quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Dez passos para se construir um país idiota


Não penso, não existo, só assisto.

RESERVADO

Publique aqui a tua opinião sobre qualquer coisa.
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terça-feira, 30 de agosto de 2011

Navalha na carne

PALAVRAS SÃO COMO NAVALHAS, PODEM SER ÚTEIS OU QUANDO MAL DETERMINADAS CAUSAR ESTRAGOS MUITAS VEZES IRREMEDIÁVEIS.

Como leitor e ouvinte atento dos meios de comunicação da cidade, percebo que a navalha nem sempre produz aquilo que se almeja ao bem comum. Alguns programas mantêm a prática da audiência fácil. Lidar com o lado negro do ser humano, exibindo as mazelas e limites de degradação sem compromisso algum: fulano matou à paulada, três foram esmagados, e assim por diante. Outros apelam para a caridade pública, expondo miseráveis em todos os sentidos a revelarem suas desgraças e dessa forma comover para  quem sabe lucrar algum. Audiência pela audiência.

Já entendi a facilidade de atirar para os lados. Criticar tudo e todos parece ser o caminho. E o melhor é atingir órgãos públicos, pois sabemos que não têm patrão. Observamos que vários especialistas têm necessidades ou interesses que desconhecemos ao bombardearem sistematicamente tais órgãos. São tão enfáticos, tão cheios de argumentos, que o mesmo empenho não se vê ao criticarem qualquer entidade privada.

* Será que somente órgãos públicos são merecedores de críticas?
* A iniciativa privada é isenta ou imune?

Não creio que seja isso, parece é que os críticos de plantão não conseguem peitar o patrão de uma empresa privada e manter a mesma sina frenética de seus reclames. Pois ali, fatalmente esbarraria em muitas dificuldades que no espaço público inexistem.

Assim, temos uma tropa de gente utilizando-se do Estado (seja em cargos públicos, pendurados em alguém politicamente, e na sombra - criticando dia e noite) tentando sobreviver de qualquer maneira. Em outras palavras, duas faces da mesma moeda. E nós, a comunidade anônima, mais uma vez, na arquibancada, massa de manobra para manter a turba em seus confortáveis cargos e empregos através dos tão almejados índices de audiência ou cobiçados votos eleitorais.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Funk divino

Acredito que muitos já ouviram falar do Padre e de suas pregações recheadas de efeitos especiais que ao som de muita música embala os cultos. Entre todos os ritmos, por coincidência ou não, paródias de sucessos seculares, um chamou-me atenção: o Funk de Jesus, uieeeê!

Ao ouvi-lo cantando como um verdadeiro cover de funkeiro, viajeiiiii...... aos meus tempos de candidato a coroinha, quando entrar em uma igreja até sorrir era pecado. Devíamos nos comportar com a maior atitude de seriedade possível, sem chapéu ou boné, sem falar alto ou proferir certas palavras. Sorrir jamais e de cabeça baixa demonstrar a nossa reverência em freqüentar tal lugar. Ali estando, chegava um sujeito todo de branco, cheio de penduricalhos com um livro volumoso nas mãos (talvez para nos impressionar ou intimidar pela sua possível erudição) e abria em uma página qualquer para em seguida soltar o verbo contra as perdições do mundo. Intercalava trechos daquele livrão com comentários condenatórios aos viventes que continuavam pecando ao ouvirem as músicas cantadas pelos moderninhos da época (Roberto Carlos e a turma da Jovem Guarda). Naquele dia fui confessar-me e pedir perdão porque gostava muito de uma música do Roberto... “... quero que você...  me aqueça neste inverno... e que tudo mais... vá para o inferno...”.

Sai aliviado pela confissão, apesar de em minha ingênua forma de perceber as coisas não sentir-me tão pecador. Afinal, era uma simples música que contava a história de um namorado desejando o amor de sua amada. Nada de tão monstruoso... ao ponto de eu ter que rezar sei lá quantos pai-nossos e algumas ave-marias.

Hoje quando assisto dito Padre em suas apresentações televisivas, parecendo um pop star, pulando, gesticulando e cantando ao embalo das “músicas seculares” que outrora eram classificadas como mundanas, cheias de pecado, simplesmente imagino o estrago no discernimento dos pequenos jovens em sua platéia. E cá entre nós, é fácil pegar sucessos já emplacados, inserir uma letra cujo tema seja qualquer um e sair por aí doutrinando a galera... cadê a criatividade desse pessoal, porque não produzem um ritmo próprio. Em menos de três décadas o que era um pecado virou símbolo de culto, dá prá entender uma evolução dessas?

Não consigo vislumbrar onde esses iluminados desejam levar seus seguidores. Não terei tempo de vida suficiente para mais trinta anos, mas não ficaria surpreso se até lá, durante algum encontro promovido pela Super-Neo-Generation ou pela Hiper-Entusiástica-Galera-de-Jesus tivesse a animação alimentada por algumas baforadas de “Cannabis Sativa” ao embalo do som das guitarras estridentes do New-Have-Metal-General-Plus. Quem viver, verá!

Cantar esta música me custou algumas orações.

Quero Que Vá Tudo Pro Inferno

Roberto Carlos

De que vale o céu azul e o sol sempre a brilhar
Se você não vem e eu estou a lhe esperar
Só tenho você no meu pensamento
E a sua ausência é todo o meu tormento
Quero que você me aqueça nesse inverno
E que tudo mais vá pro inferno
De que vale a minha boa vida de playboy
Se entro no meu carro e a solidão me dói
Onde quer que eu ande tudo é tão triste
Não me interessa o que de mais existe
Quero que você me aqueça nesse inverno
E que tudo mais vá pro inferno

Não suporto mais você longe de mim
Quero até morrer do que viver assim
Só quero que você me aqueça nesse inverno
E que tudo mais vá pro inferno
Oh, oh,
E que tudo mais vá pro inferno

Não suporto mais você longe de mim
Quero até morrer do que viver assim
Só quero que você me aqueça nesse inverno
E que tudo mais vá pro inferno
E que tudo mais vá pro inferno
E que tudo mais vá pro inferno
E que tudo mais vá pro inferno
E que tudo mais vá pro inferno
E que tudo mais vá pro inferno

domingo, 28 de agosto de 2011

Heitor encontra Nietzsche

Heitor lê bula de medicamentos, classificados e até as etiquetas das roupas de sua esposa. Desde que aprendera, sua vida era ler e ler cada vez mais. Sem nutrir algum interesse especial, era um eclético, lia o que mais estava próximo de seu dia-a-dia. Quando estudante dedicou-se de corpo e alma à leitura das obras indicadas pelos professores e àquelas descobertas durante suas tardes na biblioteca. Um assunto trazia outro, era como puxar o fio da meada, iniciava estudando geografia para em meio à pesquisa surgir algo histórico que lhe chamava atenção e lá ia, do rio Amazonas às paginas de Euclides da Cunha em Os Sertões.
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Certo dia, na volta da escola, tropeçou em algumas revistas largadas na calçada e descobriu ali a maneira de manter-se em dia. Revirar as lixeiras que encontrava pelo caminho. Uuauuu!!! foi um achado e tanto - suspirava. Por isso, muitas vezes suportou piadinhas quando algum colega encontrava-o vasculhando latas. Considerava tais eventos detalhes que não lhe abateriam a determinação em conseguir mais alimento para o espírito.
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Após a garimpagem, chegava em casa com a mochila maior do que saíra – recheada com os troféus conquistados. Examinava-os um a um. Eram revistas, livros, jornais entre outras publicações consideradas lixo para alguns, mas para ele matéria nova a ser pesquisada - já reciclava por instinto.
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Recortava os anúncios que considerava interessantes e colava-os em um caderno – construía sua enciclopédia personalizada. Era sua admiração pela forma dos apelos apresentados naquelas mensagens que o instigava a guardá-las com carinho. Nunca se perguntou para que serviriam. Eram por si só presentes para a imaginação.
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Dos jornais recortava os anúncios dos filmes que assistiria nas tardes de Domingo, ao lado tecia sua resenha, descrevendo a história dos personagens, dos efeitos especiais e às vezes alguma curiosidade sobre os artistas. Era sua paixão pela leitura dando asas às formas de praticar o ato. As revistas e os livros amassados ou em estado precário eram restaurados. Uma a uma, as folhas eram tratadas com carinho; ajeitava-as com o mesmo capricho de quem prepara o traje da formatura, algum remendo aqui outro ali e o exemplar voltava-lhe apetitoso. Quem quer dá um jeito, pensava ele.
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Certa vez encontrou alguns livros cujo texto estava numa língua esquisita, difícil de entender - o que seria?!. Na biblioteca descobriu que eram da "Rússia"; não tinha como ler, mesmo assim ficou com pena de jogá-los fora; na verdade não tinha coragem de livrar-se de algo que sabia ser valioso, pelo menos para alguém que conseguisse entendê-los. Guardou-os até o dia em que resolveu encaminhar à embaixada. Escreveu um pequeno bilhete contando as aventuras daqueles volumes, por onde andavam e quem os havia encontrado; fechou-o junto aos exemplares e lá foi pelo correio sua remessa.
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Alguns meses após, recebeu uma mensagem de agradecimento acompanhada de um livro do escritor alemão Friedrich Nietzsche cujo conteúdo era a tradução daqueles que encontrara. Heitor não se fez de rogado e logo pôs-se a degustar tal obra, devorou-a do inicio ao fim; uma, duas e outras tantas vezes. Para em suas páginas assinalar de forma enfática com caneta vermelha o seguinte trecho: "A palavra é encantadora loucura: com ela o homem dança com todas as coisas."
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Eram citações como essa que lhe inflamavam, impulsionando-o em sua jornada através das leituras advindas das mais variadas fontes e ocasiões. Essa era a vida do Heitor, garimpar oportunidades, aprendeu que uma coisa puxava outra. Devido à  curiosidade de mexer no lixo, encontrou mais elementos para aplacar sua paixão, abriu caminho para conhecer o pensamento do filósofo alemão que há mais de um século consegue despertar o interesse de muitos ledores pelo mundo afora. Foi nessa época, por coincidência ou não, que angariou o apelido que ainda carrega, Heitor o leitor.
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Onde chega e é reconhecido, lá vêm as brincadeiras de Heitor o leitor. Já leu hoje heitor?. O que você sugere para eu ler? Brincadeiras que não lhe incomodam, muito pelo contrário, certo ou errado, tem a consciência do papel que a vida lhe reservou: um eterno aprendiz.
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Hoje, após décadas, continua em sua sina diariamente; só que em vez de procurar nas lixeiras da rua, é na internet que navega na expectativa de fisgar, em meio ao oceano de letras, sustento para sua paixão: a leitura.

sábado, 27 de agosto de 2011

Eu na cozinha

Hoje Bifão Italiano, receita do Anonymus Gourmet.

Ingredientes:
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500g de carne moída
1 pacote de sopa cebola (creme de cebola em pó)
2 ovos
2 colheres (sopa) de farinha de rosca
1 copo de molho de tomate
200g de queijo picado
2 tomates

Modo de preparo:

1 - Você pode usar o molho de tomate pronto ou preparar em casa com a receita do molho de tomate do Anonymus. Bata no liquidificador 3 tomates, 1 cebola, 1 copo de caldo de carne, 3 colheres (sopa) de massa de tomate e 1 colher (sopa) de farinha de trigo. Leve para uma panela e deixe ferver com a tampa até mudar de cor, o molho ficará bem vermelho.

2 - Vamos ao bifão. Misture a carne moída, a sopa de cebola, os ovos e a farinha de rosca. Com as mãos, mexa bem até obter uma massa homogênea. Arrume em uma forma redonda, pode untar com óleo antes, forma para pizza. Leve ao forno preaquecido por 30 minutos ou até assar bem a carne.

3 - Com a massa de carne pronta, retire do forno, espalhe o molho de tomate e cubra com o queijo picado. Para finalizar, tomates em rodelas. Retorne o forno por 15 minutos ou até dourar levemente. Sirva em seguida. Pode acompanhar arroz e salada.

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PS: Para nós (pai, mãe e filho) essa receita não caiu bem. Em outras palavras, não gostamos, arghhh! O creme de cebola simplesmente tornou-se o sabor. Deixando a carne, o queijo e o tomate sem gosto algum.

Convidado Especial > Tio Mika

Este texto me foi apresentado pelo meu filho. Quem redigiu foi meu cunhado, o professor de música Tio Mika. Fica desde já convocado a apresentar-se quando desejar, tal oportunidade está disponível inclusive aos leitores do blog, é só mandar via e-mail que eu publico.

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ESCOLHENDO UM CARRO NOVO!   

Falar sobre música é assunto que só termina quando já estou atrasado para o próximo compromisso, caso contrário sempre tem uma novidade, uma música que passou despercebida, um lançamento, tecnologia nova, equipamentos, instrumentos vintage então é tese para doutorado!

Entre uma escala e outra, esses dias resolvi fazer os cálculos e ver quantos anos está o meu velho Santana. Pois é, o guri já é de maior, já passou dos dezoito...mais um pouco com vinte e poucos anos (como na música do Fábio Jr.) ele se encontra livre do IPVA...está grandão. Resolvi visitar as garagens e as concessionárias para estudar um possível negócio.

Na primeira visita, deixei o bonitão uns três quarteirões escondido para não causar uma boa impressão já na chegada.

- Oi amigo em que posso ajudar? Disse-me o alegre vendedor.
- Quero vender meu carro e pegar outro mais novo!
- E que ano é o seu carro? Disse o sorridente vendedor...
- 1990, época do grunge!

O cara pensou um pouco olhando para o céu,  deixando o sorriso prá trás...também o que é que o Nirvana e o Pearl Jam tem a ver com essa história?

...papo de músico.

- Hum, 90?  sentiu que era pepino grosso...
- E o seu carro tem direção?

Pensei: - Como é que ele acha que eu dobro nas esquinas?

-Sim ele tem direção, redonda!
-HUM...E o seu carro tem rodas?

Pensei:  Ele acha que eu vim até aqui em cima de um caminhão-cegonha?

- Sim ele tem rodas e pneus...
-Hum...e seu carro possui motor a gasolina?

Pensei: Ele acha que vim pedalando como fazia o Fred Flinstone?

- Sim, nele vai combustível...
- E seu carro tem alarme?
-Sim, mas só funciona dentro da garagem!
-Como assim “só dentro da garagem”?

Expliquei:

- É uma cordinha que eu amarro uma ponta no pára-choque e a outra num sininho na cabeceira da minha cama, caso alguém mexa nele o sininho dispara, aí eu levanto, pego a chave do quarto,  me tranco e que vão-se os anéis...
- Boa, vou sugerir essa pros novos modelos...
-E seu carro tem som?

Ahhhh, agora sim, começou falar a minha língua, agora vai haver negócio pelo jeito:

Mas virou um monólogo...

- Cara, som é o que mais tem, tenho um amplificador valvulado da década de 70 no porta malas, antigamente eles faziam bailes  só com um deles, 200 wats de potência,acredita? Timbre aveludado, cristalino, feito pelo Sr. Martins de Porto Alegre, também tenho um violão clássico Di Giorgio nº 28 que deixo no banco de trás para uma eventual inspiração quando não estou em casa...no porta luvas tenho uma harmônica Hering (gaitinha de boca como vocês conhecem)que eu floreio um blues enquanto espero o Xis-salada, tem também um motoradio (que servia para carros também) radinho bom, “pegava” até a rádio Guaíba depois da meia-noite, agora só pega o Lagoa das Tradições quando está para chuva...

Nisso o vendedor, já olhava para o relógio...

- O motor é 1.8 ou 2.0?

Cara, se ele perguntasse sobre as primeiras guitarras elétricas, sobre a história da Rickenbacker, Gibson, Fender...

- E vidro-elétrico tem?
- Bah, essa vou ficar te devendo, mas a porta deve ser, pois vive dando choque...
O vendedor perguntou se eu queria algum modelo em especial.

Pensei um pouco e visualizei as naves...

- Um Maverick, ou um Dojão, um Opalão, um Landauzão, carro antigo era tudo “ÃO”,
- Um Marvãããão você tem?
- Um o quê?

Pensei...Bah, o cara é vendedor e não conhece carro de verdade, vou em outra...

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Hoje é sexta-feira


O inverno deste ano em Joinville acredito que seja o mais rigoroso desde que aqui aportei, há vinte anos. Apesar de ter convivido com dias de muito frio em outras paragens – Lages SC, Vacaria RS, Lagoa Vermelha RS, Curitiba PR, continuo com repulsa a temperaturas abaixo de vinte graus.

Nesses dias não dá para esquecer que estamos gelados, e com isso, passamos horas queimando energia em busca daquele conforto que nos coloque novamente nos trilhos da produtividade. Por exemplo, neste exato momento, a sensação de frio me incomoda tanto que atrapalha minha escrita. Torna-a saltitante, de uma idéia a outra sem a devida conclusão. É o frio. Lembrei-me daquela música. “Não adianta bater, eu não deixo você entrar, as Casas Pernambucanas é que vão aquecer o meu lar, vou comprar flanelas, lãs e cobertores”. É o frio de uma sexta-feira furtando-me a inspiração. É o frioooooo.


quarta-feira, 24 de agosto de 2011

D.i.l.e.t.a.n.t.e

Ditas palavras no agora,

Imensurável paixão,

Libertam sonhos de outrora

Envoltos na emoção.

Transpassam.

Ao se acomodarem em

Nossa crença na humanidade,

Trazem aos espíritos irriquietos

Esfuziantes raios de liberdade!

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Política x religião

Quanto ao envolvimento de pastores e outros religiosos com a política partidária, reporto-me simplesmente a história, houve época em que a religião e o estado eram um só poder e deu no que deu, a inquisição por exemplo; ou atualmente, onde vários conflitos no oriente médio têm sua origem na questão religiosa frente ao “estado”.

Além de a própria bíblia citar a incompatibilidade de servir a dois senhores, pois é fácil deduzir que envolvido em uma decisão política, onde poderá afetar a vida de todos - independente de crença - o político-pastor ou religioso-político atenderá ao clamor de quem?

Finalmente, acredito que o estado deve ser laico, isto é, o pai de todos - crentes, descrentes, ateus, feios, bonitos, ricos, pobres, honestos, desonestos, etc. Vale lembrar de que a nossa nação distingue-se pela diversidade em todos os sentidos - fauna, flora, raça, religião, etc., então preservemos essa nobre característica e deixemos cada macaco em seu galho.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Momentos de artista

Em certos dias parece que a vida se desenrola em um palco, onde a arte de fingir é a presença maior. É quando o faz de conta dá o tom nas relações entre nós, simples mortais, passageiros da nave terra. Pois a tão propalada verdade dilui-se em meio às conseqüências, nem sempre ao desejo, de nossos sonhos.

Assim, ao buscar realização (de qualquer objetivo), deparamo-nos com dilemas que nos levam a encruzilhada entre relatar a exatidão de tais intentos ou representar o politicamente correto.

Esse papel nos consome. Somos dragados pela força exterior que nem sempre se mostra justa aos nossos íntimos ideais. Assim eu finjo e você acredita, pois é politicamente correto. É o viver de aparências... onde parecer é... e o ser nada!

domingo, 21 de agosto de 2011

Oração subordinada substantiva objetiva direta

Volto ao banco escolar após décadas;
volto graças à tecnologia;
volto porque a vontade de aprender nunca me abandonou;
volto porque os custos agora me são acessíveis;
volto pelo curto futuro que me resta;
volto para dizer aos jovens que a busca pelo conhecimento
é tão essencial quanto o compartilhar;
volto para dizer que não existe demérito na ignorância e
sim  na atitude atrevida: "sei, então sou o melhor";
volto almejando contribuir na construção de uma
existência digna de mim para o próximo;
volto para agradecer desde àqueles que iniciaram
uns rabiscos no afã de registrar seus pensamentos
até aos provedores da atual onda tecnológica
que nos permite momentos como este;
obrigado!;
obrigado!;
obrigado!;
volto para dizer que devemos cultivar a gratidão;
finalmente, volto para dizer obrigado a todos que
de alguma maneira iluminam a condição humana.


PS: Minha homenagem àqueles que não desistem, e mesmo de cabelos grisalhos voltam à escola.

sábado, 20 de agosto de 2011

Dica de leitura > O livro negro do comunismo

Neste sábado, deparei-me com esta irresistível opção de leitura.



Contracapa e orelha:

Outubro de 1917: o golpe de estado bolchevique significou bem mais do que a queda do czarismo e a subida ao poder de um grupo de políticos idealistas. A revolução liderada por Lenin tornou-se o ícone que representaria o começo de uma nova era para a humanidade, anunciando uma sociedade mais justa e um homem mais consciente de sua relação com seu semelhante.

Novembro de 1989: a queda do Muro de Berlim e a conseqüente abertura dos arquivos dos países comunistas apareceram para o mundo como a derrocada final do sonho comunista.

O LIVRO NEGRO DO COMUNISMO traz a público o saldo estarrecedor de mais de sete décadas de história de regimes comunistas: massacres em larga escala, deportações de populações inteiras para regiões sem a mínima condição de sobrevivência, expurgos assassinos liquidando o menor esboço de oposição, fome e miséria provocadas que dizimaram indistintamente milhões de pessoas, enfim, a aniquilação de homens, mulheres, crianças, soldados, camponeses, religiosos, presos políticos e todos aqueles que, pelas mais diversas razões, se encontraram no caminho de implantação do que, paradoxalmente, nascera como promessa de redenção e esperança.

Os autores, historiadores que permanecem ou estiveram ligados à esquerda, não hesitam em usar a palavra genocídio, pois foram cerca de 100 milhões de mortos! Esse número assustador ultrapassa amplamente, por exemplo, o número de vítimas do nazismo e até mesmo o das duas guerras mundiais somadas. Genocídio, holocausto, portanto, confirmado pelos vários relatos de sobreviventes e, principalmente, pelas revelações dos arquivos hoje acessíveis.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Acredite se quiser

Sexta-feira fui ao parque onde o maior movimento registra-se aos domingos e feriados, assim pude rodar tranqüilamente. Havia um pequeno zoológico, um lago com pedalinhos, brinquedos para crianças, inúmeras trilhas que cortavam a pequena floresta urbana, além dos vários vendedores ambulantes com seus salgadinhos e guloseimas.

Iniciei observando os pequenos detalhes, aqueles que geralmente ignoramos em nosso dia-a-dia. Na primeira parada, o viveiro onde estavam dois gaviões, como não entendo de aves imaginei que seria um casal. Fiquei admirado pela maneira que "rasgavam" o solo com as garras afiadas em busca de alimento; era certeiro, duas ou três tentativas e "zás", lá apareciam as minhocas entre outras iguarias.

Continuei lentamente e sem destino, deixando-me levar; no trajeto contemplava as árvores, os arbustos, até as pedras eram alvo de minha atenção. Alimentava-me com a harmonia daquele cenário, inclusive contribuía como mais uma forma vivente ali manifesta. De repente quase fui atropelado por um garoto de aproximadamente dez anos deslizando em um skate. Vinha rápido, não pude perceber sua manobra, tocou-me de leve as pernas e lá se foi, dando-me um adeus. Sorri e devolvi-lhe o aceno. Fase maravilhosa, lembrei-me dos  meus tempos de guri.

É a vida - imaginei, enquanto seguia em minha aventura pelas ruelas do parque. Poucas vezes percebi o quanto pequenas coisas adquirem tamanho significado em virtude de nosso estado de espírito. Refletia sobre a sensação de poder advinda apenas em observar aquele pequeno universo de fauna e flora. Sentia-me grato em testemunhar singela manifestação da natureza. Quando para minha surpresa aquele garoto reaparece e desta vez caminhando em minha direção, com seu brinquedo embaixo do braço e ao passar por mim diz: -- O pai está contente com tuas atitudes!

Garoto gozador esse! Que pai, que nada, nem sei quem é ele, quanto mais seu pai - resmunguei. Segui em frente, procurando a saída. Estava próximo do portão, quando entre várias crianças, o garoto novamente sorrindo e acenando. Devolvi o cumprimento e continuei em direção à rua, para mim aqueles momentos foram além de minha expectativa, tanto que saí dali assoviando uma melodia qualquer...

Na primeira esquina, parei em uma banca de revistas. Procurava um jornal para terminar a tarde com alguma leitura. Ao percorrer as edições do dia, uma manchete com a foto daquele garoto paralisou-me: "Faleceu o menino skatista que foi atropelado na saída do parque ontem à tarde".

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Comigo

--E o dia que você não tiver nada para escrever.
--Isso é impossível, só se eu estiver impedido de pensar.
--Como assim.
--Ora, escrever nada mais é do que traduzir o pensamento em palavras, certo!
--Não acho que seja ou será? Agora você me deixou em dúvida! É o seguinte. Se fosse só traduzir o pensamento, estás a dizer que aqueles que não escrevem então não pensam?
--Estou a dizer que no meu caso, minha escrita é a simples tradução de meus pensamentos.
--Parece simples.
--E é simples. O problema é que a simplicidade não atrai à atenção das pessoas. Muitos procuram enfeitar “o pavão” como se diz, e acabam matando a iniciativa de escrever. Só porque acreditam que deveriam ser mais do que são. Ou pelo menos parecer. Isso é que atrapalha, em minha opinião, tira o natural que existe em você.
--Tô começando a captar a mensagem. Tá querendo dizer que se eu procurar ser o que sou será mais fácil. Tá bom. E as invenções, ficções e outros ões... como diras que se enquadram... com certeza o que imaginas não és tua realidade. E aí. Onde foi tua originalidade?
-- Estará sempre comigo. Original é ser natural. Original é ser eu mesmo. Então, até minhas ficções refletirão minhas crenças... Não acredito que sendo o que não sou traduza algo com  gosto e cheiro de meu sangue...
--Puxa, agora você apelou!
--Apelei!
--Sim, apelou para a minha ignorância e caiu do cavalo, pois te conheço o suficiente para dizer que tua escrita tem o teu cheiro!
--Até que enfim entramos num acordo. Viva nós?!?
--Nós! Quem?
--Ora, eu comigo!

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Monalisa

Um momento! Tocou o telefone, vou atender, ........, era uma pessoa que ultimamente vive enchendo o saco. Liga com umas conversas estranhas, parece esquisito, mas é o que tem ocorrido. Estou em qualquer lugar, toca o telefone e aquela pessoa vem torrar minha paciência. Não adianta desculpas e dizer-lhe que não estou entendendo, na primeira oportunidade volta com todo blá... blá... blá...

Voltemos ao início, estava na estação rodoviária aguardando o ônibus para Curitiba. Nesses minutos de espera a gente fica rodando de um lado para outro, sem destino, somente controlando o relógio. Numa dessas voltas pelo saguão esbarrei em uma moça?! Digo moça para amenizar o impacto. Aquilo era uma coisa, era muito feia, um canhão! Deveria estar com dezenas de quilos além do ideal, mancava e para piorar tinha o rosto coberto de espinhas, daquelas de dar inveja. Eram bolhas e bolhas, algumas inflamadas... nojentas!

Após o leve esbarrão, desculpei-me e fui agraciado com um sorriso indescritível. Aquela moça começou a tomar outra forma, aquele sorriso mostrou-se mágico e encantador -  como é possível isso, imaginei. Fiquei sem jeito diante daquilo e apressei o passo para ficar longe o mais rápido possível, acreditem!  num impulso vindo não sei de onde, voltei e corri atrás dela. Queria vê-la novamente, como era um dia daqueles em que todos resolvem curtir o feriadão, o saguão estava além da conta, mal dava para caminhar sem tropeçar. Mesmo assim, fui empurrando uns e outros, esbarrei em um, dois, sei lá quantos. Fui atropelando tudo na ânsia de vê-la novamente.

Aquele sorriso enfeitiçou-me, logo eu que não acredito nessas mandingas, feitiço... Meu Deus! Será que aquela mulher ou seja lá o que for é uma bruxa. Não! Parece que perdi o juízo, essa de bruxaria não existe - balbuciava eu.

Passados alguns minutos, ainda em seu encalço e nada. Já estava próximo de embarcar e ainda correndo de um lado para o outro. Até que avistei o ônibus encostar no local determinado ao meu horário. Para minha surpresa, em frente ao portão de embarque, ela. Suspirei fundo, ajeitei os ombros e a passos largos me aproximei perguntando se embarcaria naquele ônibus. Olhou-me e com aquele sorriso eletrizante acenou que sim. Fui às alturas. Voltei ao chão com o motorista pedindo a passagem e documentos para conferir o embarque; novamente ela sumiu. Será que estou vendo coisas. Não! Eu não acredito em visões e coisas do tipo, existe alguma explicação. Estava ansioso por admirar aquele sorriso mais uma vez. O ônibus roncou e o alto falante anunciou: passageiros com destino a Curitiba às dezenove horas queiram se dirigir a plataforma de embarque, box cinco, e boa viagem.

Dentro do ônibus, segui em direção à última poltrona, ao me aproximar vi uns cabelos esquisitos e à medida que avançava aqueles cabelos deixavam transparecer um rosto. Será? E o sorriso! Era ela. Nossa! Como explicar, ninguém vai acreditar! Pedi licença, o lado da janela era meu, e sentei-me. Louco para novamente curtir aquele sorriso arrebatador.

Rodados alguns quilômetros resolvi puxar conversa e tentar descobrir o encanto daquela pessoa. Perguntei-lhe o nome, sua resposta foi o silêncio total. Mais uma vez apenas um olhar que de novo paralisou-me. Não sei por quanto tempo viajei, pois aquele sorriso transfigurava-me. Sentia-me além de mim. Aquilo era fantástico. Nunca tivera uma sensação tão perturbadora, tão real. Estava sentindo, então, já que tá, que fique - pensei!

Aí tudo escureceu, o motorista desligou as luzes internas, só percebia que a meu lado havia um vulto estranho cuja presença me incomodava, deixava-me inquieto e por outro lado concectava-me ao paraíso. Credo! fui profundo agora, mas era o que sentia. Através daquele sorriso  aterrisava direto no Éden... essa era a sensação.

Até que ao passarmos por uns solavancos ela resolveu apresentar-se e disse que seu nome era Consciência. Achei esquisito aquele nome. Ainda assim respondi-lhe que seu sorriso era a coisa mais linda que havia visto. Ela novamente sorrindo... deixou escapar que aquele sorriso era a minha esperança. Depois dessa?!?, sem entender nada, adormeci....

Ao desembarcar em Curitiba não a vi. Discretamente comentei com o motorista se havia percebido o canhão de mulher que viajou a meu lado. O motorista olhou-me de uma maneira esquisita e disse-me que não havia mulher alguma no ônibus, tampouco passageiro a meu lado. "Plimmmmmmmmmm.................plimmmmmm...........

Não respondi, fui-me e à medida que afastava-me da rodoviária os fatos ocorridos, desde minha decisão de viajar, ecoavam em minha mente, enfim algum sentido, aquela coisa desengonçada, manca, feia, nojenta, era minha consciência abalada com meu fraco desempenho nos últimos dias e que apesar de tudo trazia o conforto de um sorriso encantador: a esperança em dias melhores. Ah!, A pessoa que fica ligando e enchendo o saco é uma cliente insatisfeita com o meu trabalho.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Edições impressas continuam

Há exatos dois meses (14/06/2011) iniciei este blog imaginando dar cara nova ao já conhecido Modas dum diletante, além de criar a opotunidade de desperdir-me das edições impressas no formato A4. Nesse ínterim, várias pessoas interpelaram-me na busca das edições em papel. Aí percebi que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Ou seja, cada plataforma com suas características e público. Assim, muito em breve estarei apresentando a edição em papel número oitenta e um...   

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Presidenta uma ova!

Faz quarenta anos que estou tentando alfabetizar-me, nesse período houveram momentos de difícil compreensão, momentos em que senti-me um perfeito idiota. Não entendia o porquê de complemento verbal ou nominal e porque existem as tais classes de palavras.
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Foram anos na busca do discernimento e creio estar longe de dar-me por satisfeito. Ainda mais com a língua brasileira. Queiramos ou não... um misto com a portuguesa somada às demais influências desde os tempos coloniais.
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Sobretudo nós da região sul que recebemos a herança do convívio com o linguajar castelhano do Uruguay, Paraguay, Argentina e Chile desde os tempos "gauchos"... Com isso, pendemos mais para o lado dos galegos da Galícia do que os portugueses de Portugal... É só entrar no Youtube e pesquisar as falas. Vocês irão se surpreender pela semelhança no sotaque (fonética) e nas palavras (grafia)... É de arrepiar!



XENTE

Olla a rúa de atrás
olla o chan oe o mar
olla os que xa non están
oe o bardo cantar

Oe o son do andar
son os que veñen sen pan
saen do seu despertar
collidos da túa man

Ollame óllate
olla os ollos dos que ven
ven de ti ven de min

óllate óllame
xente que vai soa
xente que vai embora
xente que namora a xente

xente diferente
xente intelixente
xente intermitente
xente

xente divertida
xente distendida
xente a túa medida
xente

xente divertida
xente distendida
xente a túa medida
xente

xente que vai soa
xente que vai embora
xente que namora a xente

xente que sorprende
xente que comprende
xente que non se vende
xente

xente divertida
xente distendida
xente a túa medida
xente
.Isso tudo para registrar que pronunciarei A PRESIDENTA... somente no dia em que houver O PRESIDENTO... afora isso é substantivo comum de dois gêneros.

o acrobata_______a acrobata
o agente_______a agente
o artista_______a artista
o consorte_______a consorte
o herege_______a herege
o intérprete_______a intérprete
o lojista_______a lojista
o mártir_______a mártir
o patriota_______a patriota
o viajante_______a viajante
o dentista________a dentista
o jornalista_______a jornalista
o suicida_______a suicida
o estudante_______a estudante
o cliente_______a cliente
o colega_______a colega
o indígena_______a indígena
o pianista________a pianista
o gerente________a gerente
o camarada_______a camarada
o imigrante_______a imigrante
o mártir_______a mártir
o fã_______a fã
o médium_______a médium
o reporter_______a repórter
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Observem que a maioria dos partidários da Presidente, principalmente do PT (Partido dos Trabalhadores), são os únicos a se manterem  fiéis ao termo PRESIDENTA. Aqui entre nós, somente os puxa-sacos, como não tenho obrigação nem rabo preso com essa classe: a senhora presidente continuará respeitando as regras gramaticais até aqui consagradas. Nada de tratamento diferente.
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Obs: Será que a presidenta era estudanta quando adolescenta?
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PS: Antes que algum especialista queira crucificar-me, devo dizer que o estudo da língua é para mim um passatempo saboroso e saudável. Não tenho compromisso com nada e com ninguém... quiça comigo.
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http://gilrikardo-blog.blogspot.com/2011/07/o-tudo-e-o-nada_15.html

domingo, 14 de agosto de 2011

Em nome do meu pai


Na casa onde vivi meus primeiros anos, não havia energia elétrica nem água “encanada”. Situava-se num bairro pouco distante do centro, pois o trecho era percorrido a pé diariamente pelo meu pai. E num dia de compras, contava eu com quatro ou cinco anos, acompanhei-o, precisava de calçado.

Na ida foi uma festa, imagine alguém que nunca saiu do terreiro da casa estar com todo o horizonte à frente. Não sabia se olhava os carros, as pessoas, as pedras da calçada. Tudo era surpreendente e maravilhoso. Entrava nas casas comerciais e ficava com dor no pescoço de tanto olhar coisas que nem em meus sonhos existiam. Lembro-me do braço de meu pai a levar-me de um lado a outro segurando firme, como alguém que não vai deixar escapar. Junto duas sacolas de lona que aos poucos se avolumaram e então passei a agarrá-las.

Às vezes uma paradinha, papai comentava alguma coisa ou dialogava com alguém e após uns minutos à sombra seguíamos. Ganhei o par de congas, era o tênis da época, na loja calcei-as e saí mais faceiro que ganso novo. Na calçada percebi que já mirávamos a volta. As sacolas estufadas, arroz, feijão, farinha, café, açúcar e mais um montão de coisas que faziam o papi gemer baixinho ao movimentar aquela carga. Olhei para seu rosto e vi o suor escorrer. Ainda devido ao calor e ao esforço, estava vermelho qual um peru. Aos poucos, com passos miúdos ficava para trás, meus pés doiam e eu não lhe contava. Após muitos atrasos, o pai tirou minhas congas e viu os calcanhares em carne viva. O calçado novo esfolara-me até sangrar.

Aí então aconteceu algo que mexe comigo até hoje. Colocou-me nos ombros, com as pernas abertas sobre o pescoço, minhas mãos agarradas em sua testa molhada e quente. Sem a conga meus pés sentiram certo alívio, mas ainda havia um bom trecho a ser percorrido. E assim fomos. Ouvindo os gemidos de canseira pelo peso das sacolas e, para completar, eu pendurado às suas costas.  Daquele dia em diante comecei a entender o que era ser meu pai.

sábado, 13 de agosto de 2011

Amy ou deixe-a


A mulher estava perdida, o vício já lhe tinha corroído até a alma, inclusive as músicas que vivia a cantar eram traduções da situação lamentável de alguém à beira do abismo. O tempo passou, aquilo que se desenhava brotou... foi engolida.

A mim quase nada  significante, mas é de arrepiar o que a mídia e milhões de fãs fazem para enaltecer, homenagear, vangloriar... Fatos como esse demostram que o ser humano há de rastejar por muito tempo ainda. Merece rastejar até se libertar dos cacoetes de verme que lhe transforma em algo nojento, intragável, intolerável... arghh!

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Não entendi :o(

Em cinco décadas, muitas foram as ocasiões em que me surpreendi. A primeira quando percebi que a classe social a qual pertencia me limitava até os sonhos! A segunda levei anos para aceitar, mas entendi que eu era ruim de bola e deveria me conformar em ser escalado ou não. Entretanto isso não me tirou das tardes animadas em nosso campinho de peladas. Tinha jogo, lá estava eu. Mesmo que ficasse olhando ou bancando o juiz, o gandula e até o dono da bola. Outra marcante, anos oitenta quando um mui amigo se disse apaixonado por mim. Cruzes! Nunca dei motivos para tal, tampouco em minha santa ignorância percebi algo diferente. Foi o fim do início de uma amizade. Fazer o quê! 

E assim seguimos. Surpresas daqui. Perplexidades dali. A gente vai levando. Até o dia em que anunciamos não duvidar de mais nada. Que não existem motivos para surpresas. Pois viver nos ensinou que é desse jeito et cetera e tal. Acho que é daí que surgem as máximas apelativas, prefiro um cachorro amigo a um amigo cachorro. E por aí vai!

Puxa! Estou a falar demais, parece até que perdi o fio da meada. Não perdi não! O assunto que me traz aqui é que esta semana surpreendi-me como dantes. Num mercado do bairro cuja nossa frequência se dá há mais de dez anos. São dez anos, mil e duzentos meses ops! cento e vinte meses ou mais de treis mil e seiscentos dias de relacionamento cliente/fornecedor. Onde a melhor mercadoria é a atração pelo fiado e a proximidade de casa. Facilita em dias de correria, além de ótimo quebra galho. Vamos até a esquina e de pronto somos atendidos.

Dessa forma apagamos incêndios, socorremo-nos em dias de baixos ganhos, atrasos de salários entre outros percalços. Não exageramos na dose, pois compramos aquilo que o bolso garante. O controle é rígido... Real a real para não comprometer o pagamento. Já que somos parceiros, a nós cabe quitar em dia pelo que levamos e assim mantivemos satisfatória a relação por esse longo tempo... até que nesta manhã comunicaram-me que meu crediário extinguiu-se pelo motivo de comprar muito pouco.  

Sinceramente não entendi??!? É a primeira vez que vejo alguém perder o crédito porque mantém rígido controle e não gasta além das posses. E eu imaginava não surpreender-me nesta altura do campeonato.

Post scriptum: Agradeço ao leitor Jacson que alertou-me para o erro matemático que cometi ao transformar dez anos em meses. Obrigado pela dica!

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Comunismo

Quando leio matérias aludindo, enaltecendo, vangloriando, almejando, enfim, nominando ao comunismo virtudes que a realidade da vida nos provou serem incompatíveis, indago-me porque é tão difícil a essas pessoas aceitarem o óbvio. Atualmente temos meia dezena de países comunistas entre os aproximados duzentos existentes. (observe a categoria dos países comunistas - não é necessário muitos neurônios para se deduzir)

Hoje:

China, Cuba, Vietnã, Laos e Coréia do Norte.

Foram um dia:

Afeganistão, Albania, Angola, Benin, Bulgária, Congo, Czechoslovaquia, Etiópia, Finlândia, Alemanha Oriental, Grécia, Granada, Hungria, Camboja, Mongólia, Moçambique, Polônia, Romênia, Somália, URSS (que incluiam: Rússia, Belarussia, Ukrania, Estônia, Letônia, Lithuânia, Moldávia, Geórgia, Armênia, Azerbaijão, Cazaquistão, Uzbequistão, Turquemenistão, Quirguistão e Tadjiquistão), Tunísia, Yemen e Iugoslávia.

Em outros tempos era fácil iludir, vender falsas matérias, fabricar romances e assim arrebanhar os desinformados. Mas hoje em dia, com a internet e seus recursos (youtube, blogs, google, google earth, etc.) só cai no "conto do comunista" os preguiçosos. Ou seja, aqueles que não procuram melhor se informar. Outro dado que me deixa surpreso é perceber que a maioria dos políticos brasileiros que defendem Cuba e seus admiradores, escolhem outros paraísos para viagens de férias. Porque não vão para Cuba, Laos, Vietnã, Coréia do Norte e China... é de se pensar!

Ficaste curioso(a) e desejas saber mais? Pesquises no google ou no youtube imagens dos países ditos Comunistas. Verás aquilo que palavras minhas não conseguem descrever.




ASSISTA VÍDEO MUI DIDÁTICO: Centro de Havana, capital de Cuba.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Modas dum diletante_Edição 04

Clique na imagem para ampliar.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Dica de leitura > Nelson Rodrigues

Ruy Castro

O Anjo pornográfico - A vida de Nelson Rodrigues

INTRODUÇÃO > Esta é uma biografia de Nelson Rodrigues, não um estudo crítico. Aqui se encontrará onde, quando, como e por que Nelson escreveu todas as suas peças, romances, contos e crônicas, mas não espere "análises" ou "interpretações". O que se conta em "O anjo pornográfico" é a espantosa vida de um homem - um escritor a quem uma espécie de imã demoníaco (o acaso, o destino, o que for) estava sempre arrastando para uma realidade ainda mais dramática do que a que ele punha sobre o papel.

Se a narrativa de "O anjo pornográfico" lembra às vezes um romance é porque não há outra maneira de contar a história de Nelson Rodrigues e de sua família. Ela é mais trágica e rocambolesca do que qualquer uma de suas histórias, e tão fascinante quanto. É quase inacreditável que o que se vai ler aconteceu de verdade no espaço de uma única vida. (Daí por que quando Nelson morreu em 1980, aos 68 anos, muitos achassem que ele era séculos mais velho.)

Esta não é também uma biografia crítica, no sentido de que, quando Nelson escrever, por exemplo, "Vestido de noiva", irei interromper a história para teorizar sobre o significado profundo dessa peça ou qualquer outra. (Para isso, os interessados devem dirigir-se aos definitivos prefácios de Sábato Magaldi, que iluminam os quatro volumes do "Teatro completo" de Nelson Rodrigues, vide bibliografia.) No caso de "Vestido de noiva" (e das outras peças), o que eu queria saber era o que aconteceu antes, durante e depois da montagem, na platéia, no palco, nos bastidores e como isso se refletiu na vida de Nelson.

Mesmo porque o teatro nem sempre foi o palco principal de Nelson Rodrigues. Talvez nunca o tenha sido. Esse, se houve um, foi o jornal. Pode ter sido também a rua (ou a própria cidade do Rio de Janeiro), embora poucos brasileiros, exceto datilógrafos profissionais, tenham passado tantas horas atrás de uma máquina de escrever. (Nelson "escreveu" até durante os delírios provocados por insuficiência respiratória.)

Apesar de sua fenomenal produção, o único nicho em que ele passou a ser unanimemente aceito (e, mesmo assim, de uns tempos para cá) é o do teatro. Poucos sabem que o restante dessa produção, esgotado há décadas, é tão genial quanto seu teatro. (E os que sabem não se conformam com que o mundo não saiba.) A reabilitação está próxima, com sua publicação pela Companhia das Letras.

Durante muitos anos, Nelson Rodrigues carregou a fama de "tarado". Em seus anos finais, a de "reacionário". Ninguém foi mais perseguido: a direita, a esquerda, a censura, os críticos, os católicos (de todas as tinturas) e, muitas vezes, as platéias - todos, em alguma época, viram nele o anjo do mal, um câncer a ser extirpado da sociedade brasileira. E, olhe, quase conseguiram.

Mas, ao mesmo tempo em que queriam "caçá-lo a pauladas, como a uma ratazana prenhe", havia também muitos para quem parecia impossível admirar Nelson Rodrigues o suficiente. Mesmo os seus piores inimigos nunca lhe negaram o talento - e não foram poucos os que o chamaram de gênio. Há quem arrisque até explicações espíritas para certos lampejos de Nelson. Para alguns, era um santo; para outros, um canalha; para todos, sempre, uma surpresa ambulante. Mas, como se verá, ninguém o conheceu direito.