quinta-feira, 30 de agosto de 2012

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Sobre gaúchos

Ler sobre quem eram, ou quem são os gaúchos tornou-se minha leitura passatempo, pois quando estou cansado de ler e escrever, volto-me para “el gaucho” e parecendo milagre, minha disposição volta a motivar-me. Abaixo transcrevo trechos garimpados na internet e cuja referência também nos é útil por indicar possíveis fontes de leitura. Torço para que alguém tire algum proveito. Boa leitura.

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«Historicamente o primeiro registro do tipo é em Santa Fé, em 1617, quando mozos perdidos, vestidos à semelhança dos charruas*, com botas de garrão de potro, chiripá* e poncho, assaltavam as estâncias. 
O cabildo de Buenos Aires, em 1642, registrou cuatreros e vagabundos, que à maneira dos moços de Santa Fé, roubavam o gado das estâncias. As cartas dos jesuítas registram que em 1686 surgiram os vagos ou vagabundos pilhando as estâncias missioneiras. 
Em  1700  aparecem com o  nome  de  changadores*  na  Vacaria  do Mar,  e como vagabundos e changadores  perto de Montevidéu, em 1705. No diário de demarcação do tratado de 1750, José Saldanha registra os termos gaudério e gaúcho, pilhadores que acompanhavam os exércitos ao longe. Somente a partir de 1800 que o termo gaúcho se generalizou, tornando-se gentílico do século XX, designando o natural do Rio Grande do Sul". FLORES, Moacyr. História do Rio Grande do Sul. 3ª  edição. Porto Alegre: Nova Dimensão, 1990.

*Chiripá - Vestimenta sem costura usada pelos gaúchos habitantes do campo para proteção do frio, passava entre as pernas e era presa na cintura.
*Charrua - Tribo indígena que habitava parte do território do Rio Grande do Sul, quando essas terras ainda pertenciam à Banda Oriental do Uruguai.
*Changueador - Changador, que vive de carretos e pequenos trabalhos de favor.

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Al gaucho lo mataron dos veces: la primera como presencia social; la segunda com objeto de añoranza caducas. Hicieran de él el centro de un culto nativista que participa del carnaval y la burla.
POMER, León. El gaucho. Buenos Aires, Centro Editor de América Latina., 1971.

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Um comunicado militar de 1780 recolhido pelo historiador argentino Ricardo Rodrigues MOLAS registra o rigor do tratamento dado aos gaúchos: el expresado Díaz no consentirá en dicha estancia que se abriguem ninguno contrabandista vagamundo u ociosos que aqui se conocen por gauchos.
MOLAS, Ricardo Rodrigues. História Social del Gaucho. Buenos Aires, Maru.
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"Esses homens não deixam de espantar a quem não esteja habituado a vê-los. Estão sempre sujos; suas barbas sempre por fazer; andam descalços, e mesmo sem calças sob a completa coberta do poncho. Trabalham apenas para adquirir o tabaco que fumam e a erva-mate paraguaia que tomam em regra sem açúcar e tantas vezes por dia quanto e possível"
NICHOLS, Madaline Wallis. O Gaúcho. Rio de Janeiro, Zelio Valverde., 1946.
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"Dois mestiços de índios, um par impressionante, ambos altos e vigorosos, de cabelos longos, espessos e negros, barba crespa, perfeitas  fisionomias de índios, mas atrevidos, com pequenos ponchos e grandes esporas. Comportavam-se com desembaraço, mesmo atrevidamente e insultaram um brasileiro até que ele se esgueirou. Realmente horrorosos os dois homens, verdadeiros bandidos, e por isso mesmo me interessavam. Davam-me a impressão de fantásticos centauros, que tivessem amarrado seus corpos de cavalo à porta". 
AVÉ-LALLEMANT, Robert. Viagem pela Província do Rio Grande do  Sul (1858). Ed. Italiaia; São Paulo: 1980.
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A mais rudimentar forma de assar carne remonta à época dos índios guaranis. Os guaranis preparavam a carne fresca, abriam um buraco no chão, forravam com folhas verdes, de árvores, deitavam-na, cobriam com mais ramos, mais uma camada de terra e um fogo em cima. A terra e as folhas aqueciam, assando a carne, envolta nos vegetais. O gosto das folhas servia como tempero, na falta de sal".
LAMBERTY, salvador Ferrando. ABC do Tradicionalismo gaúcho. Porto Alegre: Martins Livreiro Editor, 1989.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Viver ou Juntar Dinheiro?

Max Gehringer 

Recebi uma mensagem muito interessante de um ouvinte da CBN e peço licença para lê-la na íntegra, porque ela nem precisa dos meus comentários. Lá vai: 

"Prezado Max, meu nome é Sérgio, tenho 61 anos e pertenço a uma geração azarada: Quando era jovem as pessoas diziam para escutar os mais velhos, que eram mais sábios. Agora dizem que tenho que escutar os jovens, porque são mais inteligentes. Na semana passada li numa revista um artigo no qual jovens executivos davam receitas simples e práticas para qualquer um ficar rico. E eu aprendi muita coisa... 

Aprendi, por exemplo, que se eu tivesse simplesmente deixado de tomar um cafezinho por dia, durante os últimos 40 anos, eu teria economizado R$ 30.000,00. 

Se eu tivesse deixado de comer uma pizza por mês, teria economizado R$ 12.000,00 e assim por diante. Impressionado, peguei um papel e comecei a fazer contas, então descobri, para minha surpresa, que hoje eu poderia estar milionário. 

Bastava não ter tomado as caipirinhas que tomei, não ter feito muitas das viagens que fiz, não ter comprado algumas das roupas caras que comprei e, principalmente, não ter desperdiçado meu dinheiro em itens supérfluos e descartáveis.Ao concluir os cálculos, percebi que hoje eu poderia ter quase R$ 500.000,00 na conta bancária. É claro que eu não tenho este dinheiro. 

Mas, se tivesse, sabe o que este dinheiro me permitiria fazer? 

Viajar, comprar roupas caras, me esbaldar com itens supérfluos e descartáveis, comer todas as pizzas que eu quisesse e tomar cafezinhos à vontade. Por isso acho que me sinto absolutamente feliz em ser pobre. Gastei meu dinheiro com prazer e por prazer, porque hoje, aos 61 anos, não tenho mais o mesmo pique de jovem, nem a mesma saúde. Portanto, viajar, comer pizzas e cafés, não faz bem na minha idade e roupas, hoje, não vão melhorar muito o meu visual! 

Recomendo aos jovens e brilhantes executivos que façam a mesma coisa que eu fiz. Caso contrário, chegarão aos 61 anos com um monte de dinheiro em suas contas bancárias, mas sem ter vivido a vida". 

"Não eduque o seu filho para ser rico, eduque-o para ser feliz. Assim, ele saberá o valor das coisas, não o seu preço."

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Blog do Professor Orlando Tambosi


Artigo de Marco Villa em O Globo, analisando a desmoralização da política. Cito os parágrafos finais, apenas acrescentando: quem jogou a pá de cal sobre a política foi o falastrão de Garanhuns, em seus oito anos de péssimo exemplo na presidência. Lula matou não só a política, mas também a ética. O mensalão é sua contribuição pessoal para a história.

(...) Não é acidental, com a desmoralização da política, que estejamos cercados por medíocres, corruptos e farsantes. O espaço da política virou território perigoso. Perigoso para aqueles que desejam utilizá-lo para discutir os problemas e soluções que infernizam a vida do cidadão.
O político de êxito virou um ator (meio canastrão, é verdade). Representa o papel orquestrado pelo marqueteiro (sempre pautado pelas pesquisas qualitativas). Não pensa, não reflete. Repete mecanicamente o que é ditado pelos seus assessores. Está preocupado com a aparência, com o corte de cabelo, com as roupas e o gestual. Nada nele é verdadeiro. Tudo é produto de uma construção. Ele não é mais ele. Ele é outro. É a persona construída para ganhar a eleição. No limite, nem ele sabe mais quem ele é. Passa a acreditar no que diz, mesmo sabendo que tudo aquilo não passa de um discurso vazio, falso. Fica tão encantado com o personagem que esquece quem ele é (ou era, melhor dizendo).
Difícil crer que toda a heroica luta pelo estabelecimento da democracia, do regime das plenas liberdades, fosse redundar neste beco sem saída. Um bom desafio para os pesquisadores seria o de buscar as explicações que levaram a este cenário desolador, em que os derrotados da velha ordem ditatorial se transformaram em vencedores na nova ordem democrática. Enfim, a política perdeu sentido. Virou até reduto de dançarinos. Tem para todos os gostos, até para os que adornam a cabeça com guardanapo. (ARTIGO COMPLETO)

domingo, 26 de agosto de 2012

Mais que 1000 palavras


sábado, 25 de agosto de 2012

Vence o lixo fantasiado de comida

(...) Essa indústria está conquistando os paladares do mundo e está demolindo as tradições da cozinha local. Os costumes do bom comer, que vêm de longe, contam, em alguns países, milhares de anos de refinamento e diversidade e constituem um patrimônio coletivo que, de algum modo, está nos fogões de todos e não apenas na mesa dos ricos. Essas tradições, esses sinais de identidade cultural, essas festas da vida, estão sendo esmagadas, de modo fulminante, pela imposição do sabor químico e único: a globalização do hambúrguer, a ditadura do fast food. A plastificação da comida em escala mundial, obra do McDonald´s, do Burger King e de outras fábricas, viola com sucesso o direito à autodeterminação da cozinha: direito sagrado, porque na boca a alma tem uma de suas portas.(...)

Fragmento do artigo "Império do Consumo" de Eduardo Galeano. PARA LER CLIQUE AQUI.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

O QUE É UM CONSERVADOR?

Gilrikardo: de acordo com a assertiva abaixo, parece que pertenço à classe conservadora, quem diria!
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É alguém que considera a liberdade um valor, um objetivo, mas não chama isso de um ideal. O conservador reflete sobre coisas reais e sabe que a liberdade verdadeira é obtida sob leis e regras, pois sem instituições não há liberdade, mas selvageria. (filósofo britânico Roger Scruton)

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Blog do Professor Orlando Tambosi

-------- Caro Professor, copiei teu post. Obrigado ----------


Em setembro do ano passado, chamei para uma entrevista da Veja com o filósofo britânico Roger Scruton, destacando alguns trechos. 
O texto segue agora na íntegra. Horrorizem-se, progressistas. Scruton não é politicamente correto, não tem papas na língua e desconfia justamente da bugrada que quer "mudar o mundo". Já escreveu sobre política, ética, ciência, história da filosofia, estética etc. (inclusive o belo livro Bebo, logo existo - guia de um filósofo para o vinho, um dos poucos traduzidos no Brasil).

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O filósofo inglês Roger Scruton, de 67 anos, é presença constante nos debates realizados em seu país quando é preciso ter na mesa um pensador independente e corajoso. Autor de 42 livros de ensaios. Scruton é uma pedra no sapato da ideologia politicamente correta que predomina bovinamente na Europa. Multiculturalismo? Um desastre. A arte moderna? Detestável, e por aí vai o filósofo, que lecionou nas universidades Oxford, na Inglaterra, e Boston, nos Estados Unidos, e atraiu para si o cognome de “defensor do indefensável”. Um dos fundadores do Conservative Action Group, que ajudou a eleger a primeira-ministra Margaret Thatcher, Scruton publicou recentemente um novo livro, As Vantagens do Pessimismo, ainda sem previsão de lançamento no Brasil.

UM BOM NÚMERO DE INTELECTUAIS INGLESES INTERPRETOU A ONDA DE VANDALISMO EM LONDRES E ARREDORES COMO ATOS DE JOVENS NIILISTAS SEM MAIORES REPERCUSSÕES. O SENHOR CONCORDA?
Acho essa explicação muito simplista. Muitos desses desordeiros são realmente niilistas, que não acreditam em nada e não se identificam com nenhuma instituição, crença ou tradição capaz de fazer florescer em cada um deles o senso de responsabilidade e o respeito pelo próximo. Alguns não têm emprego. Mas, na maior parte dos casos, eles agiram por uma escolha deliberada. Desemprego e niilismo sempre existiram. Ninguém mencionou como uma das causas as políticas do estado de bem-estar social. Diversos estudos mostram com clareza a vinculação desses programas assistencialistas com a proliferação de uma classe baixa ressentida, raivosa e dependente. Não quero ser leviano e culpar apenas as políticas socialistas pelos tumultos. As pessoas promovem arruaças por inúmeras razões. Entre os jovens, a revolta é uma condição inerente, um padrão de comportamento. Mas é preciso um pouco mais de honestidade intelectual para buscar uma resposta mais concreta sobre o que ocorreu em Londres. Por debaixo do verniz civilizatório, todo homem tem dentro de si um animal à espreita. Infelizmente, se esse verniz for arrancado, o animal vai mostrar a sua cara. A promessa de concessão de direitos sem a obrigatoriedade de deveres e de recompensas sem méritos foi o que arrancou o verniz nessa recente eclosão de episódios de vandalismo na Inglaterra.

OS DISTÚRBIOS EM LONDRES E OS PROTESTOS NO CAIRO, EM ATENAS, EM MADRI E EM TEL-AVIV SÃO UM MESMO “GRITO DOS EXCLUÍDOS”?
Sou cético em relação à ideia de que os protestos que eclodiram em diversos pontos do mundo têm a ver com exclusão, com o suposto aumento no número de pobres ou com concentração de renda. Os baderneiros de Londres são, pelos padrões do século XVIII, ricos. Desculpe-me, mas é resultado de exclusão depredar uma cidade porque você tem um só carro, um apartamento pequeno pelo qual não paga aluguel, recebe mesada do governo sem ter de fazer nada para embolsá-la, compra três cervejas, mas gostaria de beber quatro, e acha que ter apenas um televisor em casa é pouco? Não. Ver exclusão nesses episódios só faz sentido na cabeça de um professor de sociologia. É um absurdo também comparar os tumultos de Londres com os eventos no Oriente Médio. Os jovens do Egito exigiam algo do governo. Os jovens ingleses não dão a mínima para o governo ou para as instituições.

NO SEU ÚLTIMO LIVRO, O SENHOR AFIRMA QUE O OTIMISMO É MAIS NOCIVO PARA OS INDIVIDUOS E PARA AS NAÇÕES DO QUE O PESSIMISMO. COMO O OTIMISMO PODE SER TÃO PREJUDICIAL?
Não falo do otimismo como virtude, nem da esperança ou da fé, que servem para a elevação espiritual do indivíduo e fomentam inovações e avanços. O otimismo prejudicial é o desmedido ou, como disse o filósofo Arthur Schopenhauer, o otimismo mal-intencionado, inescrupuloso. É o tipo de pensamento que está por trás de todas as tentativas radicais de transformar o mundo, de superar as dificuldades e perturbações típicas da humanidade por meio de ajuste em larga escala, de uma solução ingênua e utópica, como o comunismo, o fascismo e o nazismo. Otimismo e utopia em excesso geralmente acabam em nada, ou, pior, dão em totalitarismo. Lenin, Hitler e Mao pertencem a essa categoria de otimistas inescrupulosos. A crise financeira e institucional da Europa é a mais recente consequência do pensamento utópico e do otimismo exagerado que são a base, o fundamento e a força propulsora da União Europeia.

PODE-SE REDUZIR A UNIÃO EUROPEIA APENAS A UMA MANIFESTAÇÃO DE OTIMISMO UTÓPICO E INSENSATO?
É uma ilusão, se não uma loucura, acreditar que os alemães e os gregos podem pertencer à mesma organização e se adequar às mesmas normas financeiras. Como impor a mesma moeda, o mesmo sistema e o mesmo modo de vida ao alemão trabalhador, cumpridor das leis, respeitador da hierarquia, e ao grego fanfarrão e avesso às normas? Arrisco-me a dizer que a União Europeia é um fracasso porque contém as insanidades institucionais do velho experimento comunista. Assim como o comunismo soviético, a União Europeia é um objetivo inalcançável, pois foi escolhido pela sua pureza, que exige que todas as diferenças sejam atenuadas, os conflitos superados, e no qual a humanidade deve se encontrar como que sob uma unidade metafísica que jamais pode ser questionada ou posta à prova.

APESAR DO COLAPSO DO COMUNISMO E DE OUTRAS TRAGÉDIAS SEMELHANTES, AS PESSOAS CONTINUAM CAINDO POR CAUSAS UTÓPICAS. POR QUÊ?
O pensamento utópico sobrevive porque não se trata de uma ideia de fato, mas de um substituto de uma ideia, algo que serve de alívio para a difícil – e geralmente depressiva – tarefa de ver as coisas como elas são realmente. É uma forma de vício, um curto-circuito que afasta os indivíduos da razão e do questionamento racional e efetivo. O pensamento utópico nos remete diretamente para um objetivo, passando por cima da viabilidade do projeto. É fácil digeri-lo e se embeber do seu otimismo mal-intencionado e sem fundamento. O problema vem depois, quando a utopia termina em fiasco.

O AMBIENTALISMO É A GRANDE UTOPIA MODERNA?
Há dois tipos de ambientalista. O primeiro sonha com soluções amplas, inalcançáveis, cujo objetivo real não é promover o bem de ninguém nem do planeta, mas sim inflar o ego de seus criadores. O segundo é realista, segue o caminho conservador e reconhece que o que deve ser feito em prol do ambiente é difícil, atinge um número limitado de pessoas ou de lugares e exige sacrifícios reais. O problema é que a questão ambiental foi parar nas mãos erradas. A esquerda transformou a proteção do meio ambiente em uma causa, em um movimento que necessita de intervenções estatais, em um assunto no qual há culpados e vítimas. No caso, os culpados são os capitalistas e a vítima é o planeta. A esquerda adora o culto à vítima.

QUE TRADIÇÃO É ESSA?
É uma tradição esquerdista, que vem desde o século XIX e de Karl Marx, em particular. Consiste em julgar toda forma de sucesso humano a partir do fracasso dos outros. Com base nisso, engendrar um plano de salvação para os mais fracos. Esse é um dos motivos pelos quais os movimentos de esquerda continuam a fazer sucesso. Eles sempre oferecem uma causa justificável e uma vítima a ser resgatada. No século XIX, a esquerda pretendia salvar os proletários. Nos anos 60, a juventude. Depois, vieram as mulheres e, por último, os animais. Agora, eles pretendem resgatar o planeta, a maior de todas as vítimas que encontraram para justificar seus atos. Ora, as questões ambientais são reais e não podem ser enclausuradas na ideologia de esquerda. Temos o dever de cuidar do ambiente e sacrificar os nossos desejos para garantir um lar, um futuro para as próximas gerações. O problema é radicalizar a questão no bojo de um movimento com conotações até religiosas. Preservar o ambiente virou uma questão de fé. Está na hora de acabar com o pensamento de que a sociedade é um jogo de soma zero, segundo o qual se um ganhar o outro tem de perder. Com práticas ambientais sustentáveis, todos ganham.

ONDE MAIS SE REVELA ESSA IDEIA DA ‘SOMA ZERO’ DAS RELAÇÕES HUMANAS?
Ela é o refrão central dos socialistas, é o principal inimigo da caridade, da gentileza e da justiça. Na política internacional, essa forma de pensar se expressa com toda a clareza nos antiamericanismo. Os Estados Unidos, a maior economia do mundo, o maior poderio militar, se tornaram o alvo principal das ressentidos, dos que se consideram fracassados por causa do sucesso alheio. O ataque às Torres Gêmeas, há dez anos, é uma mostra do que o ressentimento coletivo estimulado pela falácia da soma zero é capaz de causar.

POR QUE O SENHOR CRÍTICA TANTO A POLÍTICA DE IMIGRAÇÃO DOS PAÍSES EUROPEUS?
A imigração em massa não é um assunto fácil. Basta escrevermos a palavra imigrante para sermos mal interpretados. Não sou contra a imigração. Minha opinião é que os imigrantes só se adaptarão a um país se forem incorporados legal e culturalmente à nação que os recebe. Para que isso dê certo, os forasteiros precisam superar o sentimento de distância que eles possuem em relação ao novo país. Foi o que aconteceu nos Estados Unidos, no passado. Os países europeus fazem justamente o oposto ao incentivar o multiculturalismo: encorajam as comunidades de estrangeiros a manter sua cultura e identidade, a não se misturar. Dessa forma, os imigrantes passam a se definir como diferentes, afastados, excluídos da comunidade, o que só faz crescer as tensões entre os grupos étnicos. Os recentes tumultos em Londres devem-se, em parte, ao multiculturalismo.

ANÁLISES COMO ESSA SUA VISÃO TÊM SIDO ATACADAS POR, POTENCIALMENTE, FOMENTAR ATENTADOS COMO O QUE TRAUMATIZOU A NORUEGA, EM JULHO.
Isso é justo? Alguém culpa Jean-Paul Sartre pelo genocida cambojano Pol Pot? Karl Marx deve ser culpado pelos assassinatos de Stalin? Os socialistas alemães são responsáveis pelos atos da organização terrorista Facção do Exército Vermelho? Extremistas como o norueguês Anders Breivik podem agir em parte motivados por ideias, sim, da mesma forma que eu ou qualquer outra pessoa. Sempre que um lunático de extrema direita pratica um crime terrível, os intelectuais de esquerda se unem para, em coro, dizer: é culpa do pensamento conservador. Eles se esquecem dos crimes muito mais graves que foram cometidos em nome dos ideais da esquerda. Indivíduos como Breivik cometem crimes não por causa das ideias que eles comungam com outras pessoas, mas por causa de algo que os afasta, isola e diferencia de outras pessoas. Eles matam por total e absoluto desprezo por vidas inocentes.

O QUE É FAZER PARTE DE UMA MINORIA NO MUNDO ACADÊMICO?
Eu acordei do meu delírio socialista durante os tumultos de maio de 1968, em Paris. No meio da destruição, das barricadas e das janelas quebradas, percebi que aqueles estudantes estavam intoxicados pelo simples desejo de destruir coisas e ideias, sem a mínima preocupação em colocar algo relevante no lugar. Foi difícil aceitar que meu futuro era me tornar um pária intelectual em maio à maioria esmagadora de esquerdistas. Em todo o mundo, as universidades têm uma declarada inclinação pela esquerda. É difícil explicar o motivo dessa propensão esquerdista, algo que persiste desde o iluminismo. Na minha tentativa de desvendar esse mistério, cheguei à seguinte conclusão: quando uma pessoa começa a pensar sobre as grandes questões que afligem o homem e a sociedade, tende a aceitar as posições da esquerda, pois elas parecem oferecer soluções. Ao pensar além, ao se aprofundar, a pessoa aprende a duvidar e rejeitar o argumento esquerdista. Nas universidades muita gente pensa, mas poucas refletem profundamente.

O QUE É UM CONSERVADOR?
É alguém que considera a liberdade um valor, um objetivo, mas não chama isso de um ideal. O conservador reflete sobre coisas reais e sabe que a liberdade verdadeira é obtida sob leis e regras, pois sem instituições não há liberdade, mas selvageria.

Reportagem de GABRIELA CARELLI
Fonte: REVISTA VEJA impressa – Páginas Amarelas – Ed. 2235. Nº 44 – 21 de setembro de 2011

Vivendo e aprendendo


Eleições 2012 - TRE SC

Nas páginas da internet você pode conferir os dados que os candidatos enviaram à Justiça Eleitoral. Caso verifique alguma discrepância (ou mentira) denuncie. Abaixo o link:

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Manolo Otero - Mi Viejo





Mi Viejo
Piero

Es un buen tipo mi viejo
Que anda solo y esperando
Tiene la tristeza larga
De tanto venir andando

Yo lo miro desed lejos
Pero somos tan distintos
Es que crecio con el siglo
Con tranvia y vino tinto

Viejo mi querido viejo
Ahora ya caminas lerdo
Como perdonando el viento
Yo soy tu sangre mi viejo
Soy tu silencio y tu tiempo

El tiene los ojos buenos
Y una figura pesada
La edad se le vino encima
Sin carnaval ni comparsa

Yo tengo los anos nuevos
Y el hombre los anos viejos
El dolor lo lleva dentro
Y tiene historias sin tiempo

Viejo, mi querido viejo
Ahora ya caminas lerdo
Como perdonando el viento
Yo soy tu sangre mi viejo yo
Soy tu silencio y tu tiempo
Yo soy tu sangre mi viejo yo
Soy tu silencio y tu tiempo

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Miguel Cervantes

Não desejes e serás o homem mais rico do mundo.

"Chineis" em Joinville?!?!?

Estava no Hipermercado Big, surpreendi-me pela quantidade e atitude do bando de chineses que por ali aportou. Pareciam à vontade, fazendo compras, olhando mercadorias, degustando um lanche ou simplesmente deixando a hora passar em frente ao estacionamento. Ninguém os importunava, agradeci à nossa capenga democracia que se mostra mãe de todos. Realmente, isso ninguém pode nos tirar. Será que lá no país deles nós teríamos a mesma desenvoltura. Pelo pouco que sei e leio a respeito, duvido. E lá estavam eles as gargalhadas... segundo o noticiário é uma comitiva chefiada pelo vice-prefeito de uma cidade com as mesmas características que a nossa (indústria metal-mecânica) e com população em torno de setecentos mil habitantes. Em visita à prefeitura, cerca de trinta e cinco membros, manifestaram interesse em manter relações comerciais conosco!
Nada acontece por acaso!
Será? Imaginem quanta “inspiração” os chineses vieram buscar por aqui. Só não vê quem não quer. Pois bem, do jeito que a coisa anda, daqui a alguns anos parece-me que somente a China terá um parque industrial e mão-de-obra especializada para fornecer ao resto do mundo. Sera?

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Conversas na rua

Dia desses a escola do Bolshoi tornou-se alvo de denúncias por assédio moral. Parece que determinados alunos sentiam-se humilhados ou acuados pelas exigências dos professores. Num primeiro instante imaginei quem se submeteria a tal rotina. Acredito que o pulo do gato seja isso mesmo. Isto é, a escola se vangloria de dar oportunidades a menores carentes, oriundos das classes sociais desfavorecidas. Transformando-se em oportunidade única para que os escolhidos possam “fugir” do destino já traçado pela condição de vida dos pais. Assim os menores sem escolha, ou isso ou a miséria, se submetem a toda sorte de rotinas, esforços, e por que não, humilhações e maus tratos, pois tratam-se de professores humanos de carne e osso, alguns até de outras culturas, que pouco ou nada ligam para quem seja fulano ou beltrano, querem o resultado. Nem que para isso tenham que dar alguns cascudos ou alguns gritos estridentes... imagino que a denúncia partiu de alguém cujo futuro não dependa exclusivamente de tal escola. Pois é fácil imaginar que somente pessoas sem chances de outras oportunidades se submeteriam a tais pressões. Resumindo, acredito em tais denúncias, como acredito ser rotina nas dependências da escola, e também que somente alguém sem possibilidades de outro futuro é que abraçaria as promessas vindas de pessoas do outro lado do mundo... coisas da vida... aceita quem quer. E hoje foi mais um dia de caminhada...

Conversas na rua

Os norte americanos são patriotas prá caramba. Também pudera, tiveram as lições inglesas. Acredito que patriotismo maior é o inglês. Não é à toa que a Inglaterra está onde está. São centenas de anos saqueando, colonizando, assaltando, logrando e monopolizando nações ao redor do mundo. Como fiel escudeiro, os norte americanos, que aprendeu a lição de casa. Adotou uma constituição que remonta dois séculos e meio sem alteração, com isso facilita a divulgação e todas as crianças até os dez anos já conseguem entender seus   direitos e deveres como cidadãos. Assim é que nascem os patriotas. Enquanto que em outros países, as constituições são feitas para não pegarem, para não serem entendidas, para privilegiarem uma ou outra casta... enfim, séculos distantes daquilo que se provou ser o ideal. Essa é a diferença, enquanto os americanos foram colonizados e instruídos pelos ingleses, nós, brasileiros, sofremos com a falta de competência dos portugueses que arrancavam nosso ouro para trocar por vinho e outras besteiras com a Inglaterra. E depois ficam bravos porque a gente conta muita piada de português. E por falar em português, esse BIG originou-se de um grupo de Investidores Portugeses, lá no início da década de setenta, supermercados real, mas agora na virada do século, rendeu-se a Wall Mart... Made in USA. Quem eram eles antes da 2ª Guerra Mundial.... são grandes lições que a história nos brinda e em muitos casos viramos-lhes as costas. Amanhã falaremos do Bolshoi... 

domingo, 19 de agosto de 2012

Séneca

"É melhor saber coisas inúteis do que não saber nada"

O IMPÉRIO DO CONSUMO

por Eduardo Galeano 
(http://www.patriagrande.net/uruguay/eduardo.galeano/cronicas.htm) 

A explosão do consumo no mundo atual faz mais barulho do que todas as guerras e mais algazarra do que todos os carnavais. Como diz um velho provérbio turco, aquele que bebe a conta, fica bêbado em dobro. A gandaia aturde e anuvia o olhar; esta grande bebedeira universal parece não ter limites no tempo nem no espaço.

Mas a cultura de consumo faz muito barulho, assim como o tambor, porque está vazia; e na hora da verdade, quando o estrondo cessa e acaba a festa, o bêbado acorda, sozinho, acompanhado pela sua sombra e pelos pratos quebrados que deve pagar. A expansão da demanda se choca com as fronteiras impostas pelo mesmo sistema que a gera. O sistema precisa de mercados cada vez mais abertos e mais amplos tanto quanto os pulmões precisam de ar e, ao mesmo tempo, requer que estejam no chão, como estão, os preços das matérias primas e da força de trabalho humana. O sistema fala em nome de todos, dirige a todos suas imperiosas ordens de consumo, entre todos espalha a febre compradora; mas não tem jeito: para quase todo o mundo esta aventura começa e termina na telinha da TV. 

A maioria, que contrai dívidas para ter coisas, termina tendo apenas dívidas para pagar suas dívidas que geram novas dívidas, e acaba consumindo fantasias que, às vezes, materializa cometendo delitos. O direito ao desperdício, privilégio de poucos, afirma ser a liberdade de todos. 

Dize-me quanto consomes e te direi quanto vales.

Esta civilização não deixa as flores dormirem, nem as galinhas, nem as pessoas. Nas estufas, as flores estão expostas à luz contínua, para fazer com que cresçam mais rapidamente. Nas fábricas de ovos, a noite também está proibida para as galinhas. E as pessoas estão condenadas à insônia, pela ansiedade de comprar e pela angústia de pagar. Este modo de vida não é muito bom para as pessoas, mas é muito bom para a indústria farmacêutica. Os EUA consomem metade dos calmantes, ansiolíticos e demais drogas químicas que são vendidas legalmente no mundo; e mais da metade das drogas proibidas que são vendidas ilegalmente, o que não é uma coisinha à-toa quando se leva em conta que os EUA contam com apenas cinco por cento da população mundial. 

«Gente infeliz, essa que vive se comparando», lamenta uma mulher no bairro de Buceo, em Montevidéu. A dor de já não ser, que outrora cantava o tango, deu lugar à vergonha de não ter. Um homem pobre é um pobre homem. «Quando não tens nada, pensas que não vales nada», diz um rapaz no bairro Villa Fiorito, em Buenos Aires. E outro confirma, na cidade dominicana de San Francisco de Macorís: «Meus irmãos trabalham para as marcas. Vivem comprando etiquetas, e vivem suando feito loucos para pagar as prestações»

Invisível violência do mercado: a diversidade é inimiga da rentabilidade, e a uniformidade é que manda. A produção em série, em escala gigantesca, impõe em todas partes suas pautas obrigatórias de consumo. Esta ditadura da uniformização obrigatória é mais devastadora do que qualquer ditadura do partido único: impõe, no mundo inteiro, um modo de vida que reproduz seres humanos como fotocópias do consumidor exemplar. 

O consumidor exemplar é o homem quieto. Esta civilização, que confunde quantidade com qualidade, confunde gordura com boa alimentação. Segundo a revista científica The Lancet, na última década a «obesidade mórbida» aumentou quase 30% entre a população jovem dos países mais desenvolvidos. Entre as crianças norte-americanas, a obesidade aumentou 40% nos últimos dezesseis anos,segundo pesquisa recente do Centro de Ciências da Saúde da Universidade do Colorado. O país que inventou as comidas e bebidas light, os diet food e os alimentos fat free, tem a maior quantidade de gordos do mundo. O consumidor exemplar desce do carro só para trabalhar e para assistir televisão. Sentado na frente da telinha, passa quatro horas por dia devorando comida plástica. 

Vence o lixo fantasiado de comida: essa indústria está conquistando os paladares do mundo e está demolindo as tradições da cozinha local. Os costumes do bom comer, que vêm de longe, contam, em alguns países, milhares de anos de refinamento e diversidade e constituem um patrimônio coletivo que, de algum modo,está nos fogões de todos e não apenas na mesa dos ricos. Essas tradições, esses sinais de identidade cultural, essas festas da vida,estão sendo esmagadas, de modo fulminante, pela imposição do sabor químico e único: a globalização do hambúrguer, a ditadura do fast food. A plastificação da comida em escala mundial, obra do McDonald´s, do Burger King e de outras fábricas, viola com sucesso o direito à autodeterminação da cozinha: direito sagrado, porque na boca a alma tem uma das suas portas. 

A Copa do Mundo de futebol de 1998 confirmou para nós, entre outras coisas, que o cartão Máster Card tonifica os músculos, que a Coca-Cola proporciona eterna juventude e que o cardápio do McDonald´s não pode faltar na barriga de um bom atleta. O imenso exército do McDonald´s dispara hambúrgueres nas bocas das crianças e dos adultos no planeta inteiro. O duplo arco dessa M serviu como estandarte, durante a recente conquista dos países do Leste Europeu. 

As filas na frente do McDonald´s de Moscou, inaugurado em 1990 com bandas e fanfarras, simbolizaram a vitória do Ocidente com tanta eloquência quanto a queda do Muro de Berlim. Um sinal dos tempos: essa empresa, que encarna as virtudes do mundo livre, nega aos seus empregados a liberdade de filiar-se a qualquer sindicato. O McDonald´s viola, assim, um direito legalmente consagrado nos muitos países onde opera. Em 1997, alguns trabalhadores, membros disso que a empresa chama de Mac família, tentaram sindicalizar-se em um restaurante de Montreal, no Canadá: o restaurante fechou. Mas, em 98, outros empregados do McDonald´s, em uma pequena cidade próxima a Vancouver, conseguiram essa conquista, digna do Guinness. 

As massas consumidoras recebem ordens em um idioma universal: a publicidade conseguiu aquilo que o esperanto quis e não pôde. Qualquer um entende, em qualquer lugar, as mensagens que a televisão transmite. No último quarto de século, os gastos em propaganda dobraram no mundo todo. Graças a isso, as crianças pobres bebem cada vez mais Coca-Cola e cada vez menos leite e o tempo de lazer vai se tornando tempo de consumo obrigatório. 

Tempo livre, tempo prisioneiro: as casas muito pobres não têm cama, mas têm televisão, e a televisão está com apalavra. 

Comprado em prestações, esse animalzinho é uma prova da vocação democrática do progresso: não escuta ninguém, mas fala para todos. Pobres e ricos conhecem, assim, as qualidades dos automóveis do último modelo, e pobres e ricos ficam sabendo das vantajosas taxas de juros que tal ou qual banco oferece. Os especialistas sabem transformar as mercadorias em mágicos conjuntos contra a solidão. As coisas possuem atributos humanos: acariciam, fazem companhia, compreendem, ajudam, o perfume te beija e o carro é o amigo que nunca falha. A cultura do consumo fez da solidão o mais lucrativo dos mercados. 

Os buracos no peito são preenchidos enchendo-os de coisas, ou sonhando com fazer isso. E as coisas não só podem abraçar: elas também podem ser símbolos de ascensão social, salvo condutos para atravessar as alfândegas da sociedade de classes, chaves que abrem as portas proibidas. Quanto mais exclusivas, melhor: as coisas escolhem você e salvam você do anonimato das multidões. A publicidade não informa sobre o produto que vende, ou faz isso muito raramente. Isso é o que menos importa. Sua função primordial consiste em compensar frustrações e alimentar fantasias. 

Comprando este creme de barbear, você quer se transformar em quem? O criminologista Anthony Platt observou que os delitos das ruas não são fruto somente da extrema pobreza. Também são fruto da ética individualista. A obsessão social pelo sucesso, diz Platt, incide decisivamente sobre a apropriação ilegal das coisas. Eu sempre ouvi dizer que o dinheiro não trás felicidade; mas qualquer pobre que assista televisão tem motivos de sobra para acreditar que o dinheiro trás algo tão parecido que a diferença é assunto para especialistas. 

Segundo o historiador Eric Hobsbawm, o século XX marcou o fim de sete mil anos de vida humana centrada na agricultura, desde que apareceram os primeiros cultivos, no final do paleolítico. A população mundial torna-se urbana, os camponeses tornam-se cidadãos. Na América Latina temos campos sem ninguém e enormes formigueiros urbanos: as maiores cidades do mundo, e as mais injustas. Expulsos pela agricultura moderna de exportação e pela erosão das suas terras, os camponeses invadem os subúrbios. Eles acreditam que Deus está em todas partes, mas por experiência própria sabem que atende nos grandes centros urbanos. 

As cidades prometem trabalho, prosperidade, um futuro para os filhos. Nos campos, os esperadores olham a vida passar, e morrem bocejando; nas cidades, a vida acontece e chama. Amontoados em cortiços, a primeira coisa que os recém chegados descobrem é que o trabalho falta e os braços sobram, que nada é de graça e que os artigos de luxo mais caros são o ar e o silêncio.

Enquanto o século XIV nascia, o padre Giordano da Rivalto pronunciou, em Florença, um elogio das cidades. Disse que as cidades cresciam «porque as pessoas sentem gosto em juntar-se». Juntar-se, encontrar-se. 

Mas, quem encontra com quem? 
A esperança encontra-se com a realidade? 
O desejo, encontra-se com o mundo? 
E as pessoas, encontram-se com as pessoas? 
Se as relações humanas foram reduzidas a relações entre coisas, quanta gente encontra-se com as coisas? 

O mundo inteiro tende a transformar-se em uma grande tela de televisão, na qual as coisas se olham mas não se tocam. As mercadorias em oferta invadem e privatizam os espaços públicos. Os terminais de ônibus e as estações de trens, que até pouco tempo atrás eram espaços de encontro entre pessoas, estão se transformando, agora, em espaços de exibição comercial. O shopping center, o centro comercial, vitrine de todas as vitrines, impõe sua presença esmagadora. As multidões concorrem, em peregrinação, a esse templo maior das missas do consumo. A maioria dos devotos contempla, em êxtase, as coisas que seus bolsos não podem pagar, enquanto a minoria compradora é submetida ao bombardeio da oferta incessante e extenuante. 

A multidão, que sobe e desce pelas escadas mecânicas, viaja pelo mundo: os manequins vestem como em Milão ou Paris e as máquinas soam como em Chicago; e para ver e ouvir não é preciso pagar passagem. Os turistas vindos das cidades do interior, ou das cidades que ainda não mereceram estas benesses da felicidade moderna, posam para a foto, aos pés das marcas internacionais mais famosas, tal e como antes posavam aos pés da estátua do prócer na praça. 

Beatriz Solano observou que os habitantes dos bairros suburbanos vão ao center, ao shopping center, como antes iam até o centro. O tradicional passeio do fim-de-semana até o centro da cidade tende a ser substituído pela excursão até esses centros urbanos. De banho tomado, arrumados e penteados, vestidos com suas melhores galas, os visitantes vêm para uma festa à qual não foram convidados, mas podem olhar tudo. Famílias inteiras empreendem a viagem na cápsula espacial que percorre o universo do consumo,onde a estética do mercado desenhou uma paisagem alucinante de modelos, marcas e etiquetas. 

Cultura do consumo, cultura do efêmero, condena tudo à descartabilidade midiática. Tudo muda no ritmo vertiginoso da moda, colocada à serviço da necessidade de vender. As coisas envelhecem num piscar de olhos, para serem substituídas por outras coisas de vida fugaz. Hoje, quando o único que permanece é a insegurança, as mercadorias, fabricadas para não durar, são tão voláteis quanto o capital que as financia e o trabalho que as gera. O dinheiro voa na velocidade da luz: ontem estava lá, hoje está aqui, amanhã quem sabe onde, e todo trabalhador é um desempregado em potencial. 

Paradoxalmente, os shoppings centers, reinos da fugacidade, oferecem a mais bem-sucedida ilusão de segurança. Eles resistem fora do tempo, sem idade e sem raiz, sem noite e sem dia e sem memória, e existem fora do espaço, além das turbulências da perigosa realidade do mundo. 

Os donos do mundo usam o mundo como se fosse descartável: uma mercadoria de vida efêmera, que se esgota assim como se esgotam, pouco depois de nascer, as imagens disparadas pela metralhadora da televisão e as modas e os ídolos que a publicidade lança, sem pausa, no mercado. Mas, para qual outro mundo vamos nos mudar? Estamos todos obrigados a acreditar na historinha de que Deus vendeu o planeta para umas poucas empresas porque, estando de mau humor, decidiu privatizar o universo? A sociedade de consumo é uma armadilha para pegar bobos. 

Aqueles que comandam o jogo fazem de conta que não sabem disso, mas qualquer um que tenha olhos na cara pode ver que a grande maioria das pessoas consome pouco, pouquinho e nada, necessariamente, para garantir a existência da pouca natureza que nos resta. 

A injustiça social não é um erro por corrigir, nem um defeito por superar: é uma necessidade essencial. Não existe natureza capaz de alimentar um shopping center do tamanho do planeta.

sábado, 18 de agosto de 2012

Conversas na rua

Acho que o maior exemplo do tamanho da imbecilidade humana é o ato de fumar. Digo isso porque levei trinta anos fumando, faz dois que parei, e o assunto, aliás, a vontade ainda permanece latente. Que idiotice, que banalidade, que mais o quê? Por aí se tem a ideia de que somos uma máquina de vícios, hábitos, rotinas e outros repetecos... isso quer dizer que estar longe ou enfrentar mudanças nos aflige... cadê meu cigarro? Minha razão levou embora! E por que não leva também a vontade? Talvez porque a vontade é resultado de um cérebro idiota que grava uma informação sem se perguntar a finalidade. É isso. Criei uma necessidade desnecessária. É o vício do inútil. Pelo menos para mim. Mas para a indústria do cigarro e para quem arrecada impostos é um grande negócio. Bobo daquele que se prestar a esse papel. Somente sustentar a ambição econômica de alguns. Seria um imbecil?!?. Pior que um imbecil, é um imbecil confessando sua imbecilidade. Depois disso, é só lembrar que hoje é sábado e que adoro conversar enquanto caminho na companhia de meu filho.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

terça-feira, 14 de agosto de 2012

João Mineiro e Marciano

É minha cara, eu mudei minha cara
Mas por dentro eu não mudo
O sentimento não pára
A doença não sára
Seu amor ainda é tudo, tudo...

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

domingo, 12 de agosto de 2012

Dia dos pais


Em nossa caminhada comemorativa ao dia 12 de agosto de 2012, surgiu a imagem que registrei para neste espaço publicá-la. É nossa (pai e filho) homenagem aos dia dos pais.

sábado, 11 de agosto de 2012

Trânsito em Joinville SC


PS: Após dezenas de vezes testemunhando a cena, senti-me obrigado a registrar aqui a total falta de respeito à lei, pois como é fácil perceber na imagem, as pessoas param de frente para a placa de advertência, isto é, elas sabem que estão cometendo uma infração e demonstram estar nem aí. Não duvido que esses sejam aqueles que ao serem notificados, logo abrem a boca reclamando da indústria da multa.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Lazer de pobre

Em um bate-papo descontraído hoje pela manhã, recordei dos tempos em que ainda criança percebi que através da leitura poderia viver momentos mil. Fortaleci minha crença ao encontrar uma revistaria de gibis e livros usados que poderiam ser adquiridos com algumas moedas. Assim, pelo preço de um refrigerante ou uma guloseima qualquer eu conseguia ler durante um fim de semana... 
Uauuuuuuuuuuuuuu! 
Só em lembrar arrepia-me, pois desde aqueles tempos aprendi a viajar pelas terras distantes, compartilhar aventuras e vibrar com as novas descobertas. Ler para mim é como respirar... faz parte do meu modo de vida... esse gosto... essa tesão... eu tento compartilhar e passar adiante através de meus escritos, do meu blog e do panfleto modas dum diletante... feliz daquele ou daquela que captar a mensagem...

PS: Foi lazer para os pobres da minha época, pois eu não era o único a desfilar com a gibizada embaixo do braço fosse domingo com chuva ou sol.  

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

G.E.N.T.A.L.H.A

Moro em Joinville há mais de vinte anos, nesse período tenho acompanhado diariamente a transformação da cidade. De pacata e tranquila nos fins da década de oitenta aos atuais e turbulentos dias que ultimamente me surpreendem pelas práticas adotadas em certos estabelecimentos comerciais. Classifico-as de abusivas, imorais, além de ilegais. Deixaram de ocorrer vez que outra para se tornarem quase uma rotina. Comigo já são incontáveis as situações que ao conferir o troco ou a conta de algumas compras aborreci-me.

Pois a intenção é enganar o consumidor, isto é, aproveitar-se da boa-fé ou até mesmo da distração do sujeito geralmente envolvido em outros pensamentos ou envolto com a natural correria do dia-a-dia. Aí então, nesta hora, quantos conferem o TROCO ou o valor da soma? Tal fato geralmente se dá em estabelecimentos desprovidos de máquinas automáticas (coincidência???). 

A técnica é dar o troco a menor e se o cliente reclamar, dar uma de distraído. Ou como aconteceu numa lanchonete, gastei 3,50, dei uma nota de cinco reais, a moça queria empurrar uma caixa de chicletes por 1,50, recusei, então pegou um monte de moedas e depositou na minha mão. Desconfiei. No mesmo instante larguei as moedas no balcão e pedi para ela recontar. Em vez de 1,50 havia somente 0,90 centavos... perguntei se era assim com todos os clientes.

Noutro dia fui surpreendido na verdureira, ao realizar mentalmente a soma das minhas mercadorias a conta não fechou... ao verificar, na fita aquele golpe de carregar 5,00 reais na memória, sem imprimir, mas acrescer a soma total. Apareceu a diferença de CINCO REAIS que a moça argumentou tratar-se de erro na máquina.. ao que respondi: -- Moça, se eu tivesse dez anos de idade, talvez acreditasse em você, mas como tenho cinquentinha e cabelos grisalhos esta é a última vez que venho aqui... e isso que você está fazendo é crime. É estelionato. 

OUTRA TAMBÉM.... tem gente que sempre dará o troco errado, trouxa quem não conferir... então antes de colocar na carteira ou no bolso confira. Pois no bar aqui perto de casa, algumas vezes o bodegueiro ao verificar que eu estava conferindo o troco, aparecia com O RESTO (mais algumas moedas) que havia ESQUECIDO... Essas práticas interpreto como consequência da mutação da cidade... estamos nos transformando em Metrópole e adquirindo com isso, todos os CACOETES e VÍCIOS oriundos dos grandes centros. Onde as pessoas são tratadas como meros pedaços de carne. Só isso.

PS: O título é minha homenagem ao Kiko (Programa do Chaves) que adorava dizer e eu ouvir gentalha... gentalha... gentalha... quem desejar, vista o chapéu!


PS2: Vale acrescentar que é mais fácil tirar (roubar) pouco (centavos) de muitos do que muito de poucos (isto é, roubar de rico é mais difícil), por isso considero essas pessoas além de gentalhas, covardes também.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Repasso uma dica que gostei




Cada qual

Para cada qual um qual. Para cada cabeça os pensamentos que a tenham. Assim, somos o que pensamos e a verdade esta neles, pois acreditando nisso ou naquilo ou não acreditando em nada disso. DE QUALQUER modo você estará certo, PORQUE VOCÊ é o que pensa!

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

domingo, 5 de agosto de 2012


História da Riqueza do Homem

Considero este livro um dos imperdíveis. Muito esclarecedor, importantíssimo para melhor se entender as engrenagens deste mundo. (Gilrikardo)
Este livro tem um duplo objetivo. É uma tentativa de explicar a história pela teoria econômica e a teoria econômica pela história. Leo Huberman assim justificou a criação de sua História da Riqueza do Homem – explicação esta sem razão de ser. Se a simples citação da palavra “economia” provoca bocejos entre os jovens numa sala de aula, ler o livro de Huberman, porém, remete o leitor ao desenvolvimento da sociedade humana impulsionado por sangue, revoluções, traições e pactos selados, principalmente, por homens de visão. Pensado anteriormente para leitores juvenis, História da Riqueza do Homem terminou por expandir seu alcance até tornar-se um clássico obrigatório. Cobrindo da Idade Média até o nascimento do nazifascismo, a saga da economia mundial, infelizmente, encerrava-se em meados dos anos 1930. Esta 22ª edição amplia-se e renova-se ao trazer dois capítulos assinados pela historiadora Marcia Guerra, cobrindo a nova era iniciada pela Segunda Guerra Mundial – fazendo desta a única edição atualizada no mundo.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Brasil dos tolos

Artigo de Leonardo Attuch publicado na Revista Isto É de 01/08/2012 

O que foi o mensalão? 

Pagar campanhas passadas e futuras é o mesmo que comprar apoio parlamentar 

Às vésperas do julgamento do século, o ministro Carlos Ayres Britto, presidente do Supremo Tribunal Federal, tomou uma decisão acertada. Orientou assessores da corte a não mais tratar o caso que se avizinha como “processo do mensalão”, mas, simplesmente, como a Ação Penal 470. Falar em mensalão, segundo ele, seria antecipar um juízo. 
Sim, as palavras têm peso, significado e, muitas vezes, condenam. Mensalão, como mesada paga todo mês ou de forma regular aos parlamentares, é algo que jamais existiu. Ou, se existiu, não ficou provado na CPMI dos Correios nem nos autos do processo que se desenrola há sete anos. 
Ocorre, no entanto, que a expressão criada por Roberto Jefferson caiu no gosto popular e grudou no imaginário coletivo. E, ainda que o próprio delator já tenha dito se tratar apenas de uma figura retórica, para todos os efeitos, o que será julgado em agosto é o “mensalão”. 
Se não houve pagamentos mensais, o que foi então o objeto da Ação Penal 470? Foi a compra de apoio parlamentar, mas não por meio de uma mesada. Um político se vende de uma maneira muito simples: a quem lhe pague campanhas pretéritas e organize as que vêm pela frente. E uma base parlamentar é montada quando determinado governante quita o passado dos aliados e contribui para o futuro. Foi exatamente para isso que serviram os empréstimos tomados junto aos bancos mineiros. 
Qualquer que seja o nome que se dê ao esquema, o que o PT fez, no primeiro mandato do governo Lula, foi comprar apoio parlamentar. E mesmo depois do escândalo, continuou comprando, mas de outra maneira. Em vez de pagamentos aos líderes dos partidos, foram entregues a eles ministérios com “porteira fechada”, assim como se fazia em governos anteriores. Portanto, em nada mudou a lógica de compra e venda do Congresso – o que mudou foi a natureza dos escândalos e a moeda usada pelos governantes. 
Agora, na hora de virar a página de mais um escândalo, seria também o momento de repensar questões essenciais, como, por exemplo, o financiamento público de campanhas e a própria democracia representativa. Será que o Brasil precisa mesmo de uma Câmara e um Senado? Por que não o unicameralismo? Por que não uma democracia direta? 
(Leonardo Attuch) 
Revista Isto É - 01/08/2012