domingo, 31 de maio de 2015

sábado, 9 de maio de 2015

Blog o Cão que Fuma

sábado, 9 de maio de 2015 

Dificuldades filosóficas... 

Valdemar Habitzreuter 

A maioria de nós se questionou a respeito da existência ou não de Deus, sem querer se orientar pelas Sagradas Escrituras que conteriam a revelação de que Deus existe e que isto bastaria; segundo os escritos sagrados, requer-se apenas que se acredite nesta revelação através de um ato de fé. Mas muitos não se contentam apenas com isso, querem uma comprovação racional... Muitos filósofos se ocuparam deste tema e não chegaram a um resultado satisfatório e conclusivo. Descartes, por exemplo, não só colocou em dúvida a existência de Deus como também tudo o mais que existe. Perguntava-se ele: quem me garante que tudo isto que vejo e sinto como coisas concretas não seja apenas uma grande ilusão? Como posso acreditar nos meus sentidos e intelecto? Não estaria eu sendo iludido por um gênio maligno que fizesse com que eu acreditasse que algo existe? Mas... espera aí, pensou ele; se estou pensando é porque eu existo, disso não preciso ter dúvida: “eu penso, logo existo”. Mas, prosseguiu ele: se eu existo, as coisas ao meu redor também existem? Matutava constantemente (todos os dias deitado na cama até quase meio-dia) a respeito e chegou à seguinte conclusão: se eu penso, isto não é por acaso; alguém é o autor do meu pensamento, porque eu por mim mesmo não teria esta faculdade de pensar. Descartes, então, concluiu que este alguém só pode ser Deus. E já que este Deus é o autor de eu poder pensar que eu existo, posso concluir também que as coisas ao meu redor também existem e são da autoria do mesmo Deus; e este Deus não poderia nunca ser um gênio maligno, pois o ato da criação é um ato de amor; o maligno não é capaz de um gesto de amor e, consequentemente, não poderia ser criador de algo, destruidor e mentiroso sim. Está aí como Descartes chegou a conceber a existência de Deus. Simplesmente postulou sua existência para provar a existência do mundo físico. Mas, um argumento probatório da existência de Deus ele não nos legou. Descartes, talvez, postulou este Deus para não se rebelar contra a Igreja da época que estava às voltas com a Inquisição. Outro filósofo que também se ocupou com a problemática da existência de Deus foi Kant. Ele era profundamente religioso. Mas se questionava a respeito da realidade de Deus. Escreveu um livro, A Crítica da Razão Pura, onde expõe com argumentos fortes que tudo o que podemos conhecer, através da razão, são as coisas das quais temos experiência. As coisas fora do âmbito da experiência fogem do nosso conhecimento. Podemos até admiti-las que existem, mas não a podemos provar (Deus, alma... por exemplo). Aquilo que conhecemos ele dá o nome de fenômeno, pois conhecemos da coisa somente seu fenômeno, isto é, não conhecemos a coisa em si, mas como ela se nos apresenta, como ela nos aparece quando a vemos ou a experimentamos; somente como fenômeno, portanto; temos uma intuição sensível com a qual construímos um conceito e definimos esta coisa que nos aparece, isto é, seu fenômeno. Por exemplo, quando vejo uma árvore eu defino o que me aparece aos olhos: o fenômeno árvore e não a coisa em si, o que é a árvore. A coisa em si é indefinível, pois dela não temos uma intuição sensível com a qual possamos construir um conceito. Assim, para Kant, não temos uma prova intelectual da existência de Deus, pois não temos uma experiência sensível dele. Mas, por outro lado, diz ele, em outras obras posteriores (A Crítica da Razão Prática, Fundamentação da Metafísica dos Costumes, A Religião nos Limites da Razão Pura...) convém que admitamos a existência de Deus. Por quê? Diz ele que isto serve como baluarte de conduta e nos incentiva a deixar-nos orientar pela lei moral que está em nós - uma moral do dever -, isto é, obrigo-me a agir conforme os ditames da consciência segundo máximas que nos torna bons aos olhos de Deus. Mesmo que Deus não exista temos a consciência do dever moral, e isto é suficiente para sermos dignos como seres humanos. O que importa é o dever pelo dever, mesmo que isto não nos torna felizes. Portanto, Kant também não nos garante a existência de Deus, mas o postula com o pretexto de agirmos segundo uma lei moral ínsita em nós.