segunda-feira, 15 de abril de 2013

E lá... onde as leis "pegam"

ADOLESCENTES INGLESES CONDENADOS À PRISÃO PERPÉTUA POR ASSASSINATO, e aqui no Brasil ainda se discute o que é adolescente... o que é maioridade... o que significa perpétua... se a lei pega ou não pega...

Connor Doran, 17, Brandon Doran, 14, and Simon Evans, 14
Fonte: BBC News

Direita versus Esquerda


Por Gilrikardo

Cena inusitada esta semana em minha querida Joinville, pessoas se avolumando em torno de um local ladeado por duas atrações simultâneas. À esquerda um parque com roda gigante, carrinhos elétricos, trem fantasma, lanchonetes e muita música para embalar as brincadeiras. À direita, no Centreventos, a décima edição da feira do livro, para quem acompanha os livros durante o ano todo, a feira serve para manter acesa a chama de que ali encontraremos edições baratas e interessantes – neste ano tal expectativa não emplacou. Ao ver a multidão ainda no estacionamento, imaginei para que lado iriam. Qual atração levaria aquele público. Aos poucos o pátio foi esvaziando, caminhei para o outro lado da rua para conferir o destino. Mais uma vez fiquei decepcionado, torci, torci, como um doido varrido, desejei que aquelas almas rumassem para à direita, mas de nada adiantou minha torcida. Pouco a pouco se dirigiram para o parque e eu para a direita, direto à feira.

domingo, 14 de abril de 2013

Motoristas?!?!?

Por Gilrikardo

O que dizer de pessoas que ligam o alerta de seus carros em situações diversas - paradas em fila dupla, estacionadas em cima da calçada, em locais de parada proibida, rodando em baixíssima velocidade, ou em alta velocidade, em faixas para pedestres, em vagas destinadas a idosos ou deficientes... enfim da maneira que não encontramos no código nacional de trânsito. Em outras palavras, em desacordo com a lei. E não é simples observação minha, essa prática está pegando corpo, e a cada dia mais pessoas se utilizam de tal artimanha  que parece o  clássico jeitinho brasileiro. 
É dessa maneira que as pessoas desmoralizam ou esvaziam o senso de utilidade do sinal de alerta. Aqui veremos acontecer o que acontece com aquela pessoa mentirosa que após tanto mentir perde a credibilidade, e infelizmente quando conta a verdade ninguém lhes dá ouvido. Assim, ao se ver um carro com o alerta ligado, de imediato deduzimos, é tudo, menos uma EMERGÊNCIA. Ai então, se por acaso vier a ser real perigo, o condutor correrá riscos devido aos motoristas não associarem as piscadas a ocorrências anormais. 
Ultimamente, para mim o sinal de alerta é um aviso de que ali vai um motorista mal educado (em leis de trânsito), além de nota muita baixa em urbanidade.

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Lei 9503 – Código de Trânsito Brasileiro

PISCA-ALERTA - luz intermitente do veículo, utilizada em caráter de advertência, destinada a indicar aos demais usuários da via que o veículo está imobilizado ou em situação de emergência.

Art. 40. O uso de luzes em veículo obedecerá às seguintes determinações:
V - O condutor utilizará o pisca-alerta nas seguintes situações:
a) em imobilizações ou situações de emergência;
b) quando a regulamentação da via assim o determinar;

Capítulo XV Das Infrações

Art. 251. Utilizar as luzes do veículo:

I - o pisca-alerta, exceto em imobilizações ou situações de emergência;
II - baixa e alta de forma intermitente, exceto nas seguintes situações:
a) a curtos intervalos, quando for conveniente advertir a outro condutor que se tem o propósito de ultrapassá-lo;
b) em imobilizações ou situação de emergência, como advertência, utilizando pisca-alerta;
c) quando a sinalização de regulamentação da via determinar o uso do pisca-alerta:

Infração - média R$ 85,13
Penalidade - multa.

sábado, 13 de abril de 2013

Competência x Solidariedade

O mercado de trabalho valoriza mais as habilidades cognitivas e emocionais não porque os nossos empregadores sejam mesquinhos, mas porque, em um mercado competitivo, precisam remunerar seus trabalhadores de acordo com sua produtividade.

Essa é a lógica inquebrantável do sistema de livre-iniciativa.

Não adianta pedir ao gerente de recursos humanos que seja “solidário” na hora da contratação e leve em conta que os candidatos à vaga vêm de origens sociais diferentes, porque, se o recrutador selecionar o funcionário menos competente, o mais certo é que em breve ambos estejam solidariamente no olho da rua.
 

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Educação

Gilrikardo disse: O artigo abaixo representa um dos grandes motivos porque sou contra a idéia de nivelar as pessoas. Não é possível desejar que pessoas sejam do mesmo nível, o aceitável e necessário é fornecer oportunidades para todos. Agora almejar que tenham a mesma competência ou que adquiram igualmente o mesmo número de conhecimento É COISA DE COMUNISTA OU SOCIALISTA OU SEI LÁ O NOME SE DÁ para aberrações como essa. Vou me incluir no exemplo. Quem me acompanha no blog já percebeu minha atenção à educação e a política, pois são temas que diariamente abordo aqui, e por extensão tenho levado-os ao conhecimento de meu filho de quinze anos. Inclusive incitando-o a encontrar soluções para muitas incógnitas que surgem, não que isso vai resolver algum problema nacional, mas com certeza dará a ele ferramentas para melhor raciocinar e melhor encontrar soluções para os próprios questionamentos. Pergunto quantos pais da sala de aula de meu filho se dispõem a esse aprendizado... nem 1% imagino eu. Agora imaginem quantas pessoas de quinze anos que não conseguem nem ler e nem escrever direito rolam por aí. Então, o que esse nosso governo de quinta categoria persegue é desejar que eu lute pela ignorância de meu filho, pois só assim será possível um certo nivelamento, POR BAIXO.

Por Gustavo Ioschpe / Revista Veja

A utopia sufoca a 
educação de qualidade

"Se a diferença que mais impacta a qualidade de vida das pessoas é a de renda, e se a fonte principal de renda é o trabalho, então precisamos de um sistema educacional que coloque ricos e pobres em igualdade de condições para concorrer no mercado de trabalho"

Um dos males que assolam nossa educação é a esperança vã de pensadores e legisladores de que uma escola que mal consegue ensinar o básico resolva todos os problemas sociais e éticos do país. Eles criaram um sistema com um currículo imenso, sistemas de livros didáticos em que o objetivo até das disciplinas científicas é formar um cidadão consciente e tolerante. Responsabilizaram a escola pela formação de condutas que vão desde a preservação do meio ambiente até os cuidados com a saúde; instituíram cotas raciais e forçaram as escolas a receber alunos com necessidades especiais. A agenda maximalista seria uma maneira de sanar desigualdades e corrigir injustiças. O Brasil deveria questionar essa agenda.

Primeira pergunta: nossas escolas conseguem dar conta desse recado? 

A resposta é, definitivamente, não. Estão aí todas as avaliações nacionais e internacionais mostrando que a única igualdade que nosso sistema educacional conseguiu atingir é ser igualmente péssimo. Copiamos o ponto final de programas adotados nos países europeus sem termos passado pelo desenvolvimento histórico que lhes dá sustentação. 

Segunda pergunta: esse desejo expansionista faz bem ou mal ao nosso sistema educacional? 

Será um caso em que mirar no inatingível ajuda a ampliar o alcançável ou, pelo contrário, a sobrecarga faz com que a carroça se mova ainda mais devagar? Acredito que seja o último. Por várias razões.

A primeira é simplesmente que essas demandas todas tornam impossível que o sistema tenha um foco. Perseguir todas as ideias que aparecem -- mesmo que sejam todas nobres e excelentes -- é um erro. Infelizmente, a maioria dos nossos intelectuais e legisladores não tem experiência administrativa, e acredita ser possível resolver qualquer problema criando uma lei. No confronto entre intenções e realidade, a última sempre vence.

A segunda razão para preocupação é que, com uma agenda tão extensa e bicéfala -- formar o cidadão virtuoso e o aluno de raciocínio afiado e com conhecimentos sólidos --, sempre é possível dizer que uma parte não está sendo cumprida porque a prioridade é a outra: o aluno é analfabeto, mas solidário, entende? (Com a vantagem de que não há nenhum índice para medir solidariedade.)

E, finalmente, porque quando as intenções ultrapassam a capacidade de execução do sistema o que ocorre é que o agente -- cada professor ou diretor -- vira um legislador, cabendo a ele o papel de decidir quais partes das inatingíveis demandas vai cumprir. Uma medida que deveria estimular a cidadania tem o efeito oposto: incentiva o desrespeito à lei, que é a base fundamental da vida em sociedade. 

Terceira pergunta: mesmo que todas essas nobres intenções fossem exequíveis, sua execução cumpriria as aspirações de seus mentores, construindo um país menos desigual? 

Eu diria que não apenas não cumpriria esses objetivos como iria na direção oposta. Deixe-me dar um exemplo com essas novas matérias inseridas no currículo do ensino médio -- música, sociologia e filosofia. A lógica que norteou a decisão é que não seria justo que os alunos pobres fossem privados dos privilégios intelectuais de seus colegas ricos. O que não é justo, a meu ver, é que a adição dessas disciplinas torna ainda mais difícil para os pobres se equiparar aos alunos mais ricos nas matérias que realmente vão ser decisivas em sua vida. A desigualdade entre os dois grupos tende a aumentar. A triste realidade é que, por viverem em ambientes mais letrados e com pais mais instruídos, alunos de famílias ricas precisam de menos horas de instrução para se alfabetizar. É pouco provável que um aluno rico saia da 1ª série sem estar alfabetizado, enquanto é muito provável que o aluno pobre chegue ao 3º ano nessa condição. O aluno rico pode, portanto, se dar ao luxo de ter aula de música. Para nivelar o jogo, o aluno pobre deveria estar usando essas horas para se recuperar do atraso, especialmente nas habilidades basilares: português, matemática e ciências. É o domínio dessas habilidades que lhe será cobrado quando ingressar na vida profissional. Se esses pensadores querem a escola como niveladora de diferenças, se a diferença que mais impacta a qualidade de vida das pessoas é a de renda, e se a fonte principal de renda é o trabalho, então precisamos de um sistema educacional que coloque ricos e pobres em igualdade de condições para concorrer no mercado de trabalho. O que, por sua vez, presume uma educação desigual entre pobres e ricos, fazendo com que a escola dê aos primeiros as competências intelectuais que os últimos já trazem de casa. Estou argumentando baseado em uma lógica supostamente de esquerda (digo supostamente porque, nesse caso, é transparente que as boas intenções dos revolucionários de poltrona só aprofundam as desigualdades que eles pretendem diminuir).

O mercado de trabalho valoriza mais as habilidades cognitivas e emocionais não porque os nossos empregadores sejam mesquinhos, mas porque, em um mercado competitivo, precisam remunerar seus trabalhadores de acordo com sua produtividade. Essa é a lógica inquebrantável do sistema de livre-iniciativa. Não adianta pedir ao gerente de recursos humanos que seja “solidário” na hora da contratação e leve em conta que os candidatos à vaga vêm de origens sociais diferentes, porque, se o recrutador selecionar o funcionário menos competente, o mais certo é que em breve ambos estejam solidariamente no olho da rua. Não conheço nenhum estudo que demonstre o impacto de uma educação filosoficamente inclusiva sobre o bem-estar das pessoas. Mas há vários estudos empíricos sobre a desigualdade no Brasil. O que eles informam é assustador: o fator número 1 na explicação das desigualdades de renda é, de longe, a desigualdade educacional (disponíveis em twitter.com/gioschpe). Ao criarmos uma escola sobrecarregada com a missão de não apenas formar o brasileiro do futuro mas corrigir as desigualdades de 500 anos de história, nós nos asseguramos de que ela se tornará um fracasso. A escola não pode fracassar, pois é a alavanca de salvação do Brasil.

O tipo de escola pública que queremos é uma discussão em última instância política, e não técnica. É legítimo, embora estúpido, que a maioria dos brasileiros prefira uma educação que fracasse em ensinar a tabuada mas ensine bem a fazer um pagode. Acrescento apenas uma indispensável condição: que a população seja informada, de modo claro e honesto, sobre as consequências de suas escolhas. Quais as perdas e os ganhos de cada caminho. O que é, aí sim, antidemocrático e desonesto é criar a ilusão de que não precisamos fazer escolhas, de que podemos tudo e de que conseguiremos obter tudo ao mesmo tempo, agora. Infelizmente, é exatamente isso que vem sendo tentado. Nossas lideranças se valem do abissal desconhecimento da maioria da população sobre o que é uma educação de excelência para vender-lhe a possibilidade do paraíso terreno em que professores despreparados podem formar o novo homem e o profissional de sucesso. Essa utopia, como todas as outras, acaba em decepção e atraso. Essa pretensa revolução, como todas as outras, termina beneficiando apenas os burocratas que a implementam.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Blog Polibio Braga

Gilrikardo disse: Para piorar nossa situação educacional, os governantes continuam insistindo na ladina prática desonesta de sensibilizar somente os índices, em detrimento de ações concretas de reformas, valorização, formação exigidas para se buscar a verdadeira qualidade. A vergonha é repetidamente conduzida através das séries continuadas e da obrigatoriedade de se bem avaliar os alunos independente de seus resultados nas provas, na sala de aula, nas atitudes, enfim existe um clima: "se é aluno, é bom, passa de ano, e pronto". Nossos índices exigem bom desempenho, o engodo é que se tem oferecido. Pelo interesse e através das próprios atitudes, nossos políticos ainda apostam na enganação. Até onde iremos ninguém sabe. Vergonha pouca é bobagem, acorda Brasil!

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Matemática e ciências no país são piores do que na Etiópia

Relatório do Fórum Econômico Mundial coloca sistema educacional brasileiro na 116ª posição entre 144 nações avaliadas. Brasil está na 132ª posição em ranking que mede qualidade dos ensinos de ciências e matemática.

Um relatório do Fórum Econômico Mundial, publicado na quarta-feira, aponta o Brasil como um dos piores países do mundo nos ensinos de matemática e ciências. Entre 144 nações avaliadas, o país aparece na 132ª posição, atrás de Venezuela, Colômbia, Camboja e Etiópia. Outro dado alarmante é a situação do sistema educacional, que alcança o 116º lugar no ranking - atrás de Etiópia, Gana, Índia e Cazaquistão. Os dois indicadores regrediram em relação à edição 2012 do relatório, em que estavam nas 127ª e 115ª posições, respectivamente.


O estudo indica como uma das consequências do ensino deficiente a dificuldade do país para se adaptar ao mundo digital, apesar dos investimentos públicos em infraestrutura e de um certo dinamismo do setor privado. "A qualidade do sistema educacional, aparentemente, não garante às pessoas as habilidades necessárias para uma economia em rápida mudança", diz o levantamento. 

Em comparação com o ano passado, o Brasil subiu apenas da 65ª para a 60ª posição no ranking que mede o preparo das nações para aproveitar as novas tecnologias em favor de seu crescimento. Apesar de ter galgado posições, os autores do relatório destacam que o lugar ocupado pelo país não condiz com sua economia, entre as sete maiores do mundo. Na América Latina, Chile, Panamá, Uruguai e Costa Rica, por exemplo, são considerados mais bem preparados para os novos desafios da era digital. 

O número de usuários de internet no Brasil também não chegava ainda a 45%, o que deixa o Brasil na 62.ª posição nesse critério, abaixo da Albânia. Apenas um terço dos brasileiros tem internet em casa. A taxa despenca para apenas 8% se o critério for o número de casas com banda larga. O Brasil não é o único a passar por essa situação. "Os Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) enfrentam desafios", diz o informe.

"O rápido crescimento econômico observado em alguns desses países nos últimos anos poderá ser ameaçado, caso não forem feitos os investimentos certos em infraestruturas, competências humanas e inovação na área das tecnologias da informação", alerta o relatório. 



Diminutivos

O USO DOS DIMINUTIVOS NO 
COTIDIANO DA LÍNGUA PORTUGUESA

Fernanda de Oliveira Marconi da Costa (UCB)

Os diminutivos nem sempre indicam diminuição de tamanho. Dependendo de como os diminutivos são colocados no contexto, eles podem assumir as mais diversas significações e não apenas diminuição de tamanho.

O principal morfema da Língua Portuguesa para denotar o diminutivo é "inho"(a). Os outros sufixos são:, acho,culo, ebre, eco, ejo, ela, ete, eto, iço, im, isco, Ito, ote, ucho, ulo, únculo, usco.

Na linguagem coloquial, as formas sintéticas dos diminutivos, tanto nos substantivos, quanto nos advérbios e adjetivos, são, na maioria das vezes utilizadas não só como diminutivos, mas também para indicar as várias manifestações da emoção e das intenções do falante..

A significação dos diminutivos depende do contexto e só existe em relação a ele.
 
Bibliografia
 
GENOUVIER, E.; PENTAR, J. Lingüística e o Ensino do Português. Coimbra: Almedina, 1973.
GUIRAUD, P. A Semântica. Rio de Janeiro: Bertrand, 1975.
LAPA, M.R. Estilística da Língua Portuguesa. São Paulo: Martins Fontes, 1982.
MOURA, H.M. de. Significação e contexto. Uma introdução a Questões de Semântica e Pragmática. Santa Catarina: Insular, 2000.
NASCENTES, A. Dicionário Etimológico Resumido. Rio de Janeiro: Instituto Nacional do Livro, 1966.
VERGNA, W. Comunicação Nobre. Rio de Janeiro: Sophos, 1974.

Leio, releio, treleio e alardeio

Monteiro Lobato

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Thatcher, em três atos




A "doença britânica" rondava a Europa dos anos 1970. Um importante quebra-cabeças para cientistas políticos como Mancur Olson era "por que a Grã Bretanha, a grande nação com a mais longa imunidade a ditaduras, invasões e revoluções, teve no século XX a menor taxa de crescimento entre todas as grandes democracias desenvolvidas".
Em The Rise and Decline of Nations, Olson explica que o desenvolvimento adiantado do Reino Unido havia plantado as sementes de sua própria destruição. A estabilidade britânica possibilitou a consolidação de uma variedade de grupos de interesse predatórios à produtividade e à inovação. Organizações e colusões industriais, sindicatos e ordens profissionais, haviam se multiplicado em número e poder de maneira que seus interesses rentistas faziam a Grã-Bretanha "sofrer de uma esclerose institucional que freava sua adaptação a mudanças no ambiente e nas tecnologias".
Olson havia escolhido o Reino Unido para seu estudo de caso. O país servia de emblema de declínio institucional. Enquanto escrevia no final da década de 1970, Olson analisava um país que, antigamente progressista, agora havia se tornado economicamente estagnado e politicamente "ingovernável".
Foi nesse momento que uma coisa aconteceu. Aconteceu Margaret Thatcher.

1. A Ascensão

Ainda criança, nos anos 1930, Thatcher começou a desenvolver sua compreensão do funcionamento do mercado. Dividia o tempo dos estudos com a ajuda que prestava a seu pai no comércio.
Mais tarde Thatcher iria dizer que aprendeu com seu pai as virtudes "do trabalho árduo, da auto-suficiência, da poupança, do dever, e de manter suas convicções mesmo quando se está em minoria".
Essa convicção lhe rendeu o título de "Dama de Ferro", apelido dado pelo governo soviético de Leonid Brezhnev. Depois de entrar para a Universidade de Oxford, suas convicções se fortaleceram com a leitura de John Stuart Mill e Friedrich Hayek. Já nos anos 1960, ela questionava o posicionamento do seu partido, cada vez mais simpático ao keynesianismo dos trabalhistas. Conservadores e Trabalhistas concordavam quanto à sacralidade do welfare state e da estatização econômica. Thatcher começou a mudar a Inglaterra mudando o próprio partido. E foi mudando a Inglaterra que contribuiu para que o mundo também mudasse.
Em uma visita ao Departamento de Pesquisa Conservador nos anos 1970, um centro de pensamento do partido, Thatcher ouvia seus colegas de partido falando da concessão estratégica aos valores trabalhistas, o chamado "middle way". Thatcher interrompeu a discussão jogando uma cópia de The Constitution of Liberty de Hayek na mesa e afirmando, "é nisso que nós acreditamos".
Thatcher não se via como uma política atrás do consenso. Ela se via como uma política à frente da liderança. Políticos em geral procuram todos os meios de seguir a opinião pública - contratam equipes de Relações Públicas, montam grupos de foco, fazem pesquisas diárias etc. Thatcher não estava disposta a seguir a opinião pública, ela queria mudar a opinião pública.

2. O Governo

A ascenção dos Conservadores ao poder em 1979 encontrou o Reino Unido com juros de 16% e uma inflação programada para chegar aos 20%, quando fossem honradas as promessas Trabalhistas. O parlamentarismo britânico havia cedido espaço a uma novo sistema de governo, o sindicalismo. Governos passados haviam sido demolidos pelos sindicatos: Harold Wilson em 1970, Edward Heath em 1974 e James Callaghan em 1979.
O clima de guerra econômica associado ao crescimento do desemprego e à disparada do preço internacional do petróleo foi minando de cara a popularidade de Thatcher. Já nos primeiros anos da década de 1980 seu declínio político parecia iminente e inevitável. O governo Thatcher seria a peça da vez do sindicalismo britânico.
Azar na política doméstica, sorte na política externa. Em abril de 1982, o regime militar argentino decide invadir as Ilhas Falklands. Os habitantes das Falklands eram de descendência britânica há seis gerações, desde a colonização de 1820. O que começou como uma diversão argentina, acabou como uma bênção inglesa. Em 1981, antes da guerra, a popularidade de Thatcher estava em 25%. Depois da guerra, saltou para 50%.  Não foi difícil derrotar a Argentina. Como brinca o comediante Ricky Gervais, era uma guerra de alcance, e os navios britânicos tinham alcance maior do que os argentinos: "foi o equivalente bélico de segurar um anão com o braço esticado".
Thatcher aproveitou o embalo da vitória para declarar guerra ao poder dos sindicatos e dos monopólios industriais, considerados por ela os dois grandes problemas da economia britânica". Suas medidas de austeridade provocaram greves pro todo o país. Um sindicato em particular parecia indestrutível: a União Nacional dos Mineradores. As greves dos mineradores de 1984 fugiam dos procedimentos legais - o vice-presidente do sindicato afirmou que eles não seriam "constitucionalizados a uma derrota" - e dos meios mais democráticos - a proposta de um plebiscito entre os trabalhadores para decidir a greve foi rejeitada por votação entre os dirigentes sindicais.
O governo de Thatcher aproveitou essa deficiência de legitimidade para firmar sua posição. Apesar de receber ajuda financeira procedente de grupos socialdemocratas do resto da Europa Ocidental, e, provavelmente, da União Soviética, os problemas internos da União Nacional dos Mineradores contribuíram para sua fragilidade. Em 1985, depois de um ano de greves, o sindicato cedeu. Thatcher registrava uma vitória contra o sindicalismo.
Em sua próxima campanha pelo desmantelamento das estatais que haviam enrijecido a economia britânica, Thatcher inventou uma nova modalidade de políticas públicas: as privatizações. Portos, aeroportos, ferrovias, exploração de petróleo e gás, telefonia, eletricidade... Thatcher conseguiu tirar parte da economia da lógica da burocracia e devolvê-la para a escolha dos consumidores.
O primeiro caso de sucesso foi o da British Steel, uma equivalente à nossa Vale no Reino Unido. Em 1987, no ano anterior à sua privatização, a British Steel estava batendo seu recorde negativo com um prejuízo de 500 milhões de libras . Tão logo se encerram os anos 1980, ela havia se tornado a siderúrgica mais lucrativa do planeta, com um índice de produtividade superior a qualquer outra siderúrgica europeia.

3. O Legado

Durante os anos 1980, o Reino Unido passou de estudo de caso a modelo econômico. Em 1988, bateu seu recorde econômico pós-guerra, crescendo a 4% depois de sete anos de crescimento ininterrupto. Sindicatos e estatais garantiam privilégios para uma elite e emprego para alguns. Desmontá-los deixou muitos em situação de vulnerabilidade. Mas foram essas reformas que garantiram que novos empregos aparecessem - empregos melhores. As reformas de Thatcher aumentaram a produtividade do trabalhador britânico. Por vários anos durante a década de 1980, a Grã Bretanha alcançou a maior taxa de produtividade de toda a Europa.
Ao limitar o desperdício do setor público, o governo Thatcher reduziu a carga tributária média de 37,5% para 25% e a alíquota máxima sobre a renda de 87% para 40%. Sua priorização do superavit orçamentário permitiu que o estado britânico pagasse 1/5 de toda a dívida nacional. O thatcherismo condenado pelo Partido Trabalhista nos anos 1980 acabou sendo mantido no governo Trabalhista dos anos 1990. Havia se criado um novo consenso a partir da convicção de Thatcher de que só uma economia de mercado poderia derrotar a "esclerose institucional" do seu país.
Apenas Nixon podia ir a China. E apenas Thatcher podia reformar a Inglaterra com virilidade. Como diz o escritor Christopher Booker, em linguagem um pouco jungiana, "ela representou os 'valores do pai' mais do que qualquer outro político da sua geração." Talvez por esse motivo poucas feministas admirem Thatcher como a primeira grande líder política do ocidente democrático.
O legado menos percebido de Thatcher foi a ponte edificada por ela e Keith Joseph da academia para a política partidária. Thatcher sempre reconheceu sua dívida intelectual para o Institute of Economic Affairs(IEA). Nomeou, logo depois de eleita, o diretor do IEA, Ralph Harris, para a Câmara dos Lordes. "Foi primariamente seu trabalho de base" escreveu Thatcher, "que nos permitiu reconstruir a filosofia sobre a qual nosso partido alcançou sucesso".
Se o resto do mundo seguiu políticas de Thatcher, ainda resta reconhecer a importância dos Centros de Pensamento (os Think Tanks), como o IEA, para dar substância a reformas políticas. Thatcher foi grata aos "solitários" acadêmicos que mantinham viva a tradição liberal: "eles eram poucos, mas eles estavam certos, e foram eles que salvaram a Grã-Bretanha."

Epílogo

O liberalismo é uma ideia. O neoliberalismo é uma narrativa. Narrativas funcionam como poderosos modelos mentais. Recortam e dão sentido a uma série de eventos, enquanto escondem outros tantos. O que fiz aqui foi utilizar os elementos básicos de uma narrativa para modelar as ideias de Thatcher. Abri com o elemento 1, do "era uma vez". Parti para o elemento 2, do "até que algo aconteceu". Esse acontecimento se abre o elemento 3, "o chamado" vocacional. A ação se desenvolve então no elemento 4, "o conflito", em que vilões e mocinhos, o bem e o mal, se dividem. Finalmente, temos o elemento 5, "a resolução", em que a heroína triunfa sobre o mal.

A lição de Thatcher deve estar nas ideias, não na narrativa. Talvez meu recorte acabe sugerindo que a trajetória de Thatcher culminou numa era de dominação neoliberal, quando na verdade o trabalhismo, o keynesianismo e o desenvolvimentismo continuam vivos no nosso capitalismo para os ricos, socialismo para os pobres. Amarrar a validade de certas ideias a uma narrativa é o tipo de comportamento que leva, na melhor das hipóteses, à esclerose institucional; na pior, a ditaduras, invasões e revoluções.

Thatcher na cara

Mais tarde Thatcher iria dizer que aprendeu com seu pai as virtudes “do trabalho árduo, da auto-suficiência, da poupança, do dever, e de manter suas convicções mesmo quando se está em minoria”.

http://www.ordemlivre.org/2013/04/thatcher-em-tres-atos/

PS. Comparando, não é difícil imaginar o que Lula aprendeu com o pai dele.

www.exercito.gov.br

Missão e Visão de Futuro


- Contribuir para a garantia da soberania nacional, dos poderes constitucionais, da lei e da ordem, salvaguardando os interesses nacionais, e cooperando com o desenvolvimento nacional e o bem-estar social.

- Para isto, preparar a Força Terrestre, mantendo-a em permanente estado de prontidão.

Visão de Futuro do Exército

Até 2022, o processo de transformação do exército chegará a uma nova doutrina - com o emprego de produtos de defesa tecnologicamente avançados, profissionais altamente capacitados e motivados - para que o exército enfrente, com os meios adequados, os desafios do século XXI, respaldando as decisões soberanas do Brasil no cenário internacional.

Síntese dos Deveres, Valores e da Ética do Exército

Patriotismo - amar à Pátria - História, Símbolos, Tradições e Nação - sublimando a determinação de defender seus interesses vitais com o sacrifício da própria vida.

Dever - cumprir a legislação e a regulamentação, a que estiver submetido, com autoridade, determinação, dignidade e dedicação além do dever, assumindo a responsabilidade pelas decisões que tomar.

Lealdade - cultuar a verdade, sinceridade e sadia camaradagem, mantendo-se fiel aos compromissos assumidos.

Probidade - pautar a vida, como soldado e cidadão, pela honradez, honestidade e pelo senso de justiça.

Coragem - ter a capacidade de decidir e a iniciativa de implementar a decisão, mesmo com o risco de vida ou de interesses pessoais, no intuito de cumprir o dever, assumindo a responsabilidade por sua atitude.

terça-feira, 9 de abril de 2013

Folha em branco

Por Gilrikardo

Tal branco há muito desafia-me. Ainda em meus tempos de primário, chegava à minha carteira e após algumas orientações da professora a simples folha transforma-se numa imensa floresta repleta de animais e acidentes geográficos.
 
À medida em que os anos se foram o desafio parecia o mesmo. Uma folha, uma orientação, e de lá saiam gemidos, gritos, e correrias advindas das aventuras infanto-juvenis. Aquele clima era transposto para as brincadeiras em tempo real. Isto é, as histórias inventadas eram utilizadas em novas brincadeiras que partilhávamos. E assim, em várias épocas e ocasiões. Pelos mais diversos motivos, pus-me ao desafio da folha em branco.
 
Creio não ter desistido em ocasião alguma. Mas lembro-me das pessoas que facilmente tremeram frente ao desafio, e talvez por isso, se transformaram em ferrenhos críticos daqueles a quem o branco se rendera. Era comum, e disto lembro muito bem, as pessoas nem ao menos tentarem, para logo em seguida, num reflexo tardio, tecerem as mais virulentas críticas a respeito de meu esforço incondicional de não desistir frente ao nada.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Ensino público

Por Gilrikardo

A esperança é a maior e a mais difícil vitória que um homem pode ter sobre a alma" Bernanos, Georges

Um dos grandes entraves do ensino público no Brasil é a total falta de responsabilidade de alguns pais, principalmente daqueles alunos que vão para a escola pelos mais variados motivos, menos estudar. Atitude que compromete a qualidade ainda mais, pois as professoras se vêem investindo tempo e energia na tarefa ingrata de impor a disciplina. Frente a fatos corriqueiros que se transformam num embate porque aquela pessoa não trouxe do berço as mínimas noções dos princípios elementares de uma convivência coletiva. 
E assim, minutos preciosos que deveriam destinar-se a estudos da matéria, costumeiramente se perdem em meio às tentativas de impor algumas regras de urbanidade. Não obstante o estresse desnecessário que, em muitos casos, contribui para a formação dum professor desmotivado, além de abalado física e psicologicamente. 
Aqui cabe a pergunta. Onde andam os responsáveis pelas crianças? cadê o pai? cadê a mãe? cadê... cadê... pois nada mais justo que também dividissem a parcela com os professores. 
Aos pais (mães) caberia a responsabilidade pelos atos desordeiros, de falta de respeito e de intolerância praticados dentro da escola. Mas não é isso que ocorre, e enquanto assim perdurar, a indisciplina vai dominar. Isso é fácil constatar. É só checar as estatísticas sobre violência nas escolas que facilmente emergirão dados que de alguns anos para cá, assustadoramente os índices se elevam. E ninguém... nem da sociedade... nem da comunidade... nem da escola... nem do sindicato... muito menos do governo surge com essa cobrança. 
Creio ser justa, além de ser o "Q" da questão. Se o aluno é mal educado, vamos educar o aluno e o responsável. De que forma? A cada indisciplina e falta de comprometimento do aluno, convoque o comparecimento do pai na escola. Mostre com esse ato como é perder um precioso tempo de sua vida por causa da falta do filho. Se forem todos os dias, que sejam chamados diariamente ou até aprenderem. 
Desde que o mundo é mundo, inclusive entre os bichos, os genitores assumem e defendem com unhas e dentes suas crias. Diante disso, ousaria afirmar que em determinados casos, os animais irracionais estão cumprindo em melhor escala o papel que a natureza lhes legou, pois exercem de maneira exemplar tanto a paternidade quanto a maternidade. Comportamentos a desejar em muitos humanos ditos racionais. 
Mesmo diante de um cenário horroroso, não se vê nem nas entrelinhas alguma iniciativa de governo que venha a responsabilizar os pais faltosos em cumprir seus indelegáveis papéis. Enquanto tal compromisso não ficar claro, bem definido, com regras e consequências... continuaremos a lamentar o tempo perdido.
Questiono-me, que tenho a ver com isso, infelizmente respondo que tenho tudo a ver com isso, digo infelizmente porque nada poderei fazer, nada em mim tem algum poder, aliás, a única coisa que me mantém é a crença na esperança atiçada em mal traçadas linhas! Até a próxima!

PS: Enquanto isso aos professores e professoras, mui injustamente, imputa-se a responsabilidade de pais / mães e não de educadores.