terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Água mole em pedra dura

Em nossos governos é tradição a generosa fatia de recursos destinados às campanhas institucionais (que o diga o senhor Valério). Inclusive, atualmente patrocinam inúmeros spots com a chancela: Brasil, um país de tolos, aliás de todos. Aí então, tento decifrar quem seriam eles ou quais partes do Brasil pertencem a esses ou aqueles, mas em vão. Entretanto, o que não resta dúvida nem publicidade capaz de maquiar são os abismos entre os discursos e as práticas. Tal o que emerge duma peça publicitária que exibe professoras a ilustrar outro plano estatal para nos salvar da ignorância.

Plim-Plim... momentos em que recordo daquelas em carne e osso que passaram pela minha vida. Nostalgicamente rendo-lhes eterna gratidão, além de não esconder comovidas lágrimas pelo histórico status da categoria. É chocante. É frustrante. São tantas condições desfavoráveis e barreiras intransponíveis que se torna doloroso até descrever. Situação muito aquém das aludidas imagens de marketing onde jovens exuberantes se apresentam como educadoras em anúncio às políticas a serem implementadas. Cenas ao que parecem, nada além das habituais promessas que aliadas a mirabolantes efeitos visuais aludem um futuro que curiosamente aproxima-se de mais um pleito eleitoral.

Oh, my god! Quanta insensatez ao tratar nosso magistério. Donde, após décadas de penosa labuta, minha adorável e inesquecível alfabetizadora obteve o mérito duma aposentadoria que mal e parcamente cobre seus medicamentos. Legando com isso a condição fora da mídia cujo teor lamentavelmente retrata as iniciativas públicas em prol do ensino.

Enfim, enquanto perdurarem políticas demagógicas e temperadas com hipocrisia estaremos em eterno breu. Ou então haverá luz se os gestores do poder se renderem às evidências de que só através de uma formação professada por pessoas motivadas, qualificadas, reconhecidas e INCONDICIONALMENTE BEM REMUNERADAS é possível melhores dias. Pois fora da educação não há salvação, portanto elevemos essa classe ao patamar da dignidade. O futuro agradece.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

OSPB

Organização Social e Política Brasileira foi uma das matérias que surgiram e desapareceram ainda em meus tempos de estudante. Foi naquelas leituras que minha curiosidade política ascendeu. Comecei a entender como era formado o “Estado” e quais os poderes a nos conduzir de acordo com os preceitos da Carta Magna. Questão essa que caiu em uma prova e a grande maioria respondeu que os três eram: Exército, Marinha e Aeronáutica. (putz!) 
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Por aí é possível perceber o clima e o entendimento das pessoas em pleno regime militar. Que para mim pouco ou nada significou em termos de cidadania. Não me lembro de ter sido tolhido em alguma coisa devido aos generais exercerem o poder. A gente escuta muita história a respeito, principalmente daqueles que se dizem à época lutadores pela “democracia” igual à de países como Cuba, China, Coréia do Norte, Vietnã e Laos.
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Nos dias de hoje, o regime é outro e o interesse pela política creio que se encontra restrito em meio daqueles que almejam a instrução do povo para um legítimo avanço. Também, é lógico, pelos próprios fazedores da politicagem que anda por aí. 
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Como somos um país continental, com uma população cuja maioria é de baixa escolaridade, nada mais que consequência convivermos com o “quilate” lamentável dos ditos homens públicos. Grande maioria legalizados pelas regras do jogo do poder (criadas pelos próprios  e muitas em benefício próprio), no entanto questionáveis pelas regras do bom senso e da moralidade pública. Mas é democracia, do povo, pelo povo e para o povo. Vale o voto da maioria. E enquanto a maioria não entender uma vírgula sequer de organização social e política, estaremos com o destino sujeito aos demagogos, hipócritas, mentirosos, ladrões entre outros que tais.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Arquidiocese de Manaus cria Nossa Senhora indígena




Kátia Brasil de Manaus AM
A Arquidiocese de Manaus apresentou aos fiéis uma imagem de Nossa Senhora e do menino Jesus com traços indígenas.

Chamada de Nossa Senhora da Amazônia, a imagem foi feita pela designer Lara Denys, 23, vencedora de concurso para retratar a santa com "características da cultura da região amazônica".

Na imagem, Nossa Senhora e Jesus têm cabelos e olhos pretos e pele parda. O manto dele está preso ao corpo dela, da mesma forma que as índias carregam seus filhos.

Segundo o coordenador do concurso, padre Reneu Stefanello, será construída a sua estátua no santuário que está sendo erguido em Manaus.

"Ela tem os traços da feminilidade da mulher amazonense, da mulher indígena. Traz no colo um Jesus curumim", afirma ele.

Para o antropólogo Ademir Ramos, da Universidade Federal do Amazonas, a imagem é uma estratégia para evitar a perda de fiéis para os protestantes pentecostais.

"A Igreja Católica quer passar a identificação entre o devoto e o santo. Como o fiel vai devotar uma santa branquinha de olho verde?", indaga.

Gilrikardo disse: Logo surgirão os milagres da virgem da amazônia. Entre os quais, a correntinha, a camiseta,  a imagem em gesso, quadros, velas, etc. Isso lembra-me o texto que aludi à verdade.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Eles não desistem

Com o apoio do PT do RS, vem aí o FSM, a reunião global dos ressentidos

A partir do dia 14 de janeiro, nova edição do Fórum Social Mundial ocorrerá no RS. Desta vez o evento sairá em Porto Alegre, Canoas, São Leopoldo e Novo Hamburgo.

. Trata-se de uma reunião global organizada pelas esquerdas mais ressentidas pela derrota mundial do comunismo, incapazes de absorver o insucesso e buscar a convivência democrática com os movimentos políticos, sociais e econômicos que venceram a batalha. Essa gente arrebanhou para o evento os desajustados de toda ordem, que não conseguem enquadrar-se como elementos de progresso da raça humana.

. Não é por acaso que o FSM saia majoritariamente em Estados e prefeituras ocupadas pelo PT, que sempre estão dispostos a financiar o ressentimento esquerdista mundial, usando para isto os generosos cofres públicos.

. Ao contrário de eventos como o Fórum da Liberdade, o Fórum Social Mundial só consegue ir adiante porque lança mão do dinheiro que o povo paga na forma de impostos para que os governos ofereçam contrapartidas decentes nas áreas de segurança, educação e saúde.

. O Brasil e o RS não tem por que comemorar uma reunião global ressentida, sectária, atrasada e de discurso único, onde as divergências e o contraditório estão permanentemente proibidos.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

E daí tchê!

-- Puxa vida! Achei que você falaria sobre o gaúcho.
-- E falei. Através da citação daquelas obras que localizei na internet, pois além de serem a pesquisa de pessoas que nem sequer imaginam que eu exista revelam opinião isenta.
-- Pelo jeito você vai ficar em cima do muro?
-- Nem brincando. Dita atitude não é de meu feitio.
-- Então desembucha vivente!
-- Prá começar, desde meus tempos de guri, já era classificado de gaúcho de terceira, isso remetia à piada muito conhecida na época.
-- Qual?
-- Hummmm.... deixa ver... tá legal, lembrei. É o seguinte, alguém chega e pergunta que tipo de gaúcho você é - presumindo que seja rio-grandense. Logo em seguida já te classifica e diz que você parece de terceira.
-- E aí, o que significa...
-- Bem, o tal "gaucho" de primeira, é aquele em dia com a "moda gauchesca", tem pilcha, vive tomando chimarrão, adora um churrasco, monta muito bem um cavalo e tem pinta de quem não foge de tempo feio...
-- E o de terceira...
-- Antes tem o de segunda categoria... é aquele que tem medo de cavalo... tem chapéu e lenço e não tem bombacha... é vegetariano e toma muito chimarrão...e o de terceira... é o mais conhecido... não toma chimarrão, não tem nenhuma indumentária do gaúcho, cavalo só conhece das telas de cinema, enfim só nasceu no Rio Grande do Sul, e isto, de acordo com a opinião que comungo, é muito pouco para ser considerado um gaúcho da cepa.
-- Que piada sem graça!
-- Você nasceu no Rio Grande do Sul?
-- Sim.
-- Então é por isso que não achou graça, geralmente quem conta é de outro estado e fica curtindo com a cara do candidato a gaúcho.

domingo, 25 de dezembro de 2011

Vaidades

Dois fatos similares causaram certa “controvérsia” em nosso meio. Um propagou-se com grande alarido quando determinada escola recebeu (para meu desencanto e acredito que de muitos munícipes) o nome de um servidor oriundo dos quadros da prefeitura municipal; o outro, resumiu-se na tentativa de se apor o nome do atual prefeito no estádio municipal.

Triste notícia, pois presume-se que de tais homenagens deveriam germinar os melhores e mais éticos exemplos para nossa formação moral. No entanto, o que percebemos nessas iniciativas é a vaidade falando mais alto, pois deixou transparecer um certo grau de oportunismo para não dizer simplesmente egoísmo. Já que biografia de pessoa em vida ainda está incompleta e assim passível de algum deslize até o fim da jornada.

Por outro lado, a história nos dá casos e mais casos de personas que somente após a morte surgem como símbolos de veneração. É fácil entender e aceitar, pois se em vida contribuiu para o bem comum, naturalmente terá sua memória cultivada por muitos. E dessa maneira o exemplo dos atos que construíram respectiva biografia faz sentido, traduzindo-se em modelo a ser copiado.

Isso é compreensível e até natural dentro de nossa cultura, de outra forma devemos repudiar quando, por decreto, determinam ou elevam alguém a imortalidade simplesmente registrando seu nome em uma placa ou fachada de algum patrimônio público com o intuito, ao que parece, de angariar possíveis dividendos pessoais ainda em vida.

Assim, a personalidade que deveria ser um modelo de história a nos inspirar, seja pelas nobres realizações ou elevado comportamento perante à sociedade, ao desejar a veneração em vida, transforma-se em um retrato minúsculo da acomodação de objetivos alheios que se prestam apenas para fortalecer as ambições espúrias de alguns homens ditos públicos. É um mau exemplo contribuindo para a formação de nossos cidadãos cujo orgulho patriótico deriva-se de símbolos produzidos em nossa cultura.  

Tal proposição de se batizar prédio público com o nome de um cidadão em vida, reflete que estamos muito longe, e põe longe, de um comportamento voltado aos bons princípios. Como acreditar que essa prática não perdure ou evolua a médio prazo, se os principais responsáveis por professar e construir o exemplo são os primeiros à contaminarem-se por motivos mesquinhos cuja mácula atinge em cheio nosso maior patrimônio: a educação.

Post Scriptum: "Somente depois de teres deixado a cidade, verás a que altura suas torres se elevam acima das casas." (Nietzsche).
Por analogia ou em outras palavras, eu diria: somente após a morte, seremos julgados merecedores ou não de veneração.

sábado, 24 de dezembro de 2011

Hoje é natal e o que eu diria


Hoje é natal e o que eu diria

Que independente de crenças, sejam quais forem, chegamos ao fim de mais um calanedário e nesse clima, aproveitamos para revisar nossas promessas, nossas faltas e nossos desejos...

Hoje é natal e o que eu diria

Que devido à minha classe social, sou do contra, isto é, não sigo a opinião nem o desejo da maioria. Se a minha classe social fosse melhor, eu seria uma excêntrico.

Hoje é natal e o que eu diria

Que a ceia lá em casa não tem chester, peru, presunto e outros parecidos que tais, é um cardápio personalizado de acordo com nosso paladar e ânimo para degustar...

Hoje é natal e o que eu diria

Que cada um fizesse o seu próprio natal, de acordo com seus próprios sonhos e desejos, nada de embarcar na onda dos marketeiros de plantão patrocinados pela mídia comprometida exclusivamente com as metas comerciais que aí então vende sonhos que às vezes chegam a dezenas de prestações mensais... transformando uma pseudo alegria em um tormento recheado de juros...

Hoje é natal e o que eu diria
Seja feliz a tua maneira, cada qual como cada qual.

Hoje é natal e o que eu digo,
a meu modo sou feliz!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

C'est la vie*

Por Gilrikardo

Quando se diz falta de idéias, é falta de idéias cuja origem e destino seja a nação brasileira. E não a serviço de grupelhos irmanados geralmente naquele velho e conhecido espírito saqueador. Onde o egoísmo individual justifica toda e qualquer falcatrua. Diante de um deserto desses, um idealista, quem sabe eu, mira o horizonte finito e diz: - Será que é só isso... é muito pouco pelo pouco feito.

*C'est la vie? = É a vida...!,
(expressão francesa indicando conformismo)


quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Veja o que o PCdoB almeja para o Brasil

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Mensagem de condolências de comunistas brasileiros pela morte do "companheiro Kim Jong Il".
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Estimado camarada Kim Jong Um
Estimados camaradas do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coréia

Recebemos com profundo pesar a notícia do falecimento do camarada Kim Jong Il, secretário-geral do Partido do Trabalho da Coreia, presidente do Comitê de Defesa Nacional da República Popular Democrática da Coreia e comandante supremo do Exército Popular da Coreia.

Durante toda a sua vida de destacado revolucionário, o camarada Kim Jong Il manteve bem altas as bandeiras da independência da República Popular Democrática da Coreia, da luta anti-imperialista, da construção de um Estado e de uma economia prósperos e socialistas, e baseados nos interesses e necessidades das massas populares.

O camarada Kim Jong Il deu continuidade ao desenvolvimento da revolução coreana, inicialmente liderada pelo camarada Kim Il Sung, defendendo com dignidade as conquistas do socialismo em sua pátria. Patriota e internacionalista promoveu as causas da reunificação coreana, da paz e da amizade e da solidariedade entre os povos.

Em nome dos militantes e do Comitê Central do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) expressamos nossas sentidas condolências e nossa homenagem à memória do camarada Kim Jong Il. Temos a confiança de que o povo coreano e o Partido do Trabalho da Coreia irão superar este momento de dor e seguirão unidos para continuar a defender a independência da nação coreana frente às ameaças e ataques covardes do imperialismo, e ao mesmo tempo seguir impulsionando as inovações necessárias para avançar na construção socialista e na melhoria da vida do povo coreano.

Renato Rabelo
presidente nacional do PCdoB 

Ricaro Abreu Alemão
secretário de Relações Internacionais do PCdoB

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Gilrikardo disse: Todos os "camaradas" que conheci eram excelentes socialistas, comunistas, companheiros, irmãos entre outros que tais, ANTES de chegarem ao poder, pois lá estando, DEUS NOS ACUDA, se converteram em fanáticos CAPITALISTAS orientados pelo lucro a qualquer custo, nem que seja locupletando-se com o patrimônio público. Nada diferente daquilo que parece institucionalizado em "ditaduras" construtoras do socialismo, entre as quais Cuba e Coréia do Norte.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Percival Puggina

VULNERABILIDADES DA DEMOCRACIA
Percival Puggina*
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"Mentem, sobretudo, impune/mente. Não mentem tristes. Alegremente mentem. Mentem tão nacional/mente que acham que mentindo história afora, vão enganar a morte eterna/mente." (Do poema A implosão da mentira, de Affonso Romano de Sant'Anna, escrito em 1980)
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Para a jornalista Ann Landers, a verdade é nua, ao passo que a mentira é sempre bem vestida. Com efeito, a mentira é vestida para seduzir e induzir ao erro. Há um problema grave na vida social, portanto, quando a mentira se vulgariza, ganha status de direito e passa a ser tolerada como conduta normal. Na minha infância, a mentira determinava repreensões severas e era sancionada no catálogo das penas. Mas o sermão acabava sendo ainda mais contundente do que a punição. Hoje, a mentira pode ser pública, pode ser publicada, pode aparecer nas manchetes. Pouco importa. Ela é acolhida entre as artes e ofícios da vida social.
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Poderia estar falando de futebol e das mãos do atleta, espalmadas e erguidas, significando "Nem toquei nele!" quando joga o adversário para fora do campo com um pontapé que todos viram. Essa é uma das mais correntes e curiosas expressões da mentira. Mentira gestual, silenciosa. Mas não é sobre futebol que escrevo, embora o retângulo gramado, que nos desperta tantas paixões, seja palco de algumas mentiras cabeludas contadas ao país.
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É sobre política. A conheci como espaço onde, não raro, uma mesma verdade comportava diferentes interpretações, visões incompletas, em versões iluminadas pelas lanternas das distintas ideologias. Parte da tarefa dos agentes políticos consistia em tornar mais convincente sua peculiar perspectiva perante o juízo soberano do eleitorado. Tolerava-se, dentro de certos limites, uma certa diferença entre a conduta de quem chegava ao governo e o discurso que fizera na oposição. Nesse caso, as fronteiras do juízo moral precisavam ser um pouco flexíveis em função do que houvesse dentro dos armários da realidade, como parte oculta da verdade não destapada durante a dialética da campanha eleitoral.
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As coisas foram mudando. Mente-se industrial e impunemente, como descreve o poema acima. Mente-se com insistência, corroborando o dito popular de que é mais fácil crer numa mentira repetida muitas vezes do que numa verdade desconhecida ou pouco proferida. Julgo ser isso que o poeta chamou de mentir história afora.
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Uma coisa é o que assumimos, individualmente, como verdadeiro; outra é a mentira. Uma coisa é o ajuste fino entre o discurso e a ação, imposto pela realidade; outra é a incoerência absoluta. E tem mais: uma coisa é estar no jogo democrático sendo democrata; outra é usar a democracia contra a democracia. A mentira, a incoerência e os falsos democratas, que querem calar o contraditório, fraudam o processo dentro do qual se desenrola a soberania popular e alteram o resultado do jogo político assim como o atleta que simula pênalti não sofrido frauda o resultado da partida.
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A política brasileira teria muito a ganhar se nos tornássemos moralmente mais exigentes em relação aos desdobramentos do debate político. O dinheiro na gaveta ou alhures não é a única forma de corrupção que precisa ser combatida. É bom que a avaliemos com a gravidade que tem. Mas sem perder de vista que há outras. A democracia também é corrompida pela mentira, pela incoerência e pelos não democratas que dela se valem para cobrar direitos que não franqueariam se deles pudessem dispor.

Zero Hora, 18/12/2011

* Percival Puggina (66) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site www.puggina.org, articulista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões.