terça-feira, 22 de maio de 2012

Uma desilusão

Era assíduo assinante da revista Exame, há quase trinta anos, além de manter-me informado, conheceria certos bastidores e histórias do mundo dos negócios - como ingenuamente imaginava. 
Até que em determinado número emergiu uma reportagem (inesquecível, eis a prova) sobre as melhores e maiores construtoras, eram páginas e mais páginas, demonstrando como chegar ao topo em poucos anos. Senti-me um idiota, um completo ignorante por não aplicar em minha vida tais ensinamentos de competência, austeridade e muita estratégia ousada. 
Aquilo impressionou-me, como posso deixar passar isso - questionei-me à época. Estava tudo tão simples, tudo tão na cara, e mesmo assim não acreditei em tais teorias - por um bom tempo lamentei não ter dado a devida atenção aos conceitos elencados na matéria. 
Segui minha vida de eterno aprendiz e leitor da revista. Até o dia em que fui obrigado a me desfazer de uns bons quilos de ingenuidade. Foi quando veio a baila as maracutaias da exemplar e famosa construtora de Brasília, a OAS, erigida nos moldes da atual Delta, e ovacionada pela imprensa de aluguel como exemplo de sucesso e gestão. 
Peguei os exemplares que colecionava e atirei-os no lixo. Foi uma lição e tanto. Mostrou-me um Brasil que até hoje ainda permanece imutável. O Brasil dos bastidores. Brasil dos donos do poder. Pois sai ano, entra ano, e os subterrâneos se mantêm. Só mudam as siglas e a cara dos anjinhos.

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