quinta-feira, 31 de maio de 2012

Brasil brasileiro

Movimento Brasileiro para Alfabetização - MOBRAL. Início dos anos setenta, iniciaríamos a próxima década a mil. Quem sabe? No entanto, naquela tarde, em que vi colarem um cartaz aludindo a volta de adultos para a escola, surpreendi-me, pois em minha cabeça de estudante do terceiro ano primário, todos os adultos já teriam feito como eu estava fazendo, isto é, aos nove anos, já estava com três anos de escola. Já sabia ler e escrever. E isto levou-me a surpresa de perceber que ainda existiam pessoas analfabetas e também (já) questionar que dificuldades deveriam enfrentar no dia-a-dia. Não se passou muito tempo e o tal movimento esvaziou-se... já se passaram mais de quarenta anos e hoje ainda possuímos milhões de brasileiros que não sabem ler nem escrever. Isto me remete aos cabides de emprego e oportunidades de arrancar dinheiro do Estado. Pois se o Estado é de todos, é sinal que não é de ninguém. Imagino que por essas atratividades ou facilidades é que vicejam os muitos programas disso e daquilo patrocinados pelo dinheiro do contribuinte, ops, dinheiro do governo...
Esta maneira de ganhar a vida é tão comum que parece oficializada pela sociedade. Explorar o Estado, pouco importa se de maneira honesta ou desonesta, pelos escândalos que diariamente pipocam pela mídia é fácil deduzir que a prática desonesta tem inúmeras quadrilhas especializadas. É o superfaturamento, é a venda sem entrega do produto, é desviar os produtos, enfim, as modalidades são inúmeras mais aquelas que não foram descobertas ainda. Diante de um quadro caótico desses, quantos se interessam ou se incomodam? Com certeza, aparecerão aqui e ali alguns “gatos pingados” ou alguns ingênuos (eu entre os quais) que farão alguma diferença gritando, esperneando, escrevendo, enfim reagindo de qualquer maneira. E o que mudou. NADA. Simplesmente nada... nadinha... nem uma vírgula sequer. 

Então por que se dedicar à causas perdidas?

quarta-feira, 30 de maio de 2012

George Harrison

Quem tem um filho que adora tocar guitarra, aprende a gostar de:





terça-feira, 29 de maio de 2012

Para pensar

Se me pedissem para dizer qual é, a um só tempo, a mais importante produção da Arte e a coisa a ser mais almejada, eu responderia: uma bela Casa; e se me perguntassem então qual a segunda produção mais importante e a segunda coisa a ser almejada, eu responderia: um belo Livro. Usufruir de boas casas e bons livros com auto-estima e decente conforto parece-me ser o prazeroso objetivo pelo qual toda sociedade de seres humanos deveria agora lutar. 
William Morris: (in "Some thoughts on the ornamented books of the Middle Ages")

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Oinc... Oinc... Oinc...


Gilrikardo disse: Agora mais do que nunca na história deste país, acredito que a montanha de movimentos classistas é cria da oportunidade de alguém receber dividendos eleitorais com a causa. Não imagino que foi algo planejado, mas sim produto do acaso. Um movimento por uma causa aqui outra ali e assim originou essa nova maneira "IGNÓBIL" de se angariar votos. Sim, votos. Para mim, tais estatutos, movimentos, projetos, inclusões, ongs, tudo assistencialismo barato. FLORESCERAM NA ÚLTIMA década, sob o patrocínio dos companheiros. É A CLÁSSICA DIVIDIR PARA DOMINAR. Repetindo, acredito tudo ocorreu ao acaso. E daqui para frente não estranharei, se de fato surgirem O MOVIMENTO DOS GORDOS DESCONTENTES, MOVIMENTO DOS PORTUGUESES INDIGNADOS, MOVIMENTO DAS LOIRAS INTELIGENTES, e por aí a fora... sinceramente hei de concordar com O MASCATE ... vivemos NUMA POCILGA... oinc... oinc... oinc...

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Do Blog O Mascate
E o Brasil segue ladeira abaixo em desabalada carreira.

Meses atrás a Sinistra das políticas para mulheres causou um baita tumulto na mídia por achar que o comercial das Lingeries Hope quando a modelo Gisele Bunchenn aparecia de calcinha e sutiã para dar más notícias ao marido, seria uma afronta as mulheres. 
A população nem percebeu o apelo de machismo e a estereotipação ou desvalorização da mulher brasileira. 

Interessante, a sinistra queria tirar uma peça de propaganda do ar por acreditar em desvalorização da mulher, carnaval de peitos e bundas à mostra, funks onde as mulheres são chamadas de cachorras, e agora a tal marcha das vadias não incomodam a vigilância políticamente correta da pocilga? Hipócritas!!!

Continua...

Oração da propina

Ex-deputado da oração da propina é preso

Júnior Brunelli se entregou à polícia do Distrito Federal neste domingo. Ele é investigado por desviar 1,7 milhões de reais que deveriam beneficiar idosos



Se dizem religiosos agradecendo pelas falcatruas. Realmente tem coisas inomináveis... 

Mais 3.672 pendurados nas tetas


Eleição de 2012 criará 3.672 vagas de vereador



domingo, 27 de maio de 2012

Reflexões sobre o efeito-estufa


O fenômeno do efeito-estufa, como descrito nos livros de Meteorologia, é questionável e desafia as leis da Termodinâmica! Esse fenômeno não está descrito nos livros de Física. A versão clássica o compara com o que ocorre nas casas de vegetação (estufa de plantas = greenhouse), nas quais a radiação solar atravessa os painéis de vidro e aquece o chão e o ar interno. A radiação infravermelha térmica (IV), emitida dentro da casa de vegetação, não consegue passar pelo vidro, que a absorve por ser opaco a ela (vidro absorve comprimentos de onda superiores a 2,8 µm) e a impede de escapar para o ambiente exterior à casa de vegetação. Esse seria o fenômeno responsável pelo aumento de sua temperatura. Em princípio, ocorreria a mesma coisa na atmosfera terrestre. A radiação solar incide sobre a atmosfera, parte dela (30%) é refletida de volta para o espaço exterior por nuvens, moléculas do ar e pela própria superfície terrestre, porém boa parte atravessa a atmosfera e é absorvida pela superfície terrestre, que se aquece. Aquecida, a superfície emite radiação IV que, por sua vez, seria absorvida por gases constituintes minoritários da atmosfera, como vapor d’água, gás carbônico (CO2) e metano (CH4), os chamados gases de efeito-estufa (GEE), que atuariam de forma semelhante ao vidro. Os GEE emitiriam a radiação IV absorvida em todas as direções, inclusive de volta à superfície. Essa seria a explicação para o ar adjacente à superfície ser mais quente que as camadas superiores da atmosfera. Em princípio, quanto maior a concentração dos GEE, maior seria a absorção da radiação pela atmosfera e emissão para a superfície e mais quente ficaria o planeta. Ou seja, maior injeção de CO2 e CH4 na atmosfera tenderia a intensificar o efeito-estufa...
continua

sábado, 26 de maio de 2012

Um amigo e seu destino

Nos conhecemos na época em que ele era um cavalante e ajudava meu tio nas lides campeiras. Era um sujeito cheio de iniciativas, sempre alerta para as necessidades da estância. Não havia tempo feio, com chuva ou sol a pino lá estava a conduzir os rebanhos. Até o dia em que o velho pecuarista foi visitar o patrão lá de cima e a família rifou as terras, pois geralmente os herdeiros pouco valoram aquilo que lhes chega de graça. 
Aí então o cavalante tornou-se um bicicletante na cidade, pois era inviável continuar com seu cavalo pelas ruas cobertas de paralelepípedos lisos qual sabão, ainda mais em dias de chuva quando até a pé era perigoso acelerar o passo. De peão de fazenda a vendedor de picolé no verão e de milho cozido no inverno, assim meu amigo conduziu a vida por um bom tempo, aguardando outra oportunidade qualquer. Vieram os invernos, os verões e os anos se foram sem apresentar qualquer novo meio de vida. Cansou da espera. Desiludido seguiu para a estrada e virou um esmolante sem rumo. Ao sabor dos ventos. Hoje para lá e amanhã acolá. 
Em sua cabeça não existia o presente nem o futuro. Vivia a ruminar as boas lembranças do passado que lhe fora generoso quando vivera como gente de verdade. Alguém útil prestando um serviço capaz de garantir-lhe a boa sobrevivência. Além de lhe propiciar cavalgadas, mergulhos nos rios, comer frutas no pé, juntar pinhão, engraxar o bigode numa costela gorda, sorver o chimarrão ao cair da tarde e como não lembrar da chorosa gaita que lhe aliviava a alma nas noites de frio ao pé do braseiro. Alimentando-se com essas confortáveis imagens seguia pela beira da estrada até que numa curva foi colhido por um veículo desgovernado em alta velocidade. 
As luzes voltaram no quarto de hospital ao lhe comunicarem o ocorrido e quais seqüelas restaram. Resignou-se e imaginou para quem um dia já foi cavalante, bicicletante e esmolante pouca diferença faria em se transformar num cadeirante. E assim, com os passos limitados, foi acolhido numa casa de recuperação onde passava os dias sob os cuidados de uma prestativa enfermeira que adorava contação de histórias e acreditava que dessa forma levaria conforto aos deficientes do abrigo. Meu amigo não esperava nada, logo adaptou-se à nova maneira de sentar e andar. Assim o que viesse seria lucro e veio após alguns dias quando percebeu que além de cavalante, bicicletante, esmolante e cadeirante tornara-se também escutante da jovem narradora.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Os Direitos Inalienáveis do Leitor

1.  O direito de não ler.
2.  O direito de saltar páginas.
3.  O direito de não acabar um livro.
4.  O direito de reler.
5.  O direito de ler não importa o quê.
6.  O direito de amar os “Heróis” dos romances.
7.  O direito de ler não importa onde.
8.  O direito de saltar de livro em livro.
9.  O direito de ler em voz alta.
0.  O direito de não falar do que se leu.
                                                                              

Como um Romance, Daniel Pennac

Mais que 1000 palavras


                                                                Saber mais? Clique AQUI

Piada do dia

Gretchen descarta participação em "A fazenda 5". "Não quero me expor."

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Caso Xuxa

Quanto tempo leva para se aprender?
-Em se tratando de celebridades, show business, televisões e políticos, diariamente temos lições!


Efeito colateral

Trôpego esbarrava nos garrões da multidão até que a náusea invadiu-me, eis que surge um alento: a leitura! Suave brisa a renovar minha luta contra a ignorância. Palavras que mexem com meus botões, com meu brio e com a pequenez que teima residir em mim.

Metáfora

Lá no início da humanidade, quando ainda nossos ancestrais eram apenas coletores, imagino que perambulavam de um lado a outro em busca de apenas sobreviverem.
Com o rolar dos tempos, surgiram alguns distribuindo sementes, flores, frutos, raízes, borboletas, lagartas, entre outros quitutes, simplesmente recolhendo, repassando.
Ajuntavam ao tempo que distribuíam aos semelhantes sem questionar ou impor condição alguma, era somente a boa intenção de não olhar a quem... era algo de instinto... era algo de preservação da espécie.
Quem seriam? Em nossos dias, mesmo a colheita sendo outra, permanecem a abnegação, o instinto, o não olhar a quem, então seríamos justos e gratos ao chamá-los de professores.

Gil Rikardo

"Vivemos em um mundo onde existem mais professores que alunos."

Roland Barthes

A literatura não permite caminhar, mas permite respirar.

Jared Diamond - Dica de leitura

O cientista e escritor diz que, para enriquecer, os países quentes precisam vencer as doenças tropicais e que sem democracia nem a China vai muito longe

"Os Estados Unidos tiveram mais sorte que o Brasil, mas questões históricas e culturais também explicam a diferença entre os dois países"

O professor Jared Diamond, da Universidade da Califórnia, vive numa bela casa, quase no meio do mato, numa rua sem saída nos arredores de Los Angeles. De manhã, passa até duas horas caminhando pela região, observando e ouvindo os pássaros. De volta para casa, cuja sala é carregada de enfeites de Papua-Nova Guiné, trabalha no seu próximo livro. Duas vezes por semana, estuda italiano. Biólogo, geógrafo e historiador, ele é autor de Armas, Germes e Aço, em que explica por que a sociedade europeia deu certo, e Colapso, no qual mostra como civilizações se exauriram ao devastar o meio ambiente. Seu novo livro, a ser publicado em 2012, tratará da vida nas sociedades tradicionais, como tribos indígenas, em oposição à vida nas sociedades com estado. Com tamanho leque de interesses – de passarinhos à língua italiana, de Papua-Nova Guiné à biologia –, o professor, de 72 anos, é um dos mais brilhantes explicadores do sucesso e do fracasso de países e civilizações. 


quarta-feira, 23 de maio de 2012

Rola na rede - Carta da ONU

"A ONU enviou uma carta para cada país com a pergunta:
"Por favor, diga honestamente qual é a sua opinião sobre a escassez de alimentos no resto do mundo".
A pesquisa foi um fracasso.
Os europeus não entenderam o que era 'escassez' e os africanos não sabiam o que era 'alimento'.
Os cubanos não entenderam o que era 'opinião' e os argentinos, o significado de 'por favor'.
Os norte americanos nem imaginam o que seja 'resto do mundo'.
O congresso brasileiro está debatendo até agora sobre o que é 'honestamente' ...

Comunicado a quem lê este blog

Mensalão, Cachoeira e Comissão da Verdade, três assuntos cujo espaço a ocupar neste blog está restrito a este post. Não vou gastar o tempo do leitor ou leitora, nem o meu à toa.

Volando con el viento - VI

Desfeita a mala e distribuidos meus parcos pertences pelo quarto, decidi dar uma volta pelas redondezas em busca de algo para comer. O contraste entre meus dias de interior e agora na capital, servia para motivar-me cada vez mais, pois era só olhar ao redor e perceber novidades em cada esquina que dobrava. Quase tudo me chamava a atenção, aliás sou muito curioso e por isso as pedras da calçada que pareciam estar ali há décadas foram alvo de meu olhar. Percebi que estavam regularmente bem niveladas, diversas formas geométricas dominavam a decoração naquele trecho.
Pulei alternadamente sobre algumas, ensaiando aquela brincadeira de criança cujo nome nem lembro mais. Era um bairro antigo, as casas pareciam ter mais de cinquenta anos e já se notava a presença de algumas dando lugar a construção de pequenos prédios. Aí então que meu pescoço doeu. Não me cansava de andar com a cabeça erguida olhando para cima, admirado com os métodos de se construir naquelas alturas. Quem me visse, talvez ficasse curioso também com cena tão pitoresca -  de pescoço torto olhando para o céu. Tal aquela piada em um programa humorístico quando aparece um sujeito parecendo olhar para o último andar dum prédio, com o passar do tempo foi juntando uma multidão de curiosos procurando encontrar  algo também olhando para cima, até que alguém pergunta o motivo daquilo, o primeiro que iniciou a cena contou que estava apenas com torcicolo e não fazia ideia do motivo dos outros... (heheheh)
Segui em frente desejando conhecer a região que faria parte da minha rotina. Assim é natural que se ande próximo ao quarteirão, e foi isso que fiz, por instinto ou reflexo, acabei dando a volta e cheguei ao portão de onde sai. E cadê a merenda? Barbaridade, tava tão distraído que esqueci. Essa foi uma das primeiras de muitas distraídas que me perseguiram naqueles dias. (... continua)


Vide Prefácio

Para ler os demais capítulos, clique no marcador Volando, abaixo.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Uma desilusão

Era assíduo assinante da revista Exame, há quase trinta anos, além de manter-me informado, conheceria certos bastidores e histórias do mundo dos negócios - como ingenuamente imaginava. 
Até que em determinado número emergiu uma reportagem (inesquecível, eis a prova) sobre as melhores e maiores construtoras, eram páginas e mais páginas, demonstrando como chegar ao topo em poucos anos. Senti-me um idiota, um completo ignorante por não aplicar em minha vida tais ensinamentos de competência, austeridade e muita estratégia ousada. 
Aquilo impressionou-me, como posso deixar passar isso - questionei-me à época. Estava tudo tão simples, tudo tão na cara, e mesmo assim não acreditei em tais teorias - por um bom tempo lamentei não ter dado a devida atenção aos conceitos elencados na matéria. 
Segui minha vida de eterno aprendiz e leitor da revista. Até o dia em que fui obrigado a me desfazer de uns bons quilos de ingenuidade. Foi quando veio a baila as maracutaias da exemplar e famosa construtora de Brasília, a OAS, erigida nos moldes da atual Delta, e ovacionada pela imprensa de aluguel como exemplo de sucesso e gestão. 
Peguei os exemplares que colecionava e atirei-os no lixo. Foi uma lição e tanto. Mostrou-me um Brasil que até hoje ainda permanece imutável. O Brasil dos bastidores. Brasil dos donos do poder. Pois sai ano, entra ano, e os subterrâneos se mantêm. Só mudam as siglas e a cara dos anjinhos.

Argentina x Brasil

Para entender a relação

A Argentina, feminina tal espanhola, dançarina flamenca cheia de garbo, roda a saia e num sensual bailado intimida o Brasil, masculino qual português, pacato, ingênuo, acuado pela ousadia e astúcia, rende-se encantado, pois não lhe cabe reação machista perante dama tão sedutora!

Homo etc e tal

Não adianta, depois que inventaram essas diferenças em nosso viver, deveremos ouvir, respeitar e só... acreditar, aceitar, gostar, apoiar, aprovar, é outro departamento muito mais embaixo. Sou do tempo em que o mundo era feito de pessoas, e cada qual com seu destino a cumprir. 
É simples, sim. 
MAS a modernidade, em nome de ideologias, determina separatismos, diversidades, grupinhos, minorias, maiorias, consciências disso e daquilo, e assim parece que vamos dividindo... e nada melhor que isso para melhor dominar. Aí tudo se esclarece, na modernidade das ideologias, dominar dividindo é o caminho. 
Por isso continuarei quadrado e fora de moda, continuarei com meu aprendizado de décadas passadas, fazer ao próximo o que gostaria que fizessem para mim... ou simplesmente respeitar como ser respeitado. 
É simples, por isso não dá voto.

A verdade de cada um

No. 281 - 21/2012
Nós e a Crise
Renato Holz (*)

Certa vez, em entrevista publicada na revista veja, o rabino Sobel afirmou:

“quando não existe crise, existe pouco envolvimento existencial para com sua identidade, para com sua 
religião e para com o mundo.“

Estas afirmações me levaram a refletir sobre a nação brasileira.

Nós brasileiros vivemos em um ambiente de muita tranqüilidade, somos tolerantes ao extremo, e pouco nos envolvemos com os problemas de nossa comunidade, de nossa cidade, de nosso país. Somos especialistas em transferir todos os problemas para os governantes, os quais escolhemos com pouca ou nenhuma reflexão, e passadas as eleições, com sensação de dever cumprido, nos afastamos totalmente de qualquer assunto que diga respeito ao coletivo, do qual somos parte.  
Vemos uma ou outra manifestação de parcelas da sociedade organizada na exigência de direitos muito individualizados como salários, vantagens pecuniárias e outros que tais, e nunca se vê qualquer manifestação sobre nossas obrigações como cidadãos.
No Brasil colônia, quando a coroa portuguesa elevou os impostos sobre a mineração de ouro para em torno de vinte por cento ouve uma revolta que resultou em prisões e morte - A Inconfidência Mineira. Já no decurso do segundo reinado, o aumento de impostos sobre a produção de charque resultou em sangrenta luta fratricida – A Guerra dos Farrapos.
Na atualidade somos informados constantemente que trabalhamos em torno de cinco meses a cada ano para manter o Estado em seus três níveis de governo, sobre corrupção ativa e passiva envolvendo governantes e representantes legislativos, sobre a má distribuição de renda e tantos outros problemas e dos poucos eventos que nos levam a empunhar a bandeira brasileira e como nação nos unirmos em torno de uma causa é o futebol – copa do mundo.
A participação da seleção brasileira em uma copa do mundo é um acontecimento que merece envolvimento e união, sem sombra de qualquer dúvida.  Mas...  e a educação, a saúde e a segurança pública são menos importantes?  Ah, esqueci, isto é problema do governo.
Basta um aquecimento qualquer na economia brasileira, e conseqüente aumento da atividade industrial que vemos manchetes “gritando aos quatro ventos” falta mão de obra qualificada.  A qualquer momento que abrirmos um jornal ou ligarmos um aparelho de televisão somos informados da legião de semi-alfabetizados que a grande maioria do povo brasileiro integra. São motivo de piada pela rede mundial de computadores as placas de sinalização e anúncios comerciais expressas em um português deformado, bem como “pérolas” que surgem às milhares nas redações das provas de vestibular que ocorrem em todo o país.

“  ... quando não existe crise, existe pouco envolvimento ...”

Concluindo pergunto: o que é necessário para tirar o povo brasileiro da letargia em que vive ante os grandes problemas nacionais? 
Será que ser assaltado em cada esquina, esperar meses por um exame de saúde, ver nossos filhos concluírem o primeiro grau escolar sem capacidade de interpretar e entender um texto de jornal não são crises de gravidade suficiente?   
Ou será que  alcançamos o ponto onde a todos nós falta capacidade de entender o que se passa à nossa volta, e identificar as sucessivas crises que vivemos.
É hora de darmos a nossa contribuição efetiva na luta pelo bem da humanidade, pelo aperfeiçoamento dos costumes e pela tolerância sem conivência.

Pensem nisto enquanto desejo a todos
uma ótima semana
Renato Holz
< renatoholz31@gmail.com >

Horizonte CE 21 de maio de 2012
(*)Renato Holz
bacharel em ciências econômicas, e articulista catarinense

Gabriel Garcia Marquez

Viver para contar
A vida não é a que a gente viveu,
e sim a que a gente recorda,
e como recorda para contá-la.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

E lá nos confins


Lá numa comunidade, nos confis do Pará, lá onde o diabo perdeu as meias, pois as botas ele deixou muito, mas muito antes mesmo. É longe prá dedéu... É de lá que vem uma experiência patrocinada pela nova onda de INCLUSÃO que assola este país abençoado por deus e bonito por natureza.
Pois bem... numa tarde, pulando de canal em canal, cheguei ao Futura que exibia as comunidades dos quilombolas (descendentes de ex-escravos) e de como o governo lhes dá uma atenção toda especial.
Curioso resolvi conferir. O apresentador pintava um quadro revolucionário, parecia que agora sim, todos os excluídos seriam salvos, pois aquela experiência teria se mostrado de grande valia e exemplo para as demais comunidades. E aí então surge um desfile de depoimentos e revela uma vila de miseráveis coletores de açai.
A professora responsável pela matemática diz que agora o ensino é da "ETNOMATEMÁTICA", isto é, matemática voltada ao saber dos quilombolas. Fiquei imaginando se teriam encontrado outra maneira de somar ou multiplicar. E lá vem a professora explicar o método etnomatemático para pesar o açai, utilizavam latas (cinco latas, duas latas, ao invés de cinco quilos, dois quilos), pois era com latas que eles transportavam os frutos retirados do pé. Depois desse baque, teimosamente continuei só para ver até onde iriam com tais experimentos pedagógicos. E foram, pois ensinavam o resgate da cultura dos escravos de cento e cinquenta anos passados... como dançavam, como cantavam, como rezavam, como faziam as comidas, como plantavam... e naquelas gentes, alguns com cara de que nada entendiam outros sorrindo à-toa...
Aquilo foi como esbofetear-me a cara. Não acreditei que em pleno século XXI é possível se gastar energia, dinheiro e muito esforço para INCLUIR miseráveis na cultura da ESCRAVIDÃO. Se eu ali estivesse, provavelmente pularia com tudo em cima daqueles “especialistas do governo”. Ora, que coisa mais ridícula, ensinar como era a vida de escravos e ficar trazendo aquelas práticas para um mundo onde não existe escravidão. Melhor aprenderem a dançar rock, samba, bolero, rap ou outra música onde vemos raças de todas as cores se integrando, comer um hot dog, uma pizza, uma macarronada, um churrasco...
Não, isso não pode. Devemos sim, recuperar a cultura escravagista para daí então criar uma nova classe com direito a sindicato, ministério, ministro e toda aquela parafernália burocrata - assim devem almejar esses insensíveis energúmenos e parasitas estatais. Depois disso tudo, estou tentado a subir numa árvore, resgatar meus instintos ancestrais e quem sabe voltar a comer bananas. Até lá, muita azia!

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PS: Esse google é uma arma e tanto, após publicar o texto acima, fui em busca de informações e bingo. É só conferir:
http://www.oimpacto.com.br/plantao/projeto-quilombola-e-destaque-no-canal-futura/
Projeto Quilombola é destaque no Canal Futura
Santarém terá seu projeto de educação quilombola exibida para o Mundo
Amanhã, às 14h, no Programa Nota Dez – A cor da Cultura no canal de TV a cabo Futura, será exibida uma matéria sobre a escola municipal São Sebastião, localizada no quilombo de Murumutuba, em Santarém. A reportagem destacará o projeto “A etnomatemática e os símbolos africanos: estudando a geometria”, desenvolvido pela professora Patrícia da Silva Tates.
O projeto utiliza figuras da arte africana, através de livros e revistas que expõem figuras com desenhos africanos, atentando sempre a visualização das formas geométricas nas obras, e a busca de alternativas viáveis e cotidianas dos educandos, em que os mesmos vislumbrem a teoria estudada nas escolas com a sua prática no dia-a-dia. Os alunos atendidos utilizam as artes, a história e o português, usando a matemática como base nesse processo.
Na Escola Municipal São Sebastião, a Prefeitura de Santarém, por meio da Secretaria Municipal de Educação e Desporto (SEMED), utiliza projetos quilombolas para a implementação da lei 10.639/2003, que inclui o estudo da História da África e dos Africanos; a luta dos negros no Brasil; a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional e as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Etnicorraciais, visando o reconhecimento e a valorização da identidade africana por meio de práticas educativas vivenciadas em sua própria realidade.Ascom/PMA

Et-no-ma-te-má-ti-ca

Etnomatemática
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Bantumi o Kalaha, um jogo africano
objecto de um estudo etnomatemático.

A etnomatemática surgiu na década de 1970, com base em críticas sociais acerca do ensino tradicional da matemática, como a análise das práticas matemáticas em seus diferentes contextos culturais. Mais adiante, o conceito passou a designar as diferenças culturais nas diferentes formas de conhecimento. Pode ser entendida como um programa interdisciplinar que engloba as ciências da cognição, da epistemologia, da história, da sociologia e da difusão.

A palavra foi cunhada da junção dos termos techné, mátema e etno. Segundo Ubiratan D'Ambrósio o Programa Etnomatemática 

"tem seu comportamento alimentado pela aquisição de conhecimento, de fazer(es) e de saber(es) que lhes permitam sobreviver e transcender, através de maneiras, de modos, de técnicas, de artes (techné ou 'ticas') de explicar, de conhecer, de entender, de lidar com, de conviver com (mátema) a realidade natural e sociocultural (etno) na qual ele, homem, está inserido."

Tomando o campo da matemática como exemplo, numa perspectiva etnomatemática, o ensino deste ganha contornos e estratégias específicas, peculiares ao campo perceptual dos sujeitos aos quais se dirige. A matemática vivenciada pelos meninos em situação de rua, a matemática desenvolvida em classes do ensino supletivo, a geometria na cultura indígena, são completamente distintas entre si em função do contexto cultural e social na qual estão inseridas.

domingo, 20 de maio de 2012

O PT que a maioria não vê.

Gilrikardo disse: Enquanto a companheirada faz festa com a dinheirama ao doar 21 mil toneladas de alimentos aos comunistas da Coréia do Norte, os militares coreanos investem pesado em armamentos e em energia nuclear. Seria verdadeiro afirmar que a companheirada está financiando, mesmo que indiretamente, os alucinados XING LINGS comunistas. Enquanto isso, aqui em nosso Brasil, lugares miseráveis ignorados pela "falta de recursos", dizem eles.  
Só para melhor entender o tamanho da ofensa imaginem que uma carreta transporta vinte toneladas, então para cem toneladas são cinco carretas, vezes dez, então teremos cinquenta carretas para transportar mil toneladas de alimentos. Como serão vinte e uma mil toneladas, serão necessárias vinte e um multiplicado por cinquenta, ou seja MIL E CINQUENTA CARRETAS carregadas com dinheiro de nossos impostos e doadas aos famintos coreanos do norte que estão mais preocupados em produzir armas a alimentos.

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O diretor-geral do departamento para a América Latina do Ministério das Relações Exteriores da Coreia do Sul, Jang Keun-ho, criticou a ajuda humanitária que o Brasil vem dando ao seu vizinho do norte. Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, o diplomata reconheceu que a atitude do Brasil de enviar alimentos à Coreia do Norte é boa, mas pode ter um efeito negativo.
O governo sul-coreano teme que o vizinho, com quem está tecnicamente em guerra, use as doações para ganhar fôlego e continuar seu programa nuclear.
A Coreia do Norte vive uma crise humanitária, e o Brasil já enviou 16 mil toneladas de alimento ao país, número que deve chegar a 21 mil toneladas nos próximos meses, segundo a Folha de S.Paulo. A Coreia do Norte já enfrentou crises de alimentos, e o governo americano interrompeu a ajuda humanitária ao país depois que o governo
lançou um foguete em abril. O temor é que o lançamento tenha sido o teste de um míssil.
De acordo com a Folha, o Itamaraty afirma que a doação de alimentos é regulamentada por uma lei de junho do ano passado, que prevê a ajuda a países com carências alimentares.



http://www.jb.com.br/internacional/noticias/2012/05/19/coreia-do-sul-critica-ajuda-brasileira-a-vizinho-do-norte/




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A PRESIDENTA DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: 

Art. 1o A União fica autorizada a doar, até 12 (doze) meses após a publicação desta Lei, por intermédio do Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas - PMA, ao Estado Plurinacional da Bolívia, à República de El Salvador, à República da Guatemala, à República do Haiti, à República da Nicarágua, à República do Zimbábue, à República de Cuba, aos países da Comunidade de Países de Língua Portuguesa, à Autoridade Nacional Palestina, à República do Sudão, à República Democrática Federal da Etiópia, à República Centro-Africana, à República Democrática do Congo, à República Democrática Somali, à República do Níger e à República Democrática Popular da Coreia os produtos nos respectivos limites identificados no Anexo desta Lei, desde que não comprometa o atendimento às populações vitimadas por eventos socionaturais adversos no território nacional (CONTINUA)

Volando con el viento - V

Crescer era minha missão, desde que recebi a carta de libertação, isto é, desde que a família motivou-me a seguir em frente. Mesmo sem a mínima ideia do processo ou a quem recorrer, entusiasticamente enfrentei os primeiros passos com euforia similar a de um cão que foge da coleira, corre para um lado, para outro, se atrapalha todo, sem direção ou noção alguma. Era minha vida em início de alforria.
Faltaram momentos para sentir saudades dos tempos em que ainda morava numa pacata cidade do interior com seus vinte e poucos mil habitantes. Lá onde os dias, as noites são previsíveis, sobretudo o destino das pessoas as tornam previsíveis. Ao nascer, o bambino chega com um “carimbo” na testa, quase que profetizando seu futuro dentro daquela sociedade. E dessa maneira teremos uma existência determinada não pelos sonhos ou ambições pessoais, mas sim pelo papel que o meio já traçou. Dificilmente se escapará de dita sina, pois em tais lugares o estrato social permanece intacto geração após geração. É o consagrado filho de peixe peixinho é.  
Assim, aos raros e inconformados desejosos de outro destino, resta-lhes a saída pela porta da frente ou dos fundos. Pela da frente fatalmente retornará a maioria dos peixinhos diplomados, sempre ao aconchego do seguro aquário da família cuja tradição se mantém há muito tempo. Aqueles que saem pelos fundos raros voltarão, e somente em ocasiões especiais, falecimentos, casamentos entre outros ...mentos. A mim coube a porta dos fundos, ser filho de peixe não seria meu destino. (... continua)

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sábado, 19 de maio de 2012

Ensino

18 de maio de 2012 | 3h 06
O Estado de S.Paulo

Os últimos números do Ministério da Educação (MEC) revelam que, em 2011, o índice de reprovação na rede pública e privada de ensino médio foi de 13,1% - o maior dos últimos 13 anos. Em 2010, foi de 12,5%. Os alunos reprovados não conseguem ler, escrever e calcular com o mínimo de aptidão, tendo ingressado no ensino médio com nível de conhecimento equivalente ao da 5.ª série do ensino fundamental.
O Estado com o maior índice de reprovados foi o Rio Grande do Sul - 20,7% dos alunos. Em segundo lugar aparecem, empatados, Rio de Janeiro e Distrito Federal, com índice de 18,%, seguidos pelo Espírito Santo (18,4%) e Mato Grosso (18,2%). A rede municipal de ensino médio na região urbana de Belém, no Estado do Pará, foi a que apresentou o maior índice de reprovação do País (62,5%), seguida pela rede federal na zona rural de Mato Grosso do Sul (40,3%). No Estado de São Paulo, o índice pulou de 11% para 15,4%, entre 2010 e 2011.
Os Estados com os menores índices de reprovação foram Amazonas (6%), Ceará (6,7%), Santa Catarina (7,5%), Paraíba (7,7%) e Rio Grande do Norte (8%). Os indicadores também mostram que 9,6% dos estudantes da rede pública e privada de ensino médio abandonaram a escola - em 2010, a taxa foi de 10,3%; em 2009, ela foi de 11,5%; e em 2008, de 12,8%.


Gilrikardo disse: Vou me ater somente a dois índices em virtude de estar "familiarmente" ligado a eles e  assim, com um certo conhecimento de causa, ser capaz de construir uma opinião. O Rio Grande do Sul teve o maior índice de reprovação (20,7%), estado onde tive minha formação até o segundo grau, considero tal índice uma vitória da ética e da honestidade, pois deve ser verdade, para mim uma prova de que os professores não se renderam às "pressões" políticas para alterarem o quadro. Fato oposto ao que ocorre com o índice de Santa Catarina (7,5%) entre os menores do Brasil. OUSO apostar que tal número é uma MENTIRA deslavada, pois aqui, pessoas que acompanham de perto o ensino já pecerceberam que aluno algum reprova,,, existe uma verdadeira "INDÚSTRIA" de aprovação escolar com intuitos politiqueiros e eleitoreiros. Esses índices só servem para comprovar a facilidade que existe em se manipular estatísticas. Minha vida pertence a estes dois estados irmãos, RS e SC, e a realidade por aqui não justifica um disparate tão significativo entre 7,5 e 20,7 pontos percentuais apresentado em tal estudo. É... realmente, educação não é o nosso forte.

George Orwell

Numa época de mentiras universais, dizer a verdade 
é um ato revolucionário.

-Eremita!

Durante algum tempo em minha vida, sofri com o desejo/prazer de estar só, mas “entre aspas”, pois era eu e meus pensamentos advindos de leituras/estudos. Foram anos para enfim me libertar do preconceito que me envolvia ao estar solitário. Nos dias atuais, sinto-me abençoado ou privilegiado por viver tais momentos. Nada como um dia após o outro para nos tornarmos o que somos. (uma apologia ao Profº Nietzsche)

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Volando con el viento - IV

Então deduzi que eu ficar brincando com as dimensões do banheiro nada mais era do que um “cacoete” dos meus tempos "de varde”. Voltemos ao quarto. Era suficiente para uma cama, uma pequena mesa e cadeira, e um velho (põe velho nisso) guarda-tudo, sim tudo, pois não era só a roupa que seria guardada ali. Inclusive, pela minha experiência anterior, até comida ajeitava-se entre cuecas, meias, camisas, livros, sapatos, e outras vestimentas. Para ventilar uma pequena basculante, e só. Ali deveria ser feliz pelos próximos meses. Peguei as chaves o recibo pelo pagamento adiantado de um mês, agradeci à velhota e fui colocar minha mudança em dia. Imaginem o tempo que se leva para desmontar uma mala tão pequena que parecia ser de criança. Era toda minha estrutura domiciliar. Algumas peças de roupas, um rádio, um fogareiro, uma panela e uma caneca. Que mais poderia desejar, se aquilo era suficiente para minhas necessidades diarias. Às vezes se é feliz sem se dar conta dos motivos. Àquela época acredito que o fato de não ter e não estar comprometido com nada resultava naquele sentimento de felicidade total. Nada me abalava. Nada era motivo de tristeza. Assim iniciei minha caminhada para fugir da adolescência em busca daquilo que diziam ser vida de adulto. Diziam para eu crescer. E era isso que eu procurava. Crescer... (...continua)

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Volando con el viento - III

Estava num período de transição. Sem emprego e em férias escolares, assim dava-me ao luxo de fazer nada o dia todo. Ficar "de varde” como diziam meus amigos de infância. Tá "de varde” hoje. Esse cara adora ficar "de varde”... e o "de varde”... tornou-se referência à vadiagem em minhas lembranças. Não que eu não gostasse de ficar "de varde", mas naquela época se alguém pronunciasse qualquer palavra em louvor ao ócio, imediatamente seria escorraçado pela vizinhança. 
Criou-se dessa forma um ranço discriminador contra aqueles viventes que vez por outra tinham a coragem de sentar-se sob o luar a escutar o brilho das estrelas. Era estar assim e ouvir zombarias por gostar de estar "de varde". Apesar das lembranças, confesso não desprezar tais momentos. (...continua)

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"de varde" > expressão dialeto gaúcho > de balde, em vão, ocioso.


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Últimas notícias

Desde quando eu era criancinha oiço falarem que fulano morreu de desgosto, mal que parece estar a afetar-me. Pois notícia após notícia constato que somente uma ELITE INFAME se locupleta em cima da miséria de sangue, suor e lágrimas dos milhões de contribuintes deste país sem definição a quem deve servir. Desgosto é isto, olhar, gritar, impotente ser, e somente lágrimas rolar. Acreditem, isto sou eu, isto é um brasileiro após cinco décadas de desilusão.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Volando con el viento - II

Após lavar o rosto e dar uma ajeitada nas madeixas, desci para falar com a proprietária da casa que estava a alugar-me um pequeno cômodo. Localizava-se próximo à horta, o inconveniente era entrar na residência e subir a escadaria para usar o banheiro. Mas quem precisa, precisa. O resto são detalhes que o futuro mostrar-me-ia. 
Ainda curioso com minha nova morada, fui conferir o espaço ao lado das instalações para lavar roupas e guardar quinquilharias. Era menor que a metade do banheiro, isto é, caberia mais que dois quartos no banheiro. Aquela relação entre os tamanhos era curiosa, qual o motivo de um banheiro com medidas tão incomuns. Tipo de resposta que em nada ser-me-ia útil, tipo de informação que não me auxiliaria em nada. Então porque ficar em masturbação mental, falta do que fazer diria minha avó. Acho que até certo ponto seria isso mesmo, falta do que fazer. (... continua)

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Blog O Mascate

Quinta-feira, Maio 17, 2012


O Brasil é mesmo uma pocilga.

TAI A IMAGEM QUE NÃO ME DEIXA MENTIR.
Sinceramente.
Não tenho argumentos nem estômago para 
comentar esta imagem.
O Brasil virou de vez a maior zona de baixo 
meretrício da história da humanidade.
Conseguiram juntar em uma única fotografia, 
tudo o que há de pior em matéria de política.
.............................................
E PHODA-SE!!!! 

Volando con el viento - I

Aquele lugar até então era estranho para mim. Lentamente subi a escada que levava ao andar superior. À medida que degrau por degrau avançava, o cheiro de mofo invadia minhas narinas. As paredes há muito não viam tinta, os tacos do piso todos irregulares, alguns soltos, outros faltando. Ao aproximar-me da porta do banheiro, tentei imaginar como seriam as instalações, nem em mil tentativas acertaria, pois ao abrir a porta parecia um “salão de baile” de tão grande. 
Para quê um espaço tão gigantesco, se ali dedicamos individualmente alguns momentos do dia. Igualava-se às dimensões da cozinha, sem abrigar quantidade igual de parafernálias. Assim a impressão que dava era de realmente ser maior, muito maior. Continuei minha investigação e ao olhar-me no espelho perguntei em voz alta: -O que você está fazendo aqui, meu camarada? Fixando o olhar em mim mesmo, respondi imaginando que estaria por ali nos próximos tempos. (... continua)

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Volando con el viento - Prefácio

A vida não é a que a gente viveu,
e sim a que a gente recorda,
e como recorda para contá-la.
Gabriel Garcia Marquez
Viver para contar

Volando con el viento... ao acaso... na fruição do dia-a-dia... entre outros títulos que eu poderia utilizar para meus escritos. São pequenos trechos de memórias que escrevo diretamente no blog para quem sabe reaproveitar algum dia e também com intenção de publicá-los em meu Modas dum diletante, pequena publicação impressa no formato A4 (parágrafos curtos, máximo uma página) cuja distribuição gratuita passa dos quatro anos. 
Quem estiver curioso para conferir tal edição, procure ao lado os marcadores Edição Impressa, lá poderá baixar um exemplar em PDF. Também deixo registrado que não existe revisão daquilo que escrevo, assim se por ventura pisar na bola ou cometer algum deslize no trato da escrita, gentileza comunicar-me, de bom grado desde já agradeço. Boa leitura e boa sorte a todos nós.


PS: Para ler todos os capítulos, escolha aí embaixo o marcador Volando... clique nele que surgirão os capítulos de acordo com a data de publicação. 

quarta-feira, 16 de maio de 2012

O PT que a maioria não vê

Gilrikardo disse: Transcrevo do blog Diplomatizzando as palavras do professor Paulo Roberto de Almeida cujo conhecimento e envolvimento na causa "Golpe/Revolução 64" balizam a sua opinião que contrapõe ás palavras da presidente em novamente insistir que tais movimentos lutavam pela democracia... Os governistas defendem essa tese com unhas e dentes. Em hipótese alguma aceitam "a verdade". Confira abaixo:

QUARTA-FEIRA, 16 DE MAIO DE 2012

Sobre isto:
A presidente Dilma Rousseff empossou nesta quarta-feira, em Brasília, os sete integrantes da Comissão Nacional da Verdade, grupo de trabalho que irá apurar violações de direitos humanos durante a ditadura militar, entre os anos de 1946 e 1988. Com voz embargada, a presidente negou que o colegiado busque “revanchismo” ou a possibilidade de “reescrever a história”. Ex-integrante da organização clandestina VAR-Palmares, a presidente se emocionou ao relembrar os “sacrifícios humanos irreparáveis” daqueles que lutaram pela redemocratização do país...
peço licença para discordar.

Como ex-integrante de dois desses grupos que alinharam contra o regime militar, no final dos anos 1960 e início dos 1970, posso dizer, com pleno conhecimento de causa, que NENHUM de nós estava lutando para trazer o Brasil de volta para uma "democracia burguesa", que desprezávamos.
O que queríamos, mesmo, era uma democracia "popular", ou proletária, mas poucos na linha da URSS, por nós julgada muito "burocrática" e já um tantinho esclerosada.
O que queríamos mesmo, a maioria, era um regime à la cubana, no Brasil, embora alguns preferissem o modelo maoista, ainda mais revolucionário.
Os soviéticos -- e seus servidores no Brasil, o pessoal do Partidão -- eram considerados reformistas incuráveis, e nós pretendíamos um regime revolucionário, que, inevitavelmente, começaria fuzilando burgueses e latifundiários. Éramos consequentes com os nossos propósitos.
Sinto muito contradizer quem de direito, mas sendo absolutamente sincero, era isso mesmo que TODOS os desses movimentos, queríamos.
Essa conversa de democracia é para não ficar muito mal no julgamento da história.
Estávamos equivocados, e eu reconheço isso. Posso até dar o direito a outros de não reconhecerem e não fazerem autocrítica, por exemplo, dizer que nós provocamos, sim PROVOCAMOS, o endurecimento do regime militar, quando os ataques da guerrilha urbana começaram. Isso é um fato.
Enfim, tem gente que pode até querer esconder isso.
Mas eles não têm o direito de deformar a história ou mentir...

Se eterno fosse

A gente vive como se eterno fosse. Como se houvesse na vida uma segunda chance. Como se estivéssemos em treinamento e que viver de verdade é o dia que escolhemos. A gente vive sem imaginar que aqui é tudo tão rápido... não se tem tempo para fazer tudo... não se tem tempo para fazer nada... o tempo não perdoa! Ainda assim, nos julgamos donos da situação, donos de nossas vontades, olhamos para o horizonte e quase com certeza imaginamos que lá algum dia estaremos. Na linha da esperança, a espera de algo que nunca virá, é nós quem iremos. Partiremos da mesma forma que chegamos. Sem desejar e sem lembrar... um sopro... uma brisa... e ainda tem gente que se julga acima do bem o do mal... meros mortais que do pó vieram e ao pó haverão de retornar!

Eleições 2012 - Minha contribuição


General de Exército

LEI DO SILÊNCIO
12 de maio de 2012 | 3h 06
Romulo Bini Pereira - O Estado de S.Paulo
Em 1979, após muitos debates em amplos segmentos de nossa sociedade, a Lei da Anistia foi aprovada e promulgada no País. Ela veio pôr um ponto final no ciclo de beligerância que se instalou na vida brasileira e criou um pacto de reciprocidade para a reconstrução democrática no Brasil.
Nestes anos de sua vigência, as Forças Armadas cumpriram um papel impecável. Voltaram-se para suas missões constitucionais, sem a mínima interferência no processo político que aqui se desenvolvia. Mantiveram-se em silêncio, acompanhando os fatos políticos, alguns bastante perturbadores, sem nenhuma atitude que pudesse ser analisada como intervenção no processo democrático.
Adotaram uma verdadeira lei do silêncio. Um ajuste entre seus chefes, em busca da concórdia e do entendimento.
No corrente ano, entretanto, dois fatos vieram de encontro à atitude das Forças Armadas. O primeiro foi a criação da Comissão da Verdade. De modo unânime, militares da ativa e da reserva consideraram tal comissão um passo efetivo para atos de revanchismo. Os seus defensores - alguns deles membros da alta esfera governamental e do Poder Judiciário - já falam em rever a Lei da Anistia, mesmo após o Supremo Tribunal Federal ter confirmado a sua validade.

terça-feira, 15 de maio de 2012

É deprimente... é nojento...

Em ano de eleição, Dilma lança pacote social com enfoque no Norte e Nordeste
FLÁVIA FOREQUE - DE BRASÍLIA
O anúncio de medidas em benefício de mulheres e crianças deu o tom do pronunciamento à nação feito pela presidente Dilma Rousseff neste domingo (13), Dia das Mães. Ela destacou que o plano, lançado em ano eleitoral, dará maior atenção às regiões Norte e Nordeste, onde se concentram a maior parte das famílias em extrema pobreza.
"78% das crianças brasileiras em situação de pobreza absoluta vivem nessas duas regiões, e 60% delas estão no Nordeste. Ou seja, regiões mais pobres, crianças mais desprotegidas, mães e pais entregues historicamente à sua própria sorte", afirmou a presidente em mensagem transmitida em rede nacional de televisão e rádio.

Gilrikardo disse: Tô cansado de ver esse paternalismo imbecil jogar recursos nessas regiões com o único intuito eleitoreiro... é deprimente... é nojento! 
Que palhaçada é essa dona Dilma: "mães e pais entregues HISTORICAMENTE à própria sorte". E daí, e nós aqui, e eu, por acaso não estou historicamente atrelado à minha competência, ao meu desempenho perante à minha vida. Qual é a sua dona Dilma?  
É vergonhoso em pleno século XXI políticos sedentos de poder, ainda comprando votos. É por essas estratégias politiqueiras que nossa CARGA TRIBUTÁRIA se torna cada vez mais indecente. Nesta hora, a única saída que imagino é: SEPARATISMO JÁ. 
Vamos rachar esse país em quatro ou cinco nações, com certeza teremos mais chances de agradar a todos. Faríamos pelas regiões já demarcadas. PAIS ZUL, PAIS ZUDESTE, PAIS ZENTRO-ZESTE, PAIS ZORTE E PAIS ZORDESTE. Pronto! Cada país iria viver de acordo com suas competências! Com suas vocações. Não acredito que da maneira que é gerido há cinco séculos, conseguirá manter-se por mais cinco. No meio do caminho sempre haverá uma pedra, e desejo que esta seja o inicio de um novo tempo. O fato de eu não estar mais aqui, não me impede hoje de sonhar com tais dias. Acredito que a vida tem desses ímpetos, assim alguns existem para simplesmente refletirem sonhos... abaixo as primeiros reflexos...



segunda-feira, 14 de maio de 2012

E na CPI do Cachoeira


A verdade de cada um

No. 280 - 20/2012 
A CULPA DE QUEM PRODUZ
Renato Holz (*)
A partir dos anos 60, os povos de países com maior poder aquisitivo - Alemanha, Estados Unidos, França - passaram a entender como trabalho menos nobres - limpeza pública, entrega de mercadorias e tantos outros, e que eram tarefas indignas para eles - os desenvolvidos - e passaram a estimular a vinda de imigrantes de países subdesenvolvidos para realizar estas tarefas. Bem lembro dos movimentos aliciadores alemães no sul do Brasil em busca de jovens de ascendência germânica para irem trabalhar na Alemanha.
Depois a maioria dos países ocidentais, um após o outro, passaram a entender que produzir ítens de pouco valor agregado - vestimentas, calçados, brinquedos - e por aí vai a relação, era tarefa para os países do terceiro mundo. Nos anos 70 a produção de calçado e confecções migrou para o Brasil, e depois para os países orientais.
Especular, vender direitos de propriedade, os famosos "royalties", e deter a primazia da distribuição e do comércio passaram a ser as atividades nobres nos países do ocidente. Produzir era coisa para países de mão de obra barata.
Entretanto, desde a revolução industrial no Século XVIII a grande geradora de locais de trabalho é a indústria. Assim, os países importadores passaram a enfrentar um problema social de difícil solução, pois uma parcela importante de suas populações se viu desempregada, e como tal, passou de um lado a ser um ônus para os governos com assistência social, e de outro lado deixaram de ser os consumidores que o mercado necessita, e pagadores de impostos, fonte de sustentação dos governos.

Ao mesmo tempo que isto começou a ocorrer no ocidente, os países de terceiro mundo investiram em educação - vide o caso de China e Coréia do Sul, só para citar dois exemplos - passaram a deter tecnologia e se tornaram produtores de bens de ponta como máquinas, computadores, "software", etc, etc . . . e passaram a se tornar indispensáveis, pois os países "desenvolvidos" desativaram e permitiram o sucateamento de suas indústrias, e a população destes países já não está preparada para produzir aquilo que importava a baixos preços.
Conclusão: desemprego nos Estados Unidos e na Europa, queda vertiginosa da poupança interna, a historicamente financiadora da produção, déficit orçamentários astronômicos na maioria destes países.
Aí passou a ganhar mais força a atividade de financiamento dos governos através do mercado de valores, que evoluiu a tal ponto que hoje em dia, inclusive no Brasil, a especulação com títulos de governo é premiada com isenções fiscais e/ou baixíssima tributação tudo para garantir a continuidade de financiamento dos gastos de governo. 
Ao mesmo tempo, as atividades de produção e distribuição são cada vez mais oneradas com encargos tributários.
Quem especula, e não gera empregos e nada produz, é premiado e quem produz e consome é penalizado com elevada carga tributária. 
Esta a inversão de valores em que nos encontramos, e o resultado destas práticas é o que vemos: crises, derrocada de governos e da economia de países anteriormente fortes economicamente ( Espanha, França, Itália, Estados Unidos. etc ).
A fragilidade atual é tão expressiva que uma tempestade no mercado imobiliário nos Estados Unidos originou uma crise mundial em 2008, e por efeito dominó repercute em vários países europeus nos dias atuais.
No Brasil, os recursos da Caderneta de Poupança financiam atividades de produção, e não o déficit do governo. Foi com o objetivo principal de garantir a continuidade do interesse dos investidores nos títulos da dívida pública brasileira que as regras da caderneta de poupança foram alteradas. Dizer que esta mudança foi para possibilitar a continuidade da queda de juros é falácia. O real é que, como as coisas andavam, e com a taxa Selic sendo reduzida continuamente, aqueles que aplicam em títulos que financiam a dívida do tesouro nacional passariam a aplicar na caderneta de poupança que remunerava melhor as aplicações como já estava acontecendo em abril último.

Economia é uma ciência com princípios simples e imutáveis:

- para ter mais renda é preciso a contrapartida do aumento da produção
- para aumentar a produção é preciso que haja poupança que financie este aumento
- o financiamento do consumo - dos gastos - só é salutar enquanto existir a real capacidade de pagamento desta antecipação de recursos.

Em outras palavras - só existe crescimento econômico salutar - de uma família, de uma empresa e de um país - com poupança, que financia a produção, a qual por sua vez gera as riquezas necessárias para sustentar o crescimento.

O enriquecimento de qualquer setor que provém do empobrecimento de outro setor é nefasto. Esta prática cobrará um preço alto das pessoas de qualquer entidade, desde o âmbito familiar - com o excesso de endividamento com prestações com altos juros embutidos - até a amplitude de um país que financia o seu excesso de gastos no " mercado financeiro " - especuladores.

Não devemos criticar quem trabalha duro, como é o caso, por exemplo, do povo chinês.

Devemos sim repensar a nossa realidade, e trabalhar duro para melhorá-la.

Concluo com uma frase lapidar do grande líder indiano Mahatma Gandhi

" O capital em si não é um mal; o seu mau uso o transforma em um mal." 

Pensem nisto enquanto desejo a todos
uma ótima semana
Renato Holz
Horizonte / Ce 14 de maio de 2012

(*) Renato Holz - bacharel em ciências econômicas, e articulista catarinense