sábado, 17 de agosto de 2013

Doce lembrança

Meus oito anos 
Por Casimiro de Abreu

Oh que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais


Meus oito anos
Por Gilrkardo




Não havia energia elétrica, o banho era numa bacia. Naqueles dias, geralmente ao findar da tarde, a euforia tomava conta de mim. Pois logo estaria a realizar-me em aventuras muito além da imaginação. Nunca perguntei ao meu pai o porquê daquela iniciativa, parece que os filhos são acostumados a não medir a dimensão dos atos paternos, ou talvez se enquadre naquela máxima fazer o bem sem olhar a quem. Sim, fazer o bem, foi assim que recebi aquela surpresa em minha vida. E olha o “estrago”. Quarenta e tantos anos depois, e graças a internet pelas imagens, tenho a oportunidade de garimpar em minhas memórias momentos derradeiros.  Quando após o jantar, a noite recém chegada, corria para meu quarto e lá estava a iluminar a vela próxima da cabeceira. Conferia minhas mãos, deveriam estar limpas, sem gordura ou restos da janta. Era preciso cuidar muito bem das páginas que viriam a seguir. Meu pai entrava no quarto e nas mãos um volume novinho da Delta Júnior Enciclopédia cuja leitura me embriagava. O cheiro de tinta e papel marcavam o clima daqueles momentos de aventuras. A cada página desvendada nascia em mim o desejo de ir além, e assim aprendi a usar a imaginação, pois se o tema eram as caravelas, logo me ajeitava em alguma e rumava até onde meus sonhos levavam, sim, sonhos, pois muitas vezes continuava minhas leituras dormindo. Que mais um guri de oito anos poderia desejar. Nada. E nada desejei. Sentia-me a criança mais feliz deste mundo, lá naquele cantinho a esperar o fim da tarde, abraçar meus livros, ler e suspirar diante das descobertas.




P.S. "Faço deste uma dedicatória ao professor e blogueiro do "Diplomatizzando" senhor Paulo Roberto de Almeida"