quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Legião Brasileira de Bobalhões

Gilrikardo disse: Estou para descobrir se existe melhor definição para a nossa classe política, em cinquenta anos de vida, essa superou todas que conheci e imaginei, parabéns um milhão de vezes Dr. Milton Pires.

Atualmente quem mais lucra com a desenvoltura da LBB no Brasil são estas criaturas que ocupam o meio termo entre a espécie humana e os animais – nossa classe política.

LBB - Legião Brasileira dos Bobalhões

Gilrikardo disse: Direto do BLOG DO ORLANDO TAMBOSI, transcrevo texto sensacional:

Os especialistas da LBB


Colaborador do blog, o médico Milton Pires envia artigo em que, de forma lúcida e mordaz, trata de uma "entidade" que se torna cada vez mais forte no país:
Em texto anterior já me apresentei: sou médico em Porto Alegre e trabalho em uma das Unidades de Terapia Intensiva (UTI's) que estão atendendo os sobreviventes da tragédia de Santa Maria. Também já descrevi antes quais os riscos que estas pessoas correm no momento.
Neste pequeno artigo quero mudar de assunto. Desejo fazer uma homenagem a uma grande instituição brasileira que vem atuando através dos meios de comunicação pelo menos desde o incêndio do edifício Joelma em 1974 – a Legião Brasileira de Bobalhões (LBB).

A LBB é uma entidade aparentemente sem fins lucrativos. Na verdade é o ego de seus especialistas que cresce a cada episódio de comoção nacional. Para ser um especialista da LBB é preciso obedecer alguns pré-requisitos. Normalmente são pessoas com curso superior: médicos, engenheiros, advogados, psicólogos, jornalistas, entre outros...

Uma das características fundamentais do especialista da LBB é falar sobre algo que não conhece. Assim, por exemplo, no caso da tragédia de SM, um advogado vem à imprensa falar sobre insuficiência respiratória aguda, um médico fala sobre a prisão dos suspeitos, ou uma psicóloga determina quantas saídas de emergência a boate Kiss deveria ter.
Os cronistas da grande imprensa brasileira – que normalmente ocupam cargos de direção na LBB - costumam superar todos os demais “especialistas” porque falam com uma desenvoltura (e uma estupidez) fantástica sobre todos estes temas. Misturam tudo e acabam por me fazer lembrar daquela letra de música - “presto atenção no que eles dizem, mas eles não dizem nada”.
Além desta habilidade fundamental para ser um integrante da LBB, existem outras que podem ajudar muito. Uma delas é ser professor desta máquina de formação de idiotas que se tornou a universidade brasileira – ambiente de onde todo mundo costuma sair acreditando que a Terra está aquecendo, que Deus não existe e que atropelar uma foca é mais grave que deixar uma criança morrer de fome.
Quando alguém da LBB é confrontado com um texto como este que escrevo agora, imediatamente se defende afirmando o seguinte – é a comoção nacional que faz com que ocorra este fenômeno, Milton! As pessoas estão apavoradas, não sabem o que pensar nem o que dizer para compreender a morte de mais de 230 jovens. Respondo a elas o seguinte: uma coisa é ficar comovido, a segunda é escrever, a terceira é ter acesso ao lixo que é a grande imprensa brasileira e a quarta é ocupar cargos chave do poder público com poder de vida e morte sobre a segurança das pessoas. Deveria haver uma lei sobre acúmulo de funções! Ou alguém pertence à LBB ou tem de fato cargo público.
Atualmente quem mais lucra com a desenvoltura da LBB no Brasil são estas criaturas que ocupam o meio termo entre a espécie humana e os animais – nossa classe política. Apoiados pelos especialistas desta instituição nacional que é tão brasileira quanto o Carnaval, o futebol e as mulheres seminuas, os nossos governantes têm acesso ao rádio, jornal e TV com toda segurança do mundo. É a receita perfeita para esquecer os trens do Rio de Janeiro circulando com gente saindo pelas janelas, nossas grandes capitais com seu contingente de bombeiros reduzido à miséria, nossos hospitais com ratos circulando nos blocos cirúrgicos e nossa previsão meteorológica feita por “patricinhas” de cabelo comprido e calça justa.
Termino aqui. Já estou me sentindo, eu mesmo, candidato a um cargo na LBB. Afinal, se sou médico, por que não estou cuidando dos meus pacientes em vez de escrever tudo isso? Antes do ponto final, uma atitude da minha profissão. Uma receita para todos os integrantes da LBB que estão na mídia escrevendo sobre o que ocorreu aqui no Rio Grande do Sul: tomem 3 vezes por dia, e pelo menos durante uma semana, uma dose de vergonha na cara. Parem de explorar a morte das pessoas falando sobre o que não sabem. Qualquer dúvida é só me ligar... eu prescrevo para vocês um remédio mais forte!

PARTICIPE, o Brasil precisa

Ficha Limpa no Senado: Renan não!

Caros amigos,

O Senador Renan Calheiros, que acaba de ser denunciado criminalmente ao STF pelo Procurador-Geral da República, é o favorito para ser o próximo presidente do Senado. Somente uma mobilização gigantesca pode impedir esta vergonha.

A última vez que Renan Calheiros foi Presidente do Senado, em 2007, ele teve que renunciar após sérias denúncias de que um lobista pagava suas despesas pessoais, paralisando o Senado por meses. A denúncia agora é que para se defender daquelas acusações ele apresentou notas falsas. Após a aprovação da lei da Ficha Limpa e do julgamento do Mensalão o país precisa deixar claro que não aceita mais que a moralidade pública fique em segundo plano.

Antes da denúncia ao STF, Renan era franco favorito, mas agora está surgindo uma forte articulação entre os Senadores contra sua candidatura e uma mobilização popular gigantesca nas próximas 24 horas -- antes da eleição na sexta-feira -- pode enterrar de vez os Planos de Renan. Assine agora essa petição, que foi criada pela ONG Rio de Paz, e ao atingirmos 100.000 assinaturas ela será lida no plenário do Senado por Senadores que se opõem a Renan:

http://www.avaaz.org/po/ficha_limpa_no_senado_renan_nao/?trTfWdb

Não podemos assistir de braços cruzados um Senador que acaba de ser denunciado criminalmente ser eleito Presidente de um dos Poderes da República, que tem o poder de decidir quais os projetos devem ser ou não votados e é o terceiro na linha sucessória da Presidenta da República.

A acusação mais recente contra o Senador é que ele apresentou notas falsas para se defender das acusações anteriores. Além dos danos à imagem de nossas instituições causados por essa eleição, está claro que Renan passará sua gestão se defendendo de acusações ao invés de conduzir votações importantes no Senado. Um país que se orgulha de ter uma lei como a Ficha Limpa deve se mobilizar contra isso.

Nossos informantes em Brasília afirmam que apenas uma enorme mobilização popular pode fazer os Senadores perceberem que suas reputações estarão em risco caso insistam em conduzir Renan Calheiros para a Presidência do Senado. Por isso, é fundamental espalhar essa petição por todos os cantos para chegarmos a 100.000 assinaturas e podermos ter nossas vozes amplificadas no plenário do Senado durante a votação. Assine aqui e compartilhe com todos:

http://www.avaaz.org/po/ficha_limpa_no_senado_renan_nao/?trTfWdb

Nos últimos anos a comunidade da Avaaz tem se fortalecido e lutado contra a corrupção no Brasil. Juntos ajudamos a aprovar a Lei da Ficha Limpa, proteger comunidades indígenas e os direitos dos trabalhadores. Vamos nos unir mais uma vez pela eleição de um presidente Ficha Limpa para o Senado, uma conquista de todos nós.

Com esperança e determinação,

Pedro, Diego, Carol, Alice, Laura, Dalia, Ricken e toda a equipe da Avaaz


MAIS INFORMAÇÕES:

Gurgel afirma que provas contra Renan Calheiros são consistentes (Terra)
http://noticias.terra.com.br/brasil/politica/gurgel-afirma-que-provas-contra-renan-calheiros-sao-consistentes,a60ea4522f68c310VgnVCM5000009ccceb0aRCRD.html

Gurgel apresenta denúncia no Supremo contra Renan Calheiros (G1)
http://g1.globo.com/politica/noticia/2013/01/gurgel-apresenta-denuncia-no-supremo-contra-renan-calheiros.html

Senadores articulam nome alternativo a Renan Calheiros para presidir Senado (Zero Hora)
http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/politica/noticia/2013/01/senadores-articulam-nome-alternativo-a-renan-calheiros-para-presidir-senado-4026909.html

Gurgel diz que acusação contra Renan é 'extremamente consistente' (G1)
http://g1.globo.com/politica/noticia/2013/01/gurgel-diz-que-acusacao-contra-renan-e-extremamente-consistente.html

Eduardo Suplicy pede que Renan Calheiros desista de candidatura (Gazeta do Povo)
http://www.gazetadopovo.com.br/vidapublica/conteudo.phtml?id=1340001

Renan Calheiros é denunciado por supostas notas frias (UOL)
http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2013/01/27/renan-calheiros-e-denunciado-por-supostas-notas-frias.htm

Aécio Neves sugere que Renan Calheiros desista de presidir Senado (Gazeta do Povo)
http://www.gazetadopovo.com.br/vidapublica/conteudo.phtml?id=133999

Brasil mostra tua cara

Com reajuste, preço da gasolina no Brasil será 51% maior que nos EUA
 
Litro do combustível vai custar em média US$ 1,45 no Brasil, enquanto nos EUA o preço é US$ 0,96; antes do reajuste, a gasolina brasileira já custava 44% a mais que a norte-americana.

O Estado de S.paulo, 30 de janeiro de 2013

Fernando Nakagawa, correspondente

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

No país das bolsas


Escrever

Alguém perguntou-me que técnica utilizo para escrever, sem resposta de pronto, postei-me a divagar em busca de descrever como utilizo as letras e as palavras para traduzir meu pensamento. 

É uma consequência? 

Talvez, mas existem tantos que são leitores, inclusive alguns até compulsivos e no entanto não escrevem nada. Certa vez um grande leitor e inteligente empresário, disse-me que desde criança era um apaixonado, pois o dia só estaria completo quando iniciasse e terminasse com algum livro entre os dedos. E mesmo assim, com toda essa munição nunca havia lhe passado pela mente o desejo de escrever. 

O contrário também existe, isto é, quem não gosta de ler, leu pouco, mas é insistentemente um escrivinhador... conheci um, escrevia sobre a vida dele, assim os assuntos, os causos relatados eram de interesse próprio e daqueles a quem conhecia (redigia num caderno que depois emprestava a quem desejasse). Nunca lhe indaguei o porquê daquela “necessidade” de escrever, ao tempo que ficava curioso pelas dificuldades  que ele deveria encontrar para a construção dos argumentos e relatos apresentados em suas histórias. Então dizer que seria consequência do ato de ler não caberia afirmar, por outro lado só o desejo de escrever, também acredito que não seria de todo motivo aceitável. 

É o que então? 

Necessidade de opinar, 
necessidade de aparecer, 
necessidade de aprender, 
necessidade de estar vivo, 
necessidade de criticar, 
necessidade de não aceitar as coisas como são, 
necessidade de somar durante a curta passagem...

Diria, o que me leva a escrever é o encantamento pelo pensamento traduzido pelas palavras. É a soma que me conduz à eterna busca pelo que sou e ainda desejarei ser (esperança) dentro desse mundo. 

O PT que a maioria não vê

A profecia do general Olympio Mourão Filho
Hodiernamente nada soa mais verdadeiro do que a previsão do general Olympio Mourão Filho, publicada no seu livro de 1978, A Verdade de um Revolucionário: 

"Ponha-se na presidência qualquer medíocre, louco ou semi-analfabeto, e vinte e quatro horas depois a horda de aduladores estará à sua volta, brandindo o elogio como arma, convencendo-o de que é um gênio político e um grande homem, e de que tudo o que faz está certo. Em pouco tempo transforma-se um ignorante em um sábio, um louco em um gênio equilibrado, um primário em um estadista. E um homem nessa posição, empunhando as rédeas de um poder praticamente sem limites, embriagado pela bajulação, transforma-se num monstro perigoso."




terça-feira, 29 de janeiro de 2013

O PT que a maioria não vê

Gilrikardo disse: Diga-me com quem andas que direi quem és!


Lula viaja a Havana, onde pode se encontrar com Chávez

_O ex-presidente Lula chegou a Havana, em Cuba, na noite de segunda-feira, dia 29, para participar de uma conferência sobre o herói cubano José Martí. Há a expectativa de que Lula faça uma visita ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que se recupera desde dezembro de uma cirurgia contra um câncer.
_Lula foi recebido pela vice-ministra de Relações Exteriores de Cuba, Ana Teresita Fraga González. O ex-presidente participará da Conferência Internacional pelo Equilíbrio do Mundo, reunião que busca a formação de um pensamento para solucionar os problemas mundiais sob a influência de um dos responsáveis pela independência cubana.
_O petista também deve se encontrar com o presidente de Cuba, Raúl Castro. Após Havana, Lula segue para Santo Domingo e, em seguida, para Washington. 

_Luciane Degraf, 23 anos, escreve para a editoria de POP News sobre Brasil, economia, Mundo e Política. Seus gostos são simples. Viagens, livros, filmes e séries de TV: adora cultura pop. 
..............................

Gilrikardo disse: kkkkkkkkkkkkkkkkk ......dá para acreditar que alguém com o currículo do Fidel Castro é capaz de solucionar algum problema mundial. Quem escreveu essa baboseira fatalmente deve ser comunista, cubanista ou lulista. Só assim para justificar algum sentido no escrito.

Joinville SC

Ao olhar esta foto, lembrei do dia em que aqui cheguei. Não foi amor à primeira vista, pelo contrário, quase refiz meu caminho de volta. Levei tempo, quase dois anos para ceder aos encantamentos da terra. Aí então não teve mais volta, aqui já é o lugar onde mais tempo vivi. E pela minha vontade é aqui que voltarei ao pó.



A VERDADE DE CADA UM

No. 316 - 04/2013 

VIVER EM SOCIEDADE

o respeito às leis e o exercício do poder de polícia

Renato Holz (*)

As leis são regras para a vida em sociedade. Elas servem para mostrar a cada cidadão as suas obrigações para com a comunidade, e estabelece os seus direitos para sua vida em coletividade.

O respeito às leis deve ser ensinado ao ser humano desde a mais tenra idade, e seu conhecimento e prática recapitulados até o final da vida.

Uma vida harmônica em sociedade, com amplo exercício de cidadania por todos nasce e tem seu maior baluarte na educação; desde os princípios ensinados pelos pais, passando pela educação formal nas escolas e pelo aprendizado que a vida nos oferece. Não devemos esquecer nunca que a forma como agimos, os nossos atos, ensinam muito mais do que milhares de palavras.

Além da educação, é necessária e imprescindível a presença do estado, zelando diuturnamente pelo correto respeito às leis. É o exercício do poder de polícia, mais que um direito, uma obrigação do estado. Entenda-se como estado as três esferas de governo, e os três poderes que formam este governo. Estão envolvidos pois vereadores, prefeitos, promotores de justiça e juízes, deputados, governadores, desembargadores, membros do congresso nacional, presidente da república e ministros dos tribunais superiores, assim como todos os subordinados destes. Perdoem-me pela exaustiva citação, aparentemente desnecessária, mas citar todos é importante para mostrar a amplitude desta instituição que chamamos de estado.

Manter os terrenos baldios limpos, fazer edificações respeitando o que estabelece a legislação pertinente, somente construir com a devida licença dos órgãos competentes, montar estabelecimentos industriais, comercias e de serviços dentro das especificações técnicas e de segurança concernentes a cada caso, respeitar as leis de trânsito e o patrimônio alheio, são deveres de toda a população. 

Cabe à “ instituição estado “ o exercício do poder de polícia. Isto vai desde a fiscalização efetiva e constante de terrenos e edificações, dos estabelecimentos industriais, comerciais, de serviços e também dos estabelecimentos públicos – escolas, hospitais, postos de saúde, vias públicas, etc - Este zelo, sob forma de uma fiscalização efetiva, não deve se restringir à aplicação de multas por sonegação fiscal, desrespeito às leis de trânsito e esporádicas visitas a locais passíveis de fiscalização. A obrigação do estado é imensamente maior.

Cuidar para que cada cidadão cumpra as regras da vida em sociedade – leis - o estado estará protegendo a saúde da população - evitando a proliferação do mosquito da dengue -, a integridade física dos pedestres – fiscalizando o respeito pela preservação de passeios dentro do que estabelece a legislação municipal e sua total desobstrução, permitindo a circulação pela cidade em segurança -, a vida da população – fiscalizando o respeito pela legislação pertinente a edificações e regras de engenharia e segurança de estabelecimentos em geral. Isto para citar alguns exemplos.

A responsabilidade dos gestores públicos é ainda maior, pois lhes cabe a orientação e cobrança constante dos educadores, assim como dos fiscais de sua alçada, para que as regras de vida em sociedade sejam devidamente ensinadas e seu cumprimento cobrado.

Tudo isto deve parecer a muitos como sendo o óbvio e desnecessário a sua menção. Mas não é.

Quantas cidades brasileiras carecem de pessoas preparadas e em número suficiente para exercer o poder de polícia – fiscais. Conheço municípios onde os fiscais além de poucos são instruídos a não agirem, ou o fazerem somente mediante denúncias, pois a sua ação poderá fazer com que prefeitos e vereadores percam os votos dos fiscalizados em eleições futuras.

Repito, parece o óbvio mas não é.

Quantos motociclistas morrem ou ficam com graves seqüelas por se acidentarem sem estarem com os equipamentos de segurança estabelecidos; assim agiram por não respeitarem as regras, mas também porque não são fiscalizados com o devido rigor.

Por último pergunto: quantas tragédias mais, como a do último sábado em Santa Maria, RS com a morte de centenas de jovens, são necessárias para que cada um cumpra com o seu dever ?

Após a tragédia, discutir o assunto por alguns dias pela imprensa, e as manifestações de solidariedade das autoridades dos mais diversos níveis são bem vindas, mas, quando aprenderemos, todos, como nação, a respeitar as regras estabelecidas para a vida em sociedade, e quando a instituição estado passará a exercer a efetivo e constante obrigação de verificar de forma preventiva se estas regras estão sendo cumpridas? 

Pensem nisto enquanto desejo a todos
uma ótima semana
Renato Holz Horizonte / Ce 28 de janeiro de 2013
< renatoholz31@gmail.com >

(*) Renato Holz
articulista e consultor em planejamento estratégico
P.S. – Permitida a reprodução parcial ou total, desde que citada a autoria.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Big Bosta Brasil


Profecia

A profecia do general Olympio Mourão Filho

Hodiernamente nada soa mais verdadeiro do que a previsão do general Olympio Mourão Filho, publicada no seu livro de 1978, A Verdade de um Revolucionário: 

"Ponha-se na presidência qualquer medíocre, louco ou semi-analfabeto, e vinte e quatro horas depois a horda de aduladores estará à sua volta, brandindo o elogio como arma, convencendo-o de que é um gênio político e um grande homem, e de que tudo o que faz está certo. Em pouco tempo transforma-se um ignorante em um sábio, um louco em um gênio equilibrado, um primário em um estadista. E um homem nessa posição, empunhando as rédeas de um poder praticamente sem limites, embriagado pela bajulação, transforma-se num monstro perigoso." 





Memórias: a verdade de um revolucionário são páginas de meu arquivo que prometi e devo publicar e que constituem um subsídio único e insubstituível para o conhecimento da verdade do movimento de março de 1964.

Olympio Mourão Filho sofreu muitas injustiças em sua carreira militar, em sua vida de homem público. Não quis acumpliciar-me com o amordaçamento de sua palavra e o cerceamento da liberdade de expressão que constituía para ele um ponto de honra. 

Com a publicação deste livro cumpro a promessa a mim exigida por um homem que ia morrer. Graças a Deus não me faltou a coragem que ele reconheceu em mim e que estou honrando com o cumprimento de minha palavra."

Hélio Silva
Rio de Janeiro, agosto de 1978

domingo, 27 de janeiro de 2013

Urubus em festa

À imprensa cabe o dever de informar, pelo menos teoricamente, ao cidadão sobre os acontecimentos. Relatar os fatos e suas consequências dentro de uma ótica de utilidade pública, onde o bem maior é o todo, o público, a comunidade, a nação. E não com o viés da audiência pela audiência como é de simples constatação em nossos dias. 
Hoje por exemplo, em Santa Maria RS, a 300km da capital do estado – Porto Alegre, ocorreu uma tragédia. Uma boate lotada incendiou-se e provocou a morte de mais ou menos 230 pessoas até o presente momento – doze horas após o fato. Acredito que isso já é suficiente para provocar dor e constrangimento em qualquer pessoa com um mínimo discernimento sobre a vida. 
No entanto,  recorrer à televisão em busca de informações é se deparar com um festival de bobagens. Repórteres fingindo preocupação, mentindo, inventando o que não sabem. Inclusive alguns vão mais longe, já iniciam ali mesmo o tribunal de julgamento daqueles que supostamente seriam os culpados. 
Em nome desse estapafúrdio argumento vomitam as mais variadas besteiras que se possa imaginar. Um verdadeiro desfile de achismos e "se isso" "se aquilo" "se se". Se misturam às datas de outras tragédias, se descrevem dados sem origem, pois precisam manter a audiência... custe o que custar. Eta mundinho miserável esse nosso!

sábado, 26 de janeiro de 2013

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Janis Joplin

 
 

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Dica de Leitura

NELSON RODRIGUES

CONTRACAPA

A vida de Nelson Rodrigues (1912 – 1980 foi mais espantosa do que qualquer uma de suas histórias. E olhe que ele escreveu peças com “Vestido de noiva” e “Boca de Ouro”, romances como “Asfalto selvagem” e “O casamento” e os milhares de contos de “A vida como ela é...”. Mas foi de sua vida – e da vida de sua trágica família – que Nelson Rodrigues extraiu a sua obsessão pelo sexo e pela morte.

Gênio ou louco? Tarado ou santo? Reacionário ou revolucionário? Nenhum outro escritor brasileiro foi tão polêmico em seu tempo.

Para escrever O ANJO PORNOGRÁFICO, Ruy Castro – autor do consagrado CHEGA DE SAUDADE – realizou centenas de entrevistas com 125 pessoas que conheceram intimamente Nelson Rodrigues e sua família. Elas o ajudaram a reconstituir essa assombrosa história, capaz de arrancar risos e lágrima.


ORELHAS DO LIVRO
Uma biografia exemplar. Levantamento minucioso de tudo que diz respeito a Nelson Rodrigues, transformando-o em personagem de si mesmo. Que maior elogio se pode fazer a uma obra do gênero?

Ruy Castro foi aos antecedentes de Nelson - fez um perfil completo do pai, o grande jornalista Mário Rodrigues, e dos irmãos Roberto, artista plástico de valor invulgar, assassinado ainda jovem, e Mário Filho, que ele se deleitava em chamar hiperbolicamente, tão no seu estilo, o “Homero do esporte”. No vasto painel que o autor vai desenhando, ressuscita-se a alma da velha República, de profunda repercussão no teatro do dramaturgo. E daí extrapola-se para a situação do Brasil contemporâneo.

O anjo pornográfico, não obstante o título passível de referendar a imagem popular de Nelson (ainda que fornecido por ele), em nenhum momento concede ao sensacionalismo, nem se fecha no relato frio dos “idiotas da objetividade”. O leitor se surpreenderá, por certo, com o número incontável de revelações, às vezes desconhecidas até dos amigos mais íntimos de Nelson. É como se Ruy, desde o primeiro vagido do futuro autor de Vestido de noiva, o acompanhasse como sombra invisível.

Um livro dessa penetração subentende uma intimidade total com o universo do biografado, dá vida aos mais despercebidos registros jornalísticos. E exige uma insuspeita paixão, de quem se identifica plenamente com as características de seu objeto. Ruy não julga Nelson - limita-se a relatar o que se passou com ele, mostrando, dentro das contradições aparentes, a coerência do temperamento. Sem promover uma defesa deliberada do que suscitaria, para alguns observadores, a condenação de Nelson, o livro o absolve de quaisquer pecados, em múltiplos territórios.

Não procurou Ruy Castro parafrasear a inconfundível literatura de Nelson Rodrigues. Mas a sucessão de capítulos sugere que o espírito do dramaturgo e ficcionista baixou sobre o biógrafo, e O anjo pornográfico se torna uma autêntica autobiografia. Volume que se devora com a sofreguidão de um romance de aventuras.

Sábato Magaldi

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Nietzsche e Fernando Pessoa

O que é ser livre?
É não ter vergonha de ser quem somos.

Nietzsche em A Gaia Ciência - aforismo (275)


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Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo

Fernando Pessoa - A tabacaria


terça-feira, 22 de janeiro de 2013

-Iupiiii, post 700!



Nóia

Por Gilrikardo

Ao ouvir falar de ações governamentais contra as drogas tenho vontade de vomitar... lembro-me que há 35 anos, quando ingênuo garoto do interior fui morar em Curitiba, época em que a gurizada começou a cheirar a tal cola de sapateiro. 
O primeiro que vi devia ter uns onze anos, da janela de meu quarto fiquei chocado com a imagem do nóia em seus delírios deitado na calçada em plena dez horas da manhã. Em minha santa ignorância desci as escadas da pensão num passo só a procurar ajuda para o miserável. 
Santo idiota eu, falei com taxistas, policiais, porteiros e zeladores dos prédios próximos, donos de bares, banca de revista... e nada... ninguém me ajudou a ajudar aquele guri. Eu um baita caipira ainda com os trejeitos de bom moço do interior - tratar a todos de maneira cordial. Por pouco não fui preso, como também não levei uns cascudos dos mais exaltados, imaginem que eu só queria colaborar. 
Primeira lição que aprendi no "mundo novo" (nem todos são iguais, existem sim, os mais iguais, os menos iguais e os outros iguais) desde então fiquei acompanhando a progressão geométrica dessa praga - sei lá se tem outro nome isso. 


Não acredito em cura a curto, médio ou longo prazo, pois com os governos que tivemos nas últimas três décadas o caso só se avolumou. Pelo jeito não serão diferentes os próximos governantes, assim o problema das drogas continuará uma droga. 

Sobretudo porque depende da decisão de alguém que não tem a mínima noção do que seja decidir. Há muito não alimento ilusões, aceito tal flagelo até que consigamos evoluir como nação algumas dezenas de anos.

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Por que a cracolândia resiste?
TV Estadão | 21.01.2013
Os 20 anos de história da cracolândia ajudam a compreender porque o local sempre renasce, apesar de seu fim já ter sido anunciado inúmeras vezes.


segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Acontece

Acredito que os melhores momentos são aqueles convividos com pessoas comuns, de carne e osso que cruzamos em nosso dia a dia.

Parece que não?

É porque somos alimentados desde criancinhas pelos sonhos, imagens, gibis, novelas, historias, filmes, propagandas que de alguma maneira nos impingem conceitos e padrões que deveremos seguir. Aí então inicia nossa romaria pela infelicidade, pelas angústias e pelos dias sem sentido.

Compramos o que nos mandam comprar, escolhemos o que nos sugerem escolher, nos comparamos a quem nos comparam... e sem perceber somos mais um num mundo de bilhões de um. Cadê eu, cadê tu, onde estão os outros... de que matéria somos feitos... será que somos tão iguais ou tão diferentes. Quantos estão aqui?

Quantos tem a consciência de que estão de passagem.... de nenhum lugar para o nada também, as lembranças do depois serão as mesmas de antes de aqui chegar, ou seja nenhuma. Quantos convivem com tal destino? Quantos olham para ti e te enxergam.... quantos falam contigo e te ouvem.... é assim que mais facilmente nos reconhecemos, mais facilmente perdoamos nossas limitações, mais facilmente olhamos para o nosso semelhante e o toleramos, pois como a gente, em muitos momentos não sabem nem o que dizem e muito menos o que fazem. E isso tudo acontece. Aconteceu hoje. Acontecerá nos dias vindouros.

São Pega

Segunda, dia de São Pega. Tô pegando. Mais tarde volto para registrar meus devaneios. Antes porém, um email que recebi cujo site recomendo:

Olá, Ricardo! Tudo bem?

Li a sua crônica no Anexo do jornal A Notícia de outubro do ano passado (li tarde, eu sei) e simplesmente adorei.
Você tem algum blog ou site com mais textos seus? Fiquei com gosto de quero mais, ótimo texto.

Eu escrevo também, se estiver interessado dá uma olhada no meu blog: http://maisumblogdapri.blogspot.com.br/

Abraço,
Priscila Andreza


domingo, 20 de janeiro de 2013

Alizee

Despeço-me deste domingo com a voz
e a imagem duma francesinha e tanto





Ah! Si j'avais 20 ans de moins et
environ 20 millions de plus serait plus audacieux,
de parler le français et croisées
l'Atlantique à la nage.

 Ah! Se eu tivesse 20 anos a menos e uns 20 milhões a mais, seria mais ousado,
falaria até francês e atravessava o atlântico a nado.

E o ensino?

Gilrikardo disse: abaixo transcrevo meu comentário sobre artigo da Folha de São Paulo de 13 janeiro de 2013 transcrito no blog diplomatizzando.

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Caro professor, destaco o seguinte trecho:

"Para compensar a falta de biblioteca, a professora levava livros de outros colégios. Na sexta série, caiu em suas mãos um exemplar de "Cem Anos de Solidão", clássico do colombiano Gabriel García Márquez. "Ali tudo mudou. Aquelas imagens me levaram para um outro mundo", recorda."


Para enfim desabafar que estamos reféns de uma elite que se mostra burra, canalha, miserável, demagógica, hipócrita ao tratar nosso ensino, e principalmente as professoras das séries iniciais (enfatizo as professoras) com total descaso, irresponsabilidade, além da falta de compromisso com o futuro.

É lamentável e desesperador que um zé ninguém como eu viva a mendigar espaços aqui, ali ou acolá para quixotescamente defender o bom ensino. Que país é este?!?
 
 

Vergílio Ferreira

"Quanto mais alto se sobe, mais longe é o horizonte"

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Gilrikardo disse: ou quanto mais se estuda, mais se aprende que pouco sabemos.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Mais que 1000 palavras

Aqui presto minha homenagem ao blog Acordo Fotográfico
cujo conteúdo sou fã incondicional desde sempre.
 
Meu filho registrou minha paixão pelos livros.

CÚba e o seu cubanismo

Gilrikardo disse: Certos assuntos nos motivam mais, por exemplo, para mim CÚba é um eterno retorno, sempre estou acompanhando e revendo as notícias da disneylândia das esquerdas. E quanto mais aprendo, mais surpreso fico ao constatar a quantidade de brasileiros defensores ou se dizentes simpáticos ao Fidel Castro. Realmente não entendo essa paixão. Devo creditá-la à ignorância ou a má fé mesmo?

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(...) Conheço não poucos cubanófilos em meu entorno. Em geral, assistentes sociais. Assistente social, por definição, é petista. (Você nunca vai encontrar uma assistente social que não defenda Lula). E, lá no fundo, comunista. Claro que jamais leram Marx ou Lênin e muitas vezes nem sabem o que seja comunismo. Mas defendem todas as idéias que Cuba ou a finada União Soviética defendiam. Nosso mundinho está cheio de comunistas que sequer sabem que o são.
Se você conversar com qualquer destes cubanófilos, mesmo os que jamais estiveram na ilha, eles afirmarão com a convicção dos justos que Castro resolveu os grandes problemas de qualquer sociedade, saúde, alimentação e educação. Pior ainda. Mesmo os que lá estiveram dirão a mesma coisa. Visitam os hotéis e restaurantes de Varadero, onde cubano não pode entrar, e hospitais diplomáticos, onde algum cuidado existe pela saúde. Cuba é então um paraíso. (...)
 

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Nietzsche

Nunca é alto o preço a pagar pelo privilégio de pertencer a si mesmo...
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Gilrikardo disse: assino embaixo, ou faço minhas tais palavras, pois desde que neste mundo aportei tenho lutado por tal privilégio... Ufa!
 

"Degavar" vida bandida

“Degavar” dizia ele em completo estado de euforia ao simplesmente “ajuntar” uns picolés na caixa de isopor e ganhar as ruas num sonoro “olha o dolé”. A mim parecia diversão, ou até brincadeira de quem não tem o que fazer. Mas como dizem as línguas sábias, quem vê cara não sente o coração. E não é que o nosso entusiasmado amigo foi atropelado, resistiu alguns dias e pediu a conta. Foi encontrar o patrão velho, aquele lá de cima. Aos poucos comecei a entender o porquê daquelas atitudes e euforias desmedidas. Era o desespero pela sobrevivência. Era ele quem mantinha a mãe viúva e mais dois irmãos. E agora. Que faremos, imaginava eu! Até o dia em que vi a mãe dele passar por nós gritando “olha o dolé”... E dizer que a gente sabe tudo! E dizer que a gente consegue imaginar tudo! E dizer que a gente diz o que diz sem nada ter dito! “Degavar” e não foi longe. Vida bandida (lobão).

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

I can hear music

Kathy Troccoli and Beach Boys
 
 

Eu Posso Ouvir Música

Ahhhhhh oooooo

Esse é o jeito
Que eu sempre sonhei que seria
Assim desse jeito, oh oh
Quando você me abraça
Eu nunca tive um amor só meu
Talvez seja por isso que quando estamos sozinhos

Eu posso ouvir música
Eu posso ouvir música
O som da cidade baby parece desaparecer
Eu posso ouvir música
Doce doce música
Qualquer hora que você me toca baby
Qualquer hora que você está perto

Te amar
Me deixa satisfeito
Eu não consigo explicar, oh no
O que estou sentindo
Você olha pra mim e
eu fecho meus olhos e lá vem de novo

Eu posso ouvir música
Eu posso ouvir música
O som da cidade baby parece desaparecer
Eu posso ouvir música
Doce doce música
Qualquer hora que você me toque baby
Qualquer hora que você está perto

Eu posso ouvir música, yeah
Eu posso ouvir música, me abraçe forte agora baby
Eu posso ouvir música todo tempo
Eu posso ouvir música
Eu posso ouvir música (baby)

Ahhhh

Eu posso ouvir música
Eu posso ouvir música
O som da cidade baby parece desaparecer
Eu posso ouvir música
Doce doce música
Qualquer hora que você me toca baby
Qualquer hora que você está perto

Adios pampa mia

De volta para o futuro

Há tempos, ou mais precisamente quarenta e cinco anos, alimento-me com as lembranças de minha infância feliz em Lagoa Vermelha RS, em especial recordações de meu primeiro ano de escola cujos frutos e reflexos ainda germinam. Cultivo o mesmo entusiasmo e toda aquela aura advinda dos momentos em que aprendemos a unir as letras, formar as palavras para então traduzir um pensamento. Isso move-me. Leva-me a perceber o quão somos responsáveis pela construção de nossas emoções. Geralmente tão decantadas e pouco valoradas, se deixadas a sorte do acaso ou interesses outros, sem a legitimidade da vontade. Eu a tenho, a vontade é minha, e com ela devo construir meu caminho. Que assim seja. E os anos seguiram, rotas traçadas com as quais marquei presença neste mundo. Já despertada em meus primeiros tempos de escola. Ali foi o início da busca pelo entendimento que alimento até os dias de hoje. Tenho em mim a gratidão pelos que me auxiliaram na construção da pessoa que hoje sou. Sem entrar no mérito de valor, mas sim refletir sobre os caminhos que me trouxeram até aqui. E quando imagino onde isso iniciou é para lá que devo mirar. Mirei. A vontade veio e decidi revisitar o meu passado de infância feliz. Imagens e memórias tem uma cor e um sabor. E a visão de hoje, como será?

Domingo, janeiro, férias e lá vou eu e meu filho de quinze anos visitar a cidade que me acolheu entre os dois e oito anos de idade, período fundamental na formação duma pessoa. Talvez por isso esse vínculo mexe tanto comigo. Entramos na cidade que logo minha memória reavivou, até as casas de alguns conhecidos encontrei, locais onde joguei bola, brinquei de perna-de-pau, ao lado da igreja onde hoje existem bancos, em meu tempo batia bola com meu pai, eu todo fantasiado de Claudiomiro do Inter de Porto Alegre transformava aquele espaço numa gritaria sem fim. Num primeiro instante percebi que em minhas memórias as distâncias tinham outro valor, agora parecem bem menores. Isso faz sentido, pois em criança nossos passos são curtos e nossa altura nos dá uma visão menor. A sorveteria onde tomei o primeiro sorvete não existe mais, é uma agência bancária. A casa de um colega de escola onde vi televisão pela primeira vez ainda está lá, era em cima de uma relojoaria que hoje não existe mais. E o cinema, bem esse pelo menos não virou igreja, transformou-se em uma grande loja de eltrodomésticos. Puxa, naquela esquina eu comi meu primeiro cachorro quente, disse ao meu filho, era somente o pão que saia quente de uma estufa, a salsicha da água fervendo e um pouco de mostarda... nossa... que sabor estranho, mas adorei. Seguimos caminhando, e a cada passo minha cabeça premiava-me com mais e mais lembranças daqueles dias.

Mas o objetivo mor era a "minha escola". Queria rever o local... e lá fomos, passei pela rua onde morei, virei a esquina, olhei para o morro e lá estava, subimos uns cinquenta metros, desci do carro e ao me aproximar da frente sem portão (havia reformas) um turbilhão de emoções, lembranças e imagens quase que me tiraram o ar, pois a pressão em meu peito foi tão grande que não contive as lágrimas... algumas rolaram... fiquei com vergonha de chorar em frente de meu filho... acredito que se ali estivesse só, teria me transformado em um bebezão... 

A escola está em obras, dá para perceber o estado precário. Mas para mim pouco importa, quero permanecer alguns instantes, tirar algumas fotos e curtir aquele momento, imaginei eu. Fiquei super impressionado com a situação do local, nunca em minha cabeça imaginei que eu, quando criança era pobre, as lembranças que tenho da infância não se relacionam com dinheiro, pobreza, riqueza, mas sim sentimentos e tratamentos a que fui submetido. Assim minha infância só foi alegria, nada de problemas que parecem que existem até hoje, crianças sem calçados, sem merenda, sem moradia digna, sem futuro e sem presente, isso mexeu mais comigo do que qualquer imagem. Aí passei a entender e valorar mais ainda o papel da primeira professora, da mestre que inicia os alunos para o mundo que os espera. Se hoje estou aqui, a quinhentos e tantos quilômetros longe, muito do que faço, tenho e me rodeia é fruto daqueles dias na companhia duma professora competente... acredite quem quiser, isso faz a diferença, isso fez eu estar aqui agora... agradecendo!

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Passeios

Parada no Posto Sinuelo BR 101 Araquari SC 

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Saudade de Lagoa Vermelha

Saudade de Lagoa Vermelha

Compositor: José Mendes
Álbum: Pára Pedro
Ano: 1967

Saudade de Lagoa Vermelha

Lagoa Vermelha cidade sulina
Dividi o Rio Grande e Santa Catarina
Lá existe uma água que corre na bica
Quem bebe está água por lá ele fica
A água é clara como a luz do dia
Dizem que foi benta por São João Maria
Um velho profeta milagres fazia
Mataram três vezes mas nunca morria

Lagoa Vermelha por ti sinto saudades
Das gaúchas bonitas que não têm vaidades
Lagoa Vermelha o teu povo é gentil
Rincão pequenino mas é pedacinho do nosso Brasil

Lagoa Vermelha cidade do sul
Princesa do pinho sob o céu azul
Lá existe um lago da água encarnada
Dizem os antigos lagoa encantada
Nos tempos de seca de sol e verão
O nível da água é beirando o chão
O lago que eu falo é na beira da estrada
A gente que passa fica admirada

Lagoa Vermelha por ti sinto saudades
Das gaúchas bonitas que não têm vaidades
Lagoa Vermelha o teu povo é gentil
Rincão pequenino mas é pedacinho do nosso Brasil
Mas é um pedacinho do nosso Brasil

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Minha escola

E. E. do Ensino Fundamental Profª Delfina Loureiro
Lagoa Vermelha RS








A primeira cartilha a gente não esquece.
Após quatro décadas voltei à escola onde frequentei o primeiro ano do primário. Só tenho boas lembranças. Principalmente da professora Rejane. A primeira paixão da minha vida, e não por menos, pois acredito que devido à maneira mágica que nos conduzia como alunos fez brotar em mim o eterno gosto pela leitura e a escrita. Para minha felicidade e graças à internet encontrei um blog que registra o aniversário da escola. É só conferir.


Abaixo posts relacionados:

http://gilrikardo-blog.blogspot.com.br/2013/01/de-volta-para-o-futuro.html

Dia da professora - 15 outubro

Lá se foram mais de quatro décadas, e em minha memória as marcas da professora Rejane ainda permanecem. Foi a primeira mulher a me impressionar. Foi a primeira a me tratar muito além do que poderia imaginar. Com atenção. Carinho. Além da enorme simpatia e alegria que de pronto irradiava. Eram dias de rei. E ela era a minha rainha. Aliás, permanece rainha em meus pensamentos. Que a vida lhe tenha premiado com a mesma felicidade que soube compartilhar comigo e meus colegas. Salve professora Rejane! Eternamente em meu coração.

 
A primeria vez
 
Deixava a escola rapidamente, chegava em casa e após o banho caprichava nos cabelos, ajeitava-se na melhor camisa, emprestava um pouco de perfume da irmã e em desabalada carreira acionava sua máquina. Seguiria na direção em que ela surgiria naquele horário. Esse ritual era quase diário, somente falhava em dias de chuva ou quando seus amigos convidavam-no para o futebol.

Descia a avenida em marcha lenta, chegava na esquina e ao longe já contemplava aquela que roubou-lhe o coração. Uma cena encantadora. Vinha conversando entre as colegas. Cabelos negros, sorriso meigo e, para completar, o vestido ao balanço da brisa contribuía para deixá-la ainda mais irresistível.

Ao se aproximar, acena, dá um sorriso e mostra suas habilidades de piloto ao executar algumas manobras radicais. Simpática, retribui-lhe com uma piscadela e segue animada. Ele movido pelos desejos do coração, continua a persegui-la, chega tão próximo que consegue sentir o doce perfume, ficaria ali até o fim da vida - pensava.

Não entendia o porquê de sua euforia e do ritmo alucinado de seus pensamentos na presença dela, somente desejava mais e mais; sempre mais alguns segundos em sua presença. No entanto, notou que já estava caindo a noite e precisa partir. O trecho percorrido foi longo. Voltar significava chegar além do horário combinado e levar alguma reprimenda. Na próxima esquina darei meia volta - murmurou - sem antes, mandar um beijão e um adeusinho.

Sentia-se o rei do pedaço porque recebia uma atenção especial de alguém muito... muito... muito querida, estava nas alturas. Seguiu acelerando fundo, precisava chegar em casa antes do anoitecer. Nossa! como foi longe, parecia que nesses momentos o tempo voava e as distâncias não existiam. Continuava ofegante ao lembrar do sorriso. Além do encanto daqueles olhos negros e cheios de alegria. E assim seguiu.

No portão de casa, a mãe perguntou-lhe o motivo do atraso. Sem responder, desceu do kart e levou-o para a garagem, o dia estava completo. Mais uma vez acompanhara sua musa. Demonstrara sua paixão pela garota que o elevara às nuvens. Enquanto isso, a mãe zelosa, desfilava um rosário de recomendações. Orientando-o para não pegar o carrinho do irmão, pois de tanto rodar naquela calçada deixara as rodas gastas, além de citar que o horário de ficar na rua não era seguro para um garoto naquela idade.

Até parece que ele ouvia tais conselhos. Visto que viajava em seus desejos. Vislumbrando o dia de amanhã para vê-la novamente, aliás como fazia desde o início do ano ao freqüentar a primeira série em cujo caderno guardara a declaração escrita por ela, só para ele...

-- Você é um amor de menino! Gosto muito de você, Professora Rejane.



Em nome do meu pai

Na casa onde vivi meus primeiros anos, não havia energia elétrica nem água “encanada”. Situava-se num bairro (vila gaúcha)  pouco distante do centro, pois o trecho era percorrido a pé diariamente pelo meu pai. E num dia de compras, contava eu com quatro ou cinco anos, acompanhei-o, precisava de calçado.

Na ida foi uma festa, imagine alguém que nunca saiu do terreiro da casa estar com todo o horizonte à frente. Não sabia se olhava os carros, as pessoas, as pedras da calçada. Tudo era surpreendente e maravilhoso. Entrava nas casas comerciais e ficava com dor no pescoço de tanto olhar coisas que nem em meus sonhos existiam. Lembro-me do braço de meu pai a levar-me de um lado a outro segurando firme, como alguém que não vai deixar escapar. Junto duas sacolas de lona que aos poucos se avolumaram e então passei a agarrá-las.

Às vezes uma paradinha, papai comentava alguma coisa ou dialogava com alguém e após uns minutos à sombra seguíamos. Ganhei o par de congas, era o tênis da época, na loja calcei-as e saí mais faceiro que ganso novo. Na calçada percebi que já mirávamos a volta. As sacolas estufadas, arroz, feijão, farinha, café, açúcar e mais um montão de coisas que faziam o papi gemer baixinho ao movimentar aquela carga. Olhei para seu rosto e vi o suor escorrer. Ainda devido ao calor e ao esforço, estava vermelho qual um peru. Aos poucos, com passos miúdos ficava para trás, meus pés doiam e eu não lhe contava. Após muitos atrasos, o pai tirou minhas congas e viu os calcanhares em carne viva. O calçado novo esfolara-me até sangrar.

Aí então aconteceu algo que mexe comigo até hoje. Colocou-me nos ombros, com as pernas abertas sobre o pescoço, minhas mãos agarradas em sua testa molhada e quente. Sem a conga meus pés sentiram certo alívio, mas ainda havia um bom trecho a ser percorrido. E assim fomos. Ouvindo os gemidos de canseira pelo peso das sacolas e, para completar, eu pendurado às suas costas. Daquele dia em diante comecei a entender o que era ser meu pai.

sábado, 12 de janeiro de 2013

Janer Cristaldo


sexta-feira, janeiro 11, 2013

O BRASIL É VOSSO!


Luta de classes morta, luta racial posta, costumo afirmar. Como falar em classes se tornou no mínimo démodé, os velhos comunistas tentam agora lançar uma classe contra outra. Se fazer pobre lutar com rico perdeu seu prestígio após a queda do Muro e do desmoronamento da União Soviética, ainda bem que existem brancos e negros para impulsionar a Idéia - como se dizia antes - através da História. Quem mais aposta no racismo hoje, para obter dividendos políticos, são os velhos comunistas. E também os jovens comunistas, que também os há.

O secretário municipal da Promoção da Igualdade Racial de São Paulo, Netinho de Paula (PCdoB), que se licenciou da função de vereador para assumir a pasta na administração do prefeito Fernando Haddad (PT), diz que a sociedade paulistana é racista e que pretende criar uma TV para exibir conteúdo feito com "a visão da população negra".

Soa no mínimo curioso tachar de racista uma cidade que elegeu um prefeito negro e também o elegeu vereador. O mesmo insulto tem sido dirigido aos gaúchos, que elegeram para sua capital um prefeito negro e depois o guindaram ao governo do Estado. Na Bahia, o Estado de maior contingente negro do país, sempre elegeram brancos para a prefeitura de sua capital. Ou para o governo estadual. Mas baiano não é racista. Baiano é predominantemente negro e negro, por definição, não é racista.

No final de dezembro passado, em entrevista ao G1, Netinho saiu-se com esta pérola:

- A gente precisa convencer a sociedade paulistana de que ela é racista, ela precisa entender que ela é racista. A partir do momento que ela se assumir como racista, ela pode trabalhar isso, porque a gente perde economicamente, a gente exclui uma sociedade que pode ajudar muito o país.

Ou seja, se paulistano não é racista e elege um prefeito negro, é preciso convencê-lo de que é racista apesar de ter eleito um prefeito negro. Que aliás manchou a causa negra. Seu mandato foi marcado por corrupção, denunciada principalmente por sua ex-mulher. As denúncias envolviam vereadores, subsecretários e secretários, destancando-se entre elas o escândalo dos precatórios. O valor das denúncias somadas alcançou 3,8 bilhões de reais, equivalente a quase metade do orçamento do município na época. Pita foi condenado à perda do cargo pela justiça. Só pode ter sido racismo do Judiciário. Depois o recuperou. Vai ver que o Judiciário redimiu-se de seu racismo.

O cachimbo entorta a boca. Netinho lembra Lula, que em suas campanhas eleitorais, sempre lutou contra as elites. Hoje, que virou elite, esqueceu de mudar o disco e continua vituperando as elites que o elegeram.

Além da TV com conteúdo negro, seja lá o que isso for, Netinho pretende criar cursos de qualificação e parcerias com empresas privadas para inserção da população negra no mercado de trabalho em cargos de liderança. Vai mais longe: também estuda um turismo étnico na cidade e diz que entrou em contato com entidades negras para definir quais serão os pontos escolhidos.

- A gente poder receber, dialogar e mostrar a nossa história na cidade. Isso tem muito a ver com autoestima e com geração de emprego. Entre os pontos que devem fazer parte do roteiro estão locais em que os escravos moravam e igrejas construídas por negros, como a Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, no Largo do Paissandu.

E quando passar por obras realizadas por brancos? Deixa-se de lado, é de supor-se. Só negros construíram São Paulo. Que os brancos cultuem seus brancos. Netinho é ambicioso. Quer introduzir racismo na mídia, no mercado de trabalho e até mesmo no turismo.

Em abril do ano passado, a suprema corte judiciária do país oficializou, por unanimidade, o racismo no Brasil. No dia 26 daquele mês, o STF revogou, com a tranqüilidade dos justos, o art. 5º da Constituição Federal, segundo o qual todos são iguais perante a lei sem distinção de qualquer natureza. A partir de então, oficializou-se a prática perversa instituída por várias universidades, de considerar que negros valem mais do que um branco na hora do vestibular. Parafraseando Pessoa: constituições são papéis pintados com tinta. Que podem ser rasgados ao sabor das ideologias.

A escalada avançou no início de outubro passado, quando Marta Suplicy, então ministra da Cultura, anunciou o lançamento de editais para beneficiar apenas produtores e criadores negros. "É para negros serem prestigiados na criação, e não apenas na temática. É para premiar o criador negro, seja como ator, seja como diretor ou como dançarino", disse a ministra à Folha de São Paulo.

O nó de tope foi dado ainda em outubro, quando o Palácio do Planalto anunciou para novembro daquele ano um amplo pacote de ações afirmativas que inclui a adoção de cotas para negros no funcionalismo federal. A medida, defendida pessoalmente pela presidente Dilma Rousseff, atingiria tanto os cargos comissionados quanto os concursados.

Segundo o jornal, que teve acesso às propostas, a cota no funcionalismo público federal propõe piso de 30% para negros nas vagas criadas a partir da aprovação da legislação. Hoje, o Executivo tem cerca de 574 mil funcionários civis.

Existe também a idéia de criar incentivos fiscais para a iniciativa privada fixar metas de preenchimento de vagas de trabalho por negros. Ou seja, o empresário não ficaria obrigado a contratar ninguém, mas seria financeiramente recompensado se optasse por seguir a política racial do governo federal. Mérito ou capacitação profissional não mais interessam. O que interessa, definitivamente, é a cor da pele.

Aleluia, afrodescendentada! O Brasil é vosso.