domingo, 30 de junho de 2013

sábado, 29 de junho de 2013

Rebelião contra mentiras


O que está por trás das rebeliões que estamos testemunhando ao longo de todo o Brasil? Embora várias hipóteses já tenham sido aventadas, creio que, no fundo, estamos vivenciando uma rebelião contra mentiras. Trata-se de uma rebelião dos jovens contra as mentiras que "aprenderam" em suas escolas, nas universidades e nos meios de comunicação de massa, principalmente na televisão. Embora a juventude provavelmente possua mais instinto do que sabedoria, é fato que ela instintivamente está consciente de que está sendo enganada por aqueles que estão no poder. Ela não se sente enganada apenas pelo Poder Executivo, mas também pelo Poder Judiciário e pelo Legislativo. Mais ainda: se sente enganada pelos partidos políticos e, é claro, pelos próprios políticos


Sistema parasítico

O sistema político brasileiro é uma gigantesca teia de mentiras e de roubo, e consiste em uma elaborada fraude sistêmica que foi criada para servir aos donos do poder: presidentes e ministros, juízes e vereadores, prefeitos e toda uma vasta gama de "servidores públicos". Aquelas pessoas que conseguem entrar neste mundo de privilégios adquirem benefícios enormes — e é assim que, até agora, o sistema vem se mantendo. 

Mas todo e qualquer sistema parasítico tem um limite. Os explorados têm de estar em número maior que o de exploradores. É sempre necessário que haja uma maioria de pessoas a serem exploradas por uma minoria. Mas parece que a festa está acabando. A praça de alimentação dos parasitas está se rebelando.

Para entender o que está acontecendo no Brasil agora é preciso ter em mente que este país não sofre os males particulares dos estados modernos. O Brasil sofre é de uma doença política muita antiga: trata-se de um estado que está sob o domínio de uma classe parasitária. O paralelo da atual presidente como uma espécie de Maria Antonieta e seu antecessor como uma espécie de Luis XIV é válido. Como na França daqueles dias, aqueles que estavam no poder (o que inclui o judiciário e grande parte da burocracia pública) foram alimentados por um sistema de impostos horrendos com pouco retorno para o povo. Este sistema de tributos servia majoritariamente para financiar o esplendor, os privilégios e todo o esbanjamento da corte real (hoje em dia chamada "setor público").

A ideologia brasileira

O brasileiro, desde criança, está exposto a um sistema de doutrinação sistemática, de propaganda de "direitos" e de "consciência social", e foi "educado" para ver o Brasil como um país da democracia, da solidariedade, da inclusão social e da liberdade. No entanto, a verdade é que os governantes deste país são profundamente autoritários, gananciosos, ávidos por poder e insensíveis ao sofrimento do povo. 

O Brasil tem um sistema de liderança que se destaca em duas áreas: uma grandiosa retórica vazia e uma profunda incompetência prática. Em parte, o próprio povo brasileiro tem culpa das condições em que se encontra o país, pois o que gerou esta situação foi a sua profunda incapacidade de diferenciar entre a retórica de seus representantes e a desastrosa realidade que eles produzem. Até este surto de manifestações, o povo brasileiro sempre havia gostosamente adotado uma ilusão de promessas de glória, ignorando completamente o fato de que nada em que os seus governos tocam funciona.

O cinismo dos donos do poder é um perfeito retrato de como é o Brasil de hoje: um país com estradas cheias de buracos no qual o governo afirma que para promover a segurança do trânsito é necessário gastar enormes quantias de dinheiro com a construção de lombadas. O Brasil de hoje é um país em que os governos gastam montanhas de dinheiro em propagandas contra a dengue enquanto vias públicas são construídas de forma que, depois de uma chuva, a água fica empoçada por dias e semanas. O Brasil de hoje é um país em que a propaganda oficial do governo prega inclusão social, mas no qual há uma burocracia altamente bem paga que obriga qualquer cidadão, mesmo o mais pobre, a contratar um despachante para resolver o mais ínfimo trâmite oficial. 

O Brasil de hoje é um país em que a propaganda oficial denuncia o "capitalismo", a "globalização" e a "colonização" como sendo as raízes de todos os males. O colonialismo seria a causa do atraso do Brasil, sendo que a verdade é que o Brasil ganhou sua independência já faz 191 anos. O governo usa o fantasma da "globalização" para doutrinar o povo e insinuar que quase todos os problemas do país são gerados lá fora, pelos "americanos" em particular, sendo que a verdade é que o Brasil faz parte dos países menos globalizados do mundo. Os livros-textos nas escolas acusam "o capitalismo" por todas as desigualdades do país, sendo que um verdadeiro capitalismo praticamente inexiste no Brasil, uma vez que o país adotou variações perversas do capitalismo, como o capitalismo de estado e o capitalismo de compadres, em que governo e grandes empresas se aliam e se protegem mutuamente e mandam a fatura para o cidadão comum, que inocentemente clama por mais estado como solução para os problemas gerados pelo próprio estado.

O Brasil acordou

Estamos às vésperas de uma revolução no Brasil e tudo indica que estamos vivenciando aquele caso clássico de rebelião contra o estado por causa dos impostos escorchantes que não geram nenhum retorno e por causa de uma burocracia sufocante que asfixia a economia. A inflação de preços foi apenas o gatilho dos protestos contra a elite política, que se destaca exclusivamente pela arrogância e pela incompetência. Estamos vivenciando uma rebelião do povo contra uma liderança que perdeu todo o resquício de bom senso (se é que já teve um). Estamos vivenciando uma rebelião contra autoridades que se banham em privilégios como os reis e as rainhas do absolutismo, como a nobreza do passado — uma falsa elite que se destaca apenas por sua incompetência, ignorância e corrupção. O povo brasileiro começou a acordar para o fato de que o grande obstáculo contra o desenvolvimento socioeconômico do Brasil advém majoritariamente do próprio governo, e não necessariamente do capitalismo e da globalização.

Os brasileiros parecem estar cada vez mais conscientes de que os homens e mulheres que estão no poder são fantasmas que possuem um poder meramente emprestado. Os donos do poder têm espírito, coração e alma pervertidos, como é perfeitamente observável nas ações e nos pronunciamentos de tais governantes. Quando o povo renunciar à obediência, o fantasma vai desaparecer.

Para ter sucesso no longo prazo, os rebeldes precisam se libertar da ideologia estatizante. Eles precisam deixar de gritar por mais estado, porque é justamente esta a instituição que gerou todos os problemas. Para ter sucesso no longo prazo, os manifestantes precisam encontrar a verdadeira raiz do mal, que é o próprio estado brasileiro — um estado grande demais com uma burocracia gigantesca e um aparelho de justiça ineficiente e insanamente caro. O famoso "custo Brasil" são os custos destes "poderes". Assim, uma agenda para o avanço do Brasil não precisa conter nada mais do que estas palavras: "Menos estado é melhor".

Conclusão

Ainda não se sabe aonde tudo isto vai dar e nem para onde o Brasil vai. A tentativa dos partidos políticos de usurpar a rebelião fracassou. O governo se retirou. A presidente ficou calada. O governo não tem resposta. Nenhum partido dentre a multidão dos partidos políticos brasileiros tem uma resposta. Sendo assim, será que poderíamos nos precipitar e dizer que estamos observando pela primeira vez no Brasil uma "revolução libertária", uma revolução em que o povo não grita por mais poder do estado, mas sim por menos nas mãos do governo? Ainda não. A velha ideologia estatizante ainda não desapareceu. Os donos do poder ainda estão no quartel-general. Mas o que está acontecendo no Brasil de hoje é uma tendência mundial. Os brasileiros sinalizaram querer uma outra forma de estado, um estado no qual não há mais donos do poder que exploram o povo de uma forma ainda pior do que a nobreza do passado. Resta agora saber canalizar esta motivação para a direção correta.

Antony Mueller é doutor pela Universidade de Erlangen-Nuremberg, Alemanha (FAU) e, desde 2008, professor de economia na Universidade Federal de Sergipe (UFS), onde ele atua também no Centro de Economia Aplicada. Antony Mueller é fundador do The Continental Economics Institute (CEI) e mantém em português os blogs Economia Nova e Sociologia econômica.
 
 

PARASITAS

Sistema parasítico

O sistema político brasileiro é uma gigantesca teia de mentiras e de roubo, e consiste em uma elaborada fraude sistêmica que foi criada para servir aos donos do poder: presidentes e ministros, juízes e vereadores, prefeitos e toda uma vasta gama de "servidores públicos". Aquelas pessoas que conseguem entrar neste mundo de privilégios adquirem benefícios enormes — e é assim que, até agora, o sistema vem se mantendo. 

Mas todo e qualquer sistema parasítico tem um limite. Os explorados têm de estar em número maior que o de exploradores. É sempre necessário que haja uma maioria de pessoas a serem exploradas por uma minoria. Mas parece que a festa está acabando. A praça de alimentação dos parasitas está se rebelando.

Para entender o que está acontecendo no Brasil agora é preciso ter em mente que este país não sofre os males particulares dos estados modernos. O Brasil sofre é de uma doença política muita antiga: trata-se de um estado que está sob o domínio de uma classe parasitária. O paralelo da atual presidente como uma espécie de Maria Antonieta e seu antecessor como uma espécie de Luis XIV é válido. Como na França daqueles dias, aqueles que estavam no poder (o que inclui o judiciário e grande parte da burocracia pública) foram alimentados por um sistema de impostos horrendos com pouco retorno para o povo. Este sistema de tributos servia majoritariamente para financiar o esplendor, os privilégios e todo o esbanjamento da corte real (hoje em dia chamada "setor público").

sexta-feira, 28 de junho de 2013

LIMITE DA VERDADE

Poir Leudo Costa e equipe
Informação e opinião - Conteúdo com qualidade
51 92081204 leudo@leudocosta.com.br

sexta-feira, junho 28, 2013

MILITAR AFIRMA, ESTAMOS A TRES PASSOS DA GUERRA CIVIL
LEIA COM ATENÇÃO!
Os rumos que seguimos apontam para a probabilidade de guerra intestina.
Falta ainda homologar no Congresso e unir as várias reservas indígenas em uma gigantesca, e declarar sua independência. Isto não poderemos tolerar. Ou se corrige a situação agora ou nos preparemos para a guerra.

Quase tão problemática quanto a questão indígena é a quilombola. Talvez desejem começar uma revolução comunista com uma guerra racial.

O MST se desloca como um exército de ocupação. As invasões do MST são toleradas, e a lei não aplicada. Os produtores rurais, desesperançados de obter justiça, terminarão por reagir. Talvez seja isto que o MST deseja: a convulsão social. Este conflito parece inevitável.

O ambientalismo, o indianismo, o movimento quilombola, o MST, o MAB e outros similares criaram tal antagonismo com a sociedade nacional, que será preciso muita habilidade e firmeza para evitar que degenere em conflitos sangrentos.
Pela primeira vez em muito tempo, está havendo alguma discussão sobre a segurança nacional. Isto é bom, mas sem identificarmos corretamente as ameaças, não há como nos preparar para enfrentá-las.

A crise econômica e a escassez de recursos naturais poderão conduzir as grandes potências a tomá-los a manu militari, mas ainda mais provável e até mais perigosa pode ser a ameaça de convulsão interna provocada por três componentes básicos:
— a divisão do povo brasileiro em etnias hostis;
— os conflitos potenciais entre produtores agrícolas e os movimentos dito sociais;
— e as irreconciliáveis divergências entre ambientalistas e desenvolvimentistas.

Em certos momentos chega a ser evidente a demolição das estruturas políticas, sociais, psicológicas e religiosas, da nossa Pátria, construídas ao largo de cinco séculos de civilização cristã. Depois, sem tanto alvoroço, prossegue uma fase de consolidação antes de nova investida.

Isto ainda pode mudar, mas infelizmente os rumos que seguimos apontam para a probabilidade de guerra intestina. Em havendo, nossa desunião nos prostrará inermes, sem forças para nos opormos eficazmente às pretensões estrangeiras.

A ameaça de conflitos étnicos, a mais perigosa pelo caráter separatista
A multiplicação das reservas indígenas, exatamente sobre as maiores jazidas minerais, usa o pretexto de conservar uma cultura neolítica (que nem existe mais), mas visa mesmo a criação de “uma grande nação” indígena. Agora mesmo assistimos, sobre as brasas ainda fumegantes da Raposa-serra do Sol, o anúncio da criação da reserva Anaro, que unirá a Raposa/São Marcos à Ianomâmi. Posteriormente a Marabitanas unirá a Ianomâmi à Balaio/Cabeça do Cachorro, englobando toda a fronteira Norte da Amazônia Ocidental e suas riquíssimas serras prenhes das mais preciosas jazidas.
O problema é mais profundo do que parece; não é apenas a ambição estrangeira. Está também em curso um projeto de porte continental sonhado pela utopia neomissionária tribalista. O trabalho de demolição dos atuais Estado-nações visa a construção, em seu lugar, da Nuestra América, ou Abya Yala, idealizado provavelmente pelos grandes grupos financistas com sede em Londres, que não se acanha de utilizar quer os sentimentos religiosos quer a sede de justiça social das massas para conservar e ampliar seus domínios. O CIMI, organismo subordinado à CNBB, não cuida da evangelização dos povos indígenas segundo o espírito de Nóbrega, Anchieta e outros construtores de nossa nação. Como adeptos da Teologia da Libertação, estão em consonância com seus colegas que atuam no continente, todos empenhados na fermentação revolucionária do projeto comuno-missionário Abya Yala.
O processo não se restringe ao nosso País, mas além das ações do CIMI, a atuação estrangeira está clara:
— Identificação das jazidas: já feito;
— atração dos silvícolas e criação das reservas sobre as jazidas: já feito;
— conseguir a demarcação e homologação: já feito na maior parte;
— colocar na nossa Constituição que tratados e convenções internacionais assinados e homologados pelo congresso teriam força constitucional, portanto acima das leis comuns: já feito;
— assinatura pelo Itamarati de convenção que virtualmente dá autonomia à comunidades indígenas: já feito.
Falta ainda homologar no congresso e unir as várias reservas em uma gigantesca e declarar a independência, e isto não poderemos tolerar. Ou se corrige a situação agora ou nos preparemos para a guerra.
O perigo não é o único, mas é bastante real. Pode, por si só, criar ocasião propícia ao desencadeamento de intervenções militares pelas potências carentes dos recursos naturais — petróleo e minérios, quando o Brasil reagir.
Quase tão problemática quanto a questão indígena é a quilombola
A UnB foi contratada pelo Governo para fazer o mapa dos quilombolas. Por milagre, em todos os lugares, apareceram “quilombolas”. No Espírito Santo cidades inteiras, ameaçadas de despejo. Da mesma forma em Pernambuco. A fronteira no Pará virou um quilombo inteiro.
Qual o processo? Apareceram uns barbudos depiercings no nariz, perguntando aos afro-descendentes: “O senhor mora aqui?” “Moro.” “Desde 1988?” (o quilombola que residisse no dia da promulgação da Constituição teria direito à escritura). “Sim”. “Quem morava aqui?” “Meu avô.” “Seu avô por acaso pescava e caçava por aqui?” “Sim” “Até onde?” “Ah, ele ia lá na cabeceira do rio, lá naquela montanha.” “Tudo é seu.” E escrituras centenárias perdem o valor baseado num direito que não existe. Não tenho certeza de que isto não seja proposital para criar conflitos.
Tem gente se armando, tem gente se preparando para uma guerra. Temos de abrir o olho também para esse processo, que conduz ao ódio racial. Normalmente esquerdistas, talvez desejem começar uma revolução comunista com uma guerra racial.
Certamente isto vai gerar conflitos, mas até agora o movimento quilombola não deu sinal de separatismo.
Os Conflitos Rurais — talvez os primeiros a eclodir
O MST se desloca como um exército de ocupação, mobilizando uma grande massa de miseráveis (com muitos oportunistas), dirigidos por uma liderança em parte clandestina. As invasões do MST são toleradas e a lei não aplicada. Mesmo ciente da pretensão do MST de criar uma “zona livre”, uma “república do MST” na região do Pontal do Paranapanema, o Governo só contemporiza; finge não perceber que o MST não quer receber terras, quer invadi-las e tende a realizar ações cada vez mais audaciosas.
É claro que os produtores rurais, desesperançados de obter justiça, terminarão por reagir. Talvez seja isto que o MST deseja; a convulsão social, contando, talvez, com o apoio de setores governamentais como o Ministério do Desenvolvimento Agrário. Segundo Pedro Stédile: “O interior do Brasil pode transformar-se em uma Colômbia. A situação sairá de controle, haverá convulsões sociais e a sociedade se desintegrará.”
Este conflito parece inevitável. Provavelmente ocorrerá num próximo governo, mas se ficar evidente a derrota do PT antes das eleições, é provável que o MST desencadeie suas operações antes mesmo da nova posse.
O ambientalismo distorcido, principal pretexto para uma futura intervenção estrangeira
Já é consenso que o ambientalismo está sendo usado para impedir o progresso, mesmo matando os empregos Caso se imponham os esquemas delirantes dos ambientalistas dentro do governo, com as restrições de uso da terra para produção de alimentos, um terço do território do País ficará interditado a atividades econômicas modernas.
Há reações, dos ruralistas no interior do País, nas elites produtivas e até mesmo em setores do governo, mas as pressões estrangeiras tendem a se intensificar. Se bem que raramente o meio ambiente serviu de motivo para guerra, hoje claramente está sendo pretexto para futuras intervenções, naturalmente encobrindo o verdadeiro motivo, a disputa pelos escassos recursos naturais.
No momento em que a fome ronda o mundo, o movimento ambientalista, a serviço do estrangeiro, mas com respaldo do governo e com apoio de uma massa urbana iludida, chama de “terra devastada” àqueles quadrados verdejantes de área cultivada, que apreciamos ver na Europa e nos Estados Unidos, e impede a construção de hidrelétricas para salvar os bagres. Com a entrada da Marina Silva na disputa eleitoral, nota-se, lamentavelmente, que todos os candidatos passarão a defender o ambientalismo, sem pensar se é útil para o País.
A três passos da guerra civil
O ambientalismo, o indianismo, o movimento quilombola, o MST, o MAB e outros similares criaram tal antagonismo com a sociedade nacional, que será preciso muita habilidade e firmeza para evitar que degenere em conflitos sangrentos.
Várias fontes de conflito estão para estourar, dependendo da radicalização das más medidas, particularmente do Ministério da Justiça:
— Roraima não está totalmente pacificada;
— o Mato Grosso do Sul anuncia revolta em função da decisão da Funai em criar lá novas reservas indígenas;
— no Rio Grande, os produtores rurais pretendem reagir às provocações do MST;
— Santa Catarina ameaça usar a PM para conter a fúria ambientalista do ministro Minc, que queria destruir toda a plantação de maçã.
Uma vez iniciado um conflito, tudo indica que se expandirá como um rastilho de pólvora. Este quadro, preocupante já por si, fica agravado pela quase certeza de que, na atual conjuntura da crise mundial o nosso País sofrerá pressões para ceder suas riquezas naturais — petróleo, minérios e até terras cultiváveis — e estando dividido sabemos o que acontecerá, mais ainda quando uma das facções se coloca ao lado dos adversários como já demonstrou o MST no caso de Itaipu.
Bem, ainda temos Forças Armadas, mas segundo as últimas notícias, o Exército (que é o mais importante na defesa interna) terá seu efetivo reduzido. Será proposital?
Que Deus guarde a todos vocês.
O cel. Gelio Fregapani é escritor, atuou na área do serviço de inteligência na região Amazônica, elaborou relatórios como o do GTAM, Grupo de Trabalho da Amazônia

Nossa liberdade

Por Paulo Chagas 
General da Reserva do Exército do Brasil

Liberdade para quê? Liberdade para quem?
Liberdade para roubar, matar, corromper, mentir, enganar, traficar e viciar?
Liberdade para ladrões, assassinos, corruptos e corruptores, para mentirosos, traficantes, viciados e hipócritas?
Falam de uma "noite" que durou 21 anos, enquanto fecham os olhos para a baderna, a roubalheira e o desmando que, à luz do dia, já dura 26!
Fala-se muito em liberdade!
Liberdade que se vê de dentro de casa, por detrás das grades de segurança, de dentro de carros blindados e dos vidros fumê!
Mas, afinal, o que se vê?
Vê-se tiroteios, incompetência, corrupção, quadrilhas e quadrilheiros, guerra de gangues e traficantes, Polícia Pacificadora, Exército nos morros, negociação com bandidos, violência e muita hipocrisia.
Olhando mais adiante, enxergamos assaltos, estupros, pedófilos, professores desmoralizados, ameaçados e mortos, vemos "bullying", conivência e mentiras, vemos crianças que matam, crianças drogadas, crianças famintas, crianças armadas, crianças arrastadas, crianças assassinadas.
Da janela dos apartamentos e nas telas das televisões vemos arrastões, bloqueios de ruas e estradas, terras invadidas, favelas atacadas, policiais bandidos e assaltos a mão armada.
Vivemos em uma terra sem lei, assistimos a massacres, chacinas e seqüestros. Uma terra em que a família não é valor, onde menores são explorados e violados por pais, parentes, amigos, patrícios e estrangeiros.
Mas, afinal, onde é que nós vivemos?
Vivemos no país da impunidade onde o crime compensa e o criminoso é conhecido, reconhecido, recompensado, indenizado e transformado em herói! Onde bandidos de todos os colarinhos fazem leis para si, organizam "mensalões" e vendem sentenças!
Nesta terra, a propriedade alheia, a qualquer hora e em qualquer lugar, é tomada de seus donos, os bancos são assaltados e os caixas explodidos. É aqui, na terra da "liberdade", que encontramos a "cracolândia" e a "robauto", "dominadas" e vigiadas pela polícia!
Vivemos no país da censura velada, do "micoondas", dos toques de recolher, da lei do silêncio e da convivência pacífica do contraventor e com o homem da lei. País onde bandidos comandam o crime e a vida de dentro das prisões, onde fazendas são invadidas, lavouras destruídas e o gado dizimado, sem contar quando destroem pesquisas cientificas de anos, irrecuperáveis!
Mas, afinal, de quem é a liberdade que se vê?
Nossa, que somos prisioneiros do medo e reféns da impunidade ou da bandidagem organizada e institucionalizada que a controla?
Afinal, aqueles da escuridão eram "anos de chumbo" ou anos de paz?
E estes em que vivemos, são anos de liberdade ou de compensação do crime, do desmando e da desordem?
Quanta falsidade, quanta mentira quanta canalhice ainda teremos que suportar, sentir e sofrer, até que a indignação nos traga de volta a vergonha, a auto estima e a própria dignidade?
Quando será que nós, homens e mulheres de bem, traremos de volta a nossa liberdade?

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Protestos


Rola na rede - REPASSANDO

Assunto: " PEC 37 "

É assim que começa.

Peço a cada destinatário para encaminhar este e-mail a um mínimo de vinte pessoas em sua lista de endereços, pedindo a cada um deles para fazer o mesmo.

Em três dias, a maioria das pessoas no Brasil terá esta mensagem. Esta é uma ideia que realmente deve ser considerada e repassada para o Povo.

Lei de Reforma do Congresso de 2013 (emenda à Constituição) PEC de iniciativa popular: Lei de Reforma do Congresso (proposta de emenda à Constituição Federal)

1. Fica abolida qualquer sessão secreta e não-pública para qualquer deliberação efetiva de qualquer uma das duas Casas do Congresso Nacional. Todas as suas sessões passam a ser abertas ao público e à imprensa escrita, radiofônica e televisiva.

2. O congressista será assalariado somente durante o mandato. Não haverá 'aposentadoria por tempo de parlamentar', mas contará o prazo de mandato exercido para agregar ao seu tempo de serviço junto ao INSS referente à sua profissão civil.

3. O Congresso (congressistas e funcionários) contribui para o INSS. Toda a contribuição (passada, presente e futura) para o fundo atual de aposentadoria do Congresso passará para o regime do INSS imediatamente. Os senhores Congressistas participarão dos benefícios dentro do regime do INSS exatamente como todos outros brasileiros. O fundo de aposentadoria não pode ser usado para qualquer outra finalidade.

4. Os senhores congressistas e assessores devem pagar por seus planos de aposentadoria, assim como todos os brasileiros.

5. Aos Congressistas fica vetado aumentar seus próprios salários e gratificações fora dos padrões do crescimento de salários da população em geral, no mesmo período.

6. O Congresso e seus agregados perdem seus atuais seguros de saúde pagos pelos contribuintes e passam a participar do mesmo sistema de saúde do povo brasileiro.

7. O Congresso deve igualmente cumprir todas as leis que impõe ao povo brasileiro, sem qualquer imunidade que não aquela referente à total liberdade de expressão quando na tribuna do Congresso.

8. Exercer um mandato no Congresso é uma honra, um privilégio e uma responsabilidade, não um uma carreira. Parlamentares não devem servir em mais de duas legislaturas consecutivas.

9. É vetada a atividade de lobista ou de 'consultor' quando o objeto tiver qualquer laço com a causa pública.

"Se cada pessoa repassar esta mensagem para um mínimo de vinte pessoas, em três dias a maioria das pessoas no Brasil receberá esta mensagem. A hora para esta PEC - Proposta de Emenda Constitucional - é AGORA.

É ASSIM QUE VOCÊ PODE CONSERTAR O CONGRESSO.
Se você concorda com o exposto, REPASSE. Caso contrário, basta apagar e dormir sossegado.

Por favor, mantenha esta mensagem CIRCULANDO para que possamos ajudar a reformar o Brasil.

NÃO SEJA ACOMODADO. NÃO ADIANTA SÓ RECLAMAR.NÃO CUSTA NADA REPASSAR.

Reeleição NÃO!

Ao votar vamos renovar sempre, pois o que aí está é fruto de nossa tímida apatia frente aos ousados construtores de destinos indiferentes à maioria. Tais arquitetos encontram oportunidade de se perpetuarem por meio da REELEIÇÃO...
É com tal prática que germinam várias outras abusivas, que se constroem "feudos", que se agrupam interesses oligárquicos, além de infinitas fórmulas destemperadas à maioria. Então, para a felicidade geral da nação: reeleição NÃO!

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Zaz

Mais uma francesa...
 

Protestos

A MENTIRA
TEM PERNA CURTA,
NOVE DEDOS E A
LÍNGUA "PLESA"!

REELEIÇÃO


Renovar obrigatoriamente, a cada nova eleição, no mínimo 50% das cadeiras de cada uma das instituições (Senado, Congresso, Assembléias, Câmaras);

O candidato somente poderá se reeleger sequencialmente, naquele mesmo cargo, por apenas mais um mandato. Ao final dos oito anos, se reeleito, ou dos quatro anos, se não reeleito, o candidato teria que passar igual período (oito ou quatro anos) sem ocupar qualquer cargo público, salvo a posse em decorrência de aprovação em concurso público.

Para tentar sua 2ª reeleição, ou seja, o 3º mandato consecutivo, ele terá obrigatoriamente que obter no mínimo o dobro dos votos conseguidos nas últimas eleições.

Após o seu segundo mandado consecutivo, o candidato somente poderá disputar uma nova eleição para um cargo acima do seu atual, respeitando a seguinte ordem: Vereador, (Prefeito), Deputado Estadual, (Governador), Deputado Federal e Senador, (Presidente). Ele também será proibido de disputar uma eleição para um cargo igual ou inferior ao seu atual, a menos que fique fora do poder por pelo menos um mandato. Não poderá estagnar (zona de conforto) como político. Terá sempre que conquistar um novo posto.

Na sua campanha para a reeleição, ele não poderá prometer absolutamente nada aos eleitores, mas tão somente divulgar o que efetivamente tiver feito durante o seu mandato. Para cada projeto de interesse popular, que atendesse a mais de 100 mil pessoas apresentado e aprovado, o político teria 30 segundos mais de exposição na mídia gratuita.

Os atuais políticos que fossem disputar o segundo mandato consecutivo, não teriam verbas. Para se reelegerem teriam de ter um excelente primeiro mandato, desenvolvendo projetos de interesses coletivos e não interesse pessoais (varejo) como se faz hoje.

Historicamente, a cada eleição são renovadas apenas 15 a 30% das cadeiras das instituições (Câmaras, Assembléias, Congresso e Senado).

Mesmo que os novos políticos chegassem com disposição para trabalhar em prol da sociedade, não conseguiriam. Seriam sempre votos vencidos, uma vez que a maioria viciada que permaneceu, reeleita, não os deixaria trabalhar.

Aí, começam as pressões, as facilidades e os atalhos que acabam por corromper também esses novos políticos. Nem sempre os candidatos são corruptos, mas depois de eleitos, o sistema está pronto para corrompê-los.

O que vemos hoje no Brasil não são os melhores candidatos sendo reeleitos, mas sim os mais articulados e/ou mais poderosos economicamente.

Os atuais políticos deverão fazer suas futuras campanhas durante os seus quatro anos de mandato (voto aberto, programa "Hora do Brasil" e através de seus assessores de imprensa, que divulgarão os seus trabalhos).

Durante os quatro anos de seus mandatos, se trabalharem efetivamente pelos interesses da sociedade, com uma equipe de profissionais competentes, e não de parentes e amigos (nepotismo), estarão se qualificando para um novo mandato, sem a necessidade de se gastar dinheiro como se faz nas campanhas convencionais.

Enquanto estão no poder, trabalham única e exclusivamente visando aos seus interesses e aos do seu partido. Depois, vêm os interesses das empresas que investiram em suas campanhas e, por fim, se lhes for conveniente, os do povo.

No ano de eleições, contratam a peso de ouro, e de forma estratégica, grandes empresas de comunicação, para iludir os eleitores e se reelegerem.

Na época de eleição, visitam favelas, creches, orfanatos, asilos e escolas, prometendo mundos e fundos, trabalhando mais de dez horas por dia. Depois de eleitos, nunca mais visitam esses locais. Se assim continuassem agindo, estariam fazendo de forma natural, suas respectivas campanhas para o pleito subsequente.

Opiniões / Sugestões Sobre Este Tópico > FIM DA REELEIÇÃO E MANDATO DE 5 ANOS EM TODOS OS NÍVEIS, ALÉM DA UNIFICAÇÃO DE TODAS AS ELEIÇÕES EM UM MESMO DIA PARA ECONOMIZAR.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Do Blog Diplomatizzando

segunda-feira, 24 de junho de 2013
Pesco, num blog alinhado com afinidades eletivas, o material que vai abaixo, que por acaso também pescou no meu blog algumas frases soltas em reposta (ultra rápida) a um perguntador.Como gostamos das mesmas coisas, de livros e de ler, vale o intercâmbio recíproco:

Olá!!
Dando uma pausa em assuntos políticos (risos), irei explicitar um hábito diário em minha vida que só me impulsiona a construir e construir e construir. Vamos lá? Me acompanha?!
Já me referi sobre este assunto aqui no blog (se quiser conferir, clique aqui), mas volto a tocar nesse mesmo assunto porque, nessa semana que passou, li no blog de um contato umas dicas que ele passou para quem quiser adotar esse hábito de ler. Muito me interessou - Claro!! - e resolvi, então, compartilhar com vocês.
Mas primeiro quero esclarecer que a leitura é parte essencial em minha vida. Mas não digo a leitura somente para estudos (que são importantes, também), mas as literaturas nacionais e estrangeiras e história que são meus preferidos. Eu gosto tanto de ler, que quando me perguntam qual o livro que estou lendo, tenho que passar uma lista. Pois não é somente um que leio, mas vários. E confesso a você que - às vezes - não dou conta de tanta leitura e acabo tendo que pausar algumas horas para me organizar novamente.
Esses dias mesmo, escrevi em uma rede social que "Quanto mais busco conhecer a História da Humanidade, mais sinto desejo de construir meu futuro no meu hoje." E esse conhecimento é através da leitura.
Quando vou a um passeio ou faço uma viagem, me pego pensando "já estive nesse lugar". Mas não é uma questão de ter tido outra vida ou já ter passado por aquele lugar. Lembro-me de algo que já li sobre e das informações que me veio como um insight.
Eu acredito que todo bom leitor sempre recebe a indagação que meu colega leitor e blogueiro recebeu em seu blog:
"Pode nos explicar como estudar sistematicamente? Porque como podemos observar para o senhor deu muito certo! Técnicas? "
A resposta do Sr. Paulo Roberto de Almeida foi excelente, na minha opinião:

Primeiro: ler o tempo todo, repito, o tempo todo. [bons livros, entenda-se]

Segundo: tornar-se um rato de biblioteca, literalmente, mas pode ser de livrarias e sebos, também.

Terceiro: anotar, sublinhar, resumir o que se aprende.

Quarto: escrever o resultado, depois de alguma reflexão.

Quinto: repetir tudo isso, o tempo todo, continuamente, sem parar.

Sexto: não cansar de fazer isso, mas ter prazer em fazê-lo.

E o sétimo passo, depende só de você. Certamente existem particularidades que cada leitor deve adotar. Pois além de existir técnicas, cada leitor é diferente um do outro.

Outra coisa que gostaria de citar é que quem lê mais, escreve e dialoga melhor. Por isso disse, lá no início da postagem, que a leitura me impulsiona a construir e construir e construir. A leitura, particularmente, me faz aprender, reaprender e assim vai. Um universo novo se constrói a cada leitura que faço.

Caro leitor, quer fazer a educação, mesmo a ensinada em sua casa, funcionar? Pratique a leitura. Assim formaremos cidadãos críticos e não formadores de opinião.

Quanto a esse pensamento sobre "formadores de opinião", aconselho a ler um texto escrito pelo ator e humorista Fábio Porchat, para o Estadão. Confira! Vale a pena.

Para finalizar e sem mais delongas, ler faz parte da vida. Sem ler, você não será somente analfabeto, será só mais um nas estatísticas.

Meu abraço e muito obrigada.

Opiniões

FÁBIO PORCHAT

O Estado de S.Paulo

Eu concordo com o Jabor. Ele errou mesmo. Só que não errou cá entre nós. Errou em rede nacional. Errou no Estadão, no Globo, no Jornal da Globo. Errou pra todo mundo ouvir. E errou com convicção. Errou esbravejando, ironizando, sarcástico, errou afirmando. Aí depois ele disse que errou. Beleza? Não, não tá beleza não. Ok, muito legal admitir que errou, assumir que tudo aquilo que ele achava ele já desachou, mas isso não o redime. A opinião dele conta pra muita gente. As pessoas querem saber o que ele pensa, o que ele vê, o que ele conversou com Nelson Rodrigues no último transe dele.

E é aí que eu quero chegar. Como é difícil essa tarefa de dar uma opinião. Dizer que é isso que você pensa e que, obviamente, o que você pensa é o certo. Como defender uma causa com unhas e dentes sabendo que a qualquer momento você pode ser "desmascarado" e perceber que tudo aquilo pelo qual você lutou está errado? Você pode viver uma vida toda embasada numa ideia errada. Imagina? E se o Deus que existe não é o Deus católico, é o Deus Polinésio? E se tomar refrigerante diet fizer bem pro pâncreas? E se?

O problema do "e se..." é que ele torna tudo possível. O "e se..." pode ser usado sempre a favor ou contra. E se curássemos os homossexuais? Olha aí o "e se..." sendo usado pro mal. Nessa discussão sobre a união estável dos homossexuais, com tanta gente sendo contra, consigo até imaginar como deve ter sido um tal mês de maio de 1888. As pessoas devem ter reagido de forma bem parecida com a Princesa Isabel. Uma louca, uma perdida, uma mulher que, com uma assinatura, conseguiria prejudicar uma sociedade inteira. E se meu filho for ao mercado e encontrar um negro comprando tomate? E se eu estiver na praia e ao meu lado, um negro, com sua família negra, estiver tomando sol? E se eles agora quiserem votar? E se as mulheres quiserem votar? E se meu filho vir dois homens se beijando? Socorro! É o fim da sociedade inteira! Maldito Jean Willys e seus comparsas veados que querem destruir a família e o mundo!

Certos acontecimentos são únicos e os "dadores" de opinião precisam percebê-los a tempo. Monteiro Lobato ser um defensor da eugenia dói. Assim como me doeu ver o Jabor falando contra o protesto. Que bom a manifestação ser tão maior que o Jabor e o Datena, e ter seguido em frente mesmo tomando porrada de jornais e de formadores de opinião que não a entenderam. Pelo menos todos perceberam a tempo que o bando de vândalos era na verdade um bando de pessoas que não aguentam mais. Durante a passeata na Sé da ultima terça, no meio da multidão, eu vi uma placa grosseira e hilária que resume tudo o que eu penso a respeito da causa gay. Uma resposta perfeita aos Felicianos da vida. "Meu cu é laico". Essa é a minha opinião e ponto final!

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Escolas precárias

Editorial O Estado de S.Paulo, 23/06/2013

A situação do sistema escolar brasileiro é uma demonstração de que as coisas sempre podem ser ainda piores do que imaginamos. Às notórias deficiências do ensino é preciso acrescentar, como mostra reportagem do Estado (17/6), as instalações precárias de um grande número de escolas - se é que elas merecem esse nome - em que estudam centenas de milhares de alunos em todo o País. Esses são portanto duplamente prejudicados. E, a julgar pelo pouco empenho das autoridades em encontrar solução para tais escolas, seus alunos provavelmente assim continuarão por muito tempo.

Existem 10.838 escolas que funcionam em locais inadequados, de acordo com o Censo Escolar de 2011 - em barracões, paióis, galpões, igrejas e casas de professores. A maior parte está no Maranhão (23,3%), Bahia (12,93%), Pará (12,67%), Minas Gerais (7,35%) e Pernambuco (4,64%). No total, estudam nessas escolas 756 mil alunos. Mesmo em São Paulo, há 26 mil alunos em escolas provisórias. Esses são apenas os casos mais graves.

Outros dados preocupantes, para não dizer alarmantes, foram levantados por pesquisadores das universidades federais de Brasília (UnB) e de Santa Catarina (UFSC). Apenas 0,6% - uma porcentagem irrisória - das unidades de ensino funcionam em prédios que podem ser considerados completos, com biblioteca, laboratório, quadra esportiva e condições de acessibilidade. E 44% das escolas não vão além do mínimo - água encanada, energia elétrica, cozinha, sanitário e esgoto.

Não há dúvida de que as condições precárias dessas escolas afetam o desempenho do aluno, segundo o professor Joaquim Soares Neto, da UnB. Seu grupo está apenas tentando determinar agora, com a maior precisão possível, qual é esse impacto. Outro especialista na questão, o coordenador-geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara, insiste que, além de professores com boa formação e bem remunerados, uma escola precisa de instalações físicas e equipamentos adequados para promover a aprendizagem de seus alunos. Embora essas sejam, como se vê, necessidades evidentes, a má situação em que se encontra a maioria das escolas brasileiras mostra que o poder público em todos os seus níveis - União, Estados e municípios - ainda reluta em fazer tudo o que deve para resolver o problema.

O Ministério da Educação dispõe este ano de recursos da ordem de R$ 1,6 bilhão para obras de infraestrutura escolar, ao qual Estados e municípios podem ter acesso. Já foram aprovados 766 projetos de construção, reforma ou ampliação de escolas em 23 Estados. Há mais R$ 1,9 bilhão para creches e pré-escolas.

Tendo em vista a péssima situação em que se encontra a rede escolar, sua ampliação e recuperação exigirá investimentos bem maiores do que esses, e durante vários anos. E a experiência mostra que, sem uma forte determinação do poder público, não se resolverá tão cedo o problema, por mais que todos reconheçam a importância da melhoria da educação para o futuro do País.

O exemplo de São Paulo é ilustrativo. Embora seja o Estado mais rico, até agora ele não conseguiu resolver definitivamente o problema das chamadas "escolas de lata", construídas em caráter provisório na década de 1980 com material inapropriado para essa finalidade, muito quentes no verão e muito frias no inverno e sempre barulhentas em todas as estações. Apesar das muitas promessas de acabar com elas, feitas por todos os governos que se sucederam desde então, restam ainda 77 das 150 construídas.

Também a Prefeitura da capital deixa evidente a dificuldade de solução do problema das escolas precárias. Uma escola construída no Jardim Santo André, na zona leste, há mais de 20 anos, com paredes de madeira e salas mal ventiladas, submete seus alunos do 1.º ao 5.º ano a condições totalmente inadequadas. A construção de uma de alvenaria para substituí-la está atrasada.

Embora ela seja decisiva, não será nada fácil vencer essa batalha.

Dia após dia

04 de Abril de 2012 às 08:47
A chanceler alemã Angela Merkel deixou o tom diplomático de lado e atacou ontem os conselhos de Dilma Rousseff sobre a gestão da crise. 

"Essa senhora vem à Alemanha nos dizer o que temos que fazer? Ora, a Alemanha vai bem obrigado apesar de tudo. Mas eu vou aproveitar para dar um conselho a ela... antes de vir aqui reclamar das nossas políticas econômicas, por que ela não diminui os gastos do governo dela e diminui os juros que são exorbitantes no Brasil? Se eu posso emprestar dinheiro a juros baixos e o meu povo pode ganhar juros absurdos lá no país dela, não vou ser eu que direi ao meu povo para não fazer isso. Ela que torne a especulação no país dela menos atraente", 

disse Merkel em entrevista à revista Manager-Magazin.

Terra amada, mas tão maltratada

Por Gilrikardo

Tantos passaram e quantos hão de voltar, trilha batida, marcas impossíveis de se ignorar. 

Chagas que lentamente nos afligem até corroer o que de mais precioso ainda nos embala: a esperança - bálsamo único. Clamamos, nessa hora, relembrar dos princípios segundo a carta magna, dos brasileiros ao que pela lei é consagrado. 

Uma cidadania onde as oportunidades primam pela igualdade “geral e irrestrita”. Pois uma nação compõe-se do total e não dum amontoado de clãs, tribos, corporações, oligarquias, entre outros divisores. Soma que resulta em virtude do satisfatório desempenho de cada cidadão; das ações individuais que cimentarão o equilíbrio entre deveres e obrigações cujo produto final consolida o bem comum em prol de todos.

Na ausência ou desvios de tais componentes, é nosso compromisso reconstruir as relações democráticas de fato. Onde a vontade da maioria retornará o principal ingrediente a contrapor a ambição de "grupos" que há muito ignoram conceitos igualitários. Grupos oriundos de nossas escolhas, criados da necessidade de haver segmentos para viabilizar nossa convivência; sem contudo nos alijar de possibilidades eqüânimes. 

Diante disso, consoante a “ordem vigente”, por dever e consciência utilizaremos o único instrumento legítimo que nos dá voz: o voto. Através do qual fortaleceremos a combalida esperança, além de aplainarmos o caminho para a construção de uma nação com menores abismos sócio-políticos. Portanto, ao votar, vamos renovar sempre, pois o que aí está é fruto de nossa tímida apatia frente aos ousados construtores de destinos indiferentes à maioria. Tais arquitetos encontram oportunidade de se perpetuarem por meio da REELEIÇÃO... cujo discurso principal é a “lengalenga” da continuidade dos projetos que geralmente se dissolvem frente aos interesses “pessoais”, entre os quais a constante e frenética luta em se conservarem “ad infinitum” eleitos.

É com tal prática que germinam várias outras abusivas, que se constroem "feudos", que se agrupam interesses oligárquicos, além de infinitas fórmulas destemperadas a maioria. Então, para a felicidade geral da nação: reeleição NÃO! Decisão que seja extensiva a todos os cargos, independente de ocasião ou situação; desde o síndico do condomínio, passando pela associação de moradores, pelo legislativo, pelo executivo, enfim onde existir uma eleição... para a felicidade geral da nação, diga, reeleição NÃO!

Um lamento

Dilma, deixa eu te falar uma coisa! 

Fernanda Melo, médica, moradora e trabalhadora de Cabo Frio, cidade da baixada litorânea do estado do Rio de Janeiro. [Recebido: 23/06/2013]

Este ano completo sete anos de formada pela Universidade Federal Fluminense e desde então, por opção de vida, trabalho no interior. Inclusive hoje, não moro mais num grande centro. Já trabalhei em cada canto...

Você não sabe o que eu já vi e vivi, não só como médica,  mas como cidadã brasileira. Já tive que comprar remédio com meu dinheiro, porque a mãe da criança só tinha R$ 2,00 para comprar o pão.

Por que comprei?

Porque não tinha vaga no hospital para internar e eu já tinha
usado todos os espaços possíveis (inclusive do corredor!)  para internar os mais graves.

Você sabe o que é puxadinho? Agora, já viu dentro de enfermaria? Pois é, eu já vi. E muitos. Sabe o que é mãe e filho dormirem na mesma maca porque simplesmente não havia espaço para sequer uma cadeira?

Já viu macas tão grudadas, mas tão grudadas, que na hora da
visita médica era necessário chamar um por um para o consultório porque era impossível transitar na enfermaria?

Já trabalhei num local em que tive que autorizar que o familiar trouxesse comida ( não tinha, ora bolas!) e já trabalhei em outro que lotava na hora do lanche (diga-se refresco ralo com biscoito de péssima qualidade) que era distribuído aos que aguardavam na recepção.

Já esperei 12 horas por um simples hemograma. Já perdi o  paciente antes de conseguir um mera ultrassonografia. Já vi luva descartável ser reciclada. Já deixei de conseguir vaga em UTI pra doente grave porque eu não tinha um  exame complementar que justificasse o pedido.

Já fui ambuzando um prematuro de 1kg (que óbvio, a mãe não tinha feito pré natal!) por 40km para vê-lo morrer na porta do hospital sem poder fazer nada. A ambulância não tinha nada...

Tem mais, calma! Já tive que escolher direta ou indiretamente quem deveria viver. E morrer...

Já ouvi muito desaforo de paciente, revoltando com tanto descaso e que na hora da raiva, desconta no médico, como eu, como meus colegas, na enfermeira, na recepcionista, no segurança, mas nunca em você.

Já ouviu alguém dizer na tua cara: meu filho vai morrer e a culpa é tua? Não, né? E a culpa nem era minha, mas era tua, talvez. Ou do teu antecessor. Ou do antecessor dele...

Já vi gente morrer! Óbvio, médico sempre vê gente morrendo, mas de apendicite, porque não tinha centro cirúrgico no lugar, nem ambulância pra transferir, nem vaga em outro hospital?

Agonizando, de insuficiência respiratória, porque não tinha 
laringoscópio, não tinha tubo, não tinha respirador?

De sepse, porque não tinha antibiótico, não tinha isolamento, 
não tinha UTI?

A gente é preparado pra ver gente morrer, mas não nessas condições.

Ah Dilma, você não sabe mesmo o que eu já vi! Mas deixa eu te falar uma coisa: trazer médico de Cuba, de Marte ou de qualquer outro lugar, não vai resolver nada!

E você sabe bem disso. Só está tentado enrolar a gente com essa conversa fiada.  É tanto descaso, tanta carência, tanto despreparo...

As pessoas adoecem pela fome, pela sede, pela falta de saneamento e educação e quando procuram os hospitais, despejam em nós todas as suas frustrações, medos, incertezas...

Mas às vezes eu não tenho luva e fio pra fazer uma sutura, o que dirá uma resposta para todo o seu sofrimento!

O problema do interior não é falta de médico. É falta de estrutura, de interesse, de vergonha na cara. Na tua cara e dessa corja que te acompanha! 

Não é só salário que a gente reivindica. Eu não quero ganhar muito num lugar que tenha que fingir que faço medicina. E acho que a maioria dos médicos brasileiros também não.

Quer um conselho?

Pare de falar besteira em rede nacional e admita: já deu pra vocês!

Eu sei que na hora do desespero, a gente apela, mas vamos combinar, você abusou!

Se você não sabe ser "presidenta", desculpe-me, mas eu sei ser médica, mas por conta da incompetência de vocês, não estou conseguindo exercer minha função com louvor!

Não sei se isso vai chegar até você, mas já valeu pelo desabafo!

domingo, 23 de junho de 2013

sábado, 22 de junho de 2013

Frank Sinatra

Professor Janer Cristaldo

Sobre os protestos de junho 2013

Ou alguém acha que país que elege e reelege um operário analfabeto, conivente com a corrupção e defensor de corruptos, que elege o poste indicado pelo operário analfabeto para sucedê-lo, que elege e reelege Sarney, Collor e Renan, tem solução? 

Texto completo: AQUI

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Em 2014

DIGA NÃO À REELEIÇÃO


Em qualquer nível, municipal, estadual ou federal. Legislativo ou Executivo, NÃO reeleja ninguém. Dentro da legalidade é a maneira segura de o povo virar o jogo.

Demétrio Magnoli

Protesto

Do lado de fora da ampla coalizão governista, os partidos de oposição remanescentes abdicaram da crítica e do debate

ARTIGO - DEMÉTRIO MAGNOLI
Publicado:20/06/13

E do caos fez-se o protesto. No início, manifestações pequenas degeneraram, previsivelmente, em violência e depredação. Truculências policiais, uma vaia avassaladora contra Dilma Rousseff e manifestações com outra pauta, sobre os gastos públicos na farra da Copa do Mundo, pontuaram o estágio intermediário. Enfim, protestos multitudinários tomaram as ruas de São Paulo, do Rio de Janeiro, de Belo Horizonte e de Brasília. A sequência desafia a lógica convencional e escapa às ferramentas de tradução dos políticos, mas lança alguma luz sobre uma crise larvar que, agora, emergiu. Bem na hora em que o Palácio do Planalto preparava-se para tocar novamente uma velha canção da Copa do Mundo de 1970, o céu desabou.

Nada houve de espontâneo na etapa inicial. Os movimentos pelo “passe livre” são constituídos por autointitulados “anarquistas”, seitas esquerdistas e jovens indignados que se movem à margem dos aparelhos da esquerda oficial (PT, PCdoB, sindicatos, UNE). Nas franjas dos movimentos, circulam bandos de punks à caça de oportunidades para confrontos com a polícia. O “passe livre”, uma utopia socialmente reacionária, funcionava como pretexto para quimeras diversas: a “superação do capitalismo”, a “revolução proletária”, a “guerra urbana”. As vergonhosas distorções de nossos sistemas de transporte coletivo — avessos à transparência, hostis aos usuários, pontilhados de privilégios, curvados pela associação oculta entre empresas de ônibus e políticos — não interessam realmente aos grupos radicalizados que protagonizaram as primeiras manifestações.

Há sintomas de uma notável regressão política. As passeatas estudantis de 1977 contra a ditadura militar tinham linha de frente e cordões de segurança, elementos ausentes nos protestos em curso. A desordem prestou-se à ação de incendiários e depredadores. Governantes e chefes de polícia despreparados multiplicaram o caos, produzindo cenas chocantes de violência contra manifestantes pacíficos. Mas a escala faz a diferença: quando dezenas de milhares foram às ruas, os encapuzados viram-se reduzidos à insignificância e, quase sempre, à impotência.

“Não é por centavos, é por direitos”, esclarecia uma faixa no Rio de Janeiro. “Brasil, vamos acordar, o professor vale mais que o Neymar”, cantou-se em São Paulo. Na segunda-feira, o “passe livre” já era só um pretexto coletivo para manifestações que exigiam o reconhecimento de um “direito ao protesto” e exprimiam uma frustração “difusa” e “crescente” — duas palavras usadas pelo ministro Gilberto Carvalho, a sombra onipresente de Lula no governo de Dilma. As marcas da juventude e de uma diversificada classe média, inclusive das periferias, estavam impressas nos protestos de massa. “Não é a Turquia, não é a Grécia — é o Brasil que saindo da inércia”, gritaram em São Paulo. Só se grita isso porque, de algum modo não óbvio, é “a Grécia” e “a Turquia”.

A escala faz a diferença. As quimeras das seitas esquerdistas tornaram-se inaudíveis nos protestos de multidões. No lugar delas, desenhavam-se os contornos de uma agenda implícita, ainda não cozida no fogo da linguagem política. As pessoas estão fartas do governo e da oposição, da corrupção e da impunidade, da arrogância e do cinismo, da soberba e do descaso. O estádio superfaturado, o ônibus superlotado, a escola arruinada, a inflação, a criminalidade, o Dirceu e o Eike — é sobre isso que falam os manifestantes, ecoando palavras de milhões ainda inseguros quanto à conveniência de protestar nas ruas. O inimigo, que ninguém se engane, é toda a elite política reorganizada durante a década de balofa euforia do lulopetismo. Um preocupado Gilberto Carvalho alertou contra a tentação de “tirar proveito político, de um lado ou de outro” dos eventos da segunda-feira. Mestre no ofício de “tirar proveito político”, ele já percebeu que um ciclo se fechou.

A política é, entre outras coisas, a arte de ordenar e hierarquizar as inquietações populares. No declínio da ditadura, estudantes e sindicalistas usaram as expressões “anistia”, “liberdades democráticas”, “direito de greve”. Na hora da dissolução do regime militar, as oposições se reuniram em torno do estandarte das eleições diretas. A bandeira do impeachment, erguida pelos partidos e movimentos sociais, encerrou a saga desastrosa do governo Fernando Collor. Diante da hiperinflação, os tucanos ofereceram um programa de estabilização, reformas e privatizações. Na conjuntura de crises externas que erodiam os salários e as aposentadorias, o PT prometeu distribuir a renda e exterminar a pobreza. Hoje, porém, a “difusa” e “crescente” inquietação não encontra traduções políticas nítidas.

A desmoralização da ágora — eis a pior herança do lulopetismo. O governo Lula cooptou os movimentos sociais, convertendo-os em marionetes de suas ambições eleitorais, e reforçou os grilhões que prendem o movimento sindical ao poder de Estado. No governo Dilma, completou-se a construção de uma esmagadora maioria parlamentar alicerçada sobre a distribuição de sesmarias na administração direta e nas empresas estatais. Do lado de fora da ampla coalizão governista, destituídos de princípios ou convicções, os partidos de oposição remanescentes abdicaram da crítica e do debate, aguardando que um milagre transfira o poder para suas mãos. A política parlamentar democrática feneceu, exaurindo-se de sentido. As manifestações provavelmente teriam começado antes, não fossem as esperanças depositadas no julgamento do mensalão.

Nesse cenário, os protestos descrevem trajetórias pré-políticas e os manifestantes apalpam terreno desconhecido, em busca de uma linguagem e de uma agenda. A anomia não perdurará eternamente — mas, por enquanto, gera muito calor e pouca luz. De qualquer modo, uma festa terminou antes mesmo de começar: desconfio que Prá frente Brasil não será ouvida na Copa do Mundo de 2014.


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Jornal Zero Hora - Porto Alegre RS

Artigo| 
A nova classe média chega à política
20 de junho de 2013

Quando a periferia
entra em jogo,
entram aqueles
que estão vendo
sua previsão do
futuro piorar

MARCUS ROCHA*

Entre os anos de 2007 e 2010, o Brasil viveu um período de razoável crescimento econômico. O país decolou, conforme a famosa capa da revista britânica The Economist, alavancando a inclusão, pela via do consumo, de centenas de milhares de pessoas. Com crédito farto, esses cidadãos tiveram acesso pela primeira vez a bens de consumo que vão de material de higiene a carro e casa própria.
Analistas se perguntaram sobre a identidade política dessas pessoas. De profissionais liberais a beneficiários do Bolsa Família, sua satisfação ajudou os governos de Lula e Dilma a alcançarem níveis de popularidade inéditos. Porém, as interpretações sobre a postura da "nova classe média" diante da política nunca foram consensuais: votariam "a cabresto" no governo federal? Mais escolarizados, votariam mais racionalmente? Cederiam a discursos despolitizantes? Como se comportariam diante de uma crise econômica? É cedo e temerário fazer afirmações sobre um conjunto de protestos que escapou à direção de seus líderes iniciais e confunde políticos e analistas. Mas algum esforço racionalizante devemos empreender, assumindo os riscos inerentes.
As pessoas que adquiriram essa peculiar cidadania proporcionada pela integração ao mundo do consumo acabam de realizar sua primeira manifestação enquanto tal. Não à toa, no mesmo momento em que a inflação acelera, preços de tarifas públicas disparam e a ostentação dos luxos associados aos grandes eventos esportivos resplandece. Uma extraordinária quebra na expectativa criada durante anos de crescimento econômico e crédito fácil. No movimento de poucos pontos percentuais, a vida das pessoas piora rápido, ao mesmo tempo em que políticos e empresários realizam grandes negócios no rastro da Copa.
Os movimentos sociais que crescem nas grandes cidades (ciclistas, direitos das mulheres, gays etc.) ganharam nas ruas a companhia dessa massa, chamada de "nova classe média", vinda das periferias das grandes cidades. E, quando a periferia entra em jogo, entram aqueles que estão vendo sua previsão do futuro piorar e que vivem a brutalidade policial e a omissão do poder público, de todos os partidos, no dia a dia. A rua não tem regimento interno. Mesmo as tradicionais lideranças de mobilizações de rua não sabem o que acontecerá a seguir. Tampouco mudanças pontuais no valor da passagem devem resolver a inquietação popular.

*Mestrando em Ciência Política da UFRGS