vezes bitributada, que gera empregos, que para no sinal vermelho, ou seja, uma otária, que acredita em princípios éticos. Se o governo despreza a ética por que o povo seria ético? Mas eu não caio nessa. O chanceler escolhido pela presidenta para assumir o posto em Washington, com habilidades conhecidas para amenizar bilateralmente os ânimos, botar as coisas nos eixos e ajudar a promover a visita da presidenta aos Estados Unidos em setembro, já começa com um problema a resolver. O ministro foi empossado sem o aval dos EUA, uma formalidade a ser cumprida, já descumprida pelo governo brasileiro na largada, obrigando o primeiro ato do novo chanceler a ser uma quebra de protocolo. As primeiras ações do novo governo contradizem em tudo o que foi dito na campanha, a massa de manobra, massinha de modelar. Ai, cansa.

Quando um dos maiores tesouros do PT, a então senadora Marina Silva, deixou a legenda, eu já estava no Partido Verde. Agora não estou em lugar nenhum. Ou melhor, mudei-me para a desesperança. Serei alienada ou apolítica, que é melhor para mim do que ser amoral. Semana passada, juntando em caixas roupas, livros e coisas que não uso mais para doar, atirei num caixote de bugigangas aquela minha estrelinha vermelha do PT, o sonho acabou. Pode a militância entupir à vontade minha caixa postal com deselegâncias, eu sou vocês ontem. Hoje eu sou Charlie.