segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Ó patria amada

Ó patria amada, idolatrada, salve, salve...
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La se vão alguns dias desde que a mídia se rendeu à doença do ex-presidente Lula. Em qualquer meio de comunicação que você dê uma olhadela, pronto, lá estará um desfile de opiniões e de como será o tratamento recebido no melhor hospital da América Latina. Este é o nosso Brasil varonil, enquanto a minoria se beneficia dos melhores recursos que o dinheiro pode comprar (oriundos do meu e do teu imposto também), a massa é sensibilizada pelas insistentes matérias produzidas com as cores humanitárias, e então, de joelhos pede aos céus mais proteção para o “homem”.
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O pátria amada, idolatrada, salve, salve... É de se imaginar dias melhores, dias em que outros valores e interesses menos contaminados desçam às mentes deste país. Quiçá ouviremos que o presidente ou outra autoridade encontra-se em bom tratamento numa unidade do SUS de qualquer Estado deste Brasil!
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Ó pátria amada, idolatrada, salve, salve... E assim agem os sonhadores, assim os sonhos são gerados. No pouco a pouco do pensamento alcançado, surgem raízes e memórias que acionarão o desejo da vontade... e com vontade os homens acordarão, recordarão... e nada mais será como dantes!
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Ó pátria amada, idolatrada, salve, salve.... 

Dia de ação global pelo bem comum

E se todos os anos conseguíssemos reunir um enorme grupo de pessoas em torno de um ideal, o ideal da Cooperação, do Apoio Mútuo e do Altruísmo?

E se, com o tempo, conseguíssemos achar formas de tornar este dia mais e mais frequente?


domingo, 30 de outubro de 2011

Vale conferir

destino: educação. diferentes países. diferentes respostas.

O que Coreia do Sul, Canadá, Chile, Finlândia e a província de Xangai, na China, têm em comum?

Todos estão bem colocados no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), que avalia a qualidade da educação em cada país por meio do desempenho dos estudantes. Mas o que cada um deles tem de diferente? Isso é o que vai mostrar o “destino: educação”, novo programa do Canal Futura que colocou a câmera na mala e seguiu viagem para investigar o que leva os sistemas educacionais desses países a estarem entre os melhores do mundo.

sábado, 29 de outubro de 2011

Que maldade!

A presidente Dilma mandou a Lula, em seu aniversário, dois livros de presente. É mais ou menos como dar de presente a Jô Soares uma temporada no spa.


Difícil de engolir

Há mais de duas semanas rola na mídia o caso do Ministério dos Esportes que culminou com a famosa carta de despedida do senhor Orlando Silva sem admissão de culpa alguma. Isso com a garantia de que o senhor Aldo Rebelo é quem ocupará a vaga pois pertence ao mesmo partido político (PCdoB). Por quê?

Será que é para garantir que as falcatruas permaneçam no anonimato. Ou pior ainda, para dar continuidade aos desvios combinados entre companheiros de sigla. É triste a sensação de que estão me fazendo de palhaço... de novo. E mais uma vez surgirão os blá... blá... blá... dizendo que farão isso, limparão aquilo, que agora é diferente, e que o dinheiro que sumiu não volta mais... etc... 

Como não falar mal dessa amaldiçoada classe de demagogos, mentirosos e hipócritas. Gentes que diariamente nos dão provas de que estão lá meramente pelas ambições e ganâncias pessoais... até quando aguentaremos????     

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Devaneios

Cidadania

Ouvindo tuas lamentações, imaginei a quantidade de problemas que deixariam de existir, além da respectiva economia de recursos, se todas as crianças desde o primeiro dia de escola fossem instruídas a enfrentarem a vida com responsabilidade, consciência e cidadania. Seríamos outro mundo, e no poder certamente estariam outras categorias de políticos. Talvez por isso continue tudo como sempre esteve e por um longo tempo ainda estará.

Eu e você partiremos desta vida sem perceber qualquer mudança. Apesar disso, não desistamos de insistir...

Eu insisto
Tu insistes
Ele insiste
Nós insistimos
Vós insistis
Eles insistem!

Desistir jamais.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Ridículo

Ao assistir o ex-jogador de futebol Sócrates soltando o verbo em entrevista, após recuperar-se de mais um susto, fiquei imaginando a quem deveríamos indicar terapia. A ele, cara carcomido pelo vício do álcool – cirrose é o estágio final, ou a quem perde tempo ou se constrange ao ouvir tanta bobagem dita ao mesmo tempo. Entre elas, a de que Cuba é exemplo de vida – engraçado que ele foi convidado a treinar a seleção cubana e não aceitou. Não é preciso ser especialista em nada, é só olhar para o sujeito e suas expressões que facilmente conclui-se estar diante de um doente em muitos sentidos. E a mídia, doida por uns pontinhos no ibope, se presta ao ridículo papel de mostrá-lo como troféu (não sei de quê?).

Mentiras

Quem nunca mentiu que atire a primeira pedra!?

Pois é, com gosto ou meio a contragosto a mentira faz parte de nosso meio de vida. Desde àquelas ingênuas em brincadeiras até as deploráveis artimanhas cultivadas pelos políticos.

Condená-los pela prática é fácil, mas se descermos às motivações humanas perceberemos aquilo que Francis Bacon nos legou em um de seus aforismos: "um homem acredita mais facilmente no que gostaria que fosse verdade".

Então nada mais natural do que atender o homem (nós) nesse quesito, assim agem àqueles que prometem a esperança em suaves prestações. Pois facilmente acreditamos.

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A compreensão humana não é um exame desinteressado, mas recebe infusões da vontade e dos afetos; disso se originam ciências que podem ser chamadas ‘ciências conforme a nossa vontade'. Pois um homem acredita mais facilmente no que gostaria que fosse verdade. Assim, ele rejeita:

  • coisas difíceis pela impaciência de pesquisar;
  • coisas sensatas, porque diminuem a esperança;
  • coisas mais profundas da natureza, por superstição;
  • a luz da experiência, por arrogância e orgulho,
  • coisas que não são comumente aceitas, por deferência à opinião do vulgo.

Em suma, inúmeras são as maneiras, às vezes imperceptíveis, pelas quais os afetos colorem e contaminam o entendimento.”

Francis Bacon, Novum organon (1620).

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Eu voto distrital. Participe!


E as ditas minorias

Tenho cinquenta anos de idade e me criei no interior do Rio Grande do Sul. Hoje resido em Joinville SC,  por quase quarenta e poucos anos não havia percebido que existiam negros, gays, loucos e outras ditas minorias. Para mim eram pessoas assim como eu. Dignas de respeito e mais nada.

Só a partir de certos movimentos iniciados na era "Lula" que surgiu em mim essa desconfiança, esse ranço de que devemos "gostar" do diferente. Respeitar a gente respeita até cachorro vira-lata, mas aderir a tais bandeiras continuará utopia, pelo menos para mim.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

A verdade

Na tevê o pastor vociferava o destino dos justos e dos ímpios, falava da verdade que a poucos se manifesta. Isso despertou minha curiosidade e permaneci atento ao desenrolar daquele culto que após algumas passagens bíblicas pinçadas não ao acaso, levaram a platéia sensibilizar-se e de pronto abraçar o envelope destinado à contribuição para a "obra de deus". O dízimo. Aí um clarão iluminou meu discernimento e também percebi a verdade. Ciente de que estava correto em minhas conclusões, saí porta à fora para comprovar na prática aquilo que a mim se revelou.

Na primeira esquina, aproxima-se um jovem e seu carrinho de sorvetes, ali encontrei a verdade. Sem a qual inexistiria a possibilidade de eu refrescar o paladar com o sabor de limão gelado sob um sol escaldante de trinta e poucos graus. Sim era a verdade. Acreditei. Segui em frente rumo aos desafios de confrontá-la com quem cruzasse meu caminho naquele dia. Ao aproximar-se o lotação, mais uma vez a verdade. Como negar que ela não estaria movimentando aquela multidão de trabalhadores suados e com as caras amassadas após mais uma jornada. Era verdade. Acreditei. Segui no lotação e tão logo desembarquei, aproximou-se de mim um velhote com cara de quem bebeu todas e pediu-me algum trocado. Era verdade. Neguei-lhe as moedas. Para beber não. Era verdade.

Ainda seguindo em frente, do outro lado da rua os cartazes anunciavam a verdade. Em suaves prestações de apenas alguns reais por longos cento e oitenta meses você faria parte da verdade. Isso é a verdade. Circulando. Levando. Trazendo. Fazendo. E as pessoas ainda se dizem descrer da verdade. Ou dizer que a verdade é relativa. Mesmo que ela se manifeste a cada passo... em cada esquina... Pois se é verdade... como ignorá-la. Como fazer de conta que não existe. É impossível negar que somos sustentados, que somos movidos, que somos humilhados, que somos explorados, que enganamos e somos enganados... pelo desejo de lucro. Eis a verdade: o lucro. Sem o qual nossa vida neste planeta se tornaria inviável.   

Penso, logo existo

De há muito tinha notado que, pelo que respeita à conduta, é necessário algumas vezes seguir como indubitáveis opiniões que sabemos serem muito incertas, (...). Mas, agora que resolvera dedicar-me apenas à descoberta da verdade, pensei que era necessário proceder exactamente ao contrário, e rejeitar, como absolutamente falso, tudo aquilo em que pudesse imaginar a menor dúvida, a fim de ver se, após isso, não ficaria qualquer coisa nas minhas opiniões que fosse inteiramente indubitável.
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Assim, porque os nossos sentidos nos enganam algumas vezes, eu quis supor que nada há que seja tal como eles o fazem imaginar. E porque há homens que se enganam ao raciocinar, até nos mais simples temas de geometria, e neles cometem paralogismos, rejeitei como falsas, visto estar sujeito a enganar-me como qualquer outro, todas as razões de que até então me servira nas demonstrações. Finalmente, considerando que os pensamentos que temos quando acordados nos podem ocorrer também quando dormimos, sem que neste caso nenhum seja verdadeiro, resolvi supor que tudo o que até então encontrara acolhimento no meu espírito não era mais verdadeiro que as ilusões dos meus sonhos. Mas, logo em seguida, notei que, enquanto assim queria pensar que tudo era falso, eu, que assim o pensava, necessáriamente era alguma coisa.

E notando esta verdade: eu penso, logo existo, era tão firme e tão certa que todas as extravagantes suposições dos cépticos seriam impotentes para a abalar, julguei que a podia aceitar, sem escrúpulo, para primeiro princípio da filosofia que procurava. René Descartes, in 'Discurso do Método'

René Descartes

A Melhor Conversa, pela Leitura

A leitura de todos os bons livros é como uma conversa com os melhores espíritos dos séculos passados, que foram os seus autores, e até uma conversa estudada, em que eles só nos revelam os seus melhores pensamentos. René Descartes, in 'Discurso do Método'

Dia de ação global pelo bem comum

Dia 11/11/11

http://111111.coolmeia.org/

A Felicidade está nas pequenas coisas como diz o ditado. Nos movimentos do dia-a-dia que fazemos com quem gostamos, com quem respeitamos. E se estamos em condições de ajudar alguém a fazer este movimento, então podemos nos considerar privilegiados.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Um sábio

Em tempos remotos sofríamos com a falta, para alguns séculos após sofrermos pelo excesso. Como evitar a congestão causada pelo consumo indiscriminado de informação que nos dias de hoje nos chega através das mais variadas formas e fontes. Essa questão levou-me a recordar de alguém que soube lidar com suas escolhas, entre as quais filtrar o conhecimento e utilizá-lo em benefício próprio. Leia o texto e descubra...

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Tiobias é o apelido do senhor Tobias, um parente distante que está próximo de completar um século de vida. Parece que foi ontem que o conheci. Faz quarenta anos que viajei ao lado dele em uma charrete num percurso de trinta quilômetros.

Era uma visita ao lar do velho solitário. De quem se ouvia muitas histórias, principalmente sobre seu estilo de vida. Na época, em minha cabeça infantil, soava-me triste alguém levar aquele “modus vivendi” distante de tudo e de todos, mal sonhava que talvez aquela forma de existência lhe traria a longevidade que lúcido desfruta nos dias de hoje.

Lembrei-me disso ao acompanhar um documentário sobre a revolução provocada pela quantidade de informação em nossas vidas. Estamos vivendo um período que qualquer um tem acesso a qualquer tema através dos recursos gratuitos na internet. Houve tempos em que nossa vida sofria pela falta, parece até piada que poucos séculos à frente soframos pelo excesso.

Querer mais ou menos informação leva-me ao estilo de vida do Tiobias cujo inicio deu-se lá pela década de quarenta, quando ele resolveu mudar de vida. Saiu de Porto Alegre após alguns anos trabalhando como protético e rumou para interior da serra gaúcha. Lá num recanto onde o progresso dificilmente chegaria, construiu sua morada. Tudo simples e somente o essencial para as necessidades básicas de sobrevivência. Sua meta era morar ali sem depender dos recursos da cidade, até onde sei, conseguiu.

Pois, vez por outra ou duas ou três vezes por ano, se dirigia à cidade em busca de peças de roupa, obras de literatura, mantimentos ou artefatos para suas lidas de agropecuária.

Minha última visita ao seu rancho deu-se há quinze anos, quando o vivente estava com oitenta e cinco anos. Ao me ver disse estar espantado com a semelhança física entre eu e meu avô, primo dele. A cara de um, foucinho do outro - brincou. Perguntei-lhe porque escolhera aquele estilo de vida. Longe de todos e de tudo. Disse-me que nos tempos de estudante já entendera que a vida é o sentido que damos a ela, assim decidiu fazer aquilo que lhe proporcionaria certa tranquilidade aliada a longevidade, pois era um apaixonado pelo ato de viver. Ao decidir-se, concluiu que a cidade lhe traria muitos riscos desnecessários, entre eles ter que se sujeitar às regras e horários impostos pela necessidade de se trabalhar. Observara também o incipiente consumismo movimentando a vida das pessoas, e isso não lhe seduzia, olhava para os modismos como ervas daninhas a infestarem uma lavoura.

Estávamos sentados na varanda e era possível uma visão geral do pequeno mundo cultivado por ele durante cinquenta e cinco anos. Tinha uma pequena horta, um milharal, cercado com galinheiro e muitas penosas circulando, um chiqueiro, um estábulo para os dois cavalos e a vaca leiteira. Além dos quatro cães perdigueiros que também lhe serviam de alarme para eventuais invasores.

Perguntei-lhe se sentia falta de alguma coisa. Disse-me com a serenidade de quem encontrou o entendimento que não. Insisti afirmando que o rádio ou a tevê poderiam lhe trazer um conforto. De maneira alguma - disse-me. Levo a vida da maneira que em meu mundo só aquilo que traz algum sentido é digno da minha atenção. Assim tenho uma rotina voltada para minha sobrevivência e como fonte de conhecimento e informação mantenho uma pequena biblioteca que iniciei em meus tempos de infância. Vez por outra, quando sinto que algo não frui direito, vou à cidade e consulto algum médico, mas até hoje nada relevante - encerrou ele.

A conversa prolongou-se até o cair da tarde, quando então montei em minha motocicleta e prometi que algum dia voltaria. Se passaram quinze anos e lá não retornei. Quem sabe ainda consiga vê-lo mais uma vez. Mas o que me levou a tais lembranças é a grande quantidade de informação e o efeito disso em nossas vidas. É muito conhecimento desnecessário sendo digerido sem critério algum. E qual seria?

Invoco Tiobias, um tipo de vida exemplar, como ele mesmo disse: a vida é o sentido que damos a ela. Ele quis uma vida longa e para que isso fosse possível abandonou tudo aquilo que significasse algum risco para atingir seu intento. Preencheu sua vida com a vida que desejava levar. E como prêmio está completando um século de existência. Sem medo de errar completaria dizendo um século de sapiência e felicidade, com certeza.

*Sábio: Aquele que se distingue pelo grande saber, pela experiência do mundo e por uma vida exemplar.
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MAIS ALGUMAS PALAVRAS SOBRE O TEMA
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Um filósofo grego ao visitar um mercado repleto de novidades se disse admirado pela quantidade de coisas que não precisava em sua vida. Idéia contrária ao que parece nos guiar, pois ao entrarmos em um shopping facilmente lamentamos pela infelicidade de não poder comprar tudo aquilo que desejamos.

domingo, 23 de outubro de 2011

Opiniões


Durante um bate-papo corriqueiro com alguém que já morou na África do Sul, Suiça e Portugal, indaguei-lhe sobre algo interessante oriundo daquelas culturas. Relatou seu inconformismo ao ver pessoas criando cães, gatos e outros animais como se fossem gentes. Aí então, eu que nunca saí de minha aldeia, recorri naturalmente ao que me cerca para contrapô-lo e quem sabe até confortá-lo, disse-lhe: “Melhor criar um cachorro como filho a criar o filho como um cachorro.”

sábado, 22 de outubro de 2011

Penso, logo voto nulo

Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu. (Eclesiastes 3:1)

E o meu tempo de escolher candidatos encerrou-se. Foram três décadas de grande empenho e entusiasmo ao votar naqueles que de alguma forma estariam alinhados ao meu pensamento. Foram igualmente três décadas de grande desilusão e desencanto, pois quase todos aqueles, raríssimas exceções, que imaginei éticos, coerentes, dignos ou honestos, cedo ou tarde deixaram cair a máscara e revelaram o egoísmo, a ignorância, a demagogia, a hipocrisia e o corporativismo alucinado como fiéis ingredientes na realização de suas ambições pessoais em detrimento do legítimo papel em prol do bem comum.

Em três décadas de eleitor, perdi a conta dos empreendedores, comerciantes, negociantes, trabalhadores avulsos que foram a nocaute ou "quebraram" diante dos inúmeros obstáculos e das crises econômicas existentes em nosso meio. Foi quando senti o cheiro do sangue e das lágrimas de pessoas calejadas tentando simplesmente caminhar, enquanto lá em cima, na classe da oligarquia política, em meus trinta anos de eleitor, nunca houve crise. Os ganhos, as verbas disso e daquilo, as leis garantindo benesses e distorções criadas em benefício próprio. Elevam essa categoria a imunidade de crise, seja qual for, é o passaporte para a felicidade terrena, onde a conta do privilégio para poucos resulta numa carga pesada para todos.

Então, em respeito a mim, à minha dignidade, resolvi não me envolver com questões insolúveis. Partirei em busca de aproveitar melhor o tempo que era reservado para acompanhar as ações dos vendedores de sonhos. Basta. Minha motivação para tal propósito esvaiu-se e o meu voto daqui para frente será NULO como nulas foram as promessas nas quais acreditei nos últimos trinta anos.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Saudosismo

Hoje lembrei das pessoas que lamentam a época vivida que não volta mais, pois o mundo e a vida seguem em frente. O tempo passa e só a fotografia fica como dizia um locutor de rádio (Tio Lagoa) dos meus tempos de guri! E não à toa, foi ao ver uma banca de jornais e revistas desmontada para dar espaço a outro tipo de comércio.

Revistas, guloseimas, jornais, livros entre outras opções não foram suficientes para mantê-la. Com certo saudosismo, lembro-me dos tempos antigos, onde se comprava o selo para por a carta no correio... visitava-se a revistaria em busca das novidades... das fofocas televisivas... das fofocas de hollywood... das notícias e notícias do país e do mundo.

Sempre fui um assíduo frequentador de tais paragens, era na banca do Edson ou na do Osni em Curitiba às sextas-feiras ou sábados pela manhã que sapeava as manchetes. Muitas vezes abusava ao folhear mui lentamente publicações cujas matérias colocavam-me em dia com os acontecimentos. 

É o mundo contorcendo-se em nossa frente, em menos de duas décadas, os avanços tecnológicos da informática reduziram a necessidade de papel, além de proporcionar maior rapidez e recursos na tarefa de divulgar noticias, novidades, fofocas, etc, inclusive em tempo real. Diante disso, o futuro das bancas de jornais é previsível, mas que dá uma dorzinha no peito dá. É o ser humano resistindo... É o ser humano e suas emoções frente às velocidades exigidas pelas necessidades do progresso.

Post scriptum:

Compartilho tais linhas com o intuito de simplesmente provocar lembranças e boas memórias em você leitor(a). São tantas as preocupações do dia a dia, que facilmente esquecemos das pequenas coisas envoltas em nossa formação.  

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Teorias e práticas


Hi-yo Silver, away!


Lá pelos meus cinco anos iniciei nas brincadeiras com espada, revólver, faca, lança, metralhadora entre outros artefatos feitos de madeira e alguns por mim mesmo. È fácil de imaginar que tipo eram. Serviram-me por mais de seis anos semelhantes "armas" que compunham tardes, manhãs e até noites de intensas batalhas entre mocinhos e bandidos do meu bairro. Nunca fui só mocinho, havia naturalmente um rodízio de personagens, nada combinado, era para não ficar enjoado de ser o Zorro que vez por outra tornava-me o Tonto! ( E às vezes parece que continuo Tonto até hoje...)

Subíamos escadas... muros... árvores e a gritaria de você morreu... você está ferido... você esta preso... desce daí que eu te acertei... ecoavam pela vizinhança. Nunca fomos incomodados por qualquer tipo de adulto, aliás, eles passavam entre nós, ficavam em nossos fogos cruzados com cara de “não estou vendo nada” ou pelo menos fingiam muito bem. Isso foi há mais de quarenta anos.

Atualmente existem outras modas e outros games. Ao lado de pessoas assustadas ou  aconselhando-nos para não deixar as crianças assistirem ou jogarem no computador com cenas violentas... que isso faz mal, prejudica e blá-blá-blá... Ocasiões em que imagino então que pelo meu histórico de armas e fantasias sobre filmes de lutas, deveria eu ser um baita bandidaço. Ou estar com no mínimo um facão na cintura. No entanto, quem me conhcece sabe, abomino a violência. Sou paz total. Acredito que nunca sofri influência alguma de tais momentos ou dos objetos utilizados.

Parece que os adultos não conseguem alcançar o nível de fantasia experimentado pelas crianças em brincadeiras. Pois, lembro-me muito bem, acabadas as folias, nenhum resquício interferia em nosso comportamento de aluno, de filho, de irmão, de amigo. Por isso, sou cético quanto às teorias de que jogos e filmes transformem crianças em bandidos.

Vi bandidos sim, pessoas dentro de meu círculo que se revelaram autênticos psicopatas cuja maldade era advinda de berço, diretamente ligada à família pela falta de valores morais e não pelas brincadeiras de mocinhos ou bandidos que juntos encenávamos. Aiouuu... Silverrr!

Tentando morreu

Parecia simples. Acreditei. Era só sentar e junto ao teclado dedilhar. As palavras verteriam naturalmente. Sem grande esforço, tentei. No entanto, após alguns minutos de branco e vazio total, desisti e fui-me embora dali. Aquela vida não era para mim.

Quantas e quantas vezes havia descrito situação semelhante de cujo final ausentava-me. Não à toa que me excluí de tarefa tão ingrata. Sinceramente, escrever não me dizia nada. Então insistir era falta de inteligência.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

E as práticas políticas

Entra ano, sai ano e as práticas políticas permanecem, não se mexe em time que está ganhando – diriam alguns. E assim, testemunhei nas últimas décadas, os eleitos para quatro anos de mandato passam os três primeiros ajuntando uma graninha, através das famosas viagens e diárias, além de outros mecanismos proporcionados pelas verbas de representação, consultorias imorais, comissões sobre pagamentos, cursos de aperfeiçamentos questionáveis entre outros meios ainda não divulgados.

Aí então, faltando um ano para o próximo pleito, surge o desespero ou o desejo insaciável de permanecer agarrado à teta. Emergem as obras e campanhas tentando criar a  imagem de eficiência, trabalho e competência. O que não passa de obrigação passa a ser considerado MAIS. Além da conta. Me engana que eu gosto! A letargia e inoperância dos anos anteriores devem ser apagados antes do próximo pleito. O pessoal do legislativo corre atrás de programinhas no rádio e na tevê para iniciarem o palanque eleitoral.

Para maior garantia, na mídia diariamente são despejados comunicados de obras mil, que a rua tal foi asfaltada, que o esgoto foi concluído, que está do jeito que o povo pediu, que vai melhorar ainda mais... E o tal povo, que lá em outubro faz a escolha, parece acreditar. É triste ficar gritando e ninguém dar a mínima ou pior, ainda xingar você. Mesmo que o grito seja um alerta contra mais uma mentira. Lembrem-se que em primeiro lugar está o interesse pessoal deles, depois sempre será o do resto. Tem sido assim desde que cheguei neste mundo...

E graças à minha memória que faço questão de preservar, inclusive com registros como este, deixei de cair nesse engodo há muito tempo. Mas enquanto a maioria virar as costas para o assunto política, os vivaldinos continuarão a ter boa vida às custas do bem estar do resto, incluindo eu e você.

domingo, 16 de outubro de 2011

Mobilização Global - Porto Alegre RS

A mobilização em Porto Alegre reuniu entre mil e duas mil pessoas, que caminharam juntas o Parque da Redenção até a Praça da Matriz. Diversas organizações participaram do ato. As oficinas, shows e debates seguem na praça ocupada até o início da tarde de domingo. Às 11h de domingo, debate sobre mídia contra-hegemônica, com Jornalismo B, Coletivo Catarse e Megafonadores. Abaixo, fotos da marcha e da ocupação da Praça da Matriz.





sábado, 15 de outubro de 2011

Mudança global




15 de outubro
Unidos por uma mudança global

http://15october.net/pt/

O dia 15 de outubro gente de todo o mundo tomará as ruas e praças. Da América à Asia, da África à Europa, as pessoas estão se levantando para reclamar seus direitos e pedir uma autêntica democracia. Agora chegou o momento de nos unirmos todos em um protesto mundial não-violento.

Os poderes estabelecidos atuam em beneficio de uns poucos, ignorando a vontade da grande maioria sem que se importem do custo humano ou ecológico que tenhamos que pagar. Esta intolerável situação deve terminar.

Unidos em uma só voz, faremos saber aos políticos, e as elites financeiras a quem eles servem, que agora somos nós, as pessoas, quem decidiremos nosso futuro. Não somos mercadorias nas mãos de políticos e banqueiros que não nos representam.

O 15 de outubro nos encontraremos nas ruas para botar em ação a mudança global que queremos. Nos manifestaremos pacificamente, debateremos e nos organizaremos até o conseguir. É a hora de nos unirmos. É a hora de nos ouvirem.

Dia do professor

15 de outubro / dia do professor

Para a melhoria da educação qualquer discurso que não releve em primeiro plano a questão salarial é vazio. Não há como contestar que a qualidade tão almejada só será alcançada com o empenho de pessoas bem remuneradas. Longe da banal ladainha que escuto há décadas, principalmente próximo a pleitos eleitorais, de políticos demagogicamente clamando em nome daquilo que muito lhes falta: instrução e conhecimento.
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Caso contrário estariam sensíveis à causa de promover em primeiro lugar o padrão de vida dos professores. Com certeza isso criaria o efeito cascata, pois aumentaria a disputa pelas vagas no magistério tanto em vestibulares quanto em concursos onde se classificariam os melhores. Elevando dessa forma o padrão da categoria, além de fornecer ao mercado mais uma atraente opção profissional. Status bem distante da atual e miserável realidade onde a quase totalidade vive lutando para sobreviver, seja lecionando de manhã a noite ou vendendo bugigangas quando deveria estar adequadamente motivada na missão maior: promover o conhecimento.
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Para contribuir, o governo detona milhões em propagandas e programas cuja essência é o marketing de autopromoção para nos convencer de que tudo está além do que imaginamos. Isso leva-me àquele filme "Dormindo com o inimigo".
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É o que tem sido nossa participação frente ao estado soberano guiado por interesses distantes daquilo que melhor construiria a dignidade do cidadão. Dormir com o inimigo é estar sob a tutela de um Estado verdugo cujas ações abalam nossa crença num futuro alvissareiro, além de alijar as asas daqueles que desejam alcançar as estrelas imbuídos da simples e boa formação. Dormir com o inimigo é estar diante de um gigante estatal cujas tetas parecem tão infinitas quanto àqueles que procuram tal meio de vida sem se preocuparem com a origem dos recursos.
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Até quando iremos suportar essa relação doentia é um incógnita, entretanto se houver um mínimo de discernimento da outra parte, haveremos um dia conquistar o direito de possuir  professores à altura de nossos legítimos sonhos que passa incondicionalmente pela excelente remuneração. Recursos não faltam. Desejos não faltam. Falta somente um pouco mais de visão e menos egoísmo da classe dos dirigentes. 

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Editorial do Estadão


Aos incautos

Vejam a petulância da "companheirada no poder".

Li o editorial, indignei-me, guardarei para consultas futuras e repasso adiante para apreciação daqueles que não se omitem de pelo menos ler a respeito das "forças" que determinam o destino da nação.

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Democratização, não controle

13 de outubro de 2011 | 3h 06 > O Estado de S.Paulo

O PT já percebeu que pega mal falar de "controle social da mídia". Agora, o que reivindicam os petistas é a "democratização dos meios de comunicação". Claro, o termo "controle" tem uma desagradável conotação autoritária. É melhor defender a mesma ideia usando uma expressão mais simpática, sedutora. Afinal, não se pode ser contra a "democratização", seja lá do que for.

Portanto, sai "controle", entra "democratização". Por exemplo, o presidente nacional do PT, Ruy Falcão, em entrevista à imprensa dias atrás, anunciou a realização, no âmbito dos debates sobre o marco regulatório da comunicação eletrônica, um seminário que deverá reunir em São Paulo "todas as entidades, organismos e parlamentares interessados na democratização dos meios de comunicação". Da comunicação eletrônica? Não, dos meios de comunicação, tout court.

O esperto floreio de linguagem apenas camufla a irreprimível vocação autoritária do PT, que na verdade não admite uma imprensa livre criticando seus programas e seu governo e por isso quer "democratizar" os veículos de comunicação. Uma clara demonstração do uso que o partido faria da "democratização" dos meios de comunicação que preconiza são as recentes tentativas da ministra da Secretaria de Políticas Públicas para as Mulheres, Iriny Lopes, de interferir numa peça publicitária protagonizada pela modelo Gisele Bündchen e no enredo da novela "Fina Estampa", da TV Globo, sob a alegação de que em ambos os casos a condição feminina estaria sendo colocada numa posição de "subalternidade". Seria o Estado decidindo o que constitui ou não a dignidade da condição feminina.

É notável também a insistência do PT em colocar num mesmo balaio duas questões absolutamente distintas, na tentativa de se valer da confusão para impor sua visão autoritária a respeito do controle da mídia. Uma coisa é o problema da atualização do marco regulatório da comunicação eletrônica, necessária em razão da enorme defasagem da legislação vigente em relação aos avanços tecnológicos na área. Outra coisa é a tentativa de regulação - censura, em português claro - dos conteúdos veiculados por todas as mídias, inclusive a impressa. E é isso que se tentará colocar em pauta no seminário anunciado pelo presidente petista.

Esse seminário, quem sabe, poderá lançar luzes sobre o verdadeiro significado de "democratizar" a mídia. Se a grande imprensa brasileira não é democrática, como acusa o PT, isso significa o quê? Que falsifica a realidade em benefício de interesses escusos, por exemplo, quando denuncia escândalos que obrigam a presidente a demitir ministros? Ou quando participa do debate político e das campanhas eleitorais, criticando os excessos do PT?

Se é isso que pensa o PT, está em clara divergência com a presidente Dilma Rousseff. Em primeiro lugar, pela razão óbvia de que ela foi eleita, apesar de não ter contado com o apoio da grande mídia. Mais do que isso, porém, porque Dilma, desde a campanha eleitoral do ano passado, jamais deixou de expressar, de maneira absolutamente cristalina, seu repúdio a qualquer tentativa de controle da mídia e a sua confiança na imprensa livre que existe hoje no País.

Quando era candidata à Presidência, em outubro do ano passado, Dilma Rousseff declarou: "A imprensa pode falar o que bem entender. Eu, o máximo que vou fazer, quando achar que devo, é protestar dizendo: está errado o que disseram por isso, por isso e por isso. Usando uma coisa fundamental que é o argumento". Em seu discurso de posse, proclamou: "Prefiro o barulho da imprensa livre ao silêncio das ditaduras.

As críticas do jornalismo livre ajudam ao País e são essenciais aos governos democráticos, apontando erros e trazendo o necessário contraditório". Em setembro, em visita aos Estados Unidos, ao assinar uma parceria com o governo norte-americano pela transparência e pela fiscalização das ações dos poderes públicos, garantiu: "Conta-se também com a positiva ação vigilante da imprensa brasileira, não submetida a qualquer constrangimento governamental".

Dilma e o PT que se entendam.

É... nóis tamo cum tudo, mano véio!

Acordo ortográfico
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Lista dos países com língua oficial portuguesa.

País
População
% total
de falantes
-
241 812 318
100%
203 429 773
78,58%
21 397 000
8,85%
15 941 000
6,59%
10 848 692
4,49%
1 586 000
0,66%
947 000
0,39%
420 979
0,17%
157 000
0,06%

Até hoje não entendi direito o real motivo de tal acordo. E para falar a verdade nada em minha atividade obriga-me a respeitá-lo. Assim, à medida que os termos alterados ganhem popularidade, quem sabe eu me dê por vencido e comece a escrever "sem hífen".  Que diferença vou fazer? Nenhuma, com certeza.

Mas unidos representamos mais de 78% da população que fala a língua portuguesa. Portanto, fácil imaginar para que lado penderá o futuro de tal acordo...

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Sopros de felicidade

Houve época em que vivi a escuridão até que surgiu a luz, alfabetizei-me. Novas janelas se abriram e pus-me a vasculhar... viajei mundos... garimpei nos livros...

Ofuscado pelo brilho do discernimento libertei-me de algumas amarras. Elevei-me milésimos de grau na escala infinita do saber, o suficiente para sentir a brisa refrescar o espírito irrequieto do eterno aprendiz que reside em mim. Sopros de felicidade.

Breves instantes de lucidez. Sem porto nem chegada. É a viagem.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Pessoas certas

Certas pessoas nos inspiram, por isso registro. Leia e descubra.
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Dodge Charger RT alaranjado. Largas faixas pretas davam o toque para combinar com as robustas rodas cromadas. Uauuu! É só lembrar e viajo no dojão. Eram viagens e viagens, Antonina, Morretes, Paranaguá, Matinhos, Caiobá entre outros confins que nem me lembro. Gatas e gatas. Loiras, morenas, negras, amarelas ou da cor que pintasse. Dias. Noites. Faça chuva. Faça sol. Nossa turma envolvida em aventuras contaminadas pelos desejos dos hormônios em ebulição. Não havia limites, se tivesse gasolina e uns trocados. Lá seguíamos. Lá íamos. Rumo ao paraíso destinado aos pobres mortais. Era na praia, no camping, no sarau ou em qualquer evento, desde o simples rodeio até as badaladas procissões.
Na verdade, a curtição era embarcar no dojão e vibrar com as peripécias do Piloto. Esse era o apelido do motorista que além de "expert" em manobras automibilísticas era um brigão de primeira linha. Adorava confusão. Provocava qualquer um. Fosse quem fosse. Se contrariado partia para as vias de fato. Acreditava fielmente na potência de seus golpes. Algumas vezes presenciei cenas que me constrangeram, pois aquilo não é do meu feitio. Esbarrava nas pessoas afrontando-as, em seguida pedia explicações pelo ato praticado. Os inteligentes percebiam a má intenção e pela tangente escapavam ilesos. Já os afoitos caiam na armadilha de aceitar tal provocação e partiam para o ataque que não ia além de dois golpes, o homem era certeiro... um manotaço no queixo e lá desabava o ingênuo a nocaute.
Ninguém da turma ousava repreendê-lo. Pois apesar dos pesares, mostrava-se uma pessoa de agradável convivência. Era alegre, inteligente, cooperativo e super leal aos amigos. Prestativo aos extremos, se alguém precisava de um favor recebia o simpático sim.
Como no dia em que uma garota lhe pediu que encaminhasse para exames de rotina a avó que residia num sítio próximo. Convidou-me e seguimos por picadas que não passava nem cavalo. Depois de alguns quilômetros de buracos desviados, ajeitamos a velha no banco traseiro e retornamos para completar a missão.
Estávamos eufóricos, pois era mais uma aventura com o dojão. E a cada piada que eu soltava, vertiam gargalhadas estridentes que pareciam não incomodar a vó cujo silêncio delatava não achar graça nas brincadeiras. Nesse astral, rumamos na velocidade ao gosto do pé de chumbo do meu camarada. Até que próximo do destino as ruas estreitas nos obrigaram a reduzir a marcha ao dobrar uma esquina. E por um triz quase acertamos a traseira dum fusca rodando muito lentamente, quase parando. Era um casal entre beijos e abraços. Piloto prosseguiu uns trinta metros acelerando forte e dando sinal de luz, queria forçar o ritmo, pois era impossível ultrapassar.

Foi ignorado pelos namorados, aí então ele meteu a mão na buzina e começou a xingá-los. O rapaz colocou o braço para fora e fez aquele famoso gesto passa por cima. Meu amigo não vacilou, abriu a porta com a disposição de quem vai resolver a vida no tapa. E seguiu a passos largos gritando para descer o motorista que acatou a ordem ao desligar o motor. Piloto ainda transtornado vociferava filho disso e daquilo tão alto que atraiu a atenção da vizinhança que postada nas janelas presenciaram-no com a mão sobre a porta encarando o desafeto. Gesto que provocou um silêncio aterrador, até ser rompido pela voz do outro esbravejando continuadamente: diga agora quem é o corno, diga se você é macho, vamos lá, repita, quem é corno? seu fdp!

Piloto paralisou, nem piscava. Assustado reparei um revólver muito perto de seu rosto. Estremeci e imaginei que aquilo era prenúncio de tragédia. Mas pela primeira vez o valentão resolveu ficar calado enquanto ouvia um desfilar de desaforos e palavrões. Foram dois longos minutos e marcantes em minha vida. Acredito que para ele também, pois daquele dia em diante a paz invadiu-lhe. Virou um apaziguador, nunca mais se descontrolou da maneira que até então lhe fora peculiar. Para aqueles que o instigavam em seus atos insanos virou bunda-mole. Entretanto, para os amigos que lhe eram afetos, tais como eu, transformou-se numa inestimável pessoa.

Passado algum tempo perguntei-lhe do ocorrido. Serenamente disse-me que no momento em que a arma passeava pela sua face, percebeu que não merecia sair desta vida tão estupidamente. E caso se livrasse da enrascada lutaria para ser alguém diferente. Posso ser louco, mas burro com certeza não! - finalizou.
Essas foram algumas das últimas palavras que trocamos há décadas. Semana passada recebi um telefonema dando-me conta de sua passagem para o andar de cima, além de relatar que se tornara um dedicado professor que por quase trinta anos atuou junto a grupos de jovens envolvidos com drogas e violência. Ele conseguiu. Gracias!
.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Meus heróis



A dura jornada

Schopenhauer 1788/1860

Na velhice ao perder os sonhos da sua juventude todo homem que estudou a história do passado e a da sua época, e recolheu o fruto da sua experiência e da alheia, se não estiver com o espírito perturbado por preconceitos muito arraigados, chegará à conclusão de que este mundo é o reino do acaso e do erro, que é governado a seu modo sem compaixão alguma, auxiliados pela maldade e pela loucura, que ao homem empolgam constantemente.

Mil trabalhos e esforços é preciso para impor uma idéia nobre, porque dificilmente encontra uma oportunidade de apresentar-se, enquanto que a vulgaridade artística, os sofismas, a malícia e a astúcia reinam de geração em geração, aqui e alhures sem serem interrompidos.

Schopenhauer, Arthur

domingo, 9 de outubro de 2011

Amor próprio

Ao iniciar este blog, elegi a companhia de três grandes espíritos: Voltaire, Schopenhauer e Nietzsche, assim de tempos em tempos transcrevo trechos das respectivas obras com o intuito de difundì-las e de manter-me fiel ao compromisso.

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Voltaire 1694/1778


AMOR PRÓPRIO

Um mendigo dos arredores de Madri esmolava nobremente. Disse-lhe um transeunte:

-- O senhor não tem vergonha de se dedicar a mister tão infame, quando podia trabalhar?
-- Senhor, - respondeu o pedinte - estou lhe pedindo dinheiro e não conselhos. - E com toda a dignidade castelhana virou-lhe as costas.

Era um mendigo soberbo. Um nada lhe feria a vaidade. Pedia esmola por amor de si mesmo, e por amor de si mesmo não suportava reprimendas.

Viajando pela Índia, topou um missionário com um faquir carregado de cadeias, nu como um macaco, deitado sobre o ventre e deixando-se chicotear em resgate dos pecados de seus patrícios hindus, que lhe davam algumas moedas do país.
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-- Que renúncia de si próprio! - dizia um dos espectadores.
-- Renúncia de mim próprio? - retorquiu o faquir. --Ficai sabendo que não me deixo açoitar neste mundo senão para vos retribuir no outro. Quando fores cavalo e eu cavaleiro.

Tiveram pois plena razão os que disseram ser o amor de nós mesmos a base de todos as nossas ações - na Índia, na Espanha como em toda a terra habitável. Supérfluo é provar aos homens que têm rosto. Supérfluo também seria demonstrar-lhes possuírem amor próprio.

O amor próprio é o instrumento da nossa conservação. Assemelha-se ao instrumento da perpetuação da espécie. Necessitamo-lo. É-nos caro. Deleita-nos - E cumpre ocultá-lo.

Voltaire
Dicionário Filosófico