sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Um homem e seu trabalho

quinta-feira, julho 28, 2011

VASSILISSA

Um homem se define por seu trabalho – escrevi há pouco. Se não trabalha, é um inútil. Objeta um leitor:

- Profissão é parte do que uma pessoa é. Não tudo. Possivelmente nem algo com o qual ela se identifica em particular, e sim algo que ela, muitas vezes por contingência do destino, calhou de fazer, e portanto não é algo que representa suas crenças, posições, modo de viver e ações como um todo. Profissão é parte da vida das pessoas. E nem de todas. Se fulano vive de renda ou herança, problema (ou sorte) dele. Isso não define caráter. O que você faz para ganhar seu pão é problema seu, e não vejo por que tenha que ser o que te define como ser humano, seu valor absoluto, ou o que seja que funcione como termômetro de qualidade de fulano.

Ok, leitor. Admitamos que profissão não seja tudo. Pode não definir caráter. Mas quem não trabalha continua sendo um inútil. Já nas primeiras páginas do Gênesis, o Senhor transforma o trabalho em maldição, ao jogar Adão fora do Éden para lavrar a terra.

“E ao homem disse: Porquanto deste ouvidos à voz de tua mulher, e comeste da árvore de que te ordenei dizendo: Não comerás dela; maldita é a terra por tua causa; em fadiga comerás dela todos os dias da tua vida. Ela te produzirá espinhos e abrolhos; e comerás das ervas do campo. Do suor do teu rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, porque dela foste tomado; porquanto és pó, e ao pó tornarás”.

Para o deus judaico, trabalho é castigo. Felicidade é viver sem fazer nada, numa espécie de País da Cocanha, onde os frutos da terra estão ao alcance da mão. Esta apologia do ócio é retomada no Novo Testamento, mais precisamente em Mateus:

“Olhai as aves do céu, não semeiam nem colhem e nem juntam em celeiros. E no entanto, vosso Pai celeste as alimenta. Aprendei com os lírios do campo, vede como crescem, e não trabalham e nem fiam. E no entanto, nem Salomão em toda a sua glória jamais se vestiu como um deles”.

Pode ser. Mas eu me entediaria como uma ostra se tivesse de passar a vida toda sem fazer nada. Segundo o leitor, as pessoas podem viver de renda ou herança e trabalho não funciona como termômetro de qualidade de ninguém. Permito-me discordar. Um homem que nada faz, para mim, nada é. Há, é claro, algumas diferenças entre ser regente de orquestra e balconista, piloto de Boeing e taxista, chef e padeiro.

A propósito, em meus dias de Santa Maria, tive como companheiro de bar um poeta. Sua meta na vida era fazer poemas. Voltei a encontrá-lo alguns anos mais tarde. Perguntei se ainda fazia poemas.

- Não mais. Agora faço pães.

Aleluia! Os poetas que me desculpem. Mas a humanidade precisa mais de pães do que de poemas. Sem falar que pães são em geral mais saborosos que muitos poemas. Particularmente se falamos de poesia contemporânea.

Há obviamente o trabalho ruim, aquele que não escolhemos e jamais escolheríamos. Há o trabalho que até pode ser agradável, mas é mal pago. Quando comecei a trabalhar em jornal, ganhava apenas oito cruzeiros mais que o contínuo da redação. Mas me sentia muito bem quando, ao final do mês, passava no caixa para receber meus míseros trocados. Com eles, me dedicava a meus prazeres. Raras pessoas no mundo podem orgulhar-se do trabalho que fazem. O segredo do sentir-se bem com a vida é encontrar uma fórmula de chegar lá.

Quando encontro alguém de quem ainda não tenho referências, minha pergunta é: o que você faz? É pergunta que recomendo a toda pessoa que encontra uma outra que ainda não conhece. Se não sabemos o que uma pessoa faz, não sabemos quem ela é. Vive de rendas ou de herança? Pode ser. Mas se não tem uma profissão, pouco ou nada tem a me dizer.

Conheço pessoas que vivem sem nada fazer. Há muita mulher neste mundo que vive de pensão, distribuindo seu ócio entre a academia, o instituto de beleza e a novela das oito. Suas cabeças dão uma boa idéia do vácuo absoluto. Há cientistas que negam a existência do vácuo absoluto, pois isto contraria o princípio da incerteza, de Heisenberg. Que se lixe o princípio da incerteza. Vácuo absoluto existe, é a cabeça de quem não trabalha. Não trabalhar é a fórmula mais eficaz de uma mulher anular-se. Os muçulmanos, que alimentam um medo ancestral ao feminino, sabem disto. E proíbem suas mulheres de trabalhar.

Uma das coisas que me agrada em São Paulo são as mulheres com quem cruzo em meu dia-a-dia. São pessoas que vem ou vão para um trabalho, freqüentam bares e dispensam machos para pagar suas contas. Altivas, são donas dos próprios narizes e gerem suas próprias vidas, sejam minhas gerentas de banco ou as meninas que me servem nos bares ou cafés.

Em meus dias de Santa Catarina, me disse um aluno: meu sonho é ser rico e viver tomando uísque e olhando o mar. Tive pena da mísera espécie humana que ele representava. É possível que tenha chegado lá. Não o invejo.

Tampouco tenho maior apreço por quem pensa só em dinheiro. Dinheiro é bom. Mas se sua busca nos torna a vida desagradável, não é bom. Eu poderia ter enriquecido com a advocacia. Mas não me sentiria bem na pele de um advogado. Optei então pelo jornalismo. Ganhava pouco, mas era ofício que algum prazer me proporcionava. Jornalismo é cachaça, costumamos dizer. A adrenalina de um fechamento de jornal é algo que vicia. Más vale un gusto que cien pesos, dícen los orientales.

Algum leitor deve ter visto o filme Mediterrâneo, de Gabriele Salvatores. É uma das mais belas mentiras da história do cinema. Pego uma sinopse da Web: durante a Segunda Guerra, com a missão de defender o lugar contra uma possível invasão inimiga, um punhado de soldados é deixado numa pequena ilha do mar da Grécia. Mas, o vilarejo parece abandonado e como não tem nenhum único inimigo a vista os soldados aproveitam o tempo para relaxar um pouco. Porém, a ilha não está deserta e quando os habitantes do local percebem que os soldados italianos são inofensivos, saem de seus esconderijos nas montanhas para dar seqüência a suas pacíficas vidas. Portanto, logo os soldados descobrem que serem deixados para trás em uma paradisíaca ilha grega esquecida por Deus, não é uma coisa tão ruim assim...

O diretor não engana seu público: o filme é dedicado a todos os escapistas do mundo. Ilha grega pode ser uma idéia de paraíso para muita gente. Por uma semana, até concordo. Para toda a vida, seria para mim um inferno. Os italianos se dedicam a um eterno dolce farniente. A única pessoa que parece ter uma profissão na ilha é Vassilissa. Se apresenta alegremente ao batalhão. O capitão pergunta:

- Che lavoro fare?
- Io sono la puta.

E passa a exercer orgulhosamente sua profissão. Os soldados perderam o sentido de suas vidas. Vassilissa não: http://www.youtube.com/watch?v=B9VOQoH-Kb0

A profissão pode não ser das mais nobres. Mas é melhor do que não fazer nada.

Hora da merenda


A minoria “nimim”

Por Gilrikardo




Em muitas ocasiões estou a ver a banda passar. Percebo isso ao tentar acompanhar os ditos movimentos sociais que de uns tempos para cá, em nome da diversidade, surgem a empunhar bandeiras das mais variadas cores, sabores e odores. Surgem acompanhadas com certo toque de novidade, como se no mundo desde que é mundo não existisse o caldo da variedade.

Ainda assim, observei as tantas combinações e praticamente obriguei-me a redefinir certos conceitos, além de reavaliar a utilidade ou perigo de certos relacionamentos ditos até aqui como normais.

Feito isso, senti-me parte do horizonte que se abriu, e aí então é que a vaca foi para o brejo. Pois de cidadão tranqüilo, na condição de ser apenas mais um a desfrutar desta vida, de forma independente ou quase nada dependente de forças estranhas à minha legítima vontade. Conclui então que não era apenas mais um! O momento condena-me a diversidade!

E agora, a que minoria pertencer?
Em que bandeira abrigar-me?

Talvez na bandeira dos indignados com a política, será? Indignar-se é fácil, e aí, qual o sentido da indignação, que fazer para sair dessa ... é parece que não existe indignados pela política. Ou quem sabe o movimento dos sofredores do ensino, também só escuto resmungos e choradeiras, de concreto nada. É... não está fácil situar-me nesse “neoparadigma”. E o movimento daqueles sedizentes anarquistas ou contra todos os governos, ou ainda adoradores da iniciativa individual, assumidamente construtores do próprio destino... cadê?


Onde encontrarei minha bandeira? É... pelas que vejo tremulararem, dificilmente uma que defenda os libertários ascenderia mais que meio mastro. E agora josés, joãos e “eus” desta vida. Escutem! Eu disse que sou minoria, eu e minha cara, eu e minha coragem, eu e minha covardia, eu e minhas idéias sentado à beira dum caminho. Antes só, do que mal acompanhado.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Nicolás Maduro - Presidente Venezuela

O petróleo nunca voltará aos 100 dólares, mas Deus proverá. Jamais faltará à Venezuela
 

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

O cão que fuma...: Vídeos mostram execução de mulheres por elementos da al-Qaeda na Síria

O cão que fuma...: Vídeos mostram execução de mulheres por elementos da al-Qaeda na Síria

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Mulçumanos

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015


O site de ativistas Raqqa Is Being Slaughtered tem relatado as condições de vida e os crimes praticados na Síria. Nos últimos dias publicou dois vídeos que mostram execuções brutais.

Catarina Fernandes Martins


Dois vídeos divulgados nas últimas duas semanas pelo site Raqqa Is Being Slaughtered Silently mostram imagens de homens suspeitos de pertencerem ao braço sírio da al-Qaeda, al-Nusra, a executarem mulheres acusadas de adultério com tiros na nuca. A al-Nusra é um grupo rival do Estado Islâmico que tem tentado conquistar território no norte da Síria para aí constituir um Emirado Islâmico.

O primeiro vídeo foi colocado no site Raqqa Is Being Slaughtered – que une uma rede de ativistas de Raqqa, a auto-proclamada capital do Estado Islâmico, que relatam as condições de vida e os crimes cometidos na Síria – no dia 13 de janeiro de 2015 e chamou a atenção do Observatório Sírio dos Direitos Humanos, uma organização que tem sido seguida pela ONU e por vários meios de comunicação internacionais durante a guerra civil na Síria.

O Observador consultou Abdeljelil Larbi, professor de árabe no ILNOVA, centro de línguas da Universidade Nova de Lisboa, que explicou que a mulher vestida com um blusão vermelho pede repetidamente e de forma desesperada para ver os filhos antes de ser executada. “Por favor, senhor, em nome do profeta quero ver os meus filhos”, diz. O pedido é recusado. Depois, os homens recitam o Corão e informam-na de que será condenada pelo crime de prostituição e que a pena aplicada é a mesma para o crime de adultério: morte. “Esperamos que deus perdoe essa mulher e que este castigo seja melhor para ela”, diz um dos homens, de acordo com o professor Larbi.

Seguidamente, um homem aponta uma pistola à sua cabeça, disparando. O corpo da mulher cai no chão. À volta, muitos militantes registam o momento com smartphones. A execução parece ter ocorrido numa cidade do norte da Síria, Idlib, conquistada em dezembro de 2014 pela al-Nusra.

Atenção às imagens!

O vídeo mais recente, publicado terça-feira no site ativista, mostra outra mulher já ajoelhada no chão. A forma escolhida pelos militantes para a execução é semelhante à utilizada com a primeira mulher: um tiro na nuca.

O mesmo site escreve também que o Estado Islâmico está a proibir as mulheres com menos de 45 anos de deixarem Raqqa para alegadamente as obrigar a casarem com jiadistas.

No final de novembro, o Guardian publicou um relato feito pelos ativistas do Raqqa Is Being Slaughtered que descrevia a auto-proclamada capital do Estado Islâmico como uma cidade devastada, em que os seus habitantes sofrem de fome e de pobreza extrema e não estão a salvo das crucificações, decapitações e chicotadas (o ato de fumar um cigarro é uma ofensa punível com chicotadas) que ocorrem frequentemente na Praça do Paraíso, que, segundo o fundador da rede, Abu Ibrahim Raqqawi, foi renomeada pela população, que agora lhe chama Praça do Inferno.

Título e Texto: Catarina Fernandes Martins, Observador, 22-1-2015

às 16:53


Reações: 

5 comentários:



A religião da Paz! Que utiliza tecnologia dos infiéis para registrar a barbárie!

Ora vão para o diabo que os carregue!




Eles são totalmente loucos. Eles usam o islã para praticar o mal, causar sofrimento em nome de Allah sentindo prazer em ver o sofrimento dos seres humanos sendo assassinados como se eles fossem o justiceiro do profeta. São mentes doentias e perigosas. Merecem a morte, depois de uma estadia lá em Guantánamo. Alberto José




Quando se pensa em céu e inferno , a representação da presença do demônio está ali, na terras dos fanáticos e psicopatas . Matam em nome de Allah . O Criador deixou um mundo cheio de vida e esplendor. Alguns homens vem para destruir. Mas nisso há a sabedoria do Grande Mestre dos Mestres . Se existe o inferno em chamas , temos também a outra metade em paz . Estamos nela , Nada é por acaso.

Não é necessário ver esses vídeos . São deploráveis.

Abraços

Sidnei Oliveira




É simplesmente terrível, Nelson Ribeiro

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Angústia

Por Gilrikardo

Palavras ao vento
tento
tento

Palavras ao tempo
distante
distante

Palavras de palavras
brincadeiras
brincadeiras

tempo 
vento
tento

Palavras de angústia
Palavras de tempo
Palavras de vento
Palavras que tento

Tudo vão
Palavras em vão

 







segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Marco Archer > fuzilado por tráfico de drogas

O perfil de Marco Archer por um jornalista que conversou com ele 4 dias na prisão




Nos bons tempos
Nos bons tempos



O reporter Renan Antunes de Oliveira entrevistou Marco Archer em 2005, numa prisão na Indonésia. Abaixo, seu relato:
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O carioca Marco Archer Cardoso Moreira viveu 17 anos em Ipanema, 25 traficando drogas pelo mundo e 11 em cadeias da Indonésia, até morrer fuzilado, aos 53, neste sábado (17), por sentença da Justiça deste país muçulmano.
Durante quatro dias de entrevista em Tangerang, em 2005, ele se abriu para mim: “Sou traficante, traficante e traficante, só traficante”.
Demonstrou até uma ponta de orgulho: “Nunca tive um emprego diferente na vida”. Contou que tomou “todo tipo de droga que existe”.
Naquela hora estava desafiante, parecia acreditar que conseguiria reverter a sentença de morte.
Marco sabia as regras do país quando foi preso no aeroporto da capital Jakarta, em 2003, com 13,4 quilos de cocaína escondidos dentro dos tubos de sua asa delta. Ele morou na ilha indonésia de Bali por 15 anos, falava bem a língua bahasa e sentiu que a parada seria dura.
Tanto sabia que fugiu do flagrante. Mas acabou recapturado 15 dias depois, quando tentava escapar para o Timor do Leste. Foi processado, condenado, se disse arrependido. Pediu clemência através de Lula, Dilma, Anistia Internacional e até do papa Francisco, sem sucesso. O fuzilamento como punição para crimes é apoiado por quase 70% do povo de lá.
Na mídia brasileira, Marco foi alternadamente apresentado como “um garoto carioca” (apesar dos 42 anos no momento da prisão), ou “instrutor de asa delta”, neste caso um hobby transformado na profissão que ele nunca exerceu.
Para Rodrigo Muxfeldt Gularte, 42, o outro brasileiro condenado por tráfico, que espera fuzilamento para fevereiro, companheiro de cela dele em Tangerang, “Marco teve uma vida que merece ser filmada”.
Rodrigo até ofereceu um roteiro sobre o amigo à cineasta curitibana Laurinha Dalcanale, exaltando: “Ele fez coisas extraordinárias, incríveis.”
O repórter pediu um exemplo: “Viajou pelo mundo todo, teve um monte de mulheres, foi nos lugares mais finos, comeu nos melhores restaurantes, tudo só no glamour, nunca usou uma arma, o cara é demais.”
Para amigos em liberdade que trabalharam para soltá-lo, o que aconteceu teria sido “apenas um erro” do qual ele estaria arrependido.
Em 2005, logo depois de receber a sentença de morte num tribunal em Jacarta
Em 2005, logo depois de receber a sentença de morte num tribunal em Jacarta
Na versão mais nobre, seria a tentativa desesperada de obter dinheiro para pagar uma conta de hospital pendurada em Cingapura – Marco estaria preocupado em não deixar o nome sujo naquele país. A conta derivou de uma longa temporada no hospital depois de um acidente de asa delta. Ter sobrevivido deu a ele, segundo os amigos, um incrível sentimento de invulnerabilidade.
Ele jamais se livrou das sequelas. Cheio de pinos nas pernas, andava com dificuldade, o que não o impediu de fugir espetacularmente no aeroporto quando os policiais descobriram cocaína em sua asa delta.
Arriscou tudo ali. Um alerta de bomba reforçara a vigilância no aeroporto. Ele chegou a pensar em largar no aeroporto a cocaína que transportava e ir embora, mas decidiu correr o risco.
Com sua ficha corrida, a campanha pela sua liberdade nunca decolou das redes sociais. A mãe dele, dona Carolina, conseguiu o apoio inicial de Fernando Gabeira, na Câmara Federal, com voto contra de Jair Bolsonaro.
O Itamaraty e a presidência se mexeram cada vez que alguma câmera de TV foi ligada, mesmo sabendo da inutilidade do esforço.
Mesmo aparentemente confiante, ele deixava transparecer que tudo seria inútil, porque falava sempre no passado, em tom resignado: “Não posso me queixar da vida que levei”.
Marco me contou que começou no tráfico ainda na adolescência, diretamente com os cartéis colombianos, levando coca de Medellín para o Rio de Janeiro. Adulto, era um dos capos de Bali, onde conquistou fama de um sujeito carismático e bem humorado.
A paradisíaca Bali é um dos principais mercados de cocaína do mundo graças a turistas ocidentais ricos que vão lá em busca de uma vida hedonista: praias deslumbrantes, droga fácil, farta — e cara.
O quilo da coca nos países produtores, como Peru e Bolívia, custa 1 000 dólares. No Brasil, cerca de 5 000. Em Bali, a mesma coca é negociada a preços que variam entre 20 000 e 90 000 dólares, dependendo da oferta. Numa temporada de escassez, por conta da prisão de vários traficantes, o quilo chegou a 300 000 dólares.
Por ser um dos destinos prediletos de surfistas e praticantes de asa delta, e pela possibilidade de lucros fabulosos, Bali atrai traficantes como Marco. Eles se passam por pessoas em busca de grandes ondas, e costumam carregar o contrabando no interior das pranchas de surf e das asas deltas. Archer foi pego assim. Tinha à mão, sempre que desembarcava nos aeroportos, um álbum de fotos que o mostrava voando, o que de fato fazia.
O homem preso por narcotráfico passou a maior parte da entrevista comigo chapado. O consumo de drogas em Tangerang era uma banalidade.
Pirado, Marco fazia planos mirabolantes – como encomendar de um amigo carioca uma nova asa, para quando saísse da cadeia.
Nos momentos de consciência, mostrava que estava focado na grande batalha: “Vou fazer de tudo para sair vivo desta”.
Marco era um traficante tarimbado: “Nunca fiz nada na vida, exceto viver do tráfico.” Gabava-se de não ter servido ao Exército, nem pagar imposto de renda. Nunca teve talão de cheques e ironizava da única vez numa urna: “Minha mãe me pediu para votar no Fernando Collor”.
A cocaína que ele levava na asa tinha sido comprada em Iquitos, no Peru, por 8 mil dólares o quilo, bancada por um traficante norte-americano, com quem dividiria os lucros se a operação tivesse dado certo: a cotação da época da mercadoria em Bali era de 3,5 milhões de dólares.
Marco me contou, às gargalhadas, sua “épica jornada” com a asa cheia de drogas pelos rios da Amazônia, misturado com inocentes turistas americanos. “Nenhum suspeitou”. Enfim chegou a Manaus, de onde embarcou para Jakarta: “Sair do Brasil foi moleza, nossa fiscalização era uma piada”.

O momento em que ele recebeu a confirmação da data do fuzilamento
O momento em que ele recebeu, nesta semana, a confirmação da data do fuzilamento



Na chegada, com certeza ele viu no aeroporto indonésio um enorme cartaz avisando: “Hukuman berta bagi pembana narkotik’’, a política nacional de punir severamente o narcotráfico.
“Ora, em todo lugar do mundo existem leis para serem quebradas”, me disse, mostrando sua peculiar maneira de ver as coisas: “Se eu fosse respeitar leis nunca teria vivido o que vivi”.
Ele desafiou o repórter: “Você não faria a mesma coisa pelos 3,5 milhões de dólares”?
Para ele, o dinheiro valia o risco: “A venda em Bali iria me deixar bem de vida para sempre” – na ocasião, ele não falou em contas hospitalares penduradas.
Marco parecia exagerar no número de vezes que cruzou fronteiras pelo mundo como mula de drogas: “Fiz mais de mil gols”. Com o dinheiro fácil manteve apartamentos em Bali, Hawai e Holanda, sempre abertos aos amigos: “Nunca me perguntaram de onde vinha o dinheiro pras nossas baladas”.
Marco guardava na cadeia uma pasta preta com fotos de lindas mulheres, carrões e dos apartamentos luxuosos, que seriam aqueles onde ele supostamente teria vivido no auge da carreira de traficante.
Num de seus giros pelo mundo ele fez um cursinho de chef na Suíça, o que foi de utilidade em Tangerang. Às vezes, cozinhava para o comandante da cadeia, em troca de regalias.
Eu o vi servindo salmão, arroz à piemontesa e leite achocolatado com castanhas para sobremesa. O fornecedor dos alimentos era Dênis, um ex-preso tornado amigão, que trazia os suprimentos fresquinhos do supermercado Hypermart.
Marco queria contar como era esta vida “fantástica” e se preparou para botar um diário na internet. Queria contratar um videomaker para acompanhar seus dias. Negociava exclusividade na cobertura jornalística, queria escrever um livro com sua experiência – o que mais tarde aconteceu, pela pena de um jornalista de São Paulo. Um amigo prepara um documentário em vídeo para eternizá-lo.
Foi um dos personagens de destaque de um bestseller da jornalista australiana Kathryn Bonella sobre a vida glamurosa dos traficantes em Bali — orgias, modelos ávidas por festas e drogas depois de sessões de fotos, mansões cinematográficas.
Diplomatas se mexeram nos bastidores para tentar comprar uma saída honrosa para Marco. Usaram desde a ajuda brasileira às vítimas do tsunami até oferta de incremento no comércio, sem sucesso. Os indonésios fecharam o balcão de negócios.
As execuções são assim
As execuções são assim
O assessor internacional de Dilma, Marco Aurélio Garcia, disse que o fuzilamento deixa “uma sombra” nas relações bilaterais, mas na lateral deles o pessoal não tá nem aí.
A mãe dele, dona Carolina, funcionária pública estadual no Rio, se empenhou enquanto deu para livrar o ‘garotão’ da enrascada, até morrer de câncer, em 2010.
As visitas dela em Tangerang eram uma festa para o staff da prisão, pra quem dava dinheiro e presentes, na tentativa de aliviar a barra para o filhão.
Com este empurrão da mamãe Marco reinou em Tangerang, nos primeiros anos – até ser transferido para outras cadeias, à espera da execução.
Eu o vi sendo atendido por presos pobres que lhe serviam de garçons, pedicures, faxineiros. Sua cela tinha TV, vídeo, som, ventilador, bonsais e, melhor ainda, portas abertas para um jardim onde ele mantinha peixes num laguinho. Quando ia lá, dona Carola dormia na cama do filho.
Marco bebia cerveja geladinha fornecida por chefões locais que estavam noutro pavilhão. Namorava uma bonita presa conhecida por Dragão de Komodo. Como ela vinha da ala feminina, os dois usavam a sala do comandante para se encontrar.
A namorada
A namorada
A malandragem carioca ajudou enquanto ele teve dinheiro. Ele fazia sua parte esbanjando bom humor. Por todos os relatos de diplomatas, familiares e jornalistas que o viram na cadeia de tempos em tempos, Marco, apelidado Curumim em Ipanema, sempre se mostrou para cima. E mantinha a forma malhando muito.
Para ele, a balada era permanente. Nos últimos anos teve várias mordomias, como celular e até acesso à internet, onde postou algumas cenas.
Um clip dele circulou nos últimos dias – sempre sereno, dizendo-se arrependido, pedindo a segunda chance: “Acho que não mereço ser fuzilado”.
Marco chegou ao último dia de vida com boa aparência, pelo menos conforme as imagens exibidas no Jornal Hoje, da Globo. Mas tinha perdido quase todos os dentes em sua temporada na prisão, como relatou a jornalista e escritora australiana. No Facebook, ela disse guardar boas recordações de Archer, e criticou a “barbárie” do fuzilamento.
Numa gravação por telefone, ele ainda dava conselhos aos mais jovens, avisando que drogas só podem levar à morte ou à prisão.
Sua voz estava firme, parecia esperar um milagre, mesmo faltando apenas 120 minutos pra enfrentar o pelotão de fuzilamento – a se confirmar, deixou esta vida com o bom humor intacto, resignado.
Sabe-se que ele pediu uma garrafa de uísque Chivas Regal na última refeição e que uma tia teria lhe levado um pote de doce-de-leite.
O arrependimento manifestado nas últimas horas pode ser o reflexo de 11 anos encarcerado. Afinal, as pessoas mudam. Ou pode ter sido encenação. Só ele poderia responder.
Para mim, o homem só disse que estava arrependido de uma única coisa: de ter embalado mal a droga, permitindo a descoberta pela polícia no aeroporto.
“Tava tudo pronto pra ser a viagem da minha vida”, começou, ao relatar seu infortúnio.
Foi assim: no desembarque em Jakarta, meteu o equipamento no raio x. A asa dele tinha cinco tubos, três de alumínio e dois de carbono. Este é mais rijo e impermeável aos raios: “Meu mundo caiu por causa de um guardinha desgraçado”, reclamou.
“O cara perguntou ‘por que a foto do tubo saía preta’? Eu respondi que era da natureza do carbono. Aí ele puxou um canivete, bateu no alumínio, fez tim tim, bateu no carbono, fez tom tom”.
O som revelou que o tubo estava carregado, encerrando a bem-sucedida carreira de 25 anos no narcotráfico.
Marco ainda conseguiu dar um drible nos guardas. Enquanto eles buscavam as ferramentas, ele se esgueirou para fora do aeroporto, pegou um prosaico táxi e sumiu. Depois de 15 dias pulando de ilha em ilha no arquipélago indonésio passou sua última noite em liberdade num barraco de pescador, em Lombok, a poucas braçadas de mar da liberdade.
Acordou cercado por vários policiais, de armas apontadas. Suplicou em bahasa que tivessem misericórdia dele.
No sábado, enfrentou pela última vez a mesma polícia, mas desta vez o pessoal estava cumprindo ordens de atirar para matar.
Foi o fim do Curumim.
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domingo, 18 de janeiro de 2015

Blog Azluizio Amorim

EM VÍDEO, PSIQUIATRA SÍRIA DETONA O JORNALISMO ESQUERDISTA IDIOTA QUE TRANSFORMA EM CULPADOS AS VÍTIMAS DO PRIMITIVISMO ISLÂMICO.


quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Coisas do meu rincão

Por Gilrikardo

Postei esta notícia para registrar uma prática muito utilizada em municípios do RS onde os recursos geralmente são escassos. Diante disso, a prefeitura ao asfaltar uma rua com paralelepípedos, primeiro retira-os para REUTILIZAR em outras áreas, e então prepara o solo para receber a nova cobertura.

Reiniciada as obras do asfaltamento Avenida Samuel Guazzelli
 
Reiniciada as obras do asfaltamento da Avenida Samuel Guazzelli
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Ontem, terça-feira, dia 6, a empresa Dalfovo Construtora de Caxias do Sul, reiniciou as obras da retirada dos paralelepípedos e melhoramentos para o asfaltamento da Avenida Samuel Guazzelli Filho.

O valor investido nessa obra é de mais de R$ 2 milhões, sendo que os paralelepípedos estão sendo reutilizados para o calçamento de ruas de outros bairros.

Conforme informações, ainda neste mês deverá iniciar o asfaltamento da Avenida Frei Cândido Maria Bampi, no Bairro Barcelos e as ruas Acre e Olavo Bilac com investimento superior a R$ 3 milhões.

A empresa Dalfovo ainda realizará o asfaltamento das ruas Campos Sales, Siqueira Campos, Fernando de Noronha, Eça de Queiroz, Getúlio Vargas e Farrapos.
 
Data: 07/01/2015 - 13:56:51
Crédito: Adelar Gonçalves/Dep. Jornalismo

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Conta de luz deve subir 40 por cento

Por Gilrikardo

Nesta hora lembro-me que nossa oposição carece de estratégias ou vontade de fazer oposição... Taí uma grande oportunidade de buscar (vídeos) a fala da "presidAnta" a anunciar a redução da tarifa elétrica... isso é fácil de fazer, são os fatos, não há como contestar.  É só reproduzir os discusros anteriores e a realidade dos dias atuais fará o resto.
No entando, do Oiapoque ao Chuí, manchetes e manchetes revelando mirabolantes explicações "técnicas" para o aumento da tarifa elétrica. Quando se sabe que a incompetência da gerentona vem lá dos tempos em que era do Ministério das Minas e Energia... a oposição tem aí uma grande opotunidade de "OPOSICIONAR", ao invés disso, simplesmente se cala! Assim é difícil... parece que estamos sós... e sós deveremos trilhar por um "long time".
 
 

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Liberté, Egalité, Fraternité

LIBERDADE
 
IGUALDADE
 
FRATERNIDADE
 

ÁGUA PARA O AMANHÃ

Boa tarde Gil Rikardo.
 
Recebo seus textos e já comentei alguns deles, e acredito que muitos também o fazem.
 
Sou apenas um cidadão que algumas vezes lê e escreve e se interessa por assuntos que tem a ver com nossas cidades e o futuro delas e não tenho como enviar meus textos para que outras pessoas leiam, pois não estou conectado as redes sociais e nem quero estar.
 
Envio o texto que fiz eferente a preservação da água na nossa região.
Gostaria que este texto alcançasse o maior número de pessoas e não sei como faze-lo.
Se você puder e quiser publicar, ficarei agradecido.

Grande abraço.
Jair A. Silva.
 
 
ÁGUA PARA O AMANHÃ
Muito se tem comentado em todas as estâncias sobre a falta de água no Centro-oeste do Brasil, mais especificamente na Grande São Paulo, onde o impacto de torneiras vazias é maior.
É uma situação difícil para os habitantes e também fácil de saber as causas do problema, pois para todo lado que se olha estando em São Paulo, tudo o que se vê é asfalto e edifícios cobrindo 100% da área onde deveria ter arvores e pequenos córregos, mananciais preservados e nas periferias da cidade teria que ter matas com nascentes e áreas alagáveis onde ficaria preservada a água para abastecer toda a vida nos períodos de seca, seca esta que não viria se estas pequenas ações fossem tomadas a pelo menos 50 anos atrás.
 
Olhando aqui para nossa região onde temos o privilégio de ter muita mata, mananciais e rios por toda a parte, o que estamos fazendo para preservar isso tudo??
 
Não é difícil de se ver o completo desrespeito com a natureza ao passarmos, por exemplo, nas duas principais rodovias que cortam nossas Cidades: BR 101 e BR 280.
 
Saindo de Joinville em direção e São Francisco do Sul, passando obrigatoriamente por Araquari, o que observamos é um festival de aterros para todos os lados que olhamos, todos os grotões, vales e áreas baixas estão sendo aterradas para dar lugar aos Galpões onde serão instalados o PROGRESSO, sem fiscalização ou fiscalização ineficiente que visa apenas o lucro sem levar em conta o futuro das cidades, nascentes estão sendo cobertas por milhares de toneladas de terra e entulhos que são retirados dos morros, pequenos córregos são simplesmente aterrados e as áreas alagáveis não tem importância nenhuma quando a indústria precisa de um lugar para se instalar.
 
Seguindo na direção de Barra Velha, o que se vê é a mesma imagem, aterros, aterros e mais aterros, todas as áreas onduladas, desenhadas pela natureza para preservar a tão preciosa água, estão se transformando em um plano só, onde não há reserva alguma de qualquer tipo de natureza e a tão preciosa água que era ali armazenada pela natureza perfeita, agora escorre sobre o os aterros e vai direto para os grandes rios em direção ao mar, sem alagar as preciosas áreas alagáveis que preservam a umidade e fazem as nascentes brotarem e os pequenos rios correrem.

Acho que meus netos e talvez até meu filho quando chegar a idade adulta, não terá água pura na torneira de sua casa assim como temos hoje e veremos nossa região tão próspera sofrer com a debandada das empresas para destruir outra área em outra região do País onde ainda tenha recursos naturais para serem explorados e destruídos como estão fazendo em Araquari.
 
Sou Joinvillense de coração, adotei a cidade ha quase 30 anos e nos últimos 12 estou trabalhando em uma empresa que tem sede no Centro de Araquari, faço este trajeto todos os dias e pude observar a devastação que foi e está sendo feita no município em troca de ser o Município Catarinense que mais cresce e onde mais empresas se instalaram nos últimos anos.
 
Hoje, Araquari não tem nenhuma residência com coleta e tratamento de esgoto, a água tratada chega a apenas 60% das residências e no verão, não chega para ninguém. Mas a cada semana nova empresa se interessa em instalar sua sede por aqui, pois o município oferece apoio e incentivos e afirma que tem muita área ainda a ser desmatada e aterrada pois seu território é muito grande.
 
O que estão fazendo para as futuras gerações??
 
Será que não seria melhor ser a cidade que mais preserva o meio ambiente e cuida dos recursos naturais ao invés de destruir tudo em prol do desenvolvimento econômico sem controle algum??
 
Acho que só teremos respostas daqui a alguns anos.
 
Jair Assis da Silva
CPF 603.773.489-53
Joinville/SC.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

O sonho acabou

Por Adriana Calcanhotto

O PT foi ficando cada vez mais dividido, pesado, paquidérmico, carregando alas divergentes que foram minando a força interior do partido e sua chama

Aos 15 anos, estudante secundarista em Porto Alegre, interessada especialmente nas causas indígena e trabalhista, devorando qualquer texto dos irmãos Villas Boas ou de Darcy Ribeiro que encontrasse pela frente, me apaixonei pelo movimento de criação do Partido dos Trabalhadores. Era o ano de 1980, e eu vendia broches que eram estrelinhas vermelhas com “PT” escrito em branco. Era o que podia fazer como contribuição para a concretização do grande sonho, aquele trabalho de formiguinha que o militante secundarista pode fazer, dando tudo de si. Usava meu broche de estrelinha do lado esquerdo do peito, no duplo sentido. Tirava o broche antes de chegar em casa para não ter que confrontar a família, de direita, entre outras manobras anticonflito. Até que um dia nasceu finalmente o PT, o inacreditável aconteceu. Grande privilégio do ponto de vista histórico fazer parte daquilo. Meu herói era Olívio Dutra, e meu lema era “com o Olívio onde o Olívio estiver”.

Gostava do comunismo e gosto ainda hoje. Do lado bom, do lado utópico, do lado Ferreira Gullar, do lado Oscar Niemeyer do comunismo. Li “O capital”, mas repudio ditadores que não respeitam os direitos humanos. Revelou-se utópico, mas para mim antes utopia que acomodação ou o trabalho escravo do qual o capitalismo com tanta naturalidade lança mão.

Dada hora o PT trincou e acabou rachado. Começou a ter alas e facções demais e tornou-se, para meu gosto, excessivamente “partido”. Mesmo ligada à causa trabalhadora e filiada ao PT em Porto Alegre, sempre me senti mais ligada a quadros do que a agremiações. Já morando no Rio de Janeiro, fiz campanha voluntária à Presidência da República de Roberto Freire, pelo PCB, no primeiro turno nas eleições de 1989. Tinha 23 anos, liguei para o comitê e perguntei: “Posso ajudar?”. Seguia acreditando nas ideias do PT, votei em Lula no segundo turno e chorei dois dias de desgosto com a vitória de Fernando Collor. Passou o tempo, e o PT foi ficando cada vez mais dividido, pesado, paquidérmico, carregando alas divergentes que foram evidentemente minando a força interior do partido e sua chama. Tempos depois a ala radical do PT, de tão radical, chegou, por exemplo, a ser contra a candidatura pelo partido à Presidência da República de figuras migradas de outros partidos, caso da presidenta Dilma, oriunda do PDT. Não gosto de fanatismo. Fui deixando a cada dia de me sentir representada pelo PT. Não achei a escolha do cinismo boa opção. Não gostei de ver o Lula em palanques com Sarney e Paulo Maluf, que ele execrava nos mesmos palanques quando eles não estavam presentes, aquele PT não me representava mais.

O desmatamento aumentou. A nascente do Rio São Francisco secou. O governo não relaciona uma coisa à outra. O governo permanecerá no governo porque a cada eleição vai pagar carros com alto-falantes para circular pelas ruas das cidades mais pobres do Nordeste informando que a oposição, vencendo a eleição, vai acabar com o Bolsa Família. O povo tutelado, acuado. São inegáveis as boas coisas realizadas pelo PT, são transparentes, menos gente passa fome. Mas e essa confusão na Petrobras?

A Educação em cujo país o lema do governo agora é “Pátria educadora” tem o responsável pela pasta definido no balcão de loteamento de cargos, um deboche, uma ofensa à memória de Paulo Freire e ao esforço das pessoas comprometidas com a educação no país, considero inaceitável, mas e daí? Quem sou eu? Apenas uma cidadã, que paga impostos, que é muitas vezes bitributada, que gera empregos, que para no sinal vermelho, ou seja, uma otária, que acredita em princípios éticos. Se o governo despreza a ética por que o povo seria ético? Mas eu não caio nessa. O chanceler escolhido pela presidenta para assumir o posto em Washington, com habilidades conhecidas para amenizar bilateralmente os ânimos, botar as coisas nos eixos e ajudar a promover a visita da presidenta aos Estados Unidos em setembro, já começa com um problema a resolver. O ministro foi empossado sem o aval dos EUA, uma formalidade a ser cumprida, já descumprida pelo governo brasileiro na largada, obrigando o primeiro ato do novo chanceler a ser uma quebra de protocolo. As primeiras ações do novo governo contradizem em tudo o que foi dito na campanha, a massa de manobra, massinha de modelar. Ai, cansa.

Quando um dos maiores tesouros do PT, a então senadora Marina Silva, deixou a legenda, eu já estava no Partido Verde. Agora não estou em lugar nenhum. Ou melhor, mudei-me para a desesperança. Serei alienada ou apolítica, que é melhor para mim do que ser amoral. Semana passada, juntando em caixas roupas, livros e coisas que não uso mais para doar, atirei num caixote de bugigangas aquela minha estrelinha vermelha do PT, o sonho acabou. Pode a militância entupir à vontade minha caixa postal com deselegâncias, eu sou vocês ontem. Hoje eu sou Charlie.

sábado, 10 de janeiro de 2015

ATENTADO TERRORISTA EM PARIS

“Je suis Charlie Hebdo”

Querem que o mundo livre renuncie a valores básicos da civilização


Acredito que o ocorrido em Paris recentemente não seja apenas um fato horrível que arrepia por sua crueldade e selvageria, mas também uma escalada do que é o terror. Até agora matavam pessoas, destruíam instituições, mas o assassinato de quase toda a redação doCharlie Hebdo significa algo ainda mais grave: querer que a cultura ocidental, berço da liberdade, da democracia, dos direitos humanos, renuncie ao exercício desses valores, que comece a exercitar a censura, pôr limites à liberdade de expressão, estabelecer assuntos proibidos, quer dizer, renunciar a um dos princípios mais fundamentais da cultura da liberdade: o direito à crítica.

O que pretendem com esseassassinato em massa de jornalistas e cartunistas é que a França, a Europa Ocidental, o mundo livre renunciem a um dos valores que são a base da civilização. Não poder exercer essa liberdade de expressão que significa usar o humor de uma maneira irreverente e crítica significaria pura e simplesmente o desaparecimento da liberdade de expressão, quer dizer, de um dos pilares do que é a cultura da liberdade. Acredito que o Ocidente, a Europa, o mundo livre devem se dar conta de que há uma guerra que acontece em seu próprio território e que devemos ganhá-la se não quisermos que a barbárie tome o lugar da civilização.

É preciso agir com firmeza, sem complexos de inferioridade em relação aos que representam o fanatismo, mas também respeitando rigorosamente a legalidade que é tão importante quanto a liberdade. Um dos riscos mais graves desse horrível ataque terrorista é o estímulo à xenofobia nos partidos extremistas que são tão perigosos para a democracia quanto os fanáticos islâmicos.

Esse assassinato em massa vai atrair adeptos para partidos como a Frente Nacional e todos os grupos e facções que quiseram destruir a Europa e levar os países europeus de volta à época dos nacionalismos intolerantes e xenófobos. É preciso fazer um esforço para evitar que isso ocorra e que a Europa seja destruída tanto por seus inimigos quanto por aqueles que pretendem defendê-la através de outras formas de intolerância e fanatismo.

A França foi uma das fundadoras da cultura da liberdade com a declaração de direitos humanos, que estabeleceu constitucionalmente uma liberdade de expressão que seus cidadãos, seus intelectuais e seus políticos têm exercitado de maneira exemplar ao longo de toda sua história. Por isso a tragédia vivida pela França nestes dias é uma tragédia que afeta todas as mulheres e todos os homens livres deste mundo, que devem repetir como estão fazendo milhares de franceses todos os dias: “Je suis Charlie Hebdo”.

Mario Vargas Llosa é prêmio Nobel de Literatura.

Ex Senador Pedro Simon

Por Gilrikardo
 
O senhor Simon me causa perplexidade, pois quando lá estava (no Senado), portava-se como um autêntico governista, pois seu partido é quem viabiliza o poder do PT... e agora vem com esse discurso oposicionista de quinta categoria... pois não tem a caneta nem a cadeira para respaldar seus discursos. Como se diria lá pelas bandas de Vacaria, agora é fácil bancar o paladino da oposição... nada mais que palavras ao vento, ou talvez para aliviar a consciência! Vá para casa senhor, preserve sua dignidade e pendure as chuteiras!

 

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Je suis Charlie


O Contragolpe de 1964

Renata Velloso nos EUA

100 observações de uma brasileira nos Estados Unidos

15/12/2014
 
Renata Kotscho Velloso
San Francisco, EUA
Morando na Califórnia há 3 anos e meio já deu para conhecer algumas curiosidades aqui dos Estados Unidos. É provável que nem todas se apliquem ao país inteiro, afinal, como o Brasil os EUA tem dimensões continentais e muita diferença entre os 50 estados que compõem o país. Aliás se a gente for incluir a 101ª observação sobre os Estados Unidos é que apesar do patriotismo os americanos se identificam pelo Estado quando estão fora do país. Por exemplo, se você encontrar um americano em Paris e perguntar de onde ele é mais provável que ele vá te dizer que é da Flórida, ou da Califórnia e não dos Estados Unidos.
Trânsito
Aqui quando não pode entrar no sinal vermelho tem aviso, já que a regra é que pode.
Aqui quando não pode entrar no sinal vermelho tem aviso, já que a regra é que pode. Fonte da Imagem: SFCitizen.com
  1. Aqui nos EUA as pessoas usam muito menos a buzina do que no Brasil. A buzina é usada apenas para evitar um acidente e não para reclamar com o outro motorista. A maioria dos motoristas aqui também não sabem que o carro vem equipado com seta, para você avisar para onde vai entrar…
  1. Já os bombeiros e ambulâncias fazem muito barulho por aqui. Se você assustar toda vez que ouve uma sirene de bombeiro vai passar o dia tenso. Por outro lado nunca vi comboio transportando presidiários aqui, algo que me irritava bastante em São Paulo.
  1. Aqui nos EUA tem bem menos sinais de trânsito, ou faróis, do que no Brasil. Mas a cada esquina tem um sinal de PARE em que você tem que parar mesmo, com as quatro rodas. Não vale dar aquela brecadinha e seguir andando.
  1. Aqui nos EUA é permitido você entrar a direita mesmo quando o sinal está vermelho. Já quando o sinal está verde, ele abre para os pedestres ai fica mais difícil entrar a direita do que quando o sinal está vermelho…
  1. Aqui nos EUA não existem radares de trânsito que multam automaticamente. Para você receber uma multa de trânsito você tem que ser parado por um guarda que vai te dar a multa. Algumas vezes o guarda não te pára simplesmente, ele vai atrás de você com todas as luzes e sirenes ligadas, igual em filme. Tomar multa de trânsito aqui é uma coisa bem mais grave, pode até dificultar você conseguir um emprego.
  1. Aqui nos EUA não existe vagas para grávidas ou idosos, nem atendimento especial para eles ou mães com crianças de colo. Só deficientes físicos tem vagas a atendimento especial e ninguém usa a vaga deles, até porque a multa é bem alta.
  1. Aqui nos EUA você pode tirar a carteira de motorista com 16 anos, por outro você só pode consumir bebida alcóolica depois dos 21 anos. As regras de trânsito são mais rígidas para quem tem menos de 18 anos.

Alimentação
Buffets onde você pode comer quanto quiser fazem sucesso nos EUA. Fonte:  wordpress.monmouth.edu
Buffets onde você pode comer quanto quiser fazem sucesso nos EUA. Fonte da Imagem: wordpress.monmouth.edu
  1. Aqui nos EUA são muito comuns os restaurantes do tipo “all you can eat” em que você paga um preço fixo e come o quanto quiser, ou “kids eat free” onde as crianças não pagam. Em qualquer lugar tirando os restaurantes super refinados as porções são enormes, então mesmo quando não é preço fixo acaba sendo “all you can eat”. É bem raro você conseguir matar um prato inteiro servido aqui.
  1. Por isso aqui nos EUA as pessoas costumam sair dos restaurantes com caixinhas de comida para requentar e comer depois. Isso é comum até nos restaurantes caros. O garçom sempre vem perguntar se você quer que embrulhe.
  1. Aqui nos EUA o serviço não está incluído na conta, mas é considerado uma ofensa grave se você não deixa gorjeta, em torno de 15 a 17% do valor da refeição. Se você não deixar gorjeta o garçom vai entender que você achou o atendimento péssimo e que nunca mais vai voltar. É melhor que não volte mesmo, porque ele vai lembrar de você.
  1. Aqui nos EUA as pessoas costumam comer comida quente no café da manhã mesmo quando estão em casa. Ovos, bacon, panquecas, waffle e mingau de aveia são os campeões de audiência. Uma mãe americana que se preza prepara um bom café da manhã quente para a família (mesmo que seja colocando tudo semi pronto no microondas).
  1. Já no almoço em geral os americanos comem comida fria, tipo sanduíche ou salada, ou então pizza, que é mais consumida aqui no almoço do que no jantar.
  1. Aqui nos EUA as pessoas comem pizza com as mãos e os ingredientes são os mais inusitados misturando várias proteínas. Tipo pizza de salame com carne moída e frango. E os molhos também são diferentes, tem pizza com molho de tomate mas também tem pizza como molho pesto, barbecue entre outros.
  1. Na maioria das casas aqui nos EUA a mesa de jantar é usada para qualquer coisa menos para sentar a mesa e jantar. Em geral as pessoas preparam seus pratos na cozinha e vão comer na sala ou nos seus quartos, cada um no horário que está com vontade.
  1. Os americanos estão sempre atrás de uma nova dieta milagrosa e elas acabam virando moda nos restaurantes e nos supermercados. Antes você achava tudo light, depois tudo sem carboidrato e agora é tudo gluten free.
  1. As pessoas que tem mais dinheiro acabam tendo uma alimentação mais saudável. É moda comprar orgânicos na feira, por exemplo, mas é bem mais caro do que comprar uma lasanha congelada pronta no supermercado.
  1. O que as pessoas chamam de churrasco aqui nos EUA normalmente é hambúrguer e hot dog na grelha, as vezes rola uma costelinha de porco. Picanha você só encontra se for em um açougue especializado. Os cortes de carne aqui são bem diferentes.

Drogas
Maconha: com receita médica dá pra comprar pela internet e receber em casa. Fonte:  correodelorinoco.gob.ve
Maconha: com receita médica dá pra comprar pela internet e receber em casa. Fonte da Imagem: correodelorinoco.gob.ve
  1. Aqui nos EUA várias estados já aprovaram a maconha para uso medicinal. Aqui na Califórnia se você tem uma autorização médica para comprar cannabis (o que você faz em uma consulta rápida) você pode inclusive comprar para delivery pela internet.
  1. Os EUA é um dos poucos países, além na Nova Zelândia, em que as indústrias farmacêuticas podem anunciar remédios vendidos sob prescrição direto para a população. E eles anunciam MESMO. Tem muito anúncio de remédio na mídia aqui, e também muito anúncio de advogado oferecendo serviços para processar médicos, hospitais ou fabricantes de remédio.
  1. Isso não é uma regra no país todo, mas aqui na Califórnia quase ninguém fuma. O cigarro é associado a pessoas de baixa renda, então não é moda fumar. Quase ninguém tem cinzeiro em casa.

Educação
Escolas Públicas são a regra nos EUA. Mas educaçnao superior só pagando, e bem caro. Fonte da Imagem: Renata Velloso
Escolas Públicas são a regra nos EUA. Mas educaçnao superior só pagando, e bem caro. Fonte da Imagem: Renata Velloso
  1. Aqui nos EUA a grande maioria das crianças estudam em escola pública, mesmo as mais ricas. Mas existe uma grande diferença de qualidade em relação as escolas públicas dos bairros ricos e as dos bairros pobres.
  1. Os pais participam ativamente da vida escolar dos filhos e contribuem financeiramente e com seu tempo nas escolas dos filhos e é isso que acaba diferenciando as escolas públicas dos diferentes bairros. Alugar uma casa aqui em um bairro com escolas excelentes pode custar o dobro de um bairro com escolas piores, mesmo que sejam em ruas lado a lado.
  1. Aqui nos EUA todos os alunos estudam cerca de 7 horas por dia. As escolas começam em torno das 8:30 e liberam as 15:30. Algumas escolas oferecem atividades entre 15:30 e 17:00, mas essa hora extra é paga (bem paga).
  1. Aqui nos EUA a aula de educação física tem a mesma importância e a mesma carga horária do que as outras matérias, como ciências e estudos sociais. Em geral tem aula de educação física 3 vezes por semana, e as avaliações valem nota, como as outras.
  1. Nas escolas aqui nos EUA as classes são dos professores e não dos alunos. Então os alunos vão mudando de sala para fazer cada matéria. E a classe não é a mesma, ou seja, você pode fazer matemática com uma turma e inglês com outra. As classes em geral são formadas pelos níveis dos alunos, ou seja, você pode estar em uma classe “normal” de inglês e numa classe “avançada” de matemática.
  1. Aqui nos EUA as pessoas em geral não repetem de ano. Se você vai muito bem você é colocado em uma classe mais avançada, junto com alunos mais velhos do que você, se você vai mal, pode ser colocado em uma classe mais fraca, com gente mais nova, mas isso é feito matéria por matéria. Em geral se você é muito ruim ou indisciplinado você tem que sair da escola regular e ir para uma escola de recuperação. Isso também pode acontecer se você fica doente por muito tempo e perde muitas aulas.
  1. Aqui nos EUA as férias de verão duram quase o verão inteiro. Elas começam no meio de junho e as aulas só voltam no início de setembro. Já no meio do ano escolar, que é em janeiro, as crianças só tem 15 dias de férias e depois tem mais uma semana no começo da primavera, em abril.
  1. Aqui nos EUA não existe faculdade de graça. E quanto melhor a faculdade mais cara ela é. Alguns pais já começam a guardar dinheiro para pagar a faculdade assim que o filho nasce. Também tem gente que investe muito no esporte para tentar conseguir uma bolsa de estudos. Mestrado e doutorado também são bem caros e não rola bolsa do governo para quem está fazendo esses cursos.
  1. Aqui nos EUA as bibliotecas públicas e das escolas são super bem equipadas. As bibliotecas maiores tem salas de reunião, wi-fi grátis, café, é como se fosse um escritório compartilhado, só que de graça.

Esportes
"World Series" de Baseball só tem tima americano no campeonato. Fonte da Imagem: Kansascity.com
“World Series” de Baseball só tem time americano no campeonato. Fonte da Imagem: Kansascity.com
  1. Aqui nos EUA eles se consideram os melhores em todos os esportes. Por isso vários campeonatos americanos são chamados de “world series” ou “world championship” mesmo quando só tem time americano no páreo.
  1. O esporte mais popular aqui, de longe é o futebol americano, a NFL, o segundo é o futebol americano universitário, só depois vem basquete e baseball. Os americanos são tão fanáticos pelo football que até alguns jogos dos times do ensino médio são transmitidos pela televisão.
  1. Aqui nos EUA o nosso futebol, que eles chamam de soccer é um esporte tão feminino quanto masculino. Aliás ainda tem mais menina do que menino que joga esse esporte, já que os meninos preferem futebol americano e baseball que as meninas em geral não podem jogar.
  1. Os principais times daqui levam o nome da cidade então quase todo mundo que mora em um lugar torce para o mesmo time. Mas apesar de levar o nome da cidade o time tem dono, que pode levar o time de uma cidade para outra. Por exemplo, o time de baseball aqui de São Francisco, o Giants, antes era de Nova Iorque e o dono trouxe o time para cá.

Relações sociais
As Kardashians são uma obcessão nos EUA. Fonte da Imagem: judiciaryreport.com
As Kardashians são uma obsessão nos EUA. Fonte da Imagem: judiciaryreport.com
  1. Aqui nos EUA as festas tem horário para começar e para acabar, e começam e terminam no horário marcado.
  1. Em geral as festas infantis são bem mais simples e mais curtas do que no Brasil. A criança convida uns 10 amigos e a festa dura umas 2 horas. Os presentes também são menores e muitas mães pedem para que as pessoas não trazerem presentes ou para fazerem uma doação para alguma instituição no nome da criança.
  1. Aqui nos EUA as pessoas não se comprimentam com beijinho e só dão abraço em quem já tem alguma intimidade. Em geral rola apenas um aperto de mão.
  1. É bem raro um colega de trabalho convidar outro para conhecer a casa, ou usar a sua casa para reuniões de trabalho.
  1. Aqui nos EUA há um sentimento de comunidade bem grande. Os vizinhos se conhecem e se ajudam. Se você precisa de alguma coisa, em geral alguém da comunidade irá te ajudar ou te emprestar.
  1. Aqui nos EUA o conceito de clube é diferente do Brasil. Existem alguns clubes aqui em que você compra o título, mas eles são muito caros e super exclusivos. Mas existem clubes mais simples em que você pode se associar pagando uma mensalidade ou mesmo só o dia, meio parecido com as academias no Brasil.
  1. Pelo menos aqui na Califórnia a comunidade gay é tratada de maneira totalmente natural na sociedade. Minhas filhas tem amigas com duas mães e com dois pais e é normal.
  1. Aqui nos EUA a opção ao aborto é considerado um direito da mulher, pelo menos nos Estados mais progressistas.
  1. Com relação a bater em crianças ainda há muita diferença entre os Estados. Tem lugar que não permite castigos físicos dos pais nos filhos, mas tem outros em que até os professores ainda podem bater nas crianças se julgarem apropriado.
  1. A religião predominante aqui nos EUA é a protestante, mas a muitas religiões convivem em harmonia. A maioria das pessoas que eu conheço frequenta alguma igreja nos finais de semana.
  1. Os americanos são obcecados por algumas celebridades. Antes era a Jennifer Aniston e a Angelina Jolie, agora é a família Kardashian. Elas estão em TODAS as capas das revistas e todo mundo sabe mais da vida delas do que dos próprios parentes.
Casa

A "lavanderia" aqui nos EUA fica perto dos quartos já que são as pessoas que moram que fazem o serviço. Fonte da imagem: homedesignfind.com
A “lavanderia” aqui nos EUA fica perto dos quartos já que são as pessoas que moram que fazem o serviço. Fonte da imagem: homedesignfind.com
  1. Aqui nos EUA quase ninguém tem empregada todos os dias em casa, em geral as pessoas contratam uma faxineira ou uma empresa de limpeza por algumas horas por semana. Esse serviço é pago por hora e é bem caro.
  1. Por isso a maioria das crianças americanas é educada para ajudar na casa desde de pequenas. Cada criança tem a sua lista de “chores” que são atividades que elas precisam fazer na casa.
  1. Com isso, aqui nos EUA o nível de limpeza e organização das casas é outro, se é que vocês me entendem…
  1. Aqui nos EUA quase ninguém cozinha “from scratch” ou seja, do zero. Uma vez eu estava preparando um frango assado no forno e a mãe de uma amiga da minha filha veio visitar, ela ficou impressionadíssima. É quase tão incomum quanto costurar a própria roupa.
  1. Aqui nos EUA as máquinas de lavar e secar roupa em geral ficam perto dos quartos, na maioria das casas não existe área de serviço.
  1. Nas casas americanas só tem ralo no chão do chuveiro os nas pias. Não existe ralo no chão do banheiro ou da cozinha. As pessoas limpam esses lugares com panos úmidos descartáveis que já vem com produto.
  1. Aqui nos EUA também é muito difícil achar vassoura de pelo para comprar, as pessoas não varrem a casa, no máximo passam aspirador.
  1. Alugar casa aqui nos EUA é muito fácil. Basicamente é o mesmo procedimento do que alugar um imóvel pelo Airbnb. Você fecha um contrato de uma página por email. Não existe fiador. No máximo o proprietário vai te pedir um mês de depósito. Por outro lado se você não pagar pode ser despejado no mês seguinte.
  1. Aqui nos EUA as pessoas tem o costume de limpar toda a casa e destralhar aquilo que eles não usam mais no começo da primavera. E ai eles vendem as coisas que não usam mais fazendo uma lojinha na frente da garagem, chamado “garage sale”. Mesmo gente bem rica faz isso.
  1. Aqui nos EUA o caminhão de lixo passa só uma vez por semana. Cada casa tem direito a três tambores. O maior é para compostos orgânicos tipo folhas e cascas de comida, o médio é para reciclados e o menor é para lixo mesmo. Esse serviço é pago e você tem direito a destralhar umas coisas grandes tipos máquinas quebradas e sofás rasgados duas vezes por ano.
  1. Aqui nos EUA você também pode doar as coisas que estão em bom estado. Se você não vai usar mais um sofá por exemplo, se ele está em bom estado você pode doar para o Exército da Salvação. É só agendar o serviço pela internet, eles vem retirar o objeto e te dão um recibo no valor que você estipular pela doação. Esse valor pode ser descontado do seu imposto de renda.

Dinheiro
Comprou pela internet? O pacote é deixado na porta da sua casa, sem precisar de assinatura. Fonte da Imagem: dedivahdeals.com
Comprou pela internet? O pacote é deixado na porta da sua casa, sem precisar de assinatura. Fonte da Imagem: dedivahdeals.com
  1. Aliás aqui nos EUA qualquer doação que você faz para instituições registradas você pode debitar do valor a pagar no imposto de renda. Isso explica um pouco (ou muito) porque os americanos tendem a ser super generosos com doações.
  1. Os americanos são super abertos para falar sobre dinheiro. Você pode ter acabado de conhecer uma pessoa e ele vai se sentir confortável para te perguntar no que você trabalha e quanto você ganha. Também perguntam na cara dura quanto você pagou por qualquer coisa, seja roupa, jóia ou casa.
  1. Aqui nos EUA não existe cartório. Algumas pessoas fazem um treinamento e recebem um certificado de “notary public” ou seja podem reconhecer assinatura e cobram para isso. Qualquer lojinha de correio tipo UPS tem um notary public, mas eles não devem ter muito trabalho, porque é muito raro você precisar reconhecer assinatura.
  1. Aqui nos EUA se você faz uma compra pela internet eles vão deixar o pacote na porta da sua casa e não vão pedir a sua assinatura. Mesmo que seja um pedido mais caro, tipo um tablet. No final do ano, quase todas as casas estão cheias de pacotes nas portas e ninguém mexe.
  2. Aqui nos EUA a maioria dos museus ou locais educativos para crianças tem plano de sócios anuais. Como esses lugares são fundações esses valores pagos podem ser abatidos no imposto de renda. Com o tempo eu fui virando sócia de metade dos lugares aqui da Califórnia.
Comemorações
  1. A festa mais tradicional aqui nos EUA depois do Natal é o Thanksgiving, que ocorre na última quinta feira de novembro. É nessa data que as famílias se reúnem em torno de uma mesa farta em geral com peru, purê de batata e torta de abóbora.
  1. Aqui nos EUA cada data comemorativa tem a sua decoração específica e algumas pessoas decoram a casa de acordo, fazendo decorações temáticas para o dia dos namorados, Páscoa, dia da independência, Halloween, Thanksgiving e Natal. Gasta-se muito em decoração aqui!
  1. Aqui nos EUA tirando o Natal, ano novo, Thanksgiving e 4 de julho (que é o dia da independência) todos os feriados são comemorados nas segundas feiras.
  1. Carnaval é um dia como outro qualquer aqui nos EUA ninguém comemora e eu nem ouço falar.
Patriotismo
  1. Os americanos são muito patriotas. Todos os dias de manhã as crianças fazem o juramento a bandeira antes de começar as aulas. Muita gente tem bandeira dos EUA na casa. Pela regra a bandeira só pode ficar hastiada se for iluminada a noite toda, caso contrário a pessoa tem que tirar antes de escurecer. E tem todo um jeito especial de dobrar a bandeira.
  1. Os veteranos de guerra aqui são considerados heróis nacional. Eles desfilam em carro aberto nos Memorial Day e no Veterans Day. Eles também tem atendimento preferencial em vários lugares.
  1. Os americanos em geral acham que todo mundo fala inglês. Se até nos filmes os ET’s já chegam falando inglês eles não entendem como alguém pode simplesmente não conseguir se comunicar bem com eles. Para o americano a pessoa que não fala inglês é a mesma coisa que alguém analfabeto.
Liquidação aqui nos EUA Ee pra valer. Fonte da Imagem: thebaghagdiares.com
Liquidação aqui nos EUA Ee pra valer. Fonte da Imagem: thebaghagdiares.com
Comércio
  1. Aqui nos EUA as lojas abrem todos os dias, inclusive nos domingos e feriados. Só fecham no dia do thanksgiving (para se preparar para a Black Friday) e no dia 25 de dezembro.
  1. A maioria dos Shoppings aqui nos EUA é a céu aberto. Isso está mudando um pouco e eles tem construído mais shopping centers como no Brasil, mas o modelo “outlet” ainda é mais comum.
  1. Aqui nos EUA ainda é muito comum as lojas de departamento multimarcas que vendem inclusive produtos de grifes super caras e exclusivas junto com produtos mais populares, eletrodomésticos, etc.
  1. Aqui nos EUA é muito fácil você trocar um produto e receber reembolso, na maioria das vezes te devolvem o dinheiro sem nem pedir a nota fiscal. Isso é menos comum nas lojas multimarcas porque eles querem ter certeza que você comprou naquela loja.
  1. Aqui nos EUA existem promoções de verdade, em datas determinadas. A maioria das pessoas esperam as liquidações para comprar, a não ser que seja um presente.
Trabalho
  1. Aqui nos EUA o horário de trabalho é das 9 as 5. A maioria das pessoas respeita essa regra, especialmente se tem filhos. Mas muita gente acaba levando trabalho para casa.
  1. As leis trabalhistas praticamente não existem aqui. Tudo é negociado entre o funcionário e a empresa, inclusive dias de férias, licença maternidade e décimo terceiro (que não existe aqui de maneira geral). Também não existe aviso prévio ou estabilidade no emprego.
  1. Tem muito imigrante trabalhando aqui nos EUA. Os indianos, russos e orientais são procurados para as áreas mais técnicas e que envolvem tecnologia. Já os latino americanos acabam ficando com os trabalhos mais braçais e muitos, infelizmente, acabam trabalhando como ilegais tendo ainda menos direitos.
Saúde
  1. Aqui nos EUA não tem SUS. O americano em geral acredita que fornecer saúde não é uma obrigação do governo, cada um tem que correr atrás da sua, como se fosse um carro ou uma casa.
  1. Aqui nos EUA você não consegue comprar remédio prescrito sem receita. Aliás o seu médico nem te dá a receita, ele já manda direto para a farmácia que você escolher e a farmácia só vai te vender o remédio se a receita estiver no sistema dela.
  1. Já remédios vendidos sem receita você encontra em qualquer lugar, farmácia, supermercado, loja de conveniência e até livraria.
  1. Aqui nos EUA as farmácias são enormes e vendem de tudo, decorações para casa, produtos de limpeza, comida e até roupa. A parte de remédios fica no cantinho da farmácia.
  1. Aqui nos EUA não precisa ser oftalmologista para fazer exame de vista. Isso é feito por um técnico chamado optometrista. A maioria das lojas quem vendem óculos oferecem o serviço de optometrista.
  1. Os médicos aqui também podem vender medicamento direto para os pacientes e muitos tem linhas próprias de remédios, especialmente os dermatologistas.
  1. Aqui os pais não são obrigados a vacinar as crianças. Até porque esse serviço não é grátis. A escola pede a carteira da vacinação, mas os pais tem a opção de dizer que não vacinaram porque é contra o que eles acreditam e fica por isso mesmo.
Armas
  1. Os EUA são uma nação completamente armada. Quase todo mundo tem uma arma em casa. Se alguém entrar na sua casa sem ser convidado você pode atirar. É um direito constitucional que cada cidadão tem o direito de se defender.
Tecnologia
  1. Aqui nos EUA, ou pelo menos na Califórnia, as pessoas são viciadas em tecnologia. Estão sempre buscando formas de fazer as coisas pela internet, ou através de aplicativos para o celular.
Sexualidade
  1. Ao contrário do dinheiro os americanos tem muito pudor a falar sobre sexo, em geral são super puritanos nesse sentido.
  1. Por outro lado são grandes consumidores de material pornográfico, especialmente o hard core.
  1. Como as pessoas não falam sobre isso é difícil saber, mas eu já li em alguns site que é comum um casal americano passar vários meses sem sexo.
  1. Palavrões são considerados uma coisa horrorosa, principalmente se for falado perto de crianças. Por outro lado quase todas as músicas modernas são cheias de palavrão e ai fazem uma versão “limpa” que toca da rádio e os país deixam as crianças ouvirem.
Regras
  1. As regras aqui nos EUA tendem a ser simples e rígidas. Quando alguém está fazendo uma coisa errada algum americano vai lá falar com aquela pessoa que em geral pede desculpas e pára de fazer, pelo menos momentaneamente.
Turismo
  1. Os americanos em geral preferem viajar dentro do país, de preferência sempre para os mesmos lugares. Existem programas de verão e de inverno que todo ano é meio igual.
  1. Fazer uma viagem internacional é algo que exige bastante preparação. Eles fazem todo um roteiro prévio, reservam não só hotéis mas programas e restaurantes. Já saem daqui com todo o planejamento feito.
  1. Americano que viaja para lugar menos desenvolvido é considerado super aventureiro. Em geral só jovens fazem isso. Viajar para a América Latina a turismo está para o americano assim como “mochileiro” está para o brasileiro.
Moda
  1. Aqui nos EUA (ao contrário da Itália) só tem biquinão. Maiô que avó usa no Brasil é considerado ousado por aqui.
  1. Havaiana é uma sandália como outra qualquer, o pessoal no verão entra com elas em qualquer lugar de igreja e restaurante fino.
  1. Dê uma maneira geral o americano é bem relaxado com moda e prefere o conforto ao invés da elegância.
Política
Estados Vermelhos no meio, Estados Azuis nas costas e Estados pêndulo decidem as eleições. Fonte da Imagem:  danieljmitchell.wordpress.com
Estados Vermelhos no meio, Estados Azuis nas costas e Estados pêndulo decidem as eleições. Fonte da Imagem: danieljmitchell.wordpress.com
  1. Aqui nos EUA existem praticamente apenas dois partidos políticos “de verdade” os republicanos e os democratas. Os dois seriam considerados de direita no Brasil. Mas aqui os Republicanos são mais conservadores e os democratas mais liberais com relação as questões de comportamento.
  1. As eleições para presidente aqui são feitas por Estados. Cada estado tem um número de votos no colégio eleitoral e quem ganha no Estado leva todos esses votos do estado, mesmo que a eleição dentro do Estado tenha sido apertada, quem ganha leva todos os votos e quem perde não ganha nenhum.
  1. Existem Estados que sempre dão vitória aos democratas e Estados que sempre votam nos republicanos e os Estados “pêndulo” que acabam decidindo as eleições.
  1. Comunista por aqui ainda é considerado comedor de criancinha e a maioria acha que não tem nada pior do que viver em Cuba ou na Coréia do Norte.
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Renata Velloso é autora do Bulle de Beauté onde presta consultoria individual e em grupo para quem quer ter uma pele bonita e saudável para a vida toda. Ela também é responsável pelo projeto Doctors on the Cloud onde ensina médicos a se tornarem nômades digitais ou desenvolverem projetos que possibilitem mais liberdade na carreira