segunda-feira, 21 de maio de 2012

E lá nos confins


Lá numa comunidade, nos confis do Pará, lá onde o diabo perdeu as meias, pois as botas ele deixou muito, mas muito antes mesmo. É longe prá dedéu... É de lá que vem uma experiência patrocinada pela nova onda de INCLUSÃO que assola este país abençoado por deus e bonito por natureza.
Pois bem... numa tarde, pulando de canal em canal, cheguei ao Futura que exibia as comunidades dos quilombolas (descendentes de ex-escravos) e de como o governo lhes dá uma atenção toda especial.
Curioso resolvi conferir. O apresentador pintava um quadro revolucionário, parecia que agora sim, todos os excluídos seriam salvos, pois aquela experiência teria se mostrado de grande valia e exemplo para as demais comunidades. E aí então surge um desfile de depoimentos e revela uma vila de miseráveis coletores de açai.
A professora responsável pela matemática diz que agora o ensino é da "ETNOMATEMÁTICA", isto é, matemática voltada ao saber dos quilombolas. Fiquei imaginando se teriam encontrado outra maneira de somar ou multiplicar. E lá vem a professora explicar o método etnomatemático para pesar o açai, utilizavam latas (cinco latas, duas latas, ao invés de cinco quilos, dois quilos), pois era com latas que eles transportavam os frutos retirados do pé. Depois desse baque, teimosamente continuei só para ver até onde iriam com tais experimentos pedagógicos. E foram, pois ensinavam o resgate da cultura dos escravos de cento e cinquenta anos passados... como dançavam, como cantavam, como rezavam, como faziam as comidas, como plantavam... e naquelas gentes, alguns com cara de que nada entendiam outros sorrindo à-toa...
Aquilo foi como esbofetear-me a cara. Não acreditei que em pleno século XXI é possível se gastar energia, dinheiro e muito esforço para INCLUIR miseráveis na cultura da ESCRAVIDÃO. Se eu ali estivesse, provavelmente pularia com tudo em cima daqueles “especialistas do governo”. Ora, que coisa mais ridícula, ensinar como era a vida de escravos e ficar trazendo aquelas práticas para um mundo onde não existe escravidão. Melhor aprenderem a dançar rock, samba, bolero, rap ou outra música onde vemos raças de todas as cores se integrando, comer um hot dog, uma pizza, uma macarronada, um churrasco...
Não, isso não pode. Devemos sim, recuperar a cultura escravagista para daí então criar uma nova classe com direito a sindicato, ministério, ministro e toda aquela parafernália burocrata - assim devem almejar esses insensíveis energúmenos e parasitas estatais. Depois disso tudo, estou tentado a subir numa árvore, resgatar meus instintos ancestrais e quem sabe voltar a comer bananas. Até lá, muita azia!

********************
PS: Esse google é uma arma e tanto, após publicar o texto acima, fui em busca de informações e bingo. É só conferir:
http://www.oimpacto.com.br/plantao/projeto-quilombola-e-destaque-no-canal-futura/
Projeto Quilombola é destaque no Canal Futura
Santarém terá seu projeto de educação quilombola exibida para o Mundo
Amanhã, às 14h, no Programa Nota Dez – A cor da Cultura no canal de TV a cabo Futura, será exibida uma matéria sobre a escola municipal São Sebastião, localizada no quilombo de Murumutuba, em Santarém. A reportagem destacará o projeto “A etnomatemática e os símbolos africanos: estudando a geometria”, desenvolvido pela professora Patrícia da Silva Tates.
O projeto utiliza figuras da arte africana, através de livros e revistas que expõem figuras com desenhos africanos, atentando sempre a visualização das formas geométricas nas obras, e a busca de alternativas viáveis e cotidianas dos educandos, em que os mesmos vislumbrem a teoria estudada nas escolas com a sua prática no dia-a-dia. Os alunos atendidos utilizam as artes, a história e o português, usando a matemática como base nesse processo.
Na Escola Municipal São Sebastião, a Prefeitura de Santarém, por meio da Secretaria Municipal de Educação e Desporto (SEMED), utiliza projetos quilombolas para a implementação da lei 10.639/2003, que inclui o estudo da História da África e dos Africanos; a luta dos negros no Brasil; a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional e as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Etnicorraciais, visando o reconhecimento e a valorização da identidade africana por meio de práticas educativas vivenciadas em sua própria realidade.Ascom/PMA

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Se preferir utilize o email: gilrikardo@gmail.com